EPILEPSIA


Introdução

As Epilepsias são um complexo de sintomas de vários distúrbios da função cerebral caracterizadas por episódios curtos de inconsciência, que podem ou não estar associados a convulsões, fenômenos sensitivos, comportamento irregular ou combinações dos três. Acredita-se que, o problema básico seja causado por um distúrbio elétrico (disritmia) nas células nervosas em uma secção do cérebro, que faz com que elas produzam  descargas elétricas anormais, recorrentes e descontroladas. Não é contagiosa. A Epilepsia pode afetar pessoas de todas as idades, todas as nacionalidades e todas as raças. A Epilepsia também pode ocorrer em animais, como os cães, gatos e coelhos.

O termo crise epiléptica se refere a uma situação onde há descarga excessiva e síncrona de um grupo neuronal. A crise epiléptica pode surgir espontaneamente ou ser desencadeada por situações  como febre, distúrbio hidreletrolítico ou intoxicações exógenas. Quando se manifesta externamente por um fenômeno de natureza predominantemente motora (do tipo tônico, clônico ou mioclônico), recebe o nome de convulsão. A Epilepsia é uma doença que não tem cura, atualmente pode ser controlada.

Incidência

·         Geralmente se manifesta na primeira infância e na adolescência.

·         A Epilepsia é uma das disfunções neurológicas mais comuns.

·         É comum aos dois sexos com uma prevalência no sexo masculino.

·         Estima-se que entre 2% e 4% da população mundial apresentam algum grau de epilepsia.

·         No Brasil, são 2,5 milhões de epilépticos, desses 70% procuram ajuda médica.

·         Estima-se  que uns 30 milhões de indivíduos apresentem crises recorrentes não desencadeadas por fatores exógenos.

·         Mulheres com Epilepsia que tomam medicações anti-convulsivantes têm uma incidência maior em ter filhos com defeitos congênitos.

·         A Epilepsia do tipo grande mal é mais comum no sexo masculino.

·         Faixa etária de maior incidência de crises epilépticas está entre 15 e 30 anos de idade.

Causas

O distúrbio fundamental do cérebro pode ser estrutural, químico, fisiológico ou uma combinação dos três:

·         Lesão craniana / cerebral.

·         Anomalias congênitas; erros metabólicos herdados.

·         Distúrbios infecciosos (meningite, encefalite).

·         Distúrbios vasculares.

·         Distúrbios metabólicos ou nutricionais.

·         Tumor cerebral.

·         Isquemia cerebral.

·         Doenças degenerativas.

·         Doenças genéticas.

·         Envenenamentos.

·         Idiopático (causa desconhecida).

Na grande maioria dos casos de Epilepsia, a causa é desconhecida.

 

Tipos

·         Epilepsia Sintomática: são os casos com lesão orgânica cerebral, e nela  a Epilepsia representa um dos sintomas da doença.

·         Epilepsia Idiopática: são os casos em que não se encontram lesões cerebrais (causa desconhecida).

 

Profissões de risco

 

Existem algumas profissões ou determinados empregos específicos, que o indivíduo portador de Epilepsia,  por prudência não deve trabalhar. Porque, caso ocorra a crise durante o exercício do seu trabalho, esse profissional estará não só colocando a vida dele em jogo, como a vida de outras pessoas que estão ao seu redor ou dependem exclusivamente dele.

 

·         Motorista profissional.

·         Motorista de ambulância.

·         Maquinistas.

·         Profissionais que trabalham em lugares altos (por exemplo, limpadores de vidraças de edifícios, pintores de fachada de edifícios etc.).

·         Profissionais  que trabalham manipulando substâncias perigosas, corrosivas ou farmacêuticas.

·         Profissionais que trabalham com bebês em berçários.

·         Babás.

·         Cirurgião de qualquer área.

·         Profissionais da área de saúde que dão assistência ativa a pacientes.

·         Operador de  máquina industrial.

·         Policiais militares que trabalham nos carros do Corpo de Bombeiros ou nas ambulâncias.

·         Policiais militares e civis que trabalham nas ruas.

·         Militares das Forças Armadas.

·         Guarda-vidas  ou salva-vidas.

·         Pilotos de qualquer aeronave.

·         Mergulhadores profissionais.

·         Padeiros e  cozinheiros (trabalham junto ao fogo).

·         Trabalhadores de fornos industriais.

 

Infelizmente, ter Epilepsia é estar sujeito à insegurança de ter crises, pelo fato de não se saber, quando e onde vão ocorrer. Em muitos casos, mesmo com medicações, alguns fatores precipitantes da crise são tão fortes, que podem desencadear o ataque epiléptico. Por isso, algumas profissões são  consideradas  perigosas e outras de alto risco, para quem tem crises convulsivas com alguma freqüência.

 

Muitos trabalhadores escondem sua condição de epiléptico, com medo do preconceito  ou de serem demitidos, ou nem sequer  de serem admitidos. E nesses casos, sua condição de saúde, só é descoberta quando sofre um ataque na empresa ou durante o seu trabalho, o que é muito mais grave. Por isso, o trabalhador que tem Epilepsia e toma medicamentos antiepilépticos, deve informar a sua condição à empresa em que trabalha.

 

Fatores desencadeantes

·         Traumatismo de parto.

·         Falta de oxigenação no cérebro durante o parto.

·         Anormalidades estruturais do cérebro.

·         Exposição a agentes tóxicos.

·         Encefalite.

·         Meningite.

·         Envenenamento com chumbo.

·         Fatores hereditários.

·         Febre alta.

·         Convulsões infantis associadas a febre.

·         Tumor cerebral.

·         Esclerose tuberosa.

·         Doenças infecciosas.

·         Disritmia cerebral.

·         Cicatrizes no cérebro resultantes de infecção.

·         Edema cerebral.

·         Hipertensão intracraniana.

·         Traumatismo craniano.

·         Alterações anormais.

 

Fatores precipitantes  das crises convulsivas

 

São aqueles fatores que precipitam ou facilitam a ocorrência das crises convulsivas.

 

·         Luzes piscantes ou estímulos luminosos, televisão, luz estroboscópica (epilepsia fotogênica).

·         Suspensão abrupta da medicação antiepiléptica ou uso irregular dos medicamentos.

·         Reflexos dos raios solares na água.

·         Sons repetidos; volume muito alto ou certos tipos de sons.

·         Leitura prolongada.

·         Viagem de avião, devido a descompressão.

·         Hiperventilação.

·         Padrões de sono alterado (o ataque epiléptico pode ocorrer no início do sono ou pouco antes do despertar).

·         Privação do sono.

·         Dor.

·         Stress emocional.

·         Praticar exercícios excessivos.

·         Hipoglicemia.

·         Ansiedade.

·         Analépticos.

·         Alterações hormonais que ocorrem na puberdade.

·         Distúrbios metabólicos.

·         Determinados odores.

·         Mudanças bruscas de temperatura.

·         Bebida alcóolica.

·         Ingerir líquidos muito gelados ou muito quentes.

 

Epilepsia e a gravidez

Caso a mulher queira engravidar, antes ela deve falar com o seu médico que a acompanha no tratamento da Epilepsia, como também com o seu ginecologista, para que juntos possam tomar decisões sobre os medicamentos que ela deverá tomar durante a gravidez.  Para as gestantes portadoras de Epilepsia, a gravidez deve ter um acompanhamento mais rigoroso e periódico do que as outras gestantes em condições normais.

 

A freqüência das crises epilépticas tanto podem aumentar como podem diminuir no período da gravidez.  O aumento das crises podem ser devido ao aumento de peso, a menor absorção dos medicamentos e aos vômitos decorrentes da gestação, fatores esses que podem diminuir a ação dos medicamentos antiepilépticos. Alguns medicamentos antiepilépticos podem afetar o desenvolvimento do bebê dentro do útero. Por isso, a necessidade do ginecologista, o neurologista ou psiquiatra  manterem contato para adequar os medicamentos e sua dosagem, de maneira que não causem risco nem para a mãe e nem para o bebê.

 

Depois que o bebê nasce, durante a amamentação, a mãe deve sempre observar se o bebê tem uma sonolência excessiva ou uma agitação estranha.   Isso acontece, porque o leite materno pode conter substâncias da medicação antiepiléptica que a mãe toma, e nesse caso pode estar interferindo no comportamento do bebê. Qualquer ocorrência desse nível deve ser comunicada imediatamente ao pediatra.

 

Uso medicinal da Cannabis sativa (maconha) para controlar as crises epilépticas

 

Estudos e pesquisas científicas O uso da Cannabis sativa, popularmente chamada de maconha,

 

 

Tipos de crises

Crise do Pequeno mal simples:  No tipo de crise chamada de pequeno mal,  ocorre uma interrupção transitória da consciência, o paciente por alguns segundos ou minutos perde a capacidade de reagir, mas não cai, fica pálido, os olhos ficam parados e fixos no alto e  sem expressão, pode também interromper o que está fazendo deixando cair qualquer objeto que esteja segurando. Observa-se uma pequena crispação rítmica das pálpebras, sobrancelhas ou da cabeça durante a crise, e essas  começam e terminam abruptamente, sem aviso ou seqüela. A maioria dos portadores reconhecem que teve uma crise, mas não têm consciência do que houve durante o mesmo (estado de ausência).  A média de duração destes ataque é de 5 a 30 segundos, e a quantidade de ataques oscila muito  de uma pessoa para outra. O início do pequeno mal é geralmente entre os 4  e os 9 anos de idade.  A maioria dos portadores do pequeno mal desenvolvem posteriormente, o grande mal na idade adulta.   

Crise  do Pequeno mal acinético (ou atônica): Caracteriza-se por crises de perda súbita do controle postural, resultando em uma queda brusca do paciente. Geralmente o portador inclina a cabeça, encurva o tronco e cai violentamente no chão, resultando em hematomas e pancadas fortes na fronte. Essa crise é de breve duração.

Crise do Grande mal ou fase tônico-clônica: É a mais dramática das crises epilépticas. A maioria dos pacientes afirmam que, segundos antes do ataque, eles sentem uma dormência, zumbidos, um cheiro desagradável ou uma sensação de dor na coluna  que vai subindo para a cabeça. Todos esses sinais são chamados de aura, que é um aviso de que a crise está chegando  e é iminente. Toda essa aura que ocorre antes do ataque, dura em média 5 segundos, não dando tempo do paciente se preparar para a crise, ocorrendo os ataques com abalos tônicos-clônicos generalizados, perda de consciência e perda do tono postural (queda).

Crise epiléptica auditiva:  O portador escuta sons muitas vezes fortes e desorganizados, decorrentes de descargas elétricas anormais na área auditiva do córtex cerebral.

Crise focal:  É a que ocorre devido a irritação  de áreas encefálicas isoladas, podendo ou não se generalizar.

Crise epiléptica generalizada:  O portador tem a crise epiléptica completa, caracterizada por perda súbita da consciência, espasmos musculares, cianose, dilatação pupilar, rotação dos olhos para cima, extensão da cabeça, salivação excessiva e freqüentemente emissão de fezes e/ou urina. Após cessada a convulsão, a pessoa cai em estado de confusão e sono profundo.

Crise epiléptica cursiva:  O portador começa a correr descontroladamente para a frente, parecendo que o mesmo não se dá conta de qualquer obstáculo em seu trajeto; essa crise pode preceder em muitos casos uma crise epiléptica generalizada.

Crise epiléptica postural tônica:  O portador durante a crise, fica numa postura rígida com extensão dos braços e das pernas, pronação das mãos e flexão plantar dos pés, essa crise pode durar vários minutos.

Estado epiléptico:  É uma atividade convulsiva, repetitiva, prolongada e aguda. São várias  séries de convulsões generalizadas,  mas sem o retorno da consciência entre as crises. O estado epiléptico é considerado uma emergência médica grave, porque quanto mais tempo dura as convulsões, mas seqüelas neurológicas podem ocorrer. Tem um índice de mortalidade e morbidez elevado (retardo mental ou déficits neurológicos posteriores). Entre os fatores comuns que precipitam a ocorrência do estado epiléptico, incluem-se a retirada da medicação antiepiléptica, febre e infecção intercorrente.  O estado epiléptico convulsivo pode ser provocado também por outras patologias (doença cerebrovascular, traumatismo craniano, fatores anóxicos e anormalidades metabólicas).

Sinais de alerta que evidenciam uma crise epiléptica

Com o passar do tempo, o paciente pode sentir que um novo ataque vem vindo, através da "aura". A "aura"  são sinais de alerta ou avisos prévios que duram poucos segundos (máximo 5 segundos), antes da crise. A maioria dos epilépticos que têm "aura" relatam que antes da crise podem ter as seguintes sensações:

·         sentem um cheiro característico, que quase sempre é forte e ocre;

·         sentem vertigens;

·         ouvem zumbidos;

·         enxergam pontos luminosos;

·         sentem uma forte dor que sobe pela coluna, e antes de chegar à nuca, a crise já chegou.

 

Geralmente, esses pacientes têm a crise convulsiva completa, com toda a sua sintomatologia característica.

Sinais e sintomas

A sintomatologia das crises epilépticas vai depender dos tipos de neurônios implicados nas descargas epiléptogemas, como estas podem estar em qualquer ponto do Sistema Nervoso Central, a variedade das manifestações são diversas:

·         perda da consciência em alguns casos;

·         convulsões, mas evidentes nos membros inferiores e superiores;

·         evacuação e micção involuntária em alguns casos durante ou depois das crises;

·         espuma pela boca (devido a salivação excessiva);

·         os olhos piscam demasiadamente, sem controle orbitário;

·         mordedura da língua;

·         em algumas crises epilépticas  existe uma sensação de rotação do corpo em relação ao meio ambiente, ou do meio ambiente em relação ao corpo; 

·         em alguns tipos de crise a pessoa assume uma postura rígida , braços e mãos ficam estendidos, assim como as pernas, ele não se debate porque, simplesmente não consegue se mover; essa crise pode durar alguns minutos.

·         tem crises em que o epiléptico tem uma interrupção transitória da consciência o portador  por alguns segundos ou minutos perde a capacidade de reagir, não cai, fica pálido, os olhos ficam parados e fixos no alto e  sem expressão, pode interromper o que está fazendo deixando cair qualquer objeto que esteja segurando.

Obs:  O excesso de saliva é resultado de um aumento de produção de estímulo das glândulas salivares, durante a crise. O muco que sai da boca não é contagioso.

A capacidade mental do epiléptico não caracteriza e nem confere necessariamente um retardamento mental ao indivíduo. O excesso de convulsões é que podem causar alterações neurológicas. Muitos epilépticos, que fizeram tratamento,  são pessoas perfeitamente normais, utilizando as suas faculdades mentais e exercendo suas atividades como qualquer outra pessoa.

Diagnóstico

·         Anamnese.

·         Exame físico.

·         Exame clínico.

·         Exame psiquiátrico.

·         Exame neurológico.

·         Testes neuropsicológicos.

·         EEG (eletroencefalograma):  aparelho que registra a atividade elétrica cerebral.

·         TC - Tomografia Computadorizada.

·         RNM - Ressonância Nuclear Magnética.

·         PET  (Tomografia por Emissão de Pósitrons) equipamento disponível em alguns centros de pesquisa.; esse tipo de estudo radiológico pode  identificar as áreas  do cérebro  que são produzidas as crises.

·         SPECT (Tomografia por emissão de fotons), equipamento disponível em alguns hospitais; esse tipo de estudo radiológico mede como as diferentes partes do cérebro consomem glicose, oxigênio e outras substâncias.

·         Teste neuropsicológicos: testes para  detectar o funcionamento  cerebral de cada indivíduo.

 

Classificação  internacional das crises epilépticas:

 

Há vários tipos de crises epilépticas, tanto adultos quanto crianças podem ter mais de um tipo de crise. Existe um  critério  internacional técnico para a classificação dessas crises, que os neurologistas e psiquiatras seguem:

 

Crises Parciais (crises com início local).

 

Crises parciais são aquelas cujas manifestações clínicas indicam o envolvimento de uma porção de um hemisfério cerebral e as descargas eletrencefalográficas têm origem no hemisfério contra-lateral às manifestações clínicas.  Estas crises duram apenas um ou dois minutos. Um paciente em meio a uma crise parcial pode fazer movimentos aleatórios, correr, andar desorientadamente, resmungar ou gritar. Depois da crise, geralmente o paciente não se lembra da crise. As crises parciais se subdividem  em três grupos: 

 

Crises parciais simples (geralmente sem comprometimento da consciência).

·         com sintomas motores (inclui as crises de Jackson);

·         com sintomas sensitivos ou somatossensitivos especiais;

·         com sintomas autônomos;

·         formas compostas.

 

Crises parciais complexas (geralmente com comprometimento da consciência).

·         com comprometimento apenas na consciência;

·         com sintomatologia cognitiva;

·         com sintomatologia afetiva;

·         com sintomatologia "psicossensitiva";

·         com sintomatologia "psicomotora" (automatismos);

·         tipos compostos.

 

Crises parciais  evoluindo para crises generalizadas:  

·         Uma crise parcial simples pode com a propagação da descarga, evoluir para crise parcial complexa e ambas podem progredir para uma crise tônico-clônica generalizada.

 

Crises Generalizadas (bilateralmente simétricas e sem início local).  

     

Crises generalizadas não apresentam evidência de início localizado, as manifestações clínicas indicam envolvimento inicial de ambos os hemisférios cerebrais e as descargas eletrencefalográficas são, desde o início, bilaterais.

·         ausências (petit mal);

·         mioclonia epiléptica bilateral maciça;

·         espasmos infantis;

·         crises clônicas;

·         crises tônicas;

·         crises tônico-clônicas (grand mal);

·         crises atônicas;

·         crises acinéticas.

 

Crises Unilaterais (ou predominatemente unilaterais).

 

Crises Epilépticas não Classificadas (devido a dados incompletos). 

Obs:  Como as manifestações epilépticas não seguem um padrão objetivo e, em muitos casos, o paciente não se lembra da crise, é conveniente convocar os familiares mais próximos que tenham presenciado as crises, para fornecer dados complementares como:  o que a pessoa estava fazendo antes da crise, duração da crise, partes do corpo envolvidas nas crises, onde os movimentos começam ou a rigidez, se o paciente ficou consciente ou inconsciente durante a crise, se quando terminou a crise o paciente estava ou não orientado quanto ao tempo e espaço. O detalhamento da crise por outras pessoas que a presenciaram, pode ajudar o médico  a especificar qual o tipo de crise epiléptica que o paciente teve.  Alguns médicos pedem ainda que o familiar anote  o tempo que a crise durou e os sinais apresentados pelo paciente.

Diagnostico diferencial

O diagnóstico diferencial deve ser feito para que a Epilepsia não seja confundida com outras patologias com quadro clínico semelhante. Através dos exames clínico, físico, neurológico, laboratoriais e estudos radiológicos o médico pode excluir essas doenças, até chegar ao diagnóstico correto. Doenças ou situações que podem ser confundida com a Epilepsia é a seguinte:

·         Ataques histéricos.

Tratamento

Médicos  e Especialistas:

·         Neurologista: Trata o quadro clínico  do paciente.

·         Psiquiatra: Trata o quadro mental  do paciente.

·         Psicólogo: Através de terapias assiste o paciente na área psicossocial.

Objetivo: Reduzir o número de crises epilépticas, determinar e tratar (se possível) a causa primária das crises.

Tratamento medicamentoso: O tratamento costuma ser longo, através de drogas anti-convulsivantes. Os medicamentos não curam a Epilepsia, mas previnem, controlam  e reduzem as crises fazendo com que a pessoa que tem as crises epilépticas, possa ter uma vida o mais perto do  "normal". Logicamente,  depende também do tipo de crise e da causa subjacente que ocasiona as crises convulsivas. Em alguns casos,  as medicações não são eficazes no controle das crises, e a cada crise epiléptica, maiores danos cerebrais ocorrerá.

 A dosagem dessa medicação depende da quantidade, tipo e freqüência das crises. Os medicamento  normalmente necessitam ser ingeridos a cada 8, 12 ou 24 horas, dependendo da medicação prescrita e a sua dosagem. Tomar os medicamentos na quantidade e na hora indicada pelo médico é um dos passos importantes para obter sucesso no tratamento.

Dosa-se a concentração plasmática do medicamento antiepiléptico para servir  de guia para a terapêutica medicamentosa, ajudar a individualizar o esquema do medicamento e a detectar  a desobediência do paciente, isto é, quando o paciente afirma ter tomado o remédio, mas continua a ter crises. Com  o exame de dosagem da concentração plasmática pode-se dizer com certeza, se o paciente está ou não tomando a medicação.

·         Muitas medicações utilizadas no tratamento da epilepsia, já são vendidas na forma genérica, consulte o seu médico sobre a disponibilidade do uso da forma genérica  dessas drogas, e se você pode utilizá-las, para diminuir o custo do seu tratamento medicamentoso. Consulte o seu médico antes de utilizar a forma genérica do medicamento.  O paciente não deve interromper sua medicação antiepiléptica sem a supervisão médica, uma vez que a interrupção súbita pode provocar aumento na freqüência da crise, ou precipitar o aparecimento do estado epiléptico.

·         O paciente deve observar e relatar ao médico imediatamente a ocorrência de efeitos tóxicos da medicação antiepiléptica tais como:  tonteira, hiperplasia gengival, nervosismo, dificuldades visuais, incoordenação motora, ataxia, afasia e andar vacilante.

·         Geralmente a medicação antiepiléptica deve ser tomada após as refeições, porque quando a medicação é ingerida com o estômago vazio, é possível ocorrer a gastrite, especialmente medicamentos que têm a substância fenitoína.

·         Exame de sangue específico é necessário periodicamente, para avaliar a quantidade de drogas no sangue, e se o excesso dessas drogas no sangue, podem estar causando efeitos colaterais dos medicamentos.

Efeitos colaterais das drogas antiepilépticas:

·         Gardenal (fenobarbital): sonolência.

·         Hidantal (fenitoína): aumento da gengiva, crescimento de pelos.

·         Depakene, Valpakine (valproto): náuseas, vômitos e aumento de peso.

·         Tegretol (carbamazepina): tonturas, sonolência e mal-estar gástrico.

·         Lamictal (lamotrigina): tonturas, problemas de pele.

·         Sabril (vigabatrina): agitação, irritabilidade.

·         Topomax (topiranomato): sonolência, adormecimento das extremidades.

·         Frisium e Rivotril (benzodiazepinas):  sonolência e aumento da secreção brônquica.

·         Trileptal e Auram (oxicarbazepina): sonolência e tonturas.

Tratamento cirúrgico: os procedimentos cirúrgicos são indicados quando as crises têm origem no lobo frontal, em uma região que pode ser ressecada sem provocar déficits neurológicos inaceitáveis (ou aumentar déficits já existentes), ou quando as crises epilépticas não são controladas pelos medicamentos anticonvulsivos ou quando as crises se apresentam com muita freqüência apesar da medicação causando grandes transtornos ao paciente, este  pode ser candidato à cirurgia para excisão do foco cirúrgico. Mesmo depois da cirurgia, o paciente continua em uso dos medicamentos antiepilépticos, durante determinado tempo, até que se comprove que a tendência à crise foi eliminada. As cirurgias mais indicadas são: 

·         Lobectomia temporal (ressecção  de um lobo temporal cerebral).

·         Calosotomia.

·         Ressecções corticais amplas. 

·         Hemisferectomia.

·         Procedimentos estereotáticos: técnica cirúrgica na qual se provoca uma lesão bem delimitada em um determinado local do cérebro para destruir focos epileptogênicos.

·         Implantes de aparelhos que enviam sinais elétricos diretamente para o cérebro.

Estado  de Mal Epiléptico (EME):

O Estado de mal epiléptico é uma série de convulsões generalizadas sem o retorno da consciência entre as crises. O estado epiléptico é considerado uma emergência médica grave. Tem um índice de mortalidade e morbidez elevado (retardo mental ou déficits neurológicos posteriores). Entre os fatores comuns que precipitam a ocorrência do estado epiléptico incluem-se a retirada da medicação antiepiléptica, febre e infecção intercorrente.

O estado epiléptico convulsivo pode ser provocado também por outras patologias: doença cerebrovascular, traumatismo craniano, fatores anóxicos e anormalidades metabólicas.  Todas as formas de EME são expressões clínicas de descargas epileptogênicas que se repetem ciclicamente, oscilando entre regiões corticais e subcorticais do cérebro. Quanto maior a duração do EME, mais freqüentemente ocorrem seqüelas neurológicas graves no paciente.

Os objetivos gerais do tratamento para o estado epiléptico são os seguintes:

·         manter sob controle as funções cardíacas e respiratória;

·         fazer cessar a atividade convulsiva clínica e elétrica tão rápido quanto possível;

·         prevenir a recorrência das crises convulsivas;

·         prover adequado suporte respiratório;

·         corrigir os fatores precipitantes;

·         estabilizar o balanço hidroeletrolítico e ácido-básico;

·         prevenir ou corrigir qualquer complicação sistemica;

·         avaliar e tratar as possíveis causas  do EME.

 

A cessação da atividade convulsiva requer o uso de anticonvulsivantes, administrados por via intravenosa de forma a se alcançarem em níveis sanguíneos e cerebrais adequados. Assim que a crise  é abortada, deve-se iniciar a infusão de um anticonvulsivante de efeito prolongado e início de ação rápido. As complicações possíveis do EME são:

·         complicações respiratórias;

·         rabdomiólise e mioglibinúria levando a insuficiência renal;

·         edema agudo de pulmão;

·         choque;

·         fratura de ossos.

Tratamento psiquiátrico: É necessário para o tratamento da Epilepsia.

Tratamento fisioterápico:  Reabilitação pós-operatória para ajudar o paciente a obter independência psicossocial e um estilo de vida significativo.

Tratamento dietoterápico:  Dieta cetogênica: é uma dieta rica em gorduras e pobre em carboidratos, com calorias restritas e sem açúcar. É utilizada basicamente em crianças.

Tratamento psicológico: As terapias ajudam o paciente a compreender melhor suas relações com seu meio ambiente, e permitir a ele viver sua vida normalmente.  O tratamento psicológico também ajuda o paciente a encarar a sua condição de epiléptico de  frente.

Controle do paciente: A consulta periódica ao médico permite que a quantidade de medicamentos seja ajustada a necessidade individual, além de possibilitar a identificação de fatores que possam estar contribuindo para o aumento das crises (fatores desencadeantes), e também para a verificação dos efeitos colaterais que, às vezes, aparecem com o uso de medicamentos. A consulta periódica ao médico permite uma melhor avaliação da evolução do quadro do paciente. No caso específico, em que o  paciente não faz mais uso da medicação, este deve ir anualmente ao médico que o assiste para uma avaliação de rotina. Lembre-se, a Epilepsia não tem cura, mas ela pode ser controlada. Em alguns casos, depois de anos sem crises,  algum fator determinante e imprevisível, pode contribuir para o aparecimento de uma crise.

Cuidados que devem ser tomados com a medicação antiepiléptica:

·         Tomar regularmente a medicação nos horários e quantidades prescritas pelo médico.

·         Não usar medicação de outras pessoas.

·         Verificar a dosagem, o frasco e a quantidade de comprimidos que devem ser ingeridos.

·         Fazer uma programação  quanto ao horário que deve tomar a medicação.

·         Não se deve jamais dobrar a dose no horário seguinte, caso tenha esquecido de tomar no horário anterior.

·         Deixar a medicação fora do alcance de crianças.

·         Não tomar a medicação com álcool.

·         Repor a medicação quando estiver para terminar.

·         Conservar a medicação no invólucro original.

·         Conservar a medicação longe da luz solar e da umidade.

·         Evitar usar porta-comprimidos, junto com outros tipos de comprimidos. Isto é, não é prudente nem saudável usar antiepilépticos juntamente  com outros tipos de comprimidos, no mesmo porta-comprimidos. Porque, podem ser confundidos, na hora de ser ingeridos. Por segurança, deixe os comprimidos antiepilépticos dentro da sua própria embalagem.

·         Levar consigo sempre uma cópia da prescrição médica e o telefone do seu médico, prevendo alguma eventualidade

·         Se o seu filho faz uso de medicação epiléptica, informe à escola, para que juntos possam chegar a um acordo como deve ser dada essa medicação ao seu filho; se ele deve levá-la de casa todos os dias, ou se deve ficar guardada na enfermaria da escola. 

·         Não deixe de informar aos funcionários da escola onde seu filho estuda, sobre as crises epilépticas que seu filho  pode ter, mesmo fazendo uso da medicação, e os cuidados que devem ser dados  no decurso de uma crise, pois no caso de uma crise na escola, os funcionários poderão ajudá-lo mais corretamente, sem improvisações.

 

Cuidados que devem ser tomados, por terceiros, durante e depois do ataque epiléptico:

·         Manter sempre a calma, enquanto a pessoa está tendo a crise.

·         Proporcionar privacidade ao paciente e proteja-o dos espectadores curiosos, que não ajudam em nada e só fazem atrapalhar.

·         Proteger a cabeça da pessoa para evitar traumatismos e auto-agressão.

·         Colocar um apoio embaixo do pescoço.

·         Remover objetos que podem machucar ou causar traumatismos à pessoa.

·         Afrouxar as roupas apertadas tipo camisas, gravatas, colarinho folgar o cinto.

·         Posicionar a cabeça de lado, para que a saliva possa escorrer e não dificulte a respiração.

·         Não tentar abrir a boca para introduzir qualquer objeto, pois pode resultar em trauma ou fratura.

·         Não jogue água na pessoa,  nem tente fazer com que ela beba, enquanto o paciente está em crise.

·         Não tentar conter  a pessoa durante a convulsão, pois as contrações musculares são muito fortes, e a contenção pode causar algum traumatismo.

·         Fique ao seu lado, até que a crise passe.

·         Após a convulsão, orientar a pessoa sobre  o tempo e o lugar onde se encontra, pois em alguns casos, quando a crise passa  a pessoa fica confusa e desorientada.

·         Importante observar se, a pessoa não está tendo uma crise após a outra, se isso ocorrer providenciar um socorro médico imediatamente, pois  pode surgir a possibilidade do estado epiléptico. 

·         Verifique se não há nenhum telefone para que  você entre em contato com os familiares e informar a situação.

 

Cuidados gerais

·         Não é prudente nem saudável dirigir carro se tem crises freqüentes, pois caso tenha uma crise no carro poderá provocar um acidente.

·         Não é prudente nem saudável tomar bebidas alcoólicas, pois pode desencadear uma crise, como também pode anular o efeito da medicação.

·         Não se deve nadar sozinho nem no mar ou na piscina, porque caso tenha  uma crise, poderá se afogar.

·         Tomar a medicação regularmente.

·         Tentar identificar os fatores precipitantes das crise, e se possível tentar evitá-los.

·         Nunca sair sem a sua medicação.

·         Cuidado com a automedicação. Vários medicamentos de venda livre, podem interferir com os prescritos para a epilepsia.

·         Dormir um número regular de horas.

·         Evitar um superestímulo emocional.

·         Informar aos seus colegas de trabalho e ao setor médico sua condição de portador de epilepsia.

·         Relatar ao médico quaisquer alterações no seu estado de saúde tipo: equimose fácil, púrpura, sangramento nas gengivas, icterícia, febre, infecções recorrentes ou qualquer tipo de dermatose.

·         Fazer exames de sangue e urina periodicamente.

·         Evitar se aborrecer.

·         Evitar o stress.

·         Evitar a depressão.

·         Manter sempre a calma.

·         Caso a luz da TV, seja um fator precipitante da crise, tente assistir a televisão sempre com a luz acesa no local, nunca com a luz apagada, e mantenha uma distância razoável da televisão, de pelo menos três metros da tela, e prefira os aparelhos com tela menor.

·         Evitar danceterias com luzes estroboscópicas. Usar óculos escuros nesse ambiente, ajuda a reduzir os riscos, mas o melhor é evitá-las

·         Mulheres portadoras de epilepsia, se quiserem tomar pílulas anticoncepcionais, devem consultar seu médico.

·         Mulheres portadoras de epilepsia que querem ter filhos devem informar ao neurologista e ao seu obstetra seu desejo, para que eles possam juntos, fazer mudanças na dosagem de sua medicação e a outros cuidados que devem ter, para que sua gravidez transcorra sem intercorrências.

·         Deve informar sempre sua condição de epiléptico quando for fazer qualquer tratamento, que não seja com o seu neurologista ou psiquiatra.

·         É interessante informar à companhia aérea sua situação de epiléptico, quando tiver a necessidade de viajar de avião.

·         Levar consigo um cartão médico informando a sua condição de epiléptico. 

·         Levar consigo um cartão com informações  do que deve ser feito no caso de um ataque.

 

Considerações finais

As pessoas que conseguem controlar suas crises, com medicamentos epilépticos, são capazes de levar uma vida visivelmente normal, tanto pessoal como profissional.  Várias pessoas, dependendo do tipo de crise de Epilepsia, depois de anos de tratamento,  não tiveram mais crises convulsivas, mas mesmo assim, devem ir ao neurologista ou psiquiatra, conforme o caso, para uma avaliação anual.

 

Infelizmente, tem grupos de indivíduos epilépticos, que, cujas crises, são resistentes às medicações anticonvulsivas. Essas  crises descontroladas podem interromper tanto a carreira profissional como  a vida pessoal e familiar, dessas pessoas. Nesses casos específicos, a qualidade de vida desses pacientes fica bem comprometida. E ainda dentro desse grupo, existem aqueles que necessitam de internamento prolongado em instituições hospitalares específicas, devido aos problemas neurológicos e mentais que o excesso de crises convulsivas causam ao sistema nervoso.


Dúvidas de termos técnicos  e expressões, consulte o glossário específico de Doenças Neurológicas ou o glossário geral.