INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA


Introdução

A Insuficiência Cardíaca Congestiva - ICC constitui a ocorrência de congestão circulatória devida à diminuição da contratilidade miocárdica, como resultado, o débito cardíaco se torna insuficiente para manter o fluxo sanguíneo aos órgãos e tecidos do corpo. Esse processo acaba produzindo retenção de sódio e de água e aumento da pressão auricular esquerda, que resulta em congestão vascular pulmonar. A extensão do infarto é prognóstico da gravidade da ICC.

Incidência

·         A incidência de ICC, aumenta com a idade.

·         A doença coronariana é encontrada em mais de 60% dos pacientes com ICC.

·         Indivíduos da raça negra são mais susceptíveis a hipertensão arterial, conseqüentemente têm uma tendência maior a desenvolver problemas no coração.

·         A OMS - Organização Mundial de Saúde indica que as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes no Brasil.

·         Acúmulo de  gordura na região abdominal (barriga de chope) pode indicar futuros problemas do coração.

Causas

Secundária à doença cardíaca: aterosclerose coronariana, hipertensão, doença cardíaca valvular, doença cardíaca congênita, doença miocárdica difusa, arritmias.

·         Embolia pulmonar; doença pulmonar crônica.

·         Hemorragia e anemia.

·         Anestesia e cirurgia.

·         Transfusões ou infusões.

·         Tireotoxicose.

·         Gravidez.

·         Infecções.

·         Stress físico e emocional.

·         Ingestão excessiva de sódio.

Coração e a hipertensão arterial

A elevação da pressão arterial é o mais insidioso dentre todos os fatores de risco, que é assintomática, até que esteja em estágio muito avançado. O aumento da pressão arterial produz um gradiente de pressão muito alto, que deve ser  vencido pelo ventrículo esquerdo. A pressão persistentemente alta, faz com que as necessidades miocárdicas de oxigênio excedam o  suprimentoIsso início a um círculo vicioso de dor, associado à doença arterial coronariana. A detecção precoce da hipertensão arterial  e a obediência do esquema terapêutico podem evitar as consequências graves associadas à hipertensão arterial não tratada.

Coração e a aterosclerose

Existem algumas causas que levam a esta obstrução, sendo a principal delas a aterosclerose, que é o acúmulo de gordura na parede das artérias, formando verdadeiras placas, as quais podem vir a obstruir o vaso e impedir o fluxo de sangue a partir daquele local. Essa obstrução normalmente ocorre quando a placa se rompe e à ela agregam-se plaquetas, formando um coágulo (trombo) e obstruindo a artéria. Essa oclusão, então faz com que o paciente tenha os sintomas característicos do Infarto agudo do miocárdio.

Coração e a hiperglicemia

A relação entre a elevação da glicemia e a maior incidência de cardiopatia coronariana é clara. A hiperglicemia favorece o aumento na agregação plaquetária, que pode levar à formação de trombos. Um nível elevado de insulina (como ocorre em alguns casos de diabetes tipo adulto), é considerado capaz de lesar as células do músculo liso que revestem os vasos. As paredes vasculares lesadas facilitam o crescimento dos ateromas.  Outros fatores de risco, como a obesidade e hipertensão, precisam também ser controlados, além, da hiperglicemia.  O controle da hiperglicemia sem modificação dos outros fatores de risco não diminui o risco de cardiopatia coronariana.

Coração e a proteína C-reativa

É recente a descoberta de que a presença  de uma proteína, a C-reativa ultra-sensível, ou simplesmente PCR, pode sugerir a maior probabilidade de infartos ou derrames. A proteína  é liberada pelo fígado sempre que uma infecção aguda ou crônica no organismo. Quanto mais elevados os índices de PCR no sangue, tanto maior é a ameaça ao coração.

Coração e o tabagismo

O fumo diminui a quantidade de HDL, fração do colesterol que limpa os vasos sanguíneos do mau colesterol. A nicotina também reduz o diâmetro das artérias, dificultando o fluxo do sangue. O fumo ainda predispõe a lesões  que facilitam  o depósito de gordura nos vasos. Estudos indicam que o cigarro é o número 1 das mortes precoces por cardiopatias, antes dos 45 anos entre os homens e antes dos 55 anos entre as mulheres. Um homem entre 35 e 44 anos que  fuma menos de dez cigarros por dia tem o dobro de probabilidade de morrer do coração em relação a um não-fumante. Se ele consome entre dez e vinte cigarros por dia, seus riscos triplicam, e podem  quadruplicar se o consumo ultrapassa vinte cigarros diários.

Classificação

ICE - Insuficiência Cardíaca Esquerda:  A congestão pulmonar predomina quando o ventrículo esquerdo falha, sendo incapaz de bombear adequadamente o sangue recebido dos pulmões para o restante do organismo.

ICD - Insuficiência Cardíaca Direita:  Ocorre quando o ventrículo direito não consegue esvaziar adequadamente o volume sanguíneo. O quadro predominante é congestão visceral e tecidual.

Sinais e sintomas

Insuficiência Cardíaca Esquerda:

Ocorre congestão principalmente nos pulmões, por causa do retrocesso do sangue para as veias e capilares pulmonares:

·         Expectoração espumosa rósea, hemoptise e cianose

·         Respiração superficial.

·         Dispnéia de esforço.

·         Dispnéia paroxística noturna: ocorre devida à reabilitação do edema de declive, que se formou durante o dia.

·         Ortopnéia (dificuldade de respirar na posição deitada).

·         Estalidos pulmonares (originalmente chamados de estertores).

·         Tosse seca, improdutiva ou produtiva: geralmente à noite; devido ao edema das paredes traqueobrônquicas.

·         Fadigabilidade (cansaço): resulta da energia aumentada despendida com a respiração e a insônia, decorrente da angústia respiratória e da tosse.

·         Insônia: devido a hipoxia cerebral com retenção concomitante do nitrogênio

·         Oligúria: devido ao menor aporte sanguíneo nos rins, diminuindo o filtrado glomerular.

·         Taquicardia: devido a diminuição no volume ventricular ejetado faz com que a freqüência cardíaca aumente e o paciente se queixe de palpitações.

·         Inquietação e ansiedade resulta da redução na oxigenação tecidual, do estresse associado à dificuldade respiratória e do conhecimento do funcionamento cardíaco inadequado. À medida que a ansiedade aumenta, a dispnéia também é agravada, o que intensifica ainda mais a ansiedade, formando um ciclo vicioso .

·         Pele parece pálida ou acinzentada, fria e pegajosa: ocorre  devido a estimulação do sistema simpático o que provoca a constrição dos vasos periféricos.

Insuficiência Cardíaca Direita:

Sinais e sintomas de pressões elevadas e congestão nas veias e capilares sistêmicos:

·         Edema gravitacional: começa nos pés e tornozelos e, gradativamente, pode ascender para pernas e coxas e, finalmente, para a genitália externa e parte inferior do tronco. nos membros inferiores: devido a retenção de líquidos nos membros inferiores devido a força de bombeamento está abaixo do normal.

·         Edema com cacifo: evidente após a retenção de pelo menos 4,5 kg de fluido.

·         Cianose nas extremidades: devido a circulação de sangue insuficiente para o organismo.

·         Congestão hepática: acarreta hepatomegalia e hiperestesia no quadrante superior direito do abdomem. À medida que esse processo progride, a pressão no interior dos vasos porta pode elevar-se a ponto de forçar o líquido para o interior da cavidade abdominal, condição conhecida como ascite. A hepatomegalia pode aumentar a pressão sobre o diafragma, gerando angústia respiratória.

·         Anorexia e a náusea resultam da congestão e da estase venosas no interior dos órgãos abdominais.

·         Nictúria:  ocorre porque a perfusão renal é facilitada pelos períodos de decúbito.

·         Fraqueza. ocorre devido a diminuição do débito cardíaco, deficiência circulatória e remoção inadequada dos produtos teciduais catabólicos.

·         Distensão das veias do pescoço.

·         Dispnéia.

Diagnóstico

·         Anamnese.

·         Exame físico.

·         Exame clínico.

·         Exames laboratoriais.

·         Medição rápida do peptídio natriurético B plasmático:  os níveis deste peptídio aumentam em pacientes com disfunção ventricular esquerda e se correlacionam com a gravidade do quadro e seu prognóstico.

·         ECG - Eletrocardiograma.

·         ECC - Ecocardiograma.

·         RX do tórax.

·         TC - Tomografia Computadorizada.

·         Estudos da função renal.

·         Gasometria arterial.

O método de medição rápida do peptídio natriurético B plasmático é uma prova sensível e específica que permite diferenciar a insuficiência cardíaca congestiva de  uma patologia pulmonar primária  principalmente em pacientes com dispnéia.

Dependendo do resultado dos exames preliminares, outros exames mais específicos podem ser solicitados, para determinar  a origem da congestão.

À medida que a insuficiência se agrava e a congestão pulmonar aumenta, os estertores podem ser auscultados por todos os campos pulmonares.

Tratamento

Os objetivos básicos fundamentais no tratamento dos pacientes com insuficiência cardíaca são os seguintes:

·         Promover o repouso, para reduzir o trabalho imposto ao coração.

·         Aumentar a força e eficiência da contração miocárdica, através da ação de agentes farmacológicos.

·         Eliminar o excesso de líquido corporal acumulado, através de tratamento diurético, dietético e repouso.

 

O tratamento  do paciente com ICC inclui o aconselhamento geral e a educação em relação ao exercício regular, restrição de sódio e prevenção da ingesta excessiva de líquido, álcool e fumo. Os medicamentos são prescritos com base nos sintomas e na aderência do paciente ao plano de tratamento. 

 

Tratamento medicamentoso: Quando o paciente está em insuficiência branda, geralmente um inibidor da ECA é prescrito. Um diurético é acrescentado caso não haja melhoria ou quando existem sinais de sobrecarga hídrica. Em seguida, o digitálico é acrescentado se os sintomas persistirem. Quando os sintomas são graves, todos os três medicamentos são geralmente iniciados de imediato.  Outros medicamentos podem ser administrados para tratar a etiologia subjacente da insuficiência cardíaca, como medicamentos anti-hipertensivos, anti-coagulantes ou antianginosos.

Assistência de enfermagem:

·         Administrar medicamentos, prescritos.

·         Administrar oxigenoterapia, prescrita.

·         Avaliar nível de consciência.

·         Manter um registro do que foi ingerido e eliminado para identificar um equilíbrio negativo (maior o débito que a ingesta).

·         Pesar diariamente o paciente no mesmo horário, geralmente na manhã após urinar.

·         Auscultar os ruídos pulmonares pelo menos uma vez ao dia para detectar uma diminuição ou ausência dos estertores pulmonares.

·         Determinar o grau de distensão venosa jugular.

·         Identificar e avaliar a gravidade do edema gravitacional.

·         Monitorizar a freqüência de pulso e a pressão arterial, e assegurar-se de que o paciente não se torne hipotenso a partir da desidratação.

·         Examinar o turgor cutâneo e as mucosas para sinais de desidratação.

·         Avaliar os sintomas de sobrecarga hídrica (ortopnéia, dispnéia paroxística noturna e dispnéia aos esforços).

·         Ficar atenta aos efeitos colaterais da medicação prescrita.

 

A oxigenoterapia baseia-se no grau de congestão pulmonar e na hipoxia resultante. Alguns pacientes podem precisar de oxigenoterapia suplementar durante a atividade. Outros podem necessitar de hospitalização e intubação endotraqueal.

 

Quando o paciente possui doença coronariana subjacente, a cirurgia de bypass da artéria coronária pode ser necessária. Quando a condição do paciente não responde à terapia clínica agressiva avançada, as terapias inovadoras, incluindo os dispositivos de assistência ventricular e transplante, podem ser consideradas.

O paciente com ICC, deve ficar em repouso no leito, para reduzir o trabalho do coração, aumentar a reserva cardíaca, diminuir a pressão arterial, diminuir o trabalho dos músculos respiratórios e baixar a freqüência cardíaca.

Garantir o descanso e o sono: os pacientes com ICC tendem a ficar insones à noite devido a hipoxia cerebral com retenção concomitante do nitrogênio. A elevação da cabeceira da cama e a manutenção de uma lâmpada acesa habitualmente ajudam esses pacientes.

Evitar o estresse: o estresss emocional pode provocar alterações na freqüência do pulso, no volume sistólico, no débito cardíaco, na resistência periférica, no metabolismo do sal e da água. Promover conforto físico e evitar situações que tendem a desencadear ansiedade e agitação podem ajudar o paciente a relaxar.

Observar o aparecimento de complicações decorrentes da permanência longa no leito.

Dietoterapia específica prescrita.

Complicações

·         Insuficiência cardíaca intratável ou refratária: o paciente se torna progressivamente refratário à terapêutica, não respondendo ao tratamento.

·         Arritmias cardíacas.

·         Insuficiência do miocárdio.

·         Intoxicação digitálica: ocorre devida à diminuição da função renal e à depleção de potássio.

·         Pneumonia.

·         Infarto  pulmonar.

·         Flebotrombose: ocorre devido a permanência longa no leito.

·         Hipocalemia: ocorre devido a diurese profusa e repetida o que pode levar a depleção de potássio. A hipocalemia enfraquece acentuadamente as contrações cardíacas..

·         Hipomagnesemia: ocorre devido a deficiência de magnésio no sangue.

·         Hiponatremia: ocorre devido  a deficiência de de sódio no sangue, resultante da terapia prolongada com diuréticos.

·         Hiperuricemia: ocorre devido ao excesso de ácido úrico no sangue.

·         Hiperglicemia: ocorre devido ao excesso de glicose no sangue.

 

Complicações graves que podem cursar para risco de vida iminente:

·         Choque cardiogênico.

·         Disritmias.

·         Tromboembolia.

·         Derrame e tamponamento percárdicos.

 

Seqüelas

Episódios repetidos de ICC, podem provocar lesões em outros órgãos e comprometer cada vez mais o coração.

·         Insuficiência cardíaca.

·         Fibrose pulmonar.

·         Cirrose hepática.

·         Esplenomegalia.

·         Hipertrofia renal.

·         Lesão cerebral; devida à oxigenação deficiente durante os episódios agudos.

Os pacientes devem ser conscientizados de que devem restringir o sódio da dieta, e que devem usar medicamentos contínuos.

Cuidados gerais que os portadores de Insuficiência Cardíaca devem ter:

·         Viver dentro dos limites da reserva cardíaca.

·         Ter um repouso adequado.

·         Evitar estresses emocionais.

·         Tomar a medicação prescrita, regularmente.

·         Verificar a própria freqüência cardíaca diariamente.

·         Verificar a pressão arterial diariamente.

·         Monitorizar os efeitos dos medicamentos.

·         Pesar à mesma hora diariamente, para detectar qualquer tendência no sentido do acúmulo de líquidos.

·         Relatar ganho de peso.

·         Seguir a dieta prescrita: consultar a lista de alimentos  permitidos e proibidos, restringir o sódio  conforme orientado, examinar os rótulos  para verificar o conteúdo de  sódio (antiácidos, laxativos, medicamentos para tosse e similares).

·         Evitar o uso de  sal.

·         Evitar os excessos de bebida e comida.

·         Evitar os extremos de calor e firo.

·         Não fumar.

·         Evitar ingerir bebida alcoólica.

·         Qualquer atividade física a ser praticada, deve ser relatada a sua condição.

·         Ficar atento aos sintomas que podem indicar a recidiva da doença.

·         Ficar atento aos sinais de dificuldade para respirar.

·         Manter consultas regulares com o médico.

 

A assistência de uma Home-Care (assistência de saúde domiciliar) quando da alta de um paciente, que teve um episódio agudo de ICC  é necessária, principalmente em pacientes idosos e para aqueles que possuem cardiopatia há mais tempo, e cuja resistência física está comprometida. 

 

Cuidados com o coração

·         Os exames cardiológicos são importantes e devem ser feitos anualmente. Cardiologistas recomendam que homens e mulheres acima dos 40 anos de idade façam um check-up básico anualmente, o que inclui eletrocardiograma, ecocardiograma, e os testes de esforço, tanto o ergométrico quanto o cardiopulmonar.

·         Alimentação saudável.

·         Não fumar.

·         As crianças obesas não devem ficar de fora da avaliação cardíaca, em especial àquelas com registros familiares de hipertensão, colesterol alto, angina ou infarto.

·         Prática de exercícios regulares.

·         Evitar bebidas alcoólicas em excesso.

·         No exame de sangue periódico, deve-se solicitar a concentração da proteína C-reativa. Quanto mais alta a concentração da substância maior o risco de inflamações nas artérias e, portanto, da instabilidade das placas de gordura. Muitos indivíduos que tiveram infarto ou distúrbios cardiovasculares graves estavam com essa proteína C-reativa aumentada.

·         Não seja depressivo, procure enxergar o lado bom da vida

Padrão de comportamento nas pessoas com tendência a distúrbios cardíacos

Acredita-se que o estresse e certos comportamentos contribuam para a patogenia da cardiopatia coronariana (aterosclerótica). Estudos epidemiológicos e psicobiológicos têm  investigado os comportamentos que caracterizam  as pessoas suscetíveis à doença  coronariana:

·         Disputa competitiva por empreendimentos.

·         Senso exagerado de urgência do tempo.

·         Agressividade.

·         Hostilidade.

As pessoas que apresentam estes padrões de comportamento são classificadas como suscetíveis às doenças cardiovasculares.  Parece que, além de reduzir outros fatores de risco (tabagismo, gorduras alimentares, obesidade, sedentarismo, hipertensão), estes indivíduos devem tomar providências para alterar o estilo de vida e os hábitos de vida a longo prazo.


Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o Glossário geral.