HERPES ZOSTER


 

Definição

O Herpes Zoster é uma doença infecciosa, contagiosa e  dolorosa causada pelo mesmo vírus da Varicela que acomete nervos, gânglios e pele, decorrente da reativação do vírus latente no adulto, que provoca o aparecimento de erupções vesiculares extremamente dolorosas ao longo da via dos nervos periféricos para a pele.

O vírus do herpes-zoster é reativado  também nos pacientes imunocomprometidos, portadores de doenças crônicas e pacientes com neoplasias (câncer). Particularmente nos pacientes com o vírus da  AIDS, a doença que é geralmente benigna pode apresentar uma evolução grave e em alguns casos fatal. 

A doença é considerada infecciosa apenas nos primeiros 2-3 dias, e apenas para os indivíduos com imunossupressão, ou para aqueles que não tiveram varicela anteriormente. Existe uma tendência maior de complicações e sequelas no paciente mais idoso.

 

Sinonímia

É uma doença também conhecida popularmente pelos seguintes nomes:

·         Cobreiro.

·         Zona.

 

Incidência

·         Ocorre mais em adultos.

·         A maioria dos adultos são imunes ao herpes zoster, pois  já adquiriram os anticorpos quando tiveram varicela na infância.

·         O vírus do herpes zoster tem estreita ligação em pacientes com doenças neoplásicas (câncer) e a AIDS

·         Pacientes com HIV positivo tem uma grande predisposição para adquirir Herpes Zoster.

·         Só tem herpes zoster quem já teve varicela. 

 

Agente etiológico

Vírus Varicella-Zoster; família Herpetaviridae; vírus RNA.

 

Fisiopatologia

Quando o vírus é ativado, em alguns casos por fatores desconhecidos, se multiplicam e migram pelas terminações nervosas, dando às lesões  uma característica serpenteante ou em outros casos podem apresentar lesões isoladas. Após um período de 24 horas ou mais, começam a aparecer sobre as lesões, vesículas arredondadas que depois  de 5  a 6 dias começam a romper, secar e se transformar em crostas  amarelas escuras, resultantes da necrose local da pele. se as lesões atingirem só a região da epiderme não haverá cicatrizes, mas se atingir mais profundamente a derme pode  ocorrer cicatrizações dependendo do grau de ulceração das lesões.   Geralmente ataca o nervo trigêmeo próximo da orelha até a testa, no tórax segue pelos espaços intercostais começando pela região da espinha seguindo em direção  ao esterno, também pode atacar o ramo oftálmico do nervo trigêmeo, a região da nuca e a região genital até a raiz da coxa. Após a fase de disseminação hematogênica em que atinge a pele, o vírus segue pelos nervos periféricos até os gânglios nervosos onde permanece em latência por toda a vida do indivíduo.

 

Reservatório

O homem.

 

Período de duração

Em média de 4 a 6 semanas

 

Período de incubação

Em média de 7 a 21 dias quando pode aparecer uma febre rápida, nesse período.

 

Fatores de risco

São aqueles  fatores ou doenças que podem exercer efeito ativante sobre o vírus latente no organismo:

·         Diabetes.

·         Stress.

·         Lesões do sistema nervoso.

·         Distúrbios neuropsíquicos.

·         Tumores da medula.

·         Leucemia.

·         Traumatismos.

·         Febre.

·         Queimaduras de sol.

·         Problemas de saúde bucal.

·         Problemas pós-cirúrgicos.

 

Localização

·         Região torácica (53%).

·         Região cervical (20%).

·         Região do nervo trigêmeo (15%).

·         Região lombossacra (11%).

 

Formas clínicas

·         Herpes zoster hemorrágico:  quando as vesículas contêm sangue proveniente de pequenos vasos lesados.

·         Herpes zoster gangrenoso:  as vesículas se transformam em ulcerações profundas.

·         Herpes zoster oftálmico:  quando atinge o ramo oftálmico do nervo trigêmeo se não for tratada pode levar à cegueira.

·         Síndrome de Ramsay-Hunt: comprometimento do gânglio geniculado, lesão no pavilhão auricular e conduto auditivo; pode causar a perda da sensação gustativa nos 2/3  anteriores da língua e hemiparesia facial.

 

Herpes zoster oftálmico

O herpes zoster não afeta necessariamente o olho, mesmo quando ocorre na face e na fronte.  No entanto, quando a divisão  oftálmica do quinto nervo craniano se torna infectada, é provável que a infecção se propague até o olho. A inflamação causa dor, hiperemia (excesso de sangue) e edema palpebral, e pode comprometer a córnea, acarretando a formação de cicatrizes. Nos casos em que há cicatriz, pode-se usar o meio de tratamento mais extremo, o transplante de córnea. As estruturas localizadas atrás da córnea podem inflamar uma condição definida de uveíte, e a pressão ocular pode aumentar, causando glaucoma. As complicações comuns de uma infecção da córnea incluem a perda e sensibilidade ao toque e o glaucoma permanente.  

Quando o herpes-zoster infecta a face e ameaça o olho, o tratamento precoce com o antiviral Aciclovir, administrado por via oral durante sete dias, reduz o risco de complicações oculares. Os corticosteroides, geralmente sob a forma de colírio, também podem ser úteis. Frequentemente, são utilizadas gotas de atropina para manter a pupila dilatada e, também para ajudar a impedir o aumento da pressão do olho.

 

Sinais e sintomas

 

período inicial:

·         febre discreta;

·         cefaléia;

·         prurido ou sensibilidade local;

·         irritabilidade;

·         mal-estar geral e indisposição;

·         aumento do tamanho dos  gânglios linfáticos;

·         distúrbios gastrointestinais pode preceder à erupção;

·         sensação de picadas, formigamento, e queimação no local onde aparecerão as lesões. 

 

sintomas iniciais do herpes ocular:

·         Dores nos olhos.

·         Lacrimejamento.

·         Sensibilidade á luz.

·         Hiperemia.

 

período exantemático:

·         erupções cutâneas e vesiculares sobre uma base eritematosa unilateral, agrupadas ao nível da inervação de um ramo nervoso, acompanhada de dor irradiando por todo o trajeto do nervo atingido;

·         As erupções vesiculares dispõem-se em faixas de alguns centímetros de largura ao longo da área de distribuição do nervo afetado, apenas em uma das metades do corpo, sem  ultrapassar a linha mediana. As vesículas, dispostas em bases eritematosas, grupam-se em cachos, tendendo à confluência.

·         dor que pode variar de intensidade, oscilando entre a dor moderada até o ponto da dor se tornar insuportável, com a sensação de uma forte queimadura durante e depois das erupções.

 

período de convalescença:

·         após a ruptura das vesículas (4 a 5 dias) há formação de crostas, que se desprendem e deixam uma mancha escura. Pode persistir dor no local por algum tempo;

·         o tempo de cicatrização das vesículas varia entre 7 a 20 dias.

 

Diagnóstico

·         Exame físico.

·         Exame clínico (pelas características das lesões).

·         Exames laboratoriais.

·         Testes sorológicos (pesquisa de anticorpos específicos contra o vírus).

·         Testes virológicos (isolamento viral por inoculação em culturas celulares).

·         É prudente a realização de estudos diagnósticos para investigar a possibilidade de uma doença subjacente.

 

Obs: O Herpes zoster pode indicar a presença de uma doença interna grave, especialmente após a meia-idade, como a Doença de Hodgkin, Leucemia e alguns tipos de neoplasias (câncer). O médico deve fazer exames para tentar detectar essas doenças.

 

Diagnóstico diferencial  

O diagnóstico diferencial deve ser feito para que o Herpes Zoster não seja confundido com outras patologias com quadro clínico semelhante. Através dos exames clínico, físico, laboratoriais e estudos radiológicos o médico pode excluir essas doenças, até chegar ao diagnóstico correto. As doenças  que podem ser confundidas com o Herpes Zoster são as seguintes:

 

·         Varíola.

·         Eczema vaccinatum.

·         Eczema herpético.

·         Rickettisiose variceliforme.

·         Impetigo.

·         Infecção por vírus coxsackie.

 

Tratamento

Objetivo: O objetivo do tratamento é eliminar a dor e prevenir  infecções secundárias.

 

·         Sintomático: conforme os sintomas apresentados e suas intercorrências sob indicação médica.

·         Analgésicos são indicados para aliviar a dor, sob indicação médica.

·         Antibióticos são utilizados para evitar infecções secundárias das vesículas, sob indicação médica.

·         Anti-inflamatórios sob prescrição médica são indicados para evitar inflamações.

·         Anti-histamínicos sob prescrição médica podem ser indicados para controlar o prurido.

·         Para controlar o nervosismo que acompanha a neuralgia e o prurido, medicação específica deve ser administrada, sob prescrição médica.

·         Soluções anti-sépticas nas lesões ajudam a prevenir infecções.

·         Pomadas analgésicas ou com antibióticos também são usadas para evitar a contaminação bacteriana.

·         Talco antipruriginoso após o banho alivia o prurido.

·         Uma vez tendo o Herpes Zoster o paciente adquire imunidade.

·         Ao tratar o paciente deve-se utilizar luvas, máscara e gorro.

·         Repouso moderado no leito é recomendável.

·         Os pacientes com problemas dermatológicos podem ver e sentir seus problemas, e estes os afetam mais do que a muitos portadores de outras patologias, por isso o apoio psicológico por parte da equipe de enfermagem é fundamental para esses pacientes.

 

Obs: Quanto mais precoce o diagnóstico, e mais rápido seja implementado o tratamento, menor será a destruição do nervo e, menos o paciente sofrerá com a dor pós-herpética.

 

Complicações

·         Nevralgia pós-herpértica (NPH - dor persistente que permanece por 4 a 6 semanas, mas em alguns casos pode permanecer por vários  meses, logo após a erupção cutânea).

·         Encefalite (casos graves).

·         Infecção bacteriana secundária, decorrente das lesões cutâneas.

·         Paralisia facial periférica quando há o envolvimento do VII par craniano.

·         Artrite granulomatosa.

·         Quando ocorre Herpes zoster oftálmico pode resultar em inflamações, ulcerações podendo evoluir até chegar à cegueira.

·         Em pacientes com HIV positivo as complicações são as seguintes: retinite, necrose aguda da retina, encefalite progressiva.

 

Seqüelas

Herpes Zoster oftálmico:

·         perda de sensibilidade ao toque.

·         Glaucoma permanente.

·         Cicatrizes na córnea, que podem fazer com que o paciente tenha que recorrer ao transplante de córnea.

·         Cegueira.

 

Cuidados gerais 

·         Lavar as mãos sempre ao entrar em contato com o paciente.

·         Não se deve manter contato com o líquido das vesículas.

·         Evitar tocar as lesões, furar as bolhas e arrancar as crostas.

 

 


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