ESCABIOSE


 

Definição

A Escabiose é uma infestação da pele provocada por um parasita que penetra na pele,  e forma verdadeiros túneis. É contagiosa de pessoa para pessoa, a família inteira do paciente pode ser contagiada pelos ácaros.  O prurido é mais intenso à noite, pois este é o período de reprodução e deposição de ovos, as fêmeas cavam seus túneis na pele do homem, nesse horário. 

 A Escabiose é uma doença especialmente incômoda. A coceira às vezes se mostra tão intensa, sobretudo em alérgicos, que não há como não coçar.  Isso libera histamina na pele, aumentando mais ainda a coceira. Em ambientes fechados como asilos, quartéis, manicômios, orfanatos a doença se alastra rapidamente, deve-se ter também muito cuidado ao se freqüentar hotel e motel, pois nestes locais também pode se adquirir a Escabiose, principalmente naqueles em que visualmente as condições higiênicas não são das melhores.  O Sarcoptes  scabiei é conhecido como agente parasitário do homem desde 1834. 

 

Sinonímia

É uma doença também conhecida pelos seguintes nomes:

·         Sarna.

·         "Já começa" (nome popular, devido a coceira intensa)

 

Agente etiológico

Ectoparasita denominado de ácaro; nome científico Sarcoptes scabiei; família Sarcoptidae; ordem Acarina; variedade hominis. Outras variedades pode ocorrer em animais e aves. Os ácaros são aracnídeos (arakhne, aranha) do ramo dos artrópodes. Só as fêmeas e seus produtos produzem diretamente as lesões; elas são maiores que o macho, medindo 300 a 350µ; os ovos são ovóides e medem cerca de 180 x 190µ. Na natureza, o microorganismo morre em cerca de dois dias; mas não desaparece, porque sempre existem pessoas com a doença.

 

Incidência

·         É mais comum no outono e no inverno.

 

Ciclo evolutivo

O hospedeiro é infestado pela fêmeas recém-fecundadas que penetram na epiderme.  O macho  morre logo após a cópula. A fêmea adulta constrói um túnel na camada superficial da pele, nas áreas mais delicadas ou onde se apresentam dobras, após ter ocorrido a fertilização na superfície cutânea. Apesar de seu tamanho minúsculo, a fêmea consegue abrir uma galeria de uns 3 centímetros  de comprimento, é a galeria ou túnel  escabiótico, lesão mais característica da sarna; os túneis são lesões curtas, onduladas, de coloração marrom ou preta, e filiformes.  Após completarem  a maturidade sexual, as fêmeas iniciam a postura, pondo de 2 a 3 ovos, diariamente, por até 2 meses e, a seguir, morrem. Desses ovos se originam ninfas hexápodas e, depois de alguns dias transformam-se em ninfas octópodas, semelhantes aos adultos, mas sem órgãos sexuais externos. Finalmente, após nova muda, surgem os machos adultos e depois de uma segunda geração de ninfas octópodas, surgem as fêmeas adultas. Apesar de se acreditar que todo o ciclo evolutivo (14 a 17 dias) se passa no interior  dos túneis, estudos recentes mostram que as formas jovens podem ficar sob as escamas, enquanto os machos se deslocam à procura das fêmeas. 

 

Epidemiologia 

O contágio se realiza quando as fêmeas fecundadas passam do indivíduo infestado ao são, é favorecido pelas relações sexuais, bem como pelo uso de roupas de cama ocupadas anteriormente por pessoas infectadas. O contágio é quase sempre  noturno devido aos hábitos do parasita. A contaminação pode ainda ocorrer por contato com animais domésticos, principalmente o cão, embora seja doença auto-limitada no homem pela especificidade das subespécies parasitas de animais.

 

Localização

Os locais das lesões mais comuns ficam entre os dedos, nas superfícies flexoras dos punhos e das palmas das mãos, ao redor dos mamilos, nas pregas axilares, sob mamas pendulares,  na região peri-umbilical, na virilha ou próximo a ela, no sulco interglúteo, no pênis e no escroto.

 

Reservatório

O homem.

 

Período de incubação

O período varia de dois  a quinze dias.

 

Período de transmissibilidade

Esse período dura todo o ciclo da doença.

 

Transmissão

A principal via de contaminação é o contato com a pele dos portadores. É possível adquirir o parasita, por exemplo, nas relações sexuais. Já as crianças frequentemente contraem sarna em creches e escolas ao brincar  com colegas que têm a doença. Outras fontes importantes de contágio são sofás, cadeiras com forro de tecido, camas, acolchoados, toalhas e roupas utilizadas pelos portadores.  O contágio  se dá quando a fêmea fecundada passa de um indivíduo infestado para um são.

 

Formas clínicas

Existem várias formas de apresentação  da Escabiose.

·         Sarna incógnita:  É a forma modificada pelo uso de corticosteróides tópicos, principalmente a hidrocortisona; pode simular ou superpor-se a várias doenças como, por exemplo, Psoríase, Micose fungicida, Lúpus e Pênfigo.

·         Sarna nodular:  Os nódulos são vermelho-púrpura e pruriginosa, e ocorrem nas partes cobertas, mais freqüentemente na genitália masculina, região inguinal e axilas; deve ser  diferenciada clinicamente do Linfoma de Hodgkin das axilas, e da Histocitose.

·         Sarna crostosa:  Forma rara e altamente contagiosa pela grande quantidade de ácaros nas lesões exfoliativas, é uma dermatite psoriforme das mãos e dos pés com distrofia das unhas; o prurido é mínimo; ocorre mais em deficientes físicos, mentais e imunodeprimidos.

·         Sarna urticariforme:  Forma rara de apresentação da doença que cursa com urticária e vasculite, mais comum em membros inferiores, podendo ser generalizada, mascarando os achados da escabiose.

·         Sarna e AIDS:  As lesões são mais disseminadas e resistentes ao tratamento antiparasitário, e se concentram mais na região anogenital; são formas altamente contagiosas e o prurido é proporcional ao comprometimento da imunidade celular (hipersensibilidade retardada).

 

Sinais e sintomas

As manifestações clínicas geralmente acontecem depois de um mês após a infecção; os portadores geralmente se queixam dos seguintes sintomas:

·         prurido intenso, acentuado à noite, é o principal sintoma da doença; o prurido também pode ser exclusivamente noturno ou vespertino;

·         erupções foliculares espalhadas contêm ácaros imaturos.

·         inflamação dessas erupções pode produzir pústulas e crostas.

 

Características das lesõesAs lesões apresentam-se como pontos pretos circundados por escoriações mais ou menos generalizadas com pequenas vesículas pruriginosas, pústulas. O "túnel" ou "galeria"  aparece como uma pequena mancha irregular, cerca de 2 a 3mm. Lesões características podem ocorrer como pápulas pruriginosas na vulva, escroto ou pênis. As lesões da escabiose podem  constituir uma porta de entrada para infecções bacterianas.

 

Obs:  Em indivíduos que nunca tiveram sarna ou escabiose anteriormente, o prurido (coceira) manifesta-se cerca de um mês após a infestação. Nos casos de reinfestação, o prurido é imediato, pois esses pacientes já estariam sensibilizados à escabina, substância produzida pelo parasita e que provocaria a reação alérgica,  responsável pela coceira.

 

Diagnóstico

·         Anamnese.

·         Exame físico.

·         Exame clínico.

·         Exame dermatológico.

 

Obs:  O prurido, o aspecto das lesões, bem como a existência dos pequenos túneis e sua localização, constituem dados para o diagnóstico. A existência  de outros casos em membros da família ou em pessoas que costumam frequenta-la é também um dado diagnóstico importante.

 

Diagnóstico diferencial  

O diagnóstico diferencial deve se feito para que a Escabiose não seja confundida com outras patologias com quadro clínico semelhante. Através dos exames clínico, dermatológico, físico e laboratorial  o médico pode excluir essas doenças, até chegar ao diagnóstico correto. As doenças  que podem ser confundidas com a Escabiose são as seguintes:

·         Dermatite atópica.

·         Dermatite de contato.

·         Prurigo.

·         Urticária papular.

·         Pioderma e outras afecções crônicas que cursam com prurido.

 

Tratamento

Objetivos:  Destruir o parasita, aliviar a coceira e reduzir a irritação da pele.

Não há a necessidade de internamento hospitalar.

·         Específico:  existe tratamento medicamentoso para essa patologia.

·         O tratamento pode ser feito com medicamentos orais, como a ivermectina. O doente toma uma única dose, que pode ser repetida sete dias depois, para eliminar ácaros resultantes de eventuais ovos que tenham eclodido no período. O medicamento deve ser tomado sob prescrição médica.

·         Caso o paciente tenha outra patologia e esteja internado em um hospital ou clínica, este deve ser isolado, para evitar surtos dentro do hospital.

·         As roupas  e lençóis devem ser lavadas e se possível fervidas e passadas, durante a desinfestação.

·         Em bebês e crianças pequenas o uso de luvas pode ser necessário, e a medicação deve ser prescrita pelo pediatra.

·         Usar sabonetes escabicidas: Escabin ou Tetmosol.

·         Não use sabonete comum, quando estiver com Escabiose.

·         Usar após o banho morno,  a loção escabicida indicada pelo médico; não se deve secar o corpo; deixar a loção agir no corpo durante 24 horas.

·         Pode usar também creme ou loção de Kwell a 1% para adultos, sob prescrição médica.

·         Creme ou loção de crotonotoluida (Eurax) a 10% ; esse creme escabicida é recomendado para crianças, porque o Kwell pode produzir sintomas neurotóxicos.

·         Anti-histamínico sistêmico pode ser necessário em  caso de prurido intenso, sob indicação médica.

·         Durante o tratamento e a desinfestação o paciente deve abster-se de ter relações sexuais, não deve emprestar suas roupas, ter cuidados mais rigorosos com a sua higiene pessoal, lavar sua roupa separadamente. se possível com água quente, para matar os ácaros. 

 

Apoio psicológico: Os pacientes com problemas dermatológicos podem ver e sentir seus problemas, e estes os afetam mais do que a muitos portadores de outras patologias, por isso o apoio psicológico por parte da equipe de enfermagem é fundamental para esses pacientes.

 

Complicações

O quadro complica-se em indivíduos imunodeprimidos, como  transplantados, portadores do vírus da Aids ou outras doenças crônicas e pessoas que fazem quimioterapia para o tratamento de câncer. Esses pacientes costumam apresentar a chamada sarna crostosa, em que uma verdadeira crosta recobre as pápulas. Nessas pessoas, a quantidade de parasitas é enorme, a possibilidade de contaminar outras pessoas se torna muito maior e, conseqüentemente, o tratamento demora muito mais.

·         Infecções bacterianas secundárias, geralmente estreptocócicas e nefritogênicas, que incidem principalmente em regiões tropicais. As infecções bacterianas são resultantes do ato de coçar as lesões.

·         As lesões da escabiose podem servir como foco inicial  de doenças graves como a Glomerulonefrite aguda.

·         A longa permanência  de lesões escabióticas pode prejudicar a pele, e alterar sua estrutura normal, levando a sérias e graves modificações.

·         A forma intensamente generalizada é denominada de "sarna norueguesa".

 

Cuidados gerais

·         A criança deve se afastar da escola, até que o médico libere, pois se isso não ocorre, ela contaminará outras crianças da sala de aula.

·         O banho morno com água e sabão facilita a ruptura das vesículas e dos túneis. Dessa maneira as larvas e os ovos ficam expostos à medicação.

·         A cama e o colchão do paciente e dos familiares devem ser pulverizados com inseticida próprio pela manhã, e a roupa de cama só deve ser colocada à noite.

·         As roupas pessoal e de cama usadas pelo paciente devem ser fervidas e lavadas separadamente, colocadas para secar no sol durante um longo período ou passadas  a ferro, na temperatura bem  quente.

·         Toda a família ou a coletividade deve ser tratada ao mesmo tempo, para evitar a propagação da infestação.

·         A melhoria das condições de higiene e limpeza,  constitui outra medida profilática de grande importância para o combate à sarna. 

 

 


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