DOENÇA DE ARDENSEN

GLICOGENOSE TIPO IV

 


Introdução 

As Glicogenoses:

As miopatias de depósito podem ser devidas ao acúmulo de polissacárides ou de lípides. Entre os polissacárides destacamos o glicogênio, embora de maneira excepcional, possam ser encontrados outros, como as glicoproteínas, polissacárides neutros e mucopolissacárides neutros.O glicogênio é encontrado em praticamente todos os tecidos, destacando-se o hepático e o muscular esquelético. O metabolismo do glicogênio é regulado por um sistema enzimático que, quando alterado, acarreta importantes modificações no seu teor, bem como na sua estrutura. 

As glicogenoses se caracterizam por um depósito anormalmente aumentado de glicogênio nos diversos tecidos, cuja estrutura pode ser normal ou anormal. Essa alteração ocorre por ausência ou deficiência de enzimas envolvidos no processo de síntese e degradação do glicogênio. Em se considerando os aspectos clínicos, as glicogenoses podem ser divididas em quatro tipos, dependendo de sua distribuição: muscular, hepática, hepato-muscular e generalizada. A herança é do tipo autossômico recessivo A classificação numérica adotada é a que foi proposta por Gerty Cori, em 1957, chegando ao número VI. Desde então, outras foram descritas.

Definição da Glicogenose Tipo IV

A Doença de Andersen ou Glicogenose do tipo IV, é uma forma rara e  grave das glicogenoses, levando o portador à morte nos primeiros anos de vida.  A doença afeta gravemente o fígado

A doença é de fundo genético e a modalidade de transmissão hereditária é do tipo autossômico recessivo, sendo considerada uma moléstia rara.A patologia é causada pela deficiência da enzima ramificadora amilo-1,4→1,6-transglicosidase, a qual é essencial na ramificação do glicogênio.

O glicogênio não é ramificado, adquirindo então, uma forma muito longa, influenciando dessa forma na função de armazenar a glicose. O fígado e os músculos que devem armazenar o glicogênio ficam comprometidos, resultando em hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e aço), o que termina por causar uma grave insuficiência hepática, miopatia (hipotonia e atrofia muscular) e o retardo do crescimento no indivíduo afetado pela doença.  Porém, já foram identificados casos  de Glicogenose tipo IV  de menor severidade clínica, podendo evoluir de uma uma forma mais benigna.

Sinonímia

·         Doença de Cori tipo IV.

·         Doença de armazenamento de glicogênio tipo 4 (GSD4).

·         Glicogenose generalizada tipo IV de Cori.

·         Síndrome de Ardensen.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas da doença são muito graves, podendo ocorrer hipotonia muscular, atraso no crescimento, alterações neuromusculares, hepatoesplenomegalia, cirrose  e desenvolvimento motor muito lento. Dependendo da forma de apresentação a doença pode causar as seguintes manifestações clínicas:

Forma clássica: os bebês são normais ao nascimento, mas nos primeiros meses de vida desenvolvem hepatomegalia (aumento do volume do fígado), hipotonia muscular e atraso no crescimento. Com a evolução da doença as manifestações clínicas da doença se agravam causando cirrose com hipertensão portal e ascite.  A criança afetada morre logo nos primeiros anos da infância devido às complicações hepáticas.

Forma congênita ou perinatal: :é considerada uma das formas mais graves da doença que começa antes do nascimento, com diminuição ou ausência de movimentos fetais, artrogripose, pulmões hipoplásicos e morte perinatal. Se conseguir sobreviver o recém-nascido apresentará hipotonia muscular grave, cardiomiopatia grave, hepatomegalia, depressão respiratória e envolvimento neuronal. O óbito pode ocorrer logo nos três primeiros meses de vida.

Formas mais brandas com início tardio: O paciente apresenta além dos problemas de fígado, fraqueza muscular, miocardiopatia, desenvolvimento motor lento e insuficiência cardíaca.

Formas adultas:  além do comprometimento grave do fígado e dos músculos, o paciente tem comprometimento neurológico, como disfunção do sistema nervoso central e periférico. s cl

Diagnóstico

·         Anamnese.

·         Exame físico.

·         Exame clínico.

·         Exames laboratoriais.

·         Biópsia do fígado (apresenta conteúdo de glicogênio anormal) .

·         Diagnóstico pré-natal através de amniocentese.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial deve ser feito para que a Doença de Ardensen ou Glicogenose tipo IV  não seja confundida com outras patologias com quadro clínico semelhante. Através dos exames clínico, físico e laboratoriais o médico pode excluir essas doenças, até chegar ao diagnóstico correto. As doenças  que podem ser confundidas com a Glicogenose tipo IV são as seguintes:

Galactosemia.

Hidropsia fetal.

Tirosinemia.

Tratamento

Não há tratamento específico para essa glicogenose.

O transplante de fígado pode ser uma opção nas formas graves, mas sem comprometimento cardíaco.

Prognóstico  É desfavorável para os doentes com início perinatal e nas formas clássicas que não são submetidos a transplante hepático.  Na forma clássica a morte da criança, infelizmente, costuma ocorrer entre 3 e 4 anos de vida.

Nas formas de início tardio e adulta o prognóstico dependerá da extensão, gravidade e progressão da doença. de os outros formas de casos O óbito,


Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o Glossário geral ou o psiquiátrico.