CÂNCER DO PULMÃO


O que é Câncer

Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo.  Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas. Por outro lado, um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco de vida. Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Por exemplo, existem diversos tipos de câncer de pele porque a pele é formada de mais de um tipo de célula. Se o câncer tem início em tecidos epiteliais como pele ou mucosas ele é denominado carcinoma. Se começa em tecidos conjuntivos como osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma. Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases).

Introdução

O Câncer do Pulmão ou câncer broncogênico é um tumor pulmonar maligno e agressivo,  que cresce na parede ou no epitélio que recobre os brônquios. O pulmão é também um sítio comum de  metástases de carcinomas localizados em outras partes do organismo, cujas células ali chegam por via venosa ou por disseminação linfática. O câncer da pleura é raro. Geralmente, mais de 90% dos pacientes admitidos com diagnóstico de câncer de pulmão nos hospitais referência, são fumantes ou ex-fumantes, de mais de uma carteira de cigarro por dia. Estudos epidemiológicos demonstraram que o fumante passivo (pessoa que não fuma, mas que tem uma convivência intensiva com fumantes no dia a dia) também aumenta as chances de ter câncer de pulmão.

Na maior parte dos casos, o tumor localiza-se no hilo pulmonar (câncer hilar) ou junto ao hilo (para-hilar). Nas fases iniciais de desenvolvimento do tumor, são evidentes as zonas restritas de crescimento da formação neoplásica (cancerosa). À medida que o processo avança, o pulmão é tomado pelo tecido tumoral, seja qual for  o ponto de origem. O pulmão torna-se uma massa compacta, duríssima, de cor branco-acinzentada e contorno indistinto.

As chances de cura de pacientes com câncer de pulmão dependem diretamente de dois fatores fundamentais: diagnóstico precoce e tratamento adequado. A grande maioria dos pacientes com câncer de pulmão, quando chegam ao especialista,  já se encontram em uma fase avançada da doença, e com metástases disseminadas pelo organismo. Essa situação, juntamente com a agressividade do câncer de pulmão, diminui consideravelmente as oportunidades de cura e aumenta a mortalidade.

Incidência

·         Cerca de 95% dos casos de tumores do pulmão são de natureza maligna.

·         O carcinoma de pequenas células de pulmão representa aproximadamente, 20% dos casos de câncer de pulmão.

·         Incidência maior em pessoas com mais de 40 anos, com predominância em pessoas na faixa etária de 60 anos.

·         Aumento acentuado da incidência em mulheres fumantes.

·         O câncer de pulmão é 10 vezes mais comum no fumante de cigarro do que no não-fumante.

·         Mais de 85% dos carcinomas de pulmão são atribuídos à inalação de químicos carcinogênicos, tais como a fumaça do cigarro.

·         Atualmente, 25% dos tumores malignos de pulmão têm como indicação a cirurgia. Os outros 75% dos casos são graves demais para operar.

 

Fatores predisponentes

·         Fumo: quantidade, freqüência e duração do hábito têm uma relação positiva com o câncer do pulmão.

·         Exposição industrial ao amianto, arsênico, cromo, níquel, ferro, substâncias radioativas,  fumaça de alcatrão, vapores de petróleo.

·         Predisposição genética.

·         Doenças respiratórias subjacentes, tais como a DPOC e a Tuberculose.

 

Fatores de risco

Cada tipo de câncer possui seus fatores de risco específicos. Os fatores de risco aumentam a probabilidade de se desenvolver a doença, mas não garante que ela venha a ocorrer.

 

·         Tabagismo: principal fator de risco para o câncer de pulmão.

·         Fatores genéticos (que predispõem à ação carcinogênica de compostos inorgânicos de asbesto e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos)

·         História familiar de câncer de pulmão.

·         Exposição ambiental a substâncias cancerígenas.

Grupo de risco

São indivíduos que pertencem a um determinado grupo, e que têm mais probabilidade de adquirir a doença:

·         Fumantes ou tabagistas.

·         Pessoas que apresentam infecções pulmonares repetidas e difíceis de tratar.

·         Trabalhadores de refinarias de petróleo.

·         Trabalhadores que lidam com determinados agentes químicos.

·         Pessoas que lidam com substâncias consideradas cancerígenas, por muitos anos.

Tabagismo passivo

O tabagismo passivo tem sido identificado como uma causa possível de câncer de pulmão em não-fumantes. Em outras palavras, as pessoas que estão involuntariamente expostas à fumaça de cigarro, em um ambiente fechado (domicílio, carro, prédios), estão em risco crescente de desenvolvimento de câncer de pulmão quando comparadas a não-fumantes sem exposição. As instituições municipais e federais têm publicado numerosas leis para restringir o tabagismo em locais públicos, tais como restaurantes, prédios públicos e aviões.

Câncer de pulmão e o cigarro

Começar a fumar antes dos 20 anos, pode representar um caminho mais rápido para a morte, e para o surgimento de problemas de saúde no futuro. De cada três casos de câncer, um está relacionado ao tabagismo. Dados do Instituto Nacional de Câncer - Inca indicam que o câncer de pulmão é o mais comum de todos os tumores malignos, apresentando um aumento por ano de 2% na sua incidência mundial. Segundo o Inca, em 90% dos casos diagnosticados, esse tipo de câncer está associado ao consumo de derivados de tabaco.

Câncer de pulmão nas mulheres: assim, como ocorre com os homens,  o cigarro é apontado como a principal causa do aumento desse tipo de tumor, entre as mulheres. Várias pesquisas sugerem que, as mulheres são em médias duas vezes mais suscetíveis a ter a doença do que os homens. Mesmo aquelas que não fumam, mas que são expostas à fumaça do cigarro, têm maior possibilidade de desenvolver um tumor do que os homens que nunca fumaram.  não se sabem as causas, mas suspeita-se que hormônios sexuais femininos, como o estrógeno, interfiram no metabolismo de substâncias químicas do cigarro. A única informação positiva nessa estatística trágica, é que as mulheres com câncer de pulmão, em geral, vivem por um período um pouco maior que os homens com a doença.

 

O câncer de pulmão é um dos mais letais e após o diagnóstico, é considerado um dos cânceres que mais causam comprometimento na qualidade de vida do seu portador. Perto de 90% dos pacientes, morrem num período de cinco anos, após ele ser diagnosticado. Por ser de difícil diagnóstico e ter sintomas iniciais geralmente negligenciados, como tosse e falta de ar, também é de difícil prevenção. Não é só com o câncer de pulmão que as fumantes devem se preocupar. Pesquisas mostram também que os efeitos do tabagismo, são mais devastadores para a saúde das mulheres que para a dos homens. O fumo dobra a probabilidade de câncer de mama, aumenta em cinco vezes o risco de câncer de colo do útero e triplica a incidência de ataques cardíacos e derrames. Um perigo que, combinado à pílula anticoncepcional, pode ser dez vezes maior.

 

A mais importante e eficaz prevenção do câncer de pulmão é a primária, ou seja, o combate ao tabagismo, com o que se consegue a redução do número de casos (incidência) e de mortalidade.

Câncer de pulmão  e a Síndrome de Pancoast

Esta síndrome costuma ser observada no carcinoma do ápice do pulmão (tumor de Pancoast). O quadro  clínico consiste de intensa  dor local com irradiação para o ombro, axila e membro superior ipsolaterais. A manifestação álgica pode ser acompanhada de parestesias, paresias e amiotrofias nos segmentos considerados. Uma síndrome de Claude Bernard-Horner (ptose palpebral incompleta, miose e enoftalmo) geralmente faz parte do quadro. O diagnóstico  pode ser confirmado pelo estudo radiológico do tórax, broncoscopia e citologia do escarro.  O tratamento deve ser cirúrgico desde que possível; a radioterapia e a quimioterapia são geralmente empregadas nestes casos. O prognóstico é bastante sombrio, para os portadores de câncer de pulmão associada a essa síndrome.

Classificação

O câncer de pulmão de células não pequenas corresponde a um grupo heterogêneo composto de três tipos histológicos distintos:

·         Carcinoma epidermóide ou escamoso.

·         Adenocarcinoma.

·         Carcinoma de células grandes.

 

Carcinoma indiferenciado de células pequenas:

·         Linfocitóide (oat cell).

·         Intermediário.

·         Combinado (células pequenas mais carcinoma epidermóide ou adenocarcinoma)

 

Obs:  A expressão oat cell ganhou importância no linguajar médico por tratar-se de um subtipo especial de câncer pulmonar, caracterizado por um rápido crescimento, grande capacidade de disseminação e, inclusive com invasão cerebral precoce. Apesar do alto grau de resposta ao tratamento, apresenta baixo percentual de cura.

Sinais e sintomas

O câncer pulmonar pode surgir e desenvolver-se sem nenhum sintoma que o denuncie, por um longo tempo, devido à grande reserva pulmonar. Os sintomas geralmente ocorrem quando o câncer está avançado. A  época de aparecimento dos primeiros sinais varia conforme a localização do tumor. Nos tumores do hilo pulmonar, os sintomas surgem mais cedo, pois a entrada do brônquio é diretamente afetada, interferindo nas trocas respiratórias.  Quando o câncer está localizado no ápice do pulmão, os sintomas são típicos, manifestando-se sempre do lado do pulmão atacado e dor no ombro correspondente.

Fase inicial:

·         Tosse persistente, que não alivia com sedativos comuns.

·         Episódios de bronquite.

·         Coriza.

·         Febre não muito alta, de origem indeterminada.

·         Expectoração  abundante.

·         Perda de peso moderada.

·         Cansaço.

·         Ronco (acontece quando o brônquio se torna parcialmente obstruído pelo tumor).

 

À medida que o processo evolui, outros sintomas também aparecem:

·         Dor torácica gradativa.

·         Dores de localização variada, sinal do envolvimento da pleura ou dos troncos nervosos que inervam os membros superiores.

·         Dispnéia (falta de ar).

·         Escarros hemópticos (escarros com raias de sangue).

·         Hemoptise (eliminação do sangue em grande quantidade, pela expectoração), pode ocorrer se forem atingidos vasos de maior calibre. Conforme o vaso sanguíneo atingido, varia a intensidade da hemoptise.

·         Astenia.

·         Emagrecimento acentuado.

·         Inapetência.

·         Rouquidão: ocorre devido ao comprometimento do nervo laríngeo recorrente.

·         Lábios e dedos ficam azulados, em decorrência da escassa oxigenação do sangue.

·         Engrossamento das extremidades dos dedos pode ocorrer em alguns casos.

·         Mialgias (dores nas articulações): pés, tornozelos,  joelhos, mãos, punhos e cotovelos, são os locais mais atingidos.

·         Edema (inchaço) em algumas articulações dos membros inferiores e/ou superiores.

·         Aumento de gânglios linfáticos das axilas e nas regiões laterais do pescoço, que ficam duros e indolores.

Pneumonias repetidas pode ser também um sintoma inicial de câncer de pulmão.

Nos fumantes, o ritmo habitual da tosse e o pigarro ficam alterados, podendo  aparecer crises e episódios de tosse em horários incomuns, para o paciente.

Isoladamente, os sintomas descritos podem não ser característicos apenas do câncer, mas de muitas outras doenças pulmonares. Só exames laboratoriais e patológicos complementares, podem revelar a existência de formação de tecido tumoral.

Diagnóstico

·         Anamnese.

·         Exame físico.

·         Exame clínico.

·         Exames laboratoriais.

·         Citologia de líquido pleural.

·         RX do tórax.

·         TC - Tomografia  Computadorizada do tórax: identifica a lesão pulmonar. A TC pode identificar lesões iniciais, menores que 0,5 cm.

·         Tomografia Computadoriza helicoidal.

·         Coleta de escarro: antes e após a Broncoscopia.

·         Broncoscopia com escovado brônquico e com biópsia para exame patológico.

·         Exame cito ou histopatológico, conforme a natureza do material coletado.

·         Fibrobroncoscopia.

·         Punção torácica transcutânea com agulha fina .

·         Biópsia por mediastinoscopia, toracoscopia ou toracotomia (casos especifícos).

·         ECG - Eletroencefalograma.

·         Eletrocardiograma.

·         Avaliação respiratória funcional.

 

No caso de nódulo pulmonar solitário, o diagnóstico é feito após sua ressecção.

Quanto menor for o tumor, e mais precocemente diagnosticado, maiores serão as chances de cura  para o paciente e sobrevida a longo prazo.

Obs: O fumante ativo com mais de 40 anos de idade, que apresente um quadro pneumônico de repetição, deve ser avaliado quanto ao diagnóstico de carcinoma brônquico.

Uma vez confirmado o diagnóstico de câncer,  realiza-se exames para estabelecer o estadiamento, que consiste em saber o estágio de evolução, ou seja, se a doença está restrita ou disseminada por outros órgãos. O estadiamento diferencia a forma terapêutica e o prognóstico.

Exames complementares para estabelecer o estadiamento e detectar metástases à distância:

·         Biópsia de medula óssea.

·         Ressonância magnética cerebral.

·         Tomografia computadorizada (TC) do tórax e abdômen superior.

·         RX do esqueleto.

·         Cintilografia óssea.

·         Tomografia computadorizada de região esquelética cintilograficamente anormal.

·         Ultra-sonografia transesofágica.

·         Mediastinoscopia.

·         TC de crânio: indicada para suspeita de metástase cerebral.

É importante lembrar que os exames complementares, devem ser solicitados de acordo com o comportamento biológico do tumor, ou seja, o seu grau de invasão e os órgãos para os quais ele origina metástases, quando se procura avaliar a extensão da doença. Isso evita o excesso de exames desnecessários.

Metástases

Freqüentemente, as células tumorais penetram na corrente sanguínea e linfática; por esse caminho são levadas a outros setores do organismo. E aí se instalam e proliferam. Formam-se então ninhos de células, que originam outras manifestações tumorais, as metástases, que  são  os tumores secundários. Essas manifestações secundárias, decorrentes de migração de células cancerosas, podem instalar-se em qualquer outro ponto do organismo.

A análise do tipo de células que formam um tumor pode identificar se ele é primitivo ou se as células provêm de outro tumor, isto é, se se trata de uma metástase. As células cancerosas  do pulmão podem se difundir a outros pontos do corpo por via aérea, hemática e linfática.

·         Via aérea: as células tumorais podem alcançar regiões distantes do pulmão atingido ou mesmo o pulmão do lado oposto através dos brônquios ou dos bronquíolos.

·         Via hemática:  as células cancerosas penetram nos capilares alveolares vizinhos ao tumor. Daí, através da veia pulmonar, chegam ao átrio esquerdo, de onde, sempre por meio da circulação, alcançam outros órgãos.

·         Via linfática:  os numerosos gânglios linfáticos situados no hilo pulmonar são os primeiros a serem  invadidos pela células tumorais. A partir desse ponto, essas células passam a se difundir por meio dos vasos linfáticos do organismo.

Locais mais comuns de metástases:

·         Cérebro.

·         Coluna vertebral.

·         Coração.

·         Esôfago.

·         Fígado.

·         Gânglios linfáticos.

·         Hipófise.

·         Mediastino.

·         Olho e/ou órbita.

·         Ossos.

·         Pleura.

·         Rins.

Estadiamento do tumor

Pulmão

CID-O C34

A prática de se dividir os casos de câncer em grupos, de acordo com os chamados estádios, surgiu do fato de que as taxas de sobrevida eram maiores para os casos nos quais a doença era localizada, do que para aqueles nos quais a doença tinha se estendido além do órgão de origem.  O estádio da doença, na ocasião do diagnóstico, pode ser um reflexo não somente da taxa de crescimento e extensão da neoplasia, mas também, do tipo de tumor e da relação tumor-hospedeiro.

 A classificação do tumor maligno tem como objetivos:

·         Ajudar o médico no planejamento do tratamento.

·         Dar alguma indicação do prognóstico.

·         Ajudar na avaliação dos resultados de tratamento.

·         Facilitar a troca de informação entre os centros de tratamento.

·         Contribuir para a pesquisa contínua sobre o câncer humano.

O sistema de classificação TNM - Classificação of Malignant Tumours, desenvolvido pela American  Joint Committee on Cancer, é um método aceito e utilizado para classificação dos tumores.

·         (tumor),  a extensão do tumor primário.

·         N (linfonodo), a ausência ou presença e a extensão de metástase em linfonodos regionais.

·         M (metástase), a ausência ou presença de metástase à distância.

A adição de números a estes três componentes indica a extensão da doença maligna. Por exemplo:

T0, T1, T2, T3, T4 / N0, N1, N2, N3 / M0, M1

 

Regras para classificação:

Os procedimentos para avaliação das Categorias T, N e M são os seguintes:

·         Categorias T:  Exame físico, diagnóstico por imagem, endoscopia e/ou exploração cirúrgica.

·         Categorias N:  Exame físico, diagnóstico por imagem, endoscopia e/ou exploração cirúrgica.

·         Categorias M: Exame físico, diagnóstico por imagem e/ou exploração cirúrgica.

Regiões e Subregiões Anatômicas:

·         Brônquio principal.

·         Lobo superior.

·         Lobo médio.

·         Lobo inferior.

Linfonodos regionais:

Os linfonodos regionais são os intratorácicos, os escalênicos e os supraclaviculares.

 

CÂNCER DO PULMÃO

ESTÁDIO 

DESCRIÇÃO

Carcinoma oculto

O tumor não pode ser avaliado, ou tumor detectado pela presença de células malignas no escarro ou lavado brônquio, mas não visualizado por exames radiológicos ou broncoscopia.

Estádio  0

Carcinoma in situ; ausência de linfonodos regionais; ausência  de metástase à distância.

Estádio  IA

Tumor de 3 cm ou menos em sua maior dimensão; ausência de linfonodos regionais; ausência de metástase à distância.

Estádio IB

Tumor com   mais de 3 cm em sua maior dimensão que pode comprometer ou não o brônquio principal e/ou invadir ou não a pleura visceral; ausência de linfonodos regionais; ausência de  metástase à distância.

Estádio  IIA

Tumor de 3 cm ou menos em sua maior dimensão; apresenta metástase em linfonodos peribrônquicos ou hilares homolaterais e/ou nódulos intrapulmonares, inclusive o comprometimento por extensão direta; ausência de metástase à distância.

Estádio IIB

Tumor de qualquer tamanho, que invade diretamente qualquer uma das seguintes estruturas: parede torácica, diafragma, pleura mediastinal, pericárdio parietal; ou tumor do brônquio principal de menos de 2 cm distalmente à carina, mas sem acometimento da mesma; ou associado com atelectasia ou pneumonite obstrutiva de todo o pulmão, apresenta metástase em linfonodos peribrônquicos ou hilares homolaterais e/ou nódulos intrapulmonares, inclusive o comprometimento por extensão direta; ausência de  metástase à distância.

Estádio  IIIA

Tumor de qualquer tamanho que invade diretamente qualquer uma das seguintes estruturas: parede torácica, diafragma, pleura mediastinal, pericárdio parietal; ou tumor do brônquio principal maior de 2 cm distalmente à carina, mas sem acometimento da mesma; ou associado com atelectasia ou pneumonite obstrutiva de todo o pulmão; metástase em linfonodos mediastinais homolaterais e/ou em linfonodos subcarinais; ausência de  metástase à distância.

Estádio IIIB

Tumor de qualquer dimensão, que invade diretamente qualquer das seguintes estruturas: mediastino, coração, grandes vasos, traquéia, esôfago, corpo vertebral, carina; ou nódulos tumorais isolados no mesmo lobo; ou tumor com derrame pleural maligno; metástase em linfonodos mediastinais contralaterais, hilares contralaterais, escalênicos homo ou contralaterais, ou em linfonodos supraclaviculares; ausência de metástase à distância.

Estádio  IV

Tumor de qualquer dimensão, que pode apresentar ou não metástase em linfonodos regionais, mas apresenta metástase à distância, inclusive nódulos  tumorais isolados num lobo diferente (homolateral ou contralateral).

 

Tratamento

Objetivos: Reverter a evolução da doença, evitar as metástases e proporcionar a maior probabilidade de cura.

Médico especialista: Pneumologista especializado em Oncologia e Cirurgião Torácico. Dependendo da sintomatologia,  evolução do câncer e do acometimento de outros órgãos, outros especialistas podem ser indicados para o tratamento dessa patologia.

O paciente com diagnóstico confirmado de câncer de pulmão,  deve ser tratado se possível, em centros  e unidades hospitalares especializadas em oncologia.

O tratamento do  câncer de pulmão depende principalmente, do tipo histológico, tamanho, localização e extensão do tumor. Os tumores localizados têm melhores resultados no tratamento cirúrgico. O tratamento combinado aumenta a sobrevida dos pacientes com câncer de pulmão. A equipe multidisciplinar decidirá qual será a melhor medida terapêutica. O tratamento consiste das seguintes opções ou etapas:

Tratamento cirúrgico.

Tratamento radioterápico.

Tratamento quimioterápico.

Tratamento paliativo.

Tratamento cirúrgico: A ressecção cirúrgica é o método preferível de tratamento dos pacientes com tumores localizados, sem evidência de disseminação por metástase e função cardiopulmonar adequada. Se a condição cardiovascular do paciente, a função pulmonar e a condição funcional são satisfatórias, a cirurgia é geralmente bem tolerada.

 

Tipos de ressecção pulmonares:

·         Lobectomia: um único lobo do pulmão é removido.

·         Bilobectomia: dois lobos do pulmão são removidos.

·         Broncoplastia (sleeve resection): os lobos cancerosos são removidos, e um segmento do brônquio principal é ressecado.

·         Pneumonectomia: remoção do  pulmão inteiro.

·         Segmentectomia: um segmento do pulmão é removido.

·         Ressecção em cunha: remoção de uma área pequena, tipo pedaço de torta do segmento.

·         Ressecção da parede torácica com remoção do tecido pulmonar canceroso: para os tumores que invadiram a parede torácica.

 

O risco para a cirurgia torácica deve ser avaliado por meio da prova funcional respiratória. Isto porque, quando se vai extrair parte ou a totalidade de um pulmão, deve-se verificar, previamente, se a área pulmonar remanescente possibilitará uma sobrevida na qual as necessidades básicas do indivíduo sejam supridas sem dispnéia.
 

As contra-indicações cirúrgicas prendem-se a co-morbidades que o doente apresente, especialmente as de natureza respiratória (reserva funcional insuficiente para ressecção pulmonar), ou cardiocirculatória (isquemia coronariana sem controle) ou ainda, em caso de recusa do doente a submeter-se ao tratamento cirúrgico. O comprometimento de linfonodos mediastinais contralaterais, constituem contra-indicação do tratamento cirúrgico do câncer de pulmão.

 

Tratamento radioterápico:  A radioterapia pode curar uma pequena porcentagem dos pacientes. Ela é útil no controle de neoplasmas que não podem ser cirurgicamente ressecados, porém respondem à radiação (tumores de pequenas células e epidermóides são geralmente sensíveis à radiação). A radiação também pode ser utilizada para reduzir o tamanho de um tumor, tornando operável um tumor inoperável, ou para diminuir a pressão tumoral sobre estruturas vitais.  A radioterapia geralmente é tóxica para o tecido normal dentro do campo de radiação, podendo levar a complicações tais como esofagite, pneumonite e fibrose pulmonar por radiação.

 

Tratamento quimioterápico: A quimioterapia é um tratamento sistêmico sendo as drogas transportadas na corrente sanguínea e estando aptas a atuar em qualquer sítio tumoral estando a célula cancerosa próxima ou à distância do tumor original. A quimioterapia é utilizada para alterar os padrões de crescimento do tumor, tratar os pacientes com metástases distantes ou câncer pulmonar de pequenas células e suplementar a cirurgia ou a radioterapia. A escolha do agente depende do crescimento da célula tumoral, e da especificidade do medicamento para a fase do ciclo celular, que a droga afeta. Esses agentes são tóxicos, e apresentam uma estreita margem de segurança. A quimioterapia pode oferecer algum alívio, especialmente da dor, porém não cura e, raramente prolonga a vida em qualquer grau. A quimioterapia também é acompanhada de efeitos colaterais importantes..

 

Tratamento paliativo: É indicado quando o tumor encontra-se em estádio IV, com metástases ou em situações específicas em que o tumor é inoperável. A terapia paliativa pode incluir a radioterapia, para contrair o tumor e, proporcionar alívio da dor; uma série de intervenções broncoscópicas,  para abrir um brônquio ou uma via aérea estreitada; a quimioterapia paliativa melhora a sobrevida de doentes com carcinoma avançado de pulmão, mas esse benefício parece ser restrito  ao doente com  capacidade funcional. O tratamento da dor e outras medidas de conforto devem ser implementados.

 

Prognóstico: No caso específico de carcinoma de pulmão de células não pequenas, a sobrevida em 5 anos dos pacientes, permanece em aproximadamente 14%.

 

No caso de pacientes com o câncer de pulmão em fase avançada, inoperável e com metástases disseminadas pelo organismo, o prognóstico na grande maioria é reservado. Nesses casos particulares, o prognóstico é menor que 12 meses.

 

A sobrevida  pequena dos pacientes com câncer de pulmão, pode ser consequência de  um diagnóstico equivocado, da não valorização dos sintomas do paciente e dos fatores de risco de câncer pulmonar, resultando em um  diagnóstico positivo da doença, já em fase avançada (estádio III e IV).

Complicações

Uma série de complicações podem resultar dos tratamentos de câncer de pulmão. A radioterapia pode resultar na diminuição da função cardiopulmonar e, em outras complicações, tais como fibrose pulmonar, pericardite, mielite e cor pulmonale.

A quimioterapia, particularmente em combinação com a radioterapia, pode causar pneumonite. A toxicidade pulmonar é um potencial efeito colateral da quimioterapia.

A ressecção cirúrgica pode resultar em insuficiência respiratória,  sobretudo quando o sistema cardiopulmonar está comprometido antes da cirurgia.  Por isso a necessidade de uma equipe multidisciplinar, para avaliar os riscos e benefícios dos diversos tipos de tratamento.

As complicações da cirurgia torácica: dor, retenção de secreção, pneumonia, fibrilação atrial, infecção da ferida cirúrgica, hemorragia, empiema fístula broncopulmonar. Após pneumectomia: enfisema subcutâneo e lesão do nervo laríngeo recorrente, que pode reduzir a efetividade do mecanismo de tosse.

Prevenção

A mais importante e eficaz prevenção do câncer de pulmão é a primária, ou seja, o combate ao tabagismo, com o que se consegue a redução do número de casos (incidência) e de mortalidade.

·         Parar de fumar, é a mais importante e eficaz prevenção do câncer de pulmão.

·         Fumantes, devem fazer RX de tórax  em intervalos regulares, indicados pelo médico.

·         Evitar fatores relacionados com o desenvolvimento do câncer de pulmão.

·         Evitar ambientes fechados que tenham fumantes.

·         Evitar a exposição profissional a substâncias que comprovadamente  estão relacionadas ao câncer de pulmão.

Campanhas contra o fumo, controle de doenças ocupacionais e médicos que fiquem  alerta para os fatores de risco, são a base dos programas de controle do câncer pulmonar.

Câncer de origem ocupacional

Um grande número de substâncias químicas usadas na indústria constitui um fator de risco de câncer em trabalhadores de várias ocupações. Quando o trabalhador também é fumante, o risco torna-se ainda maior, pois o fumo interage com a capacidade cancerígena de muitas das substâncias.

O câncer provocado por exposições ocupacionais geralmente atinge regiões do corpo que estão em contato direto com as substâncias cancerígenas, seja durante a fase de absorção (pele, aparelho respiratório) ou de excreção (aparelho urinário), o que explica a maior freqüência de câncer de pulmão, de pele e de bexiga nesse tipo de exposição.
A prevenção do câncer de origem ocupacional deve abranger:

·         A remoção da substância cancerígena do local de trabalho.

·         Controle da liberação de substâncias cancerígenas resultantes de processos industriais para a atmosfera.

·         Controle da exposição de cada trabalhador e o uso rigoroso dos equipamentos de proteção individual (máscaras e roupas especiais).

·         A boa ventilação do local de trabalho, para se evitar o excesso de produtos químicos no ambiente.

·         O trabalho educativo, visando aumentar o conhecimento dos trabalhadores a respeito das substâncias com as quais trabalham, além dos riscos e cuidados que devem ser tomados ao se exporem a essas substâncias.

·         A eficiência dos serviços de medicina do trabalho, com a realização de exames periódicos em todos os trabalhadores.

·         A proibição do fumo nos ambientes de trabalho, porque a poluição tabagística ambiental potencializa as ações da maioria dessas substâncias.

 

SUBSTÂNCIAS TÓXICAS

LOCAIS PRIMÁRIOS DOS TUMORES

Nitrito de acrílico

Pulmão, cólon e próstata

Alumínio e seus compostos

Pulmão

Arsênico

Pulmão, pele e fígado

Asbesto

Pulmão, serosas, trato gastrointestinal e rim

Aminas aromáticas

Bexiga

Benzeno

Medula óssea (leucemia mielóide)

Benzidina

Bexiga

Berílio e seus compostos

Pulmão

Álcool isopropílico

Seios para-nasais

Borracha

Medula óssea e bexiga

Compostos de níquel

Pulmão e seios para-nasais

Pó de madeiras

Seios para-nasais

Radônio

Pulmão

Tinturas de cabelo

Bexiga

Material de pintura

Pulmão

 

Câncer e a cura

A cura é um processo individual. Para se conseguir a cura definitiva e não só a eliminação temporária de sintomas, é preciso recuperar o equilíbrio bioquímico, mas também a paz, a tranqüilidade interior e  a alegria de viver.   Quando uma pessoa consegue encarar a doença como um instrumento de aperfeiçoamento, de autodescoberta e de reorientação da vida para a felicidade suprema, ela terá muito mais  facilidade de atingir o seu objetivo de cura, desde que realmente queira viver com saúde.

Bibliografia

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