CÂNCER DE COLO-RETAL


 

O que é Câncer

Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas. Por outro lado, um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco de vida. Os diferentes tipos de câncer, correspondem aos vários tipos de células do corpo. Por exemplo, existem diversos tipos de câncer de pele porque a pele é formada de mais de um tipo de célula. Se o câncer tem início em tecidos epiteliais como pele ou mucosas ele é denominado carcinoma. Se começa em tecidos conjuntivos como osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma. Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases).

Introdução

Câncer de colo-retal é um tumor maligno que ocorre no intestino grosso (cólon e reto),  devido a um crescimento anormal e acelerado  de células cancerosas.   Câncer de cólon e reto é predominantemente (95%) adenocarcinoma, isto é, surgem no epitélio interno do intestino grosso. A doença pode iniciar como um pólipo, mas pode se tornar maligno e invadir e destruir os tecidos normais e estender-se pelas estruturas ao seu redor.

O câncer colo-retal é um dos poucos tipos de câncer que tem um índice razoável  de prevenção. Geralmente, tem início a partir de uma lesão chamada pólipo. Fazendo exames regulares pode-se retirar os pólipos, biopsiá-los, e caso seja maligno, pode-se detectar precocemente o câncer na fase inicial. O câncer de cólon e reto tem uma associação com a dieta consumida pelo paciente. É um dos tumores malignos mais freqüentes em homens e mulheres do mundo ocidental. O câncer do cólon afeta duas vezes mais as pessoas do que o câncer retal.

O baixo índice  de 5 anos de sobrevida de 40 a 50% é devido, principalmente as diagnóstico tardio e ás metástases. Em sua maioria, as pessoas não apresentam sintomas por longos períodos e procuram cuidados de saúde quando notam uma mudança nos hábitos intestinais ou sangramento retal.

Sinonímia

O Câncer de colo-retal também é conhecido pelos seguintes nomes:

·         Câncer de colo e reto.

·         Câncer do cólon.

·         Câncer do intestino grosso.

·         Câncer colorretal.

Incidência

·         Tipo de câncer mais comum do tubo digestivo.

·         Uma incidência um pouco maior nos homens do que nas mulheres.

·         A incidência desse tipo de câncer está aumentando nos países em desenvolvimento.

·         Ocorrência maior a partir dos 50 anos de idade.

·         Maior freqüência em países desenvolvidos e raramente nos países subdesenvolvidos. Essa situação está relacionada à dieta deficiente em fibras e alimentos industrializados e enlatados.

·         A incidência aumenta com a idade (a incidência é maior nas pessoas com idade superior a 70 anos).

·         A associação da pesquisa de sangue oculto e de sigmoidoscopia, consegue identificar 75% dos pacientes com tumor maligno.

·         A incidência deste tipo de câncer é maior, em pessoas que têm uma dieta pobre em fibras.

·         O tipo histológico mais frequente é o adenocarcinoma.

Causas

·         Polipose: numerosas tumorações pediculadas que surgem da mucosa e se estendem para dentro da luz intestinal.

·         Colite ulcerativa crônica: risco definido de câncer cólico de até 20%, após os 20 anos de idade com doença ativa.

·         Consumo grande de alimentos industrializados e enlatados.

·         Consumo de alimentos ricos em gorduras animais.

·         Diverticulose.

·         Transmissão genética: a transmissão de pai para filho constitui menos de 10% dos casos.

Obs:  A Diverticulose e o câncer podem ser encontrados juntos  e uma doença pode simular o outro. Não existe nenhuma evidência de que a presença de divertículos seja significativa no aparecimento do câncer. Apenas existem suspeitam.

Fatores de risco

Cada tipo de câncer possui seus fatores de risco específicos. Os fatores de risco aumentam a probabilidade de se desenvolver a doença, mas não garante que ela venha a ocorrer. Os fatores considerados de risco para o desenvolvimento do câncer colorretal são:

·         Idade acima de 40 anos. Quanto maior a idade, maior o risco. A idade é um fator de risco muito importante, não só para os tumores de intestino, mas também para outros tipos de câncer.

·         História de doença  intestinal inflamatória.

·         História familiar de câncer de cólon ou polipose familiar.

·         Portadores de câncer de endométrio, de ovário, de mama, de estômago e de intestino delgado, têm um risco maior de desenvolver câncer de colorretal.

·         História de pólipos retais ou de cólon.

·         Presença de pólipos adenomatosos ou adenomas vilosos.

·         Dieta rica em gordura, proteína (com muita ingesta de carne) e pobre em fibras.

·         Tabagismo: fumantes são mais suscetíveis à  doença.

·         Tabagismo e excesso de bebidas alcoólicas, aumentam o risco.

Fatores protetores

Os fatores considerados protetores para a redução do desenvolvimento do câncer colorretal são:

·         Dieta rica em fibras.

·         Prática de exercício físico de forma regular todos os dias.

·         Evitar o fumo.

·         Evitar bebidas alcoólicas.

·         Remover os pólipos no intestino grosso.

Câncer  colorretal e  a dieta

O Câncer do cólon ocorre mais freqüentemente em países desenvolvidos e raramente nos países subdesenvolvidos. Populações com maior poder econômico têm acesso à alimentos com maior concentração de gorduras de origem animal, o que não acontece com a maioria das populações de baixo poder sócio-econômico, que por conseqüência, console maior quantidade de fibras de origem vegetal.

A maior incidência de câncer do cólon nos países desenvolvidos provavelmente está relacionada com um conteúdo fibroso relativamente menor na dieta dessas áreas. A deficiência de fibras inabsorvíveis parece estar relacionada com o tempo de trânsito intestinal, com volume de fezes e com a consistência.  O efeito da  dieta sobre a flora bacteriana do cólon constitui um fator que possivelmente contribui para o câncer.

O fumo, álcool e uma dieta pobre em fibras e rica em gorduras, pode aumentar o risco de câncer colo-retal. Alimentos com corantes artificiais e conservantes, embutidos e defumados podem aumentar esse risco.

Câncer colorretal e as fibras

As fibras dietéticas são substâncias presentes nos vegetais que não são digeridas pelas enzimas do trato digestivo humano, não sendo portanto absorvidas e por isso chegam intactas ao cólon ou intestino grosso. No intestino elas funcionam como uma esponja, que absorve água e gordura para que estas sejam eliminadas.  As fibras fazem com que o bolo fecal aumente em seu tamanho e fique mais macio e solto facilitando assim, a sua excreção.  Elas podem ser divididas basicamente em 2 grupos: as fibras solúveis e as insolúveis. Fibras insolúveis  são aquelas encontradas em todos os alimentos vegetais principalmente nas verduras de folhas, nos talos dos vegetais, nas cascas e bagaços de frutas e nos grãos e cereais integrais. Elas estimulam o funcionamento intestinal e são importantes na prevenção do câncer de intestino.

Câncer colorretal e pólipos

Os pólipos podem ser lesões benignas, isto é, sem progressão para um câncer, ou evoluir ao longo do tempo para formar um tumor. Esse processo leva tempo, mas em contrapartida pode ser assintomático até que o tumor se estabeleça.  Nem todos os pólipos virarão câncer; alguns têm maior risco que outros. Por isso, durante o exame de colonoscopia, retiram-se os pólipos que são encontrados, evitando-se riscos de progressão da doença. Os pólipos isolados não causam sintomas na maioria dos casos. Por isso, uma visita periódica ao médico para prevenção do CCR a partir dos cinqüenta anos de idade, é recomendada para homens e mulheres.

Câncer colorretal e a Retocolite Ulcerativa

Pacientes que tiveram ou ainda têm ativa a Retocolite Ulcerativa por muitos anos, apresentam um risco maior de desenvolver câncer no intestino grosso. O risco do aparecimento de câncer nesses pacientes está aumentado em relação à população geral, principalmente, quando a doença se prolonga por mais de 10 anos. Os portadores de Colite Ulcerativa com idade abaixo de 40 anos e, que há mais de 10 anos tem a doença ativa, têm um risco ainda maior de desenvolver câncer no cólon. O risco estimado nos portadores de Retocolite Ulcerativa aumenta aproximadamente de 5% da primeira década, na segunda década para 20%, e cerca de 6% para cada ano subseqüente. A morte por causa do Câncer colorretal é três vezes maior entre os portadores com Retocolite Ulcerativa do que na população em geral.

Diagnóstico precoce para Câncer colorretal

O diagnóstico precoce é o emprego de exames para verificar a existência de um problema de saúde em pessoas que não apresentam sintomas. O diagnóstico precoce do câncer é importante porque a identificação da doença quando ainda não há sintomas, geralmente significa que a doença está em estágio inicial, onde as chances de cura são maiores.   No caso específico do câncer colorretal, pessoas que se enquadram nas seguintes condições:

·         Idade acima de 50 anos.

·         Que já teve ou tem pólipos intestinais.

·         Que já teve câncer de intestino.

·         Que tem ou já teve câncer de endométrio, ovário e mama.

·         Que tem história de Polipose intestinal  na família.

·         Que tem ou teve Retocolite ulcerativa.

·         Que tem ou já teve doença inflamatória intestinal.

Os exames utilizados para o diagnóstico precoce do câncer colorretal são os seguintes:

·         Toque retal.

·         Pesquisa de sangue oculto nas fezes.

·         Retossigmoidoscopia rígida ou flexível.

·         Colonoscopia.

Sinais e sintomas

Os sintomas são determinados em grande parte, pela localização do tumor, estágio da doença e função do segmento intestinal no  qual o tumor se localiza. Os tumores do intestino crescem de forma silenciosa, na maioria dos casos, só apresentando sintomas quando estão em fase mais avançada.  A presença de sangue nas fezes ou alteração da forma ou calibre das fezes, assim como da regularidade do seu hábito intestinal, são  indicativos da necessidade de uma avaliação médica.  O sintoma mais comum apresentado pelos pacientes é a mudança nos hábitos intestinais. Depois, a presença de sangue nas fezes, após a evacuação, dor ou desconforto abdominal, perda de peso e anemia.

Fase inicial:

Cólon:

·         Sangue nas fezes.

·         Muco nas fezes.

·         Diarréia.

·         Constipação.

·         Dores abdominais baixas (tipo cólica leve).

·         Distensão abdominal.

·         Perda de peso inexplicada.

·         Alteração do hábito intestinal.

·         Anemia.

·         Fadiga.

Reto:

·         Tenesmo (esforço doloroso e ineficaz à evacuação).

·         Dor retal.

·         Sensação de esvaziamento incompleto após uma evacuação.

·         Alternância de constipação e diarréia.

·         Fezes sanguinolentas.

·         Muco nas fezes.

Fase avançada:

·         Fraqueza progressiva.

·         Anorexia.

·         Emagrecimento.

·         Desidratação.

·         Dificuldade respiratória.

·         Dores fortes constante.

·         Dor retal.

·         Fezes fétidas.

·         Anemia intensa.

·         Vômito fecal.

·         Presença de sangue vermelho-vivo nas fezes.

·         Obstrução intestinal (tumoração grande).

A obstrução pode ser parcial ou completa. Sua gravidade depende da região intestinal afetada, do grau em que a luz está ocluída e, especialmente, do grau em que o sangue circulante na parede do intestino foi alterado.

Fase avançada sem diagnostico:

Quando o paciente tem os sintomas, mas não procura o médico, o crescimento do tumor pode causar obstrução parcial ou completa do intestino. Crescimento e ulceração também podem invadir os vasos sanguíneos, causando hemorragia, perfuração, fecaloma, formação de abscessos, peritonite, sepse e choque. Geralmente, nesses casos o tumor já se encontra em estádio IV, e/ou inoperável, o que pode levar a uma sobrevida dimensionada em algumas semanas ou poucos meses.

Diagnóstico

·         Anamnese.

·         Exame físico geral.

·         Exame clínico.

·         Exame coloproctológico.

·         Exame retal digital.

·         Exames laboratoriais.

·         Dosagem seriada do CEA (antígeno carcinoembrionário).

·         Teste para pesquisa de sangue oculto nas fezes. Exame que detecta a presença de sangue escondido (oculto) nas fezes. A presença de sangue pode ocorrer por sangramentos de úlcera gástrica, hemorróidas, doença inflamatória intestinal, pólipos intestinais ou câncer colorretal. São necessárias três amostras de fezes consecutivas e devem ser evitados alguns tipos de alimentos, alguns dias antes do exame.

·         Raio X constratado do intestino grosso (Enema opaco).

·         Tomografia Computadorizada.

·         Ressonância Magnética.

·         Retossigmoidoscopia rígida ou flexível.  

·         Colonoscopia

·         Anuscopia.

Nos tumores localizados no cólon direito os sintomas são diarréia e dor vaga no abdome, já nos tumores de cólon esquerdo os sintomas obstrutivos são mais comuns e caracterizados principalmente por obstipação intestinal progressiva com fezes afiladas, também pode ocorrer alternância entre diarréia e constipação. Nos tumores de reto o sangramento é freqüente.

Cerca de 80% dos tumores malignos do cólon são diagnosticados tardiamente, isto é, a doença já se encontra em estádios avançados.

Obs:  As maiores causas para o atraso no diagnóstico são a evolução inicial com poucos e inespecíficos sintomas, ignorância dos pacientes sobre a doença, crenças religiosas, tabus e dificuldades de acesso ao sistema de saúde tanto público como através de convênios.

Uma vez confirmado o diagnóstico de câncer, através da biópsia,  realizam-se exames para estabelecer o estadiamento, que consiste em saber o estágio de evolução, ou seja, se a doença está restrita  ou disseminada por outros órgãos. O estadiamento diferencia a forma terapêutica e o prognóstico. Os exames diagnósticos necessários para estabelecer se houve metástases e o estadiamento clínico (estágio da doença)  são os seguintes:

 

·         Tomografia computadorizada do abdômen e tórax.

·         Ressonância magnética.

·         Ultra-sonografia abdominal e pélvica.

·         Ultra-sonografia endorretais.

·         Raio X de abdome e tórax.

·         Raio X dos ossos.

·         Cintilografia.

·         Citometria de fluxo.

·         Provas funcionais hepáticas e enzimas plasmáticas.

·         Marcadores tumorais.

·         Laparoscopia exploratória.

·         Laparotomia exploratória.

·         Exames urológicos. 

·         Exames ginecológicos.

·         Exame neurológico.

 

Obs: É importante lembrar que os exames complementares devem ser solicitados de acordo com o comportamento biológico do tumor, ou seja, o seu grau de invasão e os órgãos para os quais ele geralmente origina metástases, quando se procura avaliar a extensão da doença. Isso evita o excesso de exames desnecessários.

Metástase

Freqüentemente, as células tumorais penetram na corrente sanguínea e linfática; por esse caminho são levadas a outros setores do organismo. E aí se instalam e proliferam. Formam-se então ninhos de células, que originam outras manifestações tumorais, as metástases, que  são  os tumores secundários. Essas manifestações secundárias, decorrentes de migração de células cancerosas, podem instalar-se em qualquer outro ponto do organismo. A análise do tipo de células que formam um tumor pode identificar se ele é primitivo ou se as células provêm de outro tumor.

 

Locais mais comuns de metástases:

·         Duodeno.

·         Fígado.

·         Linfonodos.

·         Pulmões.

Estadiamento do tumor

Cólon e Reto

CID-O  C18-C20

A prática de se dividir os casos de câncer em grupos, de acordo com os chamados estádios, surgiu do fato de que as taxas de sobrevida eram maiores para os casos nos quais a doença era localizada, do que para aqueles nos quais a doença tinha se estendido além do órgão de origem.  O estádio da doença, na ocasião do diagnóstico, pode ser um reflexo não somente da taxa de crescimento e extensão da neoplasia, mas também, do tipo de tumor e da relação tumor-hospedeiro.

 A classificação do tumor maligno tem como objetivos:

·         Ajudar o médico no planejamento do tratamento.

·         Dar alguma indicação do prognóstico.

·         Ajudar na avaliação dos resultados de tratamento.

·         Facilitar a troca de informação entre os centros de tratamento.

·         Contribuir para a pesquisa contínua sobre o câncer humano.

O sistema de classificação TNM - Classificação of Malignant Tumours, desenvolvido pela American  Joint Committee on Cancer, é um método aceito e utilizado para classificação dos tumores.

·         (tumor),  a extensão do tumor primário.

·         N (linfonodo), a ausência ou presença e a extensão de metástase em linfonodos regionais.

·         M (metástase), a ausência ou presença de metástase à distância.

A adição de números a estes três componentes indica a extensão da doença maligna. Por exemplo:

T0, T1, T2, T3, T4 / N0, N1, N2, N3 / M0, M1

Regras para classificação:

A classificação é aplicável somente para carcinoma do cólon e reto. Deve haver confirmação histológica ou citológica da doença. Os procedimentos para avaliação das Categorias T, N e M são os seguintes:

·         Categorias T:  Exame físico, diagnóstico por imagem, endoscopia  e/ou exploração cirúrgica.

·         Categorias N:  Exame físico, diagnóstico por imagem, endoscopia  e/ou exploração cirúrgica.

·         Categorias M:  Exame físico, diagnóstico por imagem, endoscopia  e/ou exploração cirúrgica.

Regiões e sub-regiões anatômicas:

Cólon (C18)

·         Apêndice (vermiforme).

·         Ceco.

·         Cólon ascendente.

·         Ângulo hepático do cólon.

·         Cólon transverso.

·         Ângulo esplênico do cólon.

·         Cólon descendente.

·         Cólon sigmóide.

Junção retossigmoidiana (C19).

Reto (C20).

Linfonodos regionais:

Para cada região ou sub-regiões  anatômicas têm-se um grupo de linfonodos regionais.

·         Apêndice: ileocólico.

·         Ceco: ileocólico, cólico direito.

·         Cólon ascendente: ileocólico, cólico direito, cólico médio

·         Ângulo hepático: cólicos médios, cólicos direitos.

·         Cólon transverso: cólico direito, cólico médio, cólico esquerdo, mesentérico inferior.

·         Ângulo esplênico: cólico médio, cólico esquerdo, mesentérico inferior.

·         Cólon descendente: cólico esquerdo, mesentérico inferior

·         Cólon sigmóide: sigmóide, cólico esquerdo, retal superior (hemorroidal), mesentérico inferior e retosigmóide.

·         Reto: retal superior, médio e inferior (hemorroidal), mesesntérico inferior, ilíaco interno, mesoretal (paraproctal), sacral lateral, pré-sacral, promontório sacral (Gerota).

Metástases em linfonodos diferentes dos listados acima são classificados como metástases à distância.

 

ESTADIAMENTO  - CÓLON E RETO

ESTÁDIOS

DESCRIÇÃO

Estádio  0

Carcinoma in situ; ausência de metástases em linfonodos regionais; ausência de metástases à distância.

Estádio  I

Tumor que invade a submucosa e/ou muscular própria; ausência de metástases em linfonodos regionais; ausência de metástases à distância.

Estádio  IIA

Tumor que invade além da muscular própria, alcançando a subserosa ou os tecidos peri-cólicos ou peri-retais, não peritonizados; ausência de metástases em linfonodos regionais;  ausência de metástases à distância.

Estádio  IIB

Tumor  que é aderente e invade diretamente outros órgãos ou estruturas e/ou que perfura o peritônio visceral; ausência de metástases em linfonodos regionais;  ausência de metástase à distância.

Estádio IIIA

Tumor que invade a submucosa e/ou muscular própria; presença de metástase em 1 a 3 linfonodos regionais;  ausência de metástase à distância.

Estádio IIIB

Tumor que invade além da muscular própria, alcançando a subserosa ou os tecidos peri-cólicos ou peri-retais, não peritonizados e/ou tumor  que é aderente e invade diretamente outros órgãos ou estruturas e/ou que perfura o peritônio visceral; presença de metástase em 1 a 3 linfonodos regionais; ausência de metástases à distância.

Estádio  IIIC

Tumor de qualquer tamanho que apresenta metástase em 4 ou mais linfonodos regionais; ausência de metástases à distância.

Estádio IV

Tumor de qualquer tamanho, que apresenta ou não metástase em  linfonodos regionais, mas com presença de  metástases à distância.

 Tratamento

Médico especialista: Coloproctologista oncológico e Cirurgião geral. Dependendo da sintomatologia,  evolução do câncer e do acometimento de outros órgãos, outros especialistas podem ser indicados para o tratamento.

Objetivos: Reverter a evolução da doença, evitar as metástases e proporcionar a maior probabilidade de cura.

Existem algumas alternativas terapêuticas para o tratamento. Não é possível utilizar as mesmas alternativas para todos os casos. Fatores como o estado geral, nível de ansiedade  do paciente, características do tumor primário, estadiamento, recursos hospitalares e equipe multidisciplinar que vai tratar do paciente, têm peso considerável na decisão. Por causa de todas essas variáveis, a melhor opção terapêutica só pode ser definida em conjunto entre o paciente, seus familiares e o médico responsável.

ü  Tratamento cirúrgico.

ü  Tratamento radioterápico.

ü  Tratamento quimioterápico.

ü  Tratamento paliativo.

Tratamento cirúrgico:  A cirurgia é o principal tratamento para a maioria dos cânceres de cólon e reto. A cirurgia pode ser curativa ou paliativa. O tipo de cirurgia depende da localização e do tamanho do tumor. Após a remoção do segmento intestinal, faz-se a união das duas extremidades restantes (anastomose intestinal).  Tipos de opções cirúrgicas:

·         Colectomia total (remoção completa do cólon): cirurgia que consiste na remoção de todo o cólon e se faz a união da parte final do intestino delgado ao reto.

·         Protocolectomia total (remoção completa do cólon e do reto):  cirurgia que consiste na remoção de todo o intestino grosso e se faz a união do intestino delgado ao ânus. Como o reto precisa ser retirado, faz-se um reservatório com o próprio intestino delgado para fazer papel do reto de conter as fezes antes da evacuação. Esse reservatório é então unido ao ânus.

·         Retossigmoidectomia abdominal:  Cirurgia que consiste na retirada de tumores do sigmóide. Retira-se esse segmento do intestino e os linfonodos regionais e realiza-se a anastomose do cólon esquerdo, também chamado cólon descendente, ao reto.

·         Hemicolectomia esquerda: Cirurgia que consiste na retirada de tumores do cólon esquerdo. Retira-se o cólon esquerdo e realiza-se a anastomose do cólon transverso ao sigmóide.

·         Hemicolectomia direita: Cirurgia que consiste na retirada de tumores do cólon direito. Retira-se o cólon direito e os linfonodos da região, depois realiza-se uma anastomose unindo a parte final do intestino delgado à porção inicial do intestino grosso restante.

·         Colostomia: É a criação cirúrgica de uma abertura (estoma) no cólon. Pode ser criada como uma derivação temporária ou permanente. A colostomia permite a drenagem ou a evacuação dos conteúdos do cólon para fora do corpo. A consistência da drenagem está relacionada ao local da colostomia, que é ditada pela localização do tumor e a extensão da invasão nos tecidos ao seu redor.

·         Pode fazer parte de uma ressecção abdominoperineal para cura ou paliação do câncer.

·         Pode ser paliativa, quando existe uma malignidade irressecável, isto é, nem cirurgicamente pode-se retirar todo o tumor.

·         Pode constituir uma medida temporária para proteger uma anastomose.

·         Pode ser temporária, para desviar a corrente fecal, durante a irradiação ou outra terapêutica.

Atualmente, muitos tumores do reto (porção terminal do intestino grosso), que anteriormente eram tratados com um tipo de cirurgia na qual se removia o esfíncter anal (ressecção abdominoperineal), e fazia-se colostomia definitiva, hoje podem ser tratados com cirurgias que preservam o esfíncter e, com isso, evitar as colostomias, dando ao paciente, qualidade de vida melhor. Esses tipos de cirurgias tornaram-se possíveis, principalmente, pelo aparecimento dos grampeadores (staples) que permitem anastomoses colo-retais baixas.

Complicações do pós-operatório:

·         Hemorragia.

·         Infecção.

·         Choque.

·         Obstrução.

Tratamento radioterápico:  A radioterapia está sendo usada no pré (antes da cirurgia), intra (durante a cirurgia) e no pós-operatório (após a cirurgia), para reduzir o tumor e alcançar melhores resultados na cirurgia, e também para reduzir os riscos de recorrência.  No caso do câncer de reto é administrada antes da cirurgia para reduzir o tumor, facilitando a retirada pela cirurgia. A radioterapia pode ser usada após a cirurgia para destruir células que possam ter ficado no local da cirurgia.  Para os tumores inoperáveis ou não sujeitos a ressecção, usa-se radiação para obter alivio dos sintomas. São usados dispositivos de radiação implantados dentro da cavidade.

Tratamento quimioterápico: A quimioterapia pode ser administrada antes da cirurgia, no caso dos tumores do reto, para aumentar o efeito da radioterapia. Após a cirurgia a quimioterapia está indicada nos casos onde há elevado risco de retorno da doença. Também pode ser utilizada para aliviar sintomas da doença. A quimioterapia não distingue as células tumorais das normais. Os efeitos colaterais do tratamento dependem da droga e da dose utilizada.  Nos quadros avançados, quando o tumor se espalha para a cavidade abdominal e atinge os órgãos ali existentes, o que é conhecido como carcinomatose peritonial, a quimioterapia tem resultados pouco favoráveis.

Tratamento paliativo:  Nesse tipo de tratamento, o câncer está em estágio terminal e com metástases (estádio IV), ou em situações específicas em que o tumor é inoperável, o paciente está em estado crônico e sem possibilidades de terapêuticas curativas. O tratamento paliativo resume-se a medidas paliativas, para atenuar os sintomas e oferecer uma melhor condição de sobrevivência com uma qualidade de vida compatível com a dignidade humana.

Prognóstico: O melhor  indicador prognóstico é o estadiamento  no momento do diagnóstico.

O marcador tumoral  CEA (antígeno carcinoembrionário) é elevado no câncer colorretal, principalmente nos estádios avançados. Níveis elevados de CEA no pré-operatório estão associados a pior prognóstico. Níveis elevados de CEA pós-cirurgia ou quimioterapia sugerem recidivas ou progressão da doença.

Fatores que afetam a sobrevida do paciente que fez cirurgia: extensão da ressecção, grau de diferenciação do tumor, a presença e número de linfonodos comprometidos e o estadamento de Dukes.

Fatores mais relacionados à mortalidade nesse tipo de câncer: grande perda ponderal (perda de peso), Estádio de Dukes, extensão da ressecção e tipo de cirurgia.

Estádio de Dukes avançado influencia negativamente a sobrevida em longo prazo.

Controle do paciente: O acompanhamento deve ser feito por no mínimo cinco anos, para se detectar precocemente recidivas locais ou a distância que sejam passíveis de tratamento. A periodicidade dos exames deve ser constante, especialmente nos dois primeiros anos de pós-operatório, quando a maioria das recidivas acontece. É importante que após o tratamento, o paciente seja acompanhado pelo médico. As avaliações regulares permitem a identificação precoce de alterações. As recomendações quanto à freqüência das consultas e exames de seguimento dependem da extensão da doença, do tratamento realizado e das condições do paciente. 

Os exames de seguimento mais comuns são os marcadores tumorais (dosagem seriada do CEA), a colonoscopia, Raio-X de tórax, USG do abdome, TC de abdome e pelve, nos casos de tumores retais, ultra-som endorretal. Os marcadores tumorais são medidos através do sangue; são substâncias que estão aumentadas quando há tumores em atividade.

Seqüelas

Colostomia permanente: procedimento cirúrgico que constitui em uma abertura do cólon através da parede abdominal (um ânus abdominal). A localização da colostomia influenciará a natureza da descarga (evacuação).

Câncer de origem ocupacional

Um grande número de substâncias químicas usadas na indústria constitui um fator de risco de câncer em trabalhadores de várias ocupações. Quando o trabalhador também é fumante, o risco torna-se ainda maior, pois o fumo interage com a capacidade cancerígena de muitas das substâncias.

O câncer provocado por exposições ocupacionais geralmente atinge regiões do corpo que estão em contato direto com as substâncias cancerígenas, seja durante a fase de absorção (pele, aparelho respiratório) ou de excreção (aparelho urinário), o que explica a maior freqüência de câncer de pulmão, de pele e de bexiga nesse tipo de exposição.  A prevenção do câncer de origem ocupacional deve abranger:

·         A remoção da substância cancerígena do local de trabalho.

·         Controle da liberação de substâncias cancerígenas resultantes de processos industriais para a atmosfera.

·         Controle da exposição de cada trabalhador e o uso rigoroso dos equipamentos de proteção individual (máscaras e roupas especiais).

·         A boa ventilação do local de trabalho, para se evitar o excesso de produtos químicos no ambiente.

·         O trabalho educativo, visando aumentar o conhecimento dos trabalhadores a respeito das substâncias com as quais trabalham, além dos riscos e cuidados que devem ser tomados ao se exporem a essas substâncias.

·         A eficiência dos serviços de medicina do trabalho, com a realização de exames periódicos em todos os trabalhadores.

·         A proibição do fumo nos ambientes de trabalho, porque a poluição tabagística ambiental potencializa as ações da maioria dessas substâncias.

 

SUBSTÂNCIAS TÓXICAS

LOCAIS PRIMÁRIOS

DOS TUMORES

Nitrito de acrílico

Pulmão, cólon e próstata

Alumínio e seus compostos

Pulmão

Arsênico

Pulmão, pele e fígado

Asbesto

Pulmão, serosas, trato gastrointestinal e rim

Aminas aromáticas

Bexiga

Benzeno

Medula óssea (leucemia mielóide)

Benzidina

Bexiga

Berílio e seus compostos

Pulmão

Álcool isopropílico

Seios para-nasais

Borracha

Medula óssea e bexiga

Compostos de níquel

Pulmão e seios para-nasais

Pó de madeiras

Seios para-nasais

Radônio

Pulmão

Tinturas de cabelo

Bexiga

Material de pintura

Pulmão

 

Bibliografia

BODINSKY, L.H. - Dietoterapia Princípios e Prática.  São Paulo: Atheneu, 1996.

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