NEUROSSÍFILIS


Introdução

A Neurossífilis  ocorre quando o Treponema  pallidum,  bactéria que causa a Sífilis, invade o Sistema Nervoso Central, geralmente em pacientes não tratados  após um período entre 10 a 20 anos após a Sífilis primária. mas tem casos que os sintomas da doença ocorrem depois de 30 anos. 

O primeiro evento relacionado ao acometimento do SNC é o desenvolvimento de processo inflamatório meníngeo, clinicamente  sintomático ou não. Quando há manifestações clinicas, o quadro é semelhante ao das meningites benignas de tipo viral. Este processo inflamatório ocorre em cerca de 25% de todos os casos de Sífilis, e só pode ser confirmado pelo exame  do liquor cefalorraquidiano (LCR). 

Incidência

Formas clínicas

São reconhecidos dois tipos de formas clínicas principais na Neurossífilis:  

Forma meningovascular: Se apresenta geralmente, depois de 6 a 7 anos, após a fase inicial da Sífilis primária não tratada.

Formas parenquimatosas: Geralmente, se apresentam  depois de 15 a 20 anos, após a fase inicial da Sífilis primária, não tratada.

Sinais e sintomas

A Neurossífilis dependendo da forma clínica apresentada pode ter  uma sintomatologia bastante variada:

Forma meningovascular:

A forma meningovascular manifesta-se após período variável entre 6 meses e 10 anos, após a infecção inicial, na maioria das vezes entre 6 e 7 anos. Ocorre processo inflamatório das meninges, predominantemente de tipo crônico, acompanhado de fenômenos arteríticos. As manifestações clínicas decorrem do acometimento de áreas cerebrais nutridas pelas artérias afetadas. Podem ocorrer quadros graves por vezes decorrentes da lesão de estruturas irrigadas por uma única arteríola até lesões mais extensas decorrentes do acometimento de artérias médias ou grandes. Ocasionalmente a forma meningovascular da Neurossífilis atinge a região medular, manifestando-se clinicamente como síndrome da artéria espinal anterior da medula. Os sintomas iniciais geralmente são insidiosos:

Formas parenquimatosas:

As formas parenquimatosas da Neurossífilis ocorrem tardiamente, cerca de 15 a 20 anos após a infecção inicial. As principais são a paralisia geral progressiva, a tabes dorsalis, a  atrofia óptica e a sífilis espinal. Embora na maioria das vezes, estas formas neurológicas ocorram isoladamente, podem ser encontradas formas mistas, como a taboparalisia.

Goma neurossifilítica:

Gomas do encéfalo e da medula espinal são muito raras. Elas se originam habitualmente das meninges. Podem ser únicas ou múltiplas. Causam sintomas e sinais de lesões ocupadoras de espaço. O diagnóstico freqüentemente é feito por biópsia, portanto o quadro clínico habitual é o de uma lesão ocupadora de espaço, cuja etiologia somente se pode esclarecer definitivamente mediante exame histopatológica da lesão. Importa sempre diferenciar goma neurossifilítica de outras lesões ocupadoras de espaço.

Diagnóstico

Obs:  No exame de LCR pode  ocorrer as seguintes alterações:  aumento do número de células, geralmente abaixo  de 50 leucócitos por mm3; proteínas aumentadas, geralmente entre 40 e 200 mg/dl, sobretudo na forma meningovascular; presença de anticorpos; aumento dos valores percentuais de globulinas gama, muitas vezes com distribuição oligoclonal.

Na Neurossífilis assintomática os pacientes não demonstram nenhuma anormalidade clínica, mas tem os resultados comprovadamente positivos de anticorpos séricos  e LCR anormal. A menos que recebam tratamento adequado, tais pacientes podem desenvolver Neurossífilis clinicamente manifesta após alguns anos, e  particularmente se todos os parâmetros de LCR forem anormais, há grande propensão ao desenvolvimento de Paralisa Geral Progressiva (PGP).

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial deve ser feito para que a Neurossífilis não seja confundida com outras patologias com quadro clínico semelhante. Através dos exames clínico, físico, neurológico, laboratoriais e estudos radiológicos o médico pode excluir essas doenças, até chegar ao diagnóstico correto. As doenças  que podem ser confundidas com a Neurossífilis são as seguintes:

Neurossífilis Meningovascular:

Meningite sifilítica:

Meningomielite sifilítica:

Neurossífilis  Paralisia Geral Progressiva (PGP):

Manifestações psicóticas:

Paraparesia:

Neurossífilis Tabes dorsal:

Neuropatia periférica:

Sinais de coluna posteriores:

Distensão vesical:

Artropatias tróficas:

Crises vesicais:

Tratamento

O tratamento medicamentoso a base de penicilina dependendo do estágio clínico da doença pode ocasionar a regressão da doença, desde que seja ministrada precocemente. 

O controle das dores fulgurantes e as parestesias com analgésicos fortes (opiáceos e similares) em pessoas jovens podem ocasionar problemas de farmacodependência.

A corticoterapia geralmente na Neurossífilis não tem um resultado satisfatório.

As lesões neurológicas e suas complicações e seqüelas  dependem da fase da doença em que se encontra o paciente, estas lesões devem ser analisadas e tratadas  pelo neurologista e dependendo do caso pelo psiquiatra. Na maioria dos casos as lesões neurológicas são irreversíveis.

O paciente com diagnóstico de Neurossífilis dependendo da apresentação da doença deve ser tratado por uma equipe multidisciplinar composta de: neurologista, psiquiatra, oftalmologista, otologista e fisioterapeuta.

Follow-up: o médico deve conscientizar o paciente para as consultas subseqüentes, após término do tratamento para um esquema de acompanhamento.

Seqüelas

As seqüelas da Neurossífilis resultam de um não tratamento por parte do paciente, ou tratamento equivocado confundindo a Neurossífilis com outras doenças que estão relacionadas  acima no Diagnóstico diferencial. Quando o tratamento é realizado precocemente  ainda na fase da Sífilis primária, a doença regride na grande maioria dos casos 100%.

Neurossífilis Meningovascular:

Neurossífilis Tabes dorsal:

Neurossífilis  Paralisia Geral Progressiva:


Dúvidas de termos técnicos, consulte o Glossário geral.

Maiores informações sobre a Sífilis, consulte o Menu de Doenças Sexualmente Transmissíveis.