DOR CRÔNICA
Introdução
Dor é uma sensação desagradável, de
intensidade variável, decorrente da reação de uma pessoa em relação a lesões
reais ou potenciais. A dor pode ser
considerada uma experiência sensitiva e emocional desagradável, associada a uma
lesão, ou descrita como a ela relacionada.
Em outra conceituação, pode-se dizer que a dor é qualquer sensação
corporal que o paciente diz ter, existindo sempre que ele assim o afirma.
A Associação Internacional para
Estudos da DOR (IASP) conceitua a dor como “ uma
experiência sensorial e emocional desagradável associada a um dano real ou
potencial dos tecidos, ou descrita em termos de tais lesões”.
Dor crônica é definida como a dor que persiste ou
recorre por mais de seis meses ou dor associada à lesão de algum tecido que se
imagina poder evoluir. São exemplos de dor crônica a artrite reumatóide, a
osteoartrite, a fibromialgia, dor pélvica, dor na coluna, alterações da junta
têmporo-mandibular, enxaquecas, a gota, o cálculo renal e as dores decorrentes do câncer.
O sistema da dor se inicia quando as terminações
nervosas existentes sob a pele e nos músculos recebem um estímulo nocivo. A
“mensagem” é levada pelos nervos sensitivos até a medula, onde há uma resposta
motora. A “mensagem” segue para o cérebro, onde é processada,
formando a consciência da dor.
A dor não pode ser medida, portanto é
o paciente que informa
ao médico a intensidade da dor. Os locais do corpo onde existem mais
terminações nervosas são as mais sensíveis à dor. Estudos e pesquisas indicam
que as dores que são mais intensas e que causam mais sofrimento ao paciente são
aquelas que envolvem as vísceras (intestino e bexiga), área genital, córnea e
nervos da coluna. A dor crônica
compromete e altera de modo significativo a qualidade de vida da pessoa
afetada.
Dor é o que o paciente diz
ser, e existe quando ele diz existir.
Incidência
·
É
maior incidência de dor crônica nas mulheres do que nos homens.
·
A
Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que a incidência de dor crônica,
afeta cerca de 34% da população mundial, sendo que
desse percentual a maioria são mulheres.
·
No
Brasil, estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas sejam portadores de dor
crônica, apesar de não haver dados estatísticos oficiais sobre a dor.
·
A
dor afeta pelo menos 30% dos indivíduos durante algum momento da sua vida e, em
10 a 40% deles, tem duração superior a um dia.
·
Em
indivíduos acima de 65 anos, a incidência de dor crônica aumenta
exponencialmente.
·
A
dor e o sofrimento decorrente da dor é mais recorrente, grave e prolongado nas
mulheres.
·
Nos
idosos, os locais de dor mais freqüentes são na região dorsal e nos membros
inferiores.
·
A
dor é considerada a causa principal de incapacitação parcial ou permanente para
o trabalho.
·
A
sensação de incapacidade laboral decorrente da dor é considerada um importante
motivo que leva o paciente a depressão.
Predominância
A localização
corporal da dor crônica é mais predominante na região lombar, cervical, a
cabeça, membros inferiores e superiores, seguida de dor nos joelhos e na região
torácica.
Em relação
a dor oncológica esta depende do local do tumor.
A dor
crônica no idoso é geralmente progressiva devido ao processo de envelhecimento,
o qual aumenta exponencialmente o risco de doenças crônico-degenerativas.
Classificação
A dor pode ser classificada pela
intensidade ou tipo:
Intensidade: leve, moderada ou intensa:
Tipo (evolução)
·
Crônica:
é uma dor constante ou intermitente, durante períodos mais longos, dura seis
meses ou mais, persiste além do tempo previsto para a cicatrização e geralmente
não pode ser atribuída a uma causa específica da lesão. Geralmente, não
responde aos tratamentos que visam sua causa.
·
Aguda:
é um tipo de dor que tem um início recente e geralmente está associada a uma
lesão específica; é muito comum, indicando que ocorreu algum grau de lesão no
organismo, que requer algum
tipo de tratamento ou intervenção. Na grande maioria dos casos, há uma doença
ou lesão orgânica, embora a cicatrização possa ser acompanhada de dor aguda. No
caso específico da cicatrização a dor cede e desaparece gradativamente à medida
que a cicatrização progride.
Pelo mecanismo:
·
Somática
(nociceptiva, inflamatória).
·
Neuropática
(periférica ou central).
·
Psicogênica.
Dores
mais comuns
Dor crônica:
·
Cefaléias
de tensão.
·
Enxaquecas.
·
Dor
na coluna vertebral.
·
Dor
proveniente de cálculo renal.
·
Dor
neuropática.
Dor aguda:
·
Dores
estomacais.
·
Dores
abdominais.
·
Dores
no aparelho urinário.
Fatores de risco
·
Maior longevidade do indivíduo: quanto mais o
indivíduo vive, maior será o fator de risco para que ocorram episódios de dor,
principalmente a dor crônica.
·
Sedentarismo.
·
Sintomas depressivos.
·
Ansiedade.
·
Atividades laborais: dependendo do tipo de
trabalho que o indivíduo exerça, a dor aguda pode evoluir para dor crônica,
principalmente no punho, mão, joelhos, ombros; as regiões lombar e cervical são
as mais acometidas.
·
Obesidade.
·
Fumantes e ex-fumantes estão mais
predispostos a desenvolver dor crônica.
·
Consumo excessivo de álcool pode predispor ao
desenvolvimento de dor crônica, especialmente em indivíduos do sexo masculino.
Fatores desencadeantes
São os
fatores que provocam ou ativam as crises de dor, esses fatores podem ser
chamados também de “gatilhos”.
·
Ambientais.
·
Alimentares.
·
Físicos.
·
Hormonais.
Fatores que influenciam a percepção da dor
Por ser considerada a dor uma entidade
sensorial múltipla a qual envolve aspectos emocionais, culturais, ambientais, sociais
e cognitivos, a intensidade e a sensação de dor no indivíduo, pode variar de
pessoa para pessoa.
·
Fatores
étnicos e culturais.
·
Experiências
dolorosas prévias.
·
Respostas
do paciente às estratégias de alívio da dor.
·
Significado
da experiência dolorosa.
Efeitos prejudiciais da dor
Quando a dor é prolongada ou crônica
pode provocar alguns efeitos no organismo, que podem até prejudicar a reabilitação
da doença ou em alguns casos tornar-se uma invalidez por si mesma. Se a dor não
for aliviada pode provocar alguns efeitos prejudiciais no paciente, tais quais:
·
Alteração
na libido
·
Diminuição
da concentração.
·
Depressão.
·
Ganho
de peso
·
Inapetência.
·
Irritabilidade.
·
Limitações
nas atividades diárias..
·
Perda
do peso.
·
Privação
do sono.
Diagnóstico
Como
a dor é algo subjetivo, não podendo ser medida, o médico faz o diagnóstico com
base no histórico do paciente, através de informações sobre como aconteceu o
início da dor, a duração,
periodicidade, a localização, evolução e os fatores que podem ter contribuído
para o agravamento ou alívio da dor, Em alguns casos o paciente pode indicar a
dor que está sentindo através de escala com números de 1 a 10, indicando um valor para o nível de dor
que sente.
Tratamento
Existe tratamento específico para a
dor. Os diversos tipos de dor podem ser controlados com terapia medicamentosa.
O tratamento medicamentoso ou
farmacológico da dor é feito com o uso de analgésicos e anti-inflamatórios, que
combatem a dor e as inflamações nos tecidos ou órgãos.
Geralmente o tratamento para a dor
crônica envolve uma equipe multidisciplinar. O tratamento deve ser
individualizado.
Assistência de
enfermagem:
·
Estabelecer
um relacionamento com o paiente que sente dor.
·
Orientar
o paciente em relação à dor e ao seu alívio.
·
Controlar
outras pessoas que entram em contato com o paciente.
·
Usar
a estimulação cutânea.
·
Proporcionar
distração da dor.
·
Promover
o relaxamento.
·
Administrar
agentes farmacológicos prescritos.
·
Diminuir
os estímulos nocivos.
·
Usar
a ajuda de profissionais.
·
Ficar
com o paciente durante o episódio da dor.
·
Ajudar
na assimilação da experiência dolorosa.
Remédios coadjuvantes
contra a dor crônica:
Antidepressivos: aumentam a produção de
serotonina, neurotransmissores que atenuam a dor, que pode melhorar
concomitantemente o humor, o sono e o apetite. Efeitos colaterais: causam
sonolência, falta de concentração, lapsos de memória, boca seca, tontura,
hipotensão ortostática e retenção urinária, .
Neurolépticos: em geral diminuem a
ansiedade gerada pela dor.
Anticonvulsivantes: são remédios que
aumentam a atividade do neurotransmissor GABA, que
inibe o funcionamento dos neurônios e, assim, ameniza a dor. Os
anticonvulsivantes estabilizam a membrana dos neurônios e evitam que liberem
descargas elétricas contínuas que transmitem a mensagem de dor. Efeitos
colaterais: sedação, tremor, náusea, rush cutâneo, tontura, sonolência e lapsos
de memória.
Anti-inflamatórios: produzem analgesia
e combatem a inflamação;
bloqueiam a enzima COX, que aumenta a sensibilidade dos neurônios
à dor. Efeitos colaterais: náusea, sonolência e dependência do medicamento.
Morfina e outros opioides: são
substâncias que bloqueiam
os canais de cálcio e potássio que alimentam o sistema da dor;
têm uso restrito só podem ser administrados sob prescrição médica e são usados
principalmente para aliviar a dor do câncer e outros tipos de dores crônicas. Efeitos
colaterais: risco de dependência, alterações cognitivas, sedação, constipação,
prurido, retenção urinária e náuseas.
Tratamento fisioterápico: auxilia para um melhor controle do
processo da dor.
Tratamento cirúrgico: em algumas situações específicas é
necessário recorrer à cirurgia, para tentar minimizar ,
aliviar ou terminar com a dor que o paciente sente.
Tratamento psicológico. É necessário, devido aos problemas
psicossociais que a dor crônica pode acarretar ao indivíduo.
Outras abordagens terapêuticas:
·
Toxina
botulínica.
·
Terapias
de neuroestimulação elétrica e magnéticas.
·
Infiltração
peridural.
Terapias não farmacológicas para aliviar a dor
·
Acupuntura.
·
Alongamento.
·
Aromaterapia.
·
Automassagem.
·
Biofeedback:
terapia que ensina ao corpo a relaxar, resultando na diminuição da intensidade
da dor.
·
Estimulação
eletromagnética
·
Fototerapia
com infravermelho monocromático.
·
Ginástica
chinesa.
·
Hipnose.
·
Neuroestimulação
elétrica trans e percutânea.
·
Psicoterapia.
·
Reike
·
Shiatsu:
terapia de energia ao toque.
·
Terapia
a laser de baixa intensidade.
·
Terapia
corporal ou física.
·
Águas
quentes para aliviar dores musculares.
Dúvidas de expressões e termos
técnicos, consulte o Glossário geral.