CÂNCER DA LARINGE


Introdução

Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas. Por outro lado, um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco de vida. Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Por exemplo, existem diversos tipos de câncer de pele porque a pele é formada de mais de um tipo de célula. Se o câncer tem início em tecidos epiteliais como pele ou mucosas ele é denominado carcinoma. Se começa em tecidos conjuntivos como osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma.  Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases).

Definição

O Câncer da Laringe é o mais freqüente dos tumores malignos que atacam o pescoço. Localiza-se quase sempre numa das cordas vocais, a verdadeira, podendo no entanto estender-se às regiões próximas, dando-se seu crescimento por extensão local ou por metástase (extensão a distância), geralmente linfática. Os tumores têm dimensões variadas, desde 1 cm de diâmetro até massas enormes que englobam toda a laringe. O mais comum dos tumores malignos da laringe é o carcinoma epidermóide (tumor maligno próprio das células epiteliais), incluindo os queratinizantes e não-queratinizantes e de graus bem moderadamente e pouco diferenciados.  Esses tumores representam cerca de 90% de todos os tumores malignos da laringe. Na maior parte dos casos, o tumor maligno acomete as cordas vocais, o que provoca os sintomas característicos (rouquidão e mudança da voz).  A forma mais freqüente do crescimento tumoral é o ulcerado, característico pelo mau hálito que provoca, por causa da necrose e da infecção secundária que se instala sobre a lesão. No tumor ulcerado ocorre uma ferida resultante da destruição do revestimento epitelial da laringe e recoberta por uma crosta infectada. O tumor maligno pode ocorrer em três diferentes áreas da laringe:

·         Área da glote: inclui as pregas vocais e a comissura anterior e a região inter-aritenóidea.

·         Área supraglótica: inclui epiglote, pregas vestibulares, ventrículos, pregas ariepiglóticas e aritenóides.

·         Área da subglote: começa 1cm abaixo das pregas vocais e se estende até a borda inferior da cartilagem cricóide ou primeiro anel traqueal.

Incidência

·         Maior incidência em homens (80% dos casos), e é mais freqüente depois dos quarenta anos.

·         Maior predisposição em pessoas que fumam.

·         Maior predisposição em pessoas que usam excessivamente sua voz.

·         O câncer de laringe é um dos mais frequentes a atingir a região da cabeça e pescoço.

Obs: A relação de incidência por sexo  é de 7:1 (masculino-feminino), é considerada a maior diferença em comparação  com qualquer outro sítio anatômico do corpo humano.

Fatores de risco

Cada tipo de câncer possui seus fatores de risco específicos. Os fatores de risco aumentam a probabilidade de se desenvolver a doença, mas não garante que ela venha a ocorrer.

·         Hábito de fumar.

·         Irradiações.

·         Esforços excessivos  e prolongados das cordas vocais.

·         Cordas vocais que ficam irritadas constantemente.

·         Inflamações crônicas na laringe que evoluem para cicatrização.

·         Presença constante de pólipos na laringe.

·         Ingestão constante de bebidas alcoólicas.

·         Exposição contínua e prolongada a substâncias cancerígenas.

·         Infecção pelo papiloma vírus humano (HPV).

Obs: O tabaco é considerado o mais importante fator etiológico no câncer da laringe. Estudos revelaram que o risco de desenvolvimento dessas neoplasias é 14,3 vezes maior em indivíduos que fumam em comparação com os que não fumam.

O consumo de bebidas alcoólicas também contribui, significativamente, para o desenvolvimento dessas neoplasias.

Carcinogênicos:

·         Fumaça de cigarro.

·         Exposição ao amianto.

·         Gás de mostarda.

·         Pó de serra.

·         Poeira de cimento.

·         Produtos do alcatrão.

·         Couro e metais.

Pacientes com câncer de laringe que continuam a fumar e  a beber, têm a  probabilidade de cura diminuída, e com um aumento considerável  do risco de aparecimento de um segundo tumor primário, na área de cabeça e pescoço.

Grupo de risco

Pertencem ao grupo de risco indivíduos que têm uma probabilidade maior de desenvolver a doença.

·         Tabagistas: pessoas que fumam em excesso diariamente.

·         Alcoólatras: pessoas que bebem em excesso diariamente.

·         Portadores de hipovitaminoses.

·         Pessoas que tem refluxo gastro-esofageano.

·         Pessoas que usam a voz excessivamente.

·         Portadores de pólipos na laringe.

·         Portadores que sofrem de inflamações crônicas que evoluem para cicatrização.

·         Portadores de HPV (associação).

Sinais e sintomas

Um dos primeiros sinais deste tipo de câncer  é a rouquidão ou a mudança da voz, isto é decorrente porque geralmente as cordas vocais são impedidas de se aproximarem (e de se fecharem) pelo tecido doente.

Fase inicial:

·         Rouquidão.

·         Ardência na garganta.

·         Aumento dos gânglios cervicais.

·         Tosse seca  com agravamento progressivo.

·         Dor na protuberância laríngea (pomo de Adão).

·         Dor de garganta persistente, por mais de 1 mês.

·         Dispnéia.

·         Sensação da presença de uma tumoração na garganta.

·         Disfagia leve (dificuldade de deglutição ou engolir).

Fase avançada:

·         Disfagia grave (dificuldade para engolir).

·         Disfonia (dificuldade para falar).

·         Dispnéia (dificuldade respiratória).

·         Halitose (mau hálito): causada pela necrose e ulceração do tumor.

·         Otalgia (dor no ouvido): devido as conexões nervosas, que ficam perto da lesão cancerosa. A otalgia reflexa é queixa freqüente nos tumores do andar supraglótico, assim como a presença de metástases cervicais.

Evolução

O câncer  da laringe  caso não seja detectado precocemente e seja tratado, pode evoluir desfavoravelmente para o paciente. Na fase avançada, o tumor provoca fortes dores devido ao envolvimento de terminações nervosas locais. Essas dores podem ser percebidas na região do ouvido e da faringe, por causa das conexões nervosas  existentes entre os três órgãos (laringe, faringe e ouvido). A partir desse estágio, se não houver tratamento, o câncer pode alcançar o início do esôfago, a parede lateral da faringe, a base da língua, a tireóide e a traquéia. Além disso, células cancerosas, levadas pela corrente sanguínea ou pelos vasos linfáticos, poderão alcançar órgãos distantes e dar origem as metástases.

Diagnóstico

·         Anamnese (história do paciente).

·         Exame físico.

·         Exame clínico.

·         Exames laboratoriais.

·         Exame laringoscópico indireto: tem por finalidade identificar o aspecto morfológico das lesões na  laringe/faringe, além da funcionalidade do órgão, possibilitando o seu estadiamento.

·         Exame laringoscópico direto, sob anestesia local ou geral, com biópsia de  fragmentos da lesão, para exame microscópico.

·         Rinoscopia.

·         Tomografia computadorizada.

·         Ressonância magnética.

Obs: Os exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética são indicados na avaliação da extensão da lesão, quando se pretende indicar alguma cirurgia parcial, ou quando se pretende avaliar a operabilidade de pacientes pós-recidiva ou em estágios muito avançados. Em pacientes obesos, com pescoço de difícil palpação, podem ser utilizadas para detecção de linfonodos cervicais em casos de alto risco para metástase cervical, como os tumores supraglóticos.

No caso do câncer da laringe, os tumores malignos em geral só chegam a ser diagnosticados depois de afetarem as cordas vocais, às vezes de modo irreparável.

Uma vez confirmado o diagnóstico de câncer, através laringoscopia direta ou indireta com biópsia,   realiza-se exames para estabelecer o estadiamento, que consiste em saber o estágio de evolução, ou seja, se a doença está restrita  ou disseminada por outros órgãos. O estadiamento diferencia a forma terapêutica e o prognóstico.

Os exames diagnósticos necessários para estabelecer se houve metástase e o estadiamento clínico:

·         Tomografia computadorizada do abdômen e tórax.

·         RX da cabeça e pescoço.

·         Ressonância magnética.

É importante lembrar que os exames complementares devem ser solicitados de acordo com o comportamento biológico do tumor, ou seja, o seu grau de invasão e os órgãos para os quais ele geralmente origina metástases, quando se procura avaliar a extensão da doença. Isso evita o excesso de exames desnecessários.

Metástases

Freqüentemente, as células tumorais penetram na corrente sanguínea e linfática; por esse caminho são levadas a outros setores do organismo. E aí se instalam e proliferam. Formam-se então ninhos de células, que originam outras manifestações tumorais, as metástases, que  são  os tumores secundários. Essas manifestações secundárias, decorrentes de migração de células cancerosas, podem instalar-se em qualquer outro ponto do organismo. A análise do tipo de células que formam um tumor pode identificar se ele é primitivo ou se as células provêm de outro tumor, isto é, se se trata de uma metástase.

A drenagem linfática da região supraglótica é rica  e apresenta intercomunicações que atravessam a linha média. Por essa razão, tumores nessa localização apresentam altos índices de metástases linfáticas regionais, variando de 50% a 60% e, freqüentemente, apresentando incidência bilateral. As cadeias linfáticas dos níveis II e III (jugulares altas, júgulo-digástricas e júgulo-omohioideas) são as mais comumente acometidas.

 

Ao contrário, os tumores glóticos apresentam uma baixa incidência de metástases linfáticas cervicais, e quando ocorrem geralmente são ipsilaterais.

 

As metástases linfáticas de tumores subglóticos são mais freqüentes, e envolvem preferencialmente as cadeias paratraqueais, cervicais baixas e mediastinais altas.

 

A disseminação endolaríngea dos tumores malignos dá-se pela invasão dos espaços pré-epiglótico (para tumores supraglóticos) e paraglóticos (para tumores que alcançam os ventrículos).

 

A disseminação extra-laríngea  poderá ocorrer tanto através das membranas intercartilaginosas quanto através das próprias cartilagens. O acometimento da oro e hipofaringe em tumores avançados é freqüente.

Locais mais comuns de metástase do câncer de laringe:

·         Boca.

·         Esôfago.

·         Faringe.

·         Língua.

·         Pulmão.

·         Tireóide.

·         Traquéia.

Estadiamento do tumor

Laringe

CID-O C32.0, 1, 2, C10.1

A prática de se dividir os casos de câncer em grupos, de acordo com os chamados estádios, surgiu do fato de que as taxas de sobrevida eram maiores para os casos nos quais a doença era localizada, do que para aqueles nos quais a doença tinha se estendido além do órgão de origem.  O estádio da doença, na ocasião do diagnóstico, pode ser um reflexo não somente da taxa de crescimento e extensão da neoplasia, mas também, do tipo de tumor e da relação tumor-hospedeiro.

 A classificação do tumor maligno tem como objetivos:

·         Ajudar o médico no planejamento do tratamento.

·         Dar alguma indicação do prognóstico.

·         Ajudar na avaliação dos resultados de tratamento.

·         Facilitar a troca de informação entre os centros de tratamento.

·         Contribuir para a pesquisa contínua sobre o câncer humano.

O sistema de classificação TNM - Classificação of Malignant Tumours, desenvolvido pela American  Joint Committee on Cancer, é um método aceito e utilizado para classificação dos tumores.

·         (tumor),  a extensão do tumor primário.

·         N (linfonodo), a ausência ou presença e a extensão de metástase em linfonodos regionais.

·         M (metástase), a ausência ou presença de metástase à distância.

A adição de números a estes três componentes indica a extensão da doença maligna. Por exemplo:

T0, T1, T2, T3, T4 / N0, N1, N2, N3 / M0, M1

Regras para classificação:

Os procedimentos para avaliação das Categorias T, N e M são os seguintes:

·         Categorias T: Exame físico, laringoscopia e diagnóstico por imagem.

·         Categorias N: Exame físico e diagnóstico por imagem.

·         Categorias M: Exame físico e diagnóstico por imagem.

Regiões e subregiões anatômicas:

·         Supraglote: epilaringe incluindo a zona marginal e a supraglote, excluindo a epilaringe.

·         Glote: cordas vocais; comissura anterior e posterior.

·         Subglote.

Linfonodos regionais:

Os linfonodos regionais são os cervicais.

 

ESTADIAMENTO  - REGIÃO DA SUPRAGLOTE

ESTÁDIOS  

DESCRIÇÃO

Estádio  I

Tumor limitado a uma sub-região anatômica da supraglote, com mobilidade normal da corda vocal; ausência de metástases em linfonodos regionais; ausência de metástases à distância.

Estádio  II

Tumor que invade a mucosa de mais do que uma sub-região adjacente da supraglote ou da glote ou de uma região adjacente fora da supraglote, sem fixação da laringe; ausência de metástases em linfonodos regionais; ausência de metástases à distância.

Estádio  III

Tumor limitado à laringe, com fixação da corda vocal, ou invasão da área pós-cricóidea, tecidos pré-epiglóticos, base da língua; presença de metástase em um único linfonodo homolateral, com 3cm ou menos em sua maior dimensão; ausência de metástase à distância.

Estádio  IV

Tumor que tem extensão além da laringe; apresenta metástases em mais de um linfonodo regional, com mais de 6cm em sua maior dimensão; presença de metástase à distância.

 

ESTADIAMENTO  - REGIÃO DA GLOTE

ESTÁDIOS  

DESCRIÇÃO

Estádio  I

Tumor limitado à(s) corda (s) vocal (ais), com mobilidade normal das cordas vocais;  ausência de metástases em linfonodos regionais; ausência de metástases à distância.

Estádio  II

Tumor que se estende à supraglote e/ou subglote, e/ou com mobilidade de corda vocal diminuída; ausência de metástases em linfonodos regionais; ausência de metástases à distância.

Estádio  III

Tumor limitado à laringe, com fixação da corda vocal,  presença de metástase em um único linfonodo homolateral, com 3cm ou menos em sua maior dimensão; ausência de metástase à distância.

Estádio  IV

Tumor que tem extensão além da laringe; apresenta metástases em mais de um linfonodo regional; presença de metástase à distância.

 

ESTADIAMENTO  - REGIÃO DA SUBGLOTE

ESTÁDIOS  

DESCRIÇÃO

Estádio  I

Tumor limitado à subglote;  ausência de metástases em linfonodos regionais; ausência de metástases à distância.

Estádio  II

Tumor que se estende à(s) corda (s) vocal (ais), com mobilidade normal ou diminuída; ausência de metástases em linfonodos regionais; ausência de metástases à distância.

Estádio  III

Tumor limitado à laringe, com fixação da corda vocal;  presença de metástase em um único linfonodo  homolateral, com 3cm ou menos em sua maior dimensão; ausência de metástase à distância.

Estádio  IV

Tumor com extensão além da laringe; apresenta metástases em mais de um linfonodo regional; presença de metástase à distância.

 

Tratamento

Médico especialista:  Otorrinolaringologista especializado em oncologia e Cirurgião de cabeça e pescoço. Dependendo da evolução da doença e do acometimento de outros órgãos, outros especialistas podem ser indicados para o tratamento.

Objetivo: Reverter a evolução da doença, evitar as metástases, aumentar a sobrevida e proporcionar a maior probabilidade de cura.

Equipe multidisciplinar para avaliação do planejamento do tratamento,  modalidade terapêuticas utilizadas e fase de reabilitação.

A eficácia do tratamento do câncer da laringe, depende basicamente do estágio de evolução do tumor, quando este foi diagnosticado.  A possibilidade de cura depende de um diagnóstico precoce e a cirurgia torna-se ineficaz quando a doença está numa fase muito avançada.

Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior será a possibilidade de o tratamento evitar deformidades físicas e problemas psicossociais.

·         Tratamento cirúrgico.

·         Tratamento quimioterápico.

·         Tratamento radioterápico.

·         Tratamento paliativo.

Tratamento cirúrgico: Dependendo da localização e do estadiamento do tumor, o cirurgião pode recorrer dos seguintes procedimentos cirúrgicos:

·         Laringectomia parcial: A Laringectomia parcial (Laringofissuratireotomia) é recomendada nos estágios precoces do câncer na área glótica, quando apenas uma única corda vocal está envolvida. Essa cirurgia está associada a uma elevada taxa de cura.

·         Laringectomia supraglótica: essa cirurgia é indicada no tratamento de tumores supraglóticos iniciais. O osso hióide, a glote e as cordas falsas são removidas. Durante o procedimento cirúrgico uma ressecção radical do pescoço é realizada sobre o lado comprometido. Uma cânula de traqueostomia é mantida na traquéia até que a via aérea glótica seja estabelecida. Nessa cirurgia, a voz é preservada, embora alterada. Nesse procedimento cirúrgico o principal problema é a recorrência ou volta do câncer, ainda mais agressivo.

·         Hemilaringectomia: Procedimento cirúrgico recomendado quando o tumor se estende além da corda vocal. Nessa cirurgia a voz é preservada, embora com alterações, podendo tornar-se áspera, rascante e rouca e baixa.

·         Laringectomia total: Procedimento cirúrgico mais radical. É utilizada quando o câncer se estende além das cordas vocais ou para o câncer recorrente, ou persistente, em seguida a uma radioterapia. Na Laringectomia total as estruturas da laringe são removidas, incluindo o osso hióide, a epiglote, a cartilagem cricóide e dois ou três anéis da traquéia. A língua, as paredes da faringe e a traquéia são preservadas. Nessa cirurgia, a voz é permanentemente perdida e o paciente sofre alteração na via aérea. Uma traqueostomia permanente é um das conseqüências da cirurgia.

·         Ressecção endoscópica: Só para casos selecionados.

As indicações de cirurgias parciais devem ser feitas após uma cuidadosa seleção da co-morbidade, sobretudo em relação à idade e a capacidade respiratória.

Em pacientes submetidos a Laringectomias parciais, ou subtotais, a reabilitação é fundamental.

Em qualquer dos casos cirúrgicos, na Laringectomia total ou parcial, é feito o esvaziamento ganglionar de todo o território linfático cervical, ou seja, a retirada de todos os  gânglios  e vasos linfáticos da região do pescoço. Esse procedimento é recomendado  porque no câncer da laringe as metástases para os linfonodos cervicais são comuns.  Prossegue-se  o tratamento com aplicações periódicas de radioterapia, para garantir uma completa interrupção do processo canceroso.

Complicações pós-cirúrgica:

·         Angústia respiratória (hipoxia, obstrução da via aérea, edema traqueal).

·         Ruptura da artéria carótida (risco de vida).

·         Hemorragia.

·         Infecção.

·         Deiscência da ferida cirúrgica.

 

Complicações pós-alta:

·         Infecção.

·         Fístula faringocutânea (mais frequente).

·         Estenose do estoma.

·         Disfagia secundária à contrição faríngea e esôfago-cervical.

·         Aspiração (complicação pulmonar).

·         Necrose do retalho.

Riscos para o tratamento cirúrgico:

 

Os pacientes com condição respiratória comprometida são considerados de alto risco para cirurgias parciais/subtotais tais como:

·         Laringectomia Supracricóide.

·         Laringectomia Supraglótica.

·         Laringectomia Near-total.

 

Em pacientes idosos deve-se tomar especial atenção na indicação de cirurgias subtotais. Pacientes com comprometimento sistêmico, provocado por doenças cardíacas incapacitadoras ou alcoolismo, também são contra-indicados para tratamento cirúrgico com Laringctomias subtotais.

A enfermagem  no pré-operatório deve junto com o paciente dispor de  um sistema de comunicação  que deverá ser utilizado no pós-operatório, caso ocorra a cirurgia de Laringectomia total.

·         Respeitar o desejo do paciente de privacidade durante os tratamentos, mudanças de curativos e refeições.

·         Prevenir os visitantes sobre o aspecto  do paciente, para que suas expressões não lhe causem transtorno.

·         Providenciar a aeração freqüente do quarto e utilizar desodorantes para prevenir cheiros desagradáveis.

Reabilitação vocal: Após a cirurgia da Laringectomia, há uma modificação dos caminhos da condução do ar e da alimentação:  a inspiração do ar passa a ser feita pelo traqueostoma (orifício no pescoço). O ar  não poderá circular nem pela boca nem pelo nariz, como acontecia antes da cirurgia. Os aparelhos respiratórios e digestivos tornam-se separados e independentes.

A Laringectomia total acarreta a perda da voz laríngea.  Mas esse procedimento, não significa a perda da fala ou linguagem.  A reabilitação vocal é possível através da voz esofágica, que substitui a voz laríngea, usando a via digestiva para produzir o som. Através da Fonoaudiologia, o paciente pode reaprender a falar utilizando a voz esofágica. O sucesso da reabilitação vocal depende muito do paciente, por isso o contato com outros pacientes laringectomizados, pode ser útil, para a reabilitação vocal.

Quando da alta, a enfermagem deve informar ao paciente e a sua família sobre as medidas de segurança necessárias devido às alterações estruturais da cirurgia. 

Tratamento quimioterápico: A quimioterapia é um tratamento sistêmico sendo as drogas transportadas na corrente sanguínea e estando aptas a atuar em qualquer sítio tumoral estando a célula cancerosa próxima ou à distância do tumor original. Tratamento utilizado geralmente para redução do tumor, alívio dos sintomas e em alguns casos  para aumentar o tempo de vida da paciente. Pode ou não ser  associado com o tratamento radioterápico. Caso o tumor seja inoperável, a radioterapia tem finalidade apenas paliativa.

Em pacientes que requeiram Laringectomia total para controle da doença, pode-se tentar a combinação de quimioterapia e radioterapia definitiva (quimioterapia adjuvante ou concomitante). Nesses casos, a Laringectomia total deve ser efetuada em pacientes com menos de 50% de resposta à quimioterapia, ou com doença persistente após a radioterapia.

Tratamento radioterápico: O objetivo da radioterapia é a destruição das células cancerosas, através da aplicação  de radiação .  O tratamento é utilizado geralmente para redução do tumor, alívio dos sintomas e em alguns casos  para aumentar o tempo de vida do paciente. Pode ou não ser  associado com o tratamento  quimioterápico.  Caso o tumor seja inoperável, a radioterapia tem finalidade apenas paliativa.

 

A Radioterapia é o tratamento de escolha para a preservação da voz. A cirurgia é reservada para falhas no tratamento. A radioterapia complementar poderá ser usada em casos de margens muito próximas ou positivas ou em casos de linfonodos cervicais metastáticos, ou em casos em que o estudo da peça operatória, evidenciar a presença de fatores de risco, tais como invasão de cartilagem, invasão microvascular e/ou perineural. A região supraclavicular é tratada com campo direto.

 

Tratamento paliativo:  Nesse tipo de tratamento, o câncer está em estágio terminal e com metástases (estádio IV), ou em situações específicas em que o tumor é inoperável , o paciente está em estado crônico e sem possibilidades de terapêuticas curativas. O tratamento paliativo resume-se a medidas paliativas, para atenuar os sintomas e oferecer uma melhor condição de sobrevivência com uma qualidade de vida compatível com a dignidade humana.

 

Prognóstico: Paciente com câncer de laringe no qual foi necessário tratamento cirúrgico atráves de uma laringectomia total apresentando metástases pulmonares, o prognóstico é desanimador e extremamente reservado. A sobrevida é de apenas alguns meses.

 

Controle do paciente: É importante que após o tratamento o paciente seja acompanhado pelo médico. As avaliações regulares permitem a identificação precoce de alterações. As recomendações quanto à freqüência das consultas e exames de seguimento dependem da extensão da doença, do tratamento realizado e das condições do paciente.

 

Os pacientes tratados de câncer da laringe devem manter uma rotina de acompanhamento em busca da detecção o mais precoce possível de qualquer recidiva da lesão primária ou de metástase cervical.

Exame clínico: mensal no primeiro ano, trimestral no segundo ano, quadrimestral no terceiro ano, semestral após o terceiro ano, e anual após o quinto ano. Esse exame deve incluir os seguintes procedimentos:

 

·         Exame da cavidade oral, faringe e cadeias linfáticas cervicais.

·         Laringoscopia indireta ou direta.

·         Avaliação do estado geral do paciente (qualidade de vida, ganho ponderal).

·         Raios X de tórax (anual).

·         Esofagoscopia (anual) - pesquisa de segundo tumor primário.

 

Obs: Todos esses exames são necessários, porque o câncer de laringe tem uma tendência alta, a recidivas e recorrências, como também se metastatizar em outros órgãos.

 

Recidiva

Recidiva é o aparecimento do tumor no mesmo órgão ou no coto cirúrgico. O tratamento para o câncer de laringe recidivado da supraglote, glote e subglote inclui cirurgia ou radioterapia. O resgate é possível para falhas no tratamento cirúrgico exclusivo ou radioterápico exclusivo. e re-intervenções cirúrgicas e/ou radioterapia devem ser tentadas se possível. Pacientes muito bem selecionados podem ser candidatos a Laringectomia subtotal para tratamento de falhas na radioterapia.

Seqüelas da laringectomia total

·         Perda permanente da fala

·         Alteração da fala.

·         Disfagia (dificuldade de deglutição ou de engolir) moderada a grave.

·         Traqueostomia permanente.

·         Alteração na arcada dentária.

·         Perda ponderal crônica (perda de peso).

Cuidados domiciliares com a cânula traqueal

A cânula traqueal é que deixa o paciente  vivo, portanto alguns cuidados básicos devem ser tomados com este aparelho:

·         Lave sempre as mãos, quando for fazer a limpeza da cânula.

·         O paciente ou o seu cuidador devem ser treinados para implementar as medidas de segurança ou emergência em caso de dificuldade respiratória ou sangramento. Qualquer erro nesses procedimentos podem levar o paciente à morte por asfixia.

·         A cânula tem que estar sempre limpa por questões higiênicas e para evitar que a secreção acumule e acarrete dificuldade para o processo de respirar.  Quando retirada a cânula pode ser limpa com escova cilíndrica, sabão neutro e água corrente, pelo uma vez por dia.

·         Quando a cânula traqueal está com excesso de poeira ou suja, o paciente geralmente, tem um acesso de tosse, devido a irritação. A secreção que sai pela cânula, após algumas horas, adquire uma coloração diferente, mais amarelada e a consistência é mais pegajosa.

·         Deve-se usar de preferência um protetor para impedir que partículas de poeira ou corpos estranhos cheguem aos pulmões. No hospital onde foi feita a cirurgia o setor  social informa quais os tipo de protetores da cânula traqueal  pode ser utilizados,  geralmente se usa um protetor  (tipo babador), feito de crochê ou pano de algodão, mas existem outras opções.

·         Cuidados no banho:  é preciso muito cuidado, na hora do banho,  para não deixar entrar água pela cânula. A melhor maneira para tomar o banho é protegendo a cânula traqueal com a mão, ou abaixando a cabeça quando tiver que molhar os cabelos.

·         Quando for fazer a barba, ficar atento para não cair pelos dentro da cânula traqueal. Use de preferência uma toalha sobre a cânula, como forma de proteção.

·         Não usar talco, após o banho.

·         O paciente com cânula traqueal não pode fumar, devido a possibilidade de asfixia.

·         O paciente com cânula traqueal não pode nadar, devido a possibilidade de entrar água pela cânula.

·         Deve-se evitar ambientes poluídos e com muita poeira.

 

Medidas preventivas

As medidas profiláticas em relação ao Câncer de Laringe são da mais alta importância.  Através desses cuidados as pessoas podem ter uma vida mais saudável:

 

·         Abandonar o tabagismo, caso seja fumante. As substâncias irritantes do cigarro podem levar a transformações no epitélio, que podem resultar no aparecimento de lesões malignas.

·         Diminuir o consumo de bebidas alcóolicas, devido à irritação na região.

·         Evitar trabalho em ambientes altamente poluídos.

·         Ficar atento a qualquer lesão, nódulos ou qualquer endurecimento nos tecidos do pescoço.

·         Consultar o médico quando ocorrer disfonia ou rouquidão por mais de duas semanas.

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