PARADA CARDÍACA


Definição

É a interrupção ou cessação do coração em associação  com a parada da respiração. A Parada cardíaca ocorre de forma súbita e dramática. A morte cerebral inicia-se após quatro a seis minutos da Parada cardíaca. A sobrevida é reduzida em 7 a 10% a cada minuto após uma Parada cardíaca. Poucas tentativas de ressuscitação têm êxito após 10 minutos. Caso ocorra a Parada cardíaca, e a pessoa mais próxima saiba fazer a técnica de Ressuscitação Cardio-pulmonar (RCP) ou Ressuscitação Cardiorrespiratória (RCR), enquanto chega o socorro  de emergência ou um desfibrilador, a vida da pessoa que sofreu a parada cardiorrespiratória, pode em muitos casos ser salva.  Caso a pessoa tenha tido uma parada cardíaca em casa, ou na rua, deve-se imediatamente tentar dar início as massagem cardíacas e a ventilação (respiração boca-a-boca).

 

Atenção:  Não se pode fazer o procedimento de Ressuscitação  cardiorrespiratória no banco de um carro em movimento.  O correto é providenciar socorro imediato (telefonar para o serviço de emergência) e enquanto esse não chega,   administrar imediatamente as massagens cardíacas e a ventilação, no próprio local onde a vítima encontra-se (posição horizontal) ou num local mais seguro tanto para a vítima como para os socorristas.  Em muitos casos, o próprio serviço de emergência orienta a Ressuscitação Cardio-respiratória, pelo telefone.

 

Incidência

·         A maioria  das mortes por parada cardíaca ocorrem fora do ambiente hospitalar.

·         Em uma Parada cardiorrespiratória, se não houver atendimento eficaz nos primeiros dez minutos, a sobrevida será menos de 2%, ou seja, apenas 2 pessoas em 100 ocorrências, podem sobreviver.

 

Causas

A mais freqüente causa de Parada cardíaca em adultos é a doença arterial coronária, sendo a fibrilação ventricular o mecanismo deflagrador. Entre jovens a liberação de adrenalina durante a prática física associada a anomalias cardíacas ou ao uso indevido de drogas ilegais é o fator desencadeante de distúrbios do ritmo cardíaco, tais como fibrilação ventricular, levando à Parada cardíaca. Outros fatores também pode contribuir para a Parada cardiorrespiratória:

·         Mecânicas: São aquelas que ocorrem devido a obstrução das vias aéreas superiores por conta de corpos estranhos, com pressão externa da traquéia e da laringe, aspiração, edema da glote, queda da língua e pneumotórax.

·         Depressão do sistema nervoso central: através das intoxicações, superdosagem de drogas, edema cerebral, choque elétrico, hipoxia.

·         Alterações na respiração celular decorrente de envenenamentos por cianeto.

·         Causas cardíacas como arritmias, tamponamento, superdosagem digitálico (medicações que atuam no coração).

·         Fatores ambientais: pouca concentração de oxigênio nas grandes altitudes.

 

Parada cardíaca e a Morte súbita

A morte súbita por Parada cardíaca é um importante problema de saúde pública, mas ainda não existe conscientização da população sobre o assunto. A fibrilação ventricular é a causa mais freqüente de Parada cardíaca seguida de morte súbita. Nos casos da fibrilação ventricular caso haja um desfibrilador no local, em muitos casos a morte súbita pode ser evitada.  A grande maioria de vítimas de morte súbita encontram-se em sua idade mais produtiva. Caso houvesse um treinamento nas escolas, universidades e da população em geral em primeiros socorros, principalmente em relação à Ressuscitação Cardio-respiratória, muitas mortes poderiam ser evitadas.

 

Código azul

O Código Azul é uma padronização de procedimentos quando o paciente entra em PCR (Parada Cardiorrespiratória). Em diversos centros médicos do mundo, esse tipo de padronização de atendimentos da PCR   é denominado Código Azul. O sucesso no atendimento de uma parada cardiorrespiratória depende também do treinamento da equipe que vai atender ao código azul.   O Código azul deve ser sempre treinado em todo o hospital e não só no Centro cirúrgico e na UTI.  O conhecimento e treinamento das manobras de Ressuscitação cardiopulmonar ou Ressuscitação cardiorrespiratória, podem ser realizadas num curto período de tempo e deveriam ser cobradas periodicamente de todos os envolvidos na assistência ao paciente.    

Todos os  funcionários que dão assistência ao paciente deveriam ter treinamento  referente às técnicas de Ressuscitação cardiopulmonar (RCP).  Existem muitos auxiliares e técnicos de enfermagem que não sabem o que fazer, caso o paciente, tenha um ataque cardíaco seguido de uma parada cardiorrespiratória. Muitos alegam que não tiveram treinamento nem no curso técnico onde se formaram, nem no hospital onde trabalham. No caso de uma emergência desse nível, esses profissionais, infelizmente só servirão para atrapalhar e tumultuar a assistência ao  paciente.

Desfibrilação

A desfibrilação é indicada nos casos de fibrilação ventricular, nas arritmias cardíacas, onde ocorrerá  a descoordenação das fibras cardíacas, sendo necessário sua estimulação, através de choque elétrico, com corrente contínua, na parede torácica, através do cardioversor.

 

Desfribilador Elétrico Automático - DEA

 

A nível de via pública, o paciente só terá alguma chance de sobreviver a uma Parada cardíaca se tiver acesso a um desfibrilador automático portátil ou a um serviço de urgência equipado e pronto para atendimento.  Tão logo disponível, o seu uso é a prioridade.   O DEA é um instrumento para uso leigo. Apesar da necessidade de um treino básico, o aparelho é de fácil uso e de formato extremamente simples e com instruções de voz o que permite um manuseio seguro. 

Procedimentos de Instalação do DEA

 

O socorrista que conduz o DEA deve se colocar sempre à esquerda do paciente, colocando o DEA ao lado da cabeça, permanecendo ajoelhado a altura do tronco

 

Passo nº 1 - Ligar o aparelho.

 

Passo nº 2 - Colocar as pás do desfibrilador no paciente.

As pás devem ser conectadas no aparelho e depois instaladas no paciente. Auxilio automático de voz orienta esse procedimento. O tórax do paciente deve ser totalmente descoberto e as placas adesivas colocadas .No próprio desfibrilador tem instruções de onde as placas devem ser colocadas.  

Passo nº 3 - Análise do aparelho.

O Socorrista deve ordenar que todos se mantenham afastado e não toquem no paciente para que o aparelho realize sua análise. A necessidade do choque será indicada por aviso de voz e alarme. Em alguns aparelhos este passo é automático logo após aplicar as pás. Outros necessitam a pressão de um botão nº 2.

Passo nº 4 - Desfibrilar.

Estabelecida a presença de fibrilação o aparelho indica o choque e ordena a pressão do botão de desfibrilação. O socorrista deve nesse momento novamente se certificar de que qualquer pessoa esteja afastada e sem contato com o paciente, avisando o choque em voz alta e estendendo o braço, indicando que todos devem manter-se afastados.   

Atenção: O aparelho não deve ser desconectado após seu uso, seja se houver necessidade de reiniciar RCP, ou  mesmo após o choque bem sucedido. A retirada do aparelho exige a presença de suporte avançado disponível em ambulância apropriada, equipada com desfibrilador próprio. Caso a remoção seja feita em ambulância sem desfibrilador, o aparelho deve ser mantido com o paciente até a chegada ao hospital.

 

Sinais e sintomas

Os sinais mais comuns de uma Parada cardíaca seguida de uma parada respiratória são os seguintes:

·         Inconsciência: resultante da redução de perfusão cerebral.

·         Apnéia (parada dos movimentos respiratórios).

·         Ausência de pulso femoral ou carotídeo.

·         Pele fria.

·         Cianose (pele, língua, lóbulo da orelha e bases das unhas arroxeadas).

·         Midríase (pupilas dilatadas e sem fotorreatividade): as pupilas começam a dilatar-se entre 30 a 45 segundos após a interrupção da circulação.

 

Diagnóstico

O sinal mais confiável da parada cardíaca é a ausência de pulso carotídeo. Não deve-se perder tempo valioso, verificando pressão arterial ou auscultando batimentos cardíacos.

 

Tratamento

Consiste em trazer o paciente à suas funções vitais, o mais breve possível, com o emprego de ventilação, massagens cardíacas, através da reanimação cardiorrespiratória. Os medicamentos para essa emergência são administrados durante e após a Ressuscitação cardio-respiratória. O único tratamento para Parada cardíaca seguida de parada respiratória é a Ressuscitação Cardio-pulmonar  (RCP) ou como é mais conhecida Ressuscitação Cardio-respiratória (RCR) e a desfibrilação. Depois do êxito da reanimação, o paciente deve ser encaminhado à UTI, para melhor avaliação e monitorização dos sinais vitais.

 

Prognóstico:

·         Vítimas encontradas em via pública que sejam transferidas ao hospital e chegam em Parada cardiorrespiratória, sem serem submetidas ao choque (desfibrilador) e Ressuscitação Cardiopulmonar apropriadas, têm  chances de sobrevivência praticamente nulas.

·         Ressuscitação Cardiorrespiratória tardia, o prognóstico é lesão cerebral  irreversível.

·         Fracasso da Ressuscitação Cardiorrespiratória, infelizmente, tem como conseqüência  o óbito da vítima ou do paciente.


Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o glossário geral.