MORTALIDADE MATERNA


Introdução

A morte materna é definida como sendo a morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, independente da duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gravidez, ou por medidas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais ou incidentais.

Os índices de mortalidade materna poderiam diminuir consideravelmente se as mães fizessem os exames pré-natais de forma regular.  Esses exames previnem as doenças de risco que podem ocorrer durante a gravidez, as quais afetam cerca de 15% das gestantes. 

A morte de mulheres por complicações na gestação, aborto, parto e puerpério pode ser evitada em quase 90% dos casos, através de medidas eficientes de assistência à saúde, desde o planejamento familiar, processo gestacional até os cuidados pós-parto. Há uma estreita relação entre a causa da morte materna e o desenvolvimento social, econômico e cultural da região avaliada (continente, país, estado, município). Quanto menor o grau de desenvolvimento da região, maior é a participação das síndromes hipertensivas, hemorrágicas e infecciosas para o obituário materno, conforme já apontadas pelas estatísticas. Na medida em que a região se desenvolve, essas causas têm a tendência de diminuir progressivamente, dando lugar às demais causas de resolução mais complexa.

A mortalidade materna está na lista das oito prioridades do milênio. Poucas questões preocupam tanto a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) quanto a redução da mortalidade materna. 

Infelizmente, os cuidados maternos não são considerados prioridades no sistema de saúde. Por esse motivo o aumento da taxa de mortalidade materna no país.

Incidência

·         O índice de mortalidade materna é um dos melhores parâmetros para avaliar a qualidade da saúde de um país.

·         Maior incidência em mulheres pardas ou negras.

·         As causas obstétricas diretas (síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e as complicações do aborto) são responsáveis por cerca de 65% das mortes maternas no Brasil.

·         Maior incidência entre mulheres afrodescendentes, mestiças, indígenas, pobres e solteiras que vivem nas regiões mais pobres do Brasil.

·         No mundo, a incidência  da mortalidade materna é maior em países subdesenvolvidos.

·         A principal causa  de morte materna no Brasil é a eclâmpsia, caracterizada por hipertensão, alterações nos rins e no fígado e convulsões.

·         O aborto  é considerado a quarta causa de óbito materno no Brasil.

Fatores

 

Existem vários fatores que contribuem para o aumento do risco da mortalidade materna:

Causas orgânicas diretas

·         Hemorragias.

·         Infecções puerperais.

·         Pré-eclâmpsia / eclâmpsia.

·         Complicações decorrentes do aborto.

 

Causas orgânicas indiretas: incluem mulheres grávidas portadoras  de patologias ou doença desenvolvida durante a gravidez, que podem ser agravadas pelos efeitos fisiológicos da gravidez.

·         Hipertensão arterial crônica.

·         Doenças cardiovasculares.

·         Broncopneumonia.

·         Doenças respiratórias.

·         Diabetes mellitus.

Obs:  A maioria dessas causas podem ser identificadas e diagnosticadas durante o período gestacional.

 

Causas sociais e assistenciais: problemas e fatores sociais indiretamente podem contribuir para  o aumento da mortalidade materna.

·         Pobreza:  a baixa ou nenhuma renda pode resultar,  em muitos casos, em problemas nutricionais e de cuidado pré-natal, caracterizando em geral um estado de má saúde na gestante, contribuindo para um maior risco de complicações médicas durante a gestação.

·         Desvinculação dos laços familiares.

·         Gestantes que moram em área de risco ou na periferia.

·         Baixa escolaridade.

·         Falta de informação sobre o programa de planejamento familiar e/ou pré-natal.

·         Acesso restrito (ou nenhum) a serviços públicos de saúde.

·         Deficiência dos serviços de saúde públicos.

 

Causas hospitalares: são fatores que contribuem de forma direta e indireta para o aumento dos índices de mortalidade materna no Brasil.

·         Equipes cirúrgicas despreparadas e/ou improvisadas.

·         Falta ou inexperiência de médicos obstétricos.

·         Falta de equipamentos adequados.

·         Demora ou descaso na assistência da mulher em trabalho de parto.

·         Demora para o internamento da gestante em trabalho de parto. Muitas maternidades, principalmente as públicas, só internam se a mulher estiver com um determinado grau de dilatação do colo uterino. 

·         Não utilização ou a inexistência de padronização de condutas de atendimento para gestantes.

·         Falta de sistemas de detecção de gestação de alto risco. O índice de mortalidade diminui consideravelmente, quando se identifica precocemente o estado de alto risco da mulher gestante e quando os cuidados intensivos são instituídos.

·         Falta ou redução de leitos para pacientes com gestação de alto risco.

·         Falta ou redução de leitos para gestantes em trabalho de parto.

·         Falta ou redução de leitos de UTI para complicações graves pós-parto.

·         Maternidades sem condições físicas e operacionais de oferecer serviços obstétricos.

·         Excesso de cesarianas.

·         Falta e/ou controle da Infecção  hospitalar. 

Indicador de Mortalidade Materna

A medida oficial de mortalidade materna preconizada pela OMS é a Razão de Morte Materna (RMM) ou Taxa de Morte Materna (TMM), que relaciona os óbitos resultantes de eventos ou complicações da gravidez, parto e puerpério (mortes maternas obstétricas) com o número de nascidos vivos (NV), em uma determinada área geográfica e período de tempo (um ano), devendo ser expresso por 100.000 nascidos vivos.

A OMS considera aceitável uma RMM de até 20/100000 nascidos vivos (NV). O Canadá, os Estados Unidos, a Austrália e os países nórdicos têm RMM abaixo de 20/100000 NV, enquanto que a América Latina e do Sul têm uma RMM estimada de até 190/100000 NV. Na região central da África esses valores ultrapassam 1000/100000 NV. No Brasil, a RMM Oficial é de 64,8/100000 NV, apresentando diferenças importantes entre as várias regiões.

Gestação de alto risco

Principais  situações, distúrbios, alterações, doenças clínicas e/ou obstétricas que servem de  fatores e condições para uma gravidez de alto risco:

·         Alcoolismo da gestante.

·         Alterações  da duração da gravidez.

·         Alterações do volume do líquido amniótico.

·         Amniorrexe prematura.

·         Anemias.

·         Aumento das doenças crônicas.

·         Câncer. 

·         Cardiopatias.

·         Cesárea anterior.

·         Emese/hiperemese.

·         Endocrinopatias.

·         Epilepsia.

·         Estado nutricional.

·         Desvios do crescimento fetal.

·         Gestação múltipla.

·         Hipertenção crônica.

·         Idade materna acima de 35 anos (primeira gravidez).

·         Isoimunização materno-fetal.

·         Lúpus.

·         Obesidade.

·         Óbito fetal.

·         Pneumopatias.

·         Síndrome de  antifosfolipídios.

·         Síndromes hemorrágicas.

·         Síndromes hipertensivas da gravidez.

·         Tratamento para fertilização.

·         Tromboembolismo.

·         Uso de tabaco durante a gravidez.

·         Uso de drogas ilícitas pela gestante.

 

Obs: A prevenção e detecção precoce  dessas complicações, podem ser avaliadas  através de exames complementares, que permitem a investigação das condições maternas e fetais, dentre eles destacam-se a ultrassonografia, a ressonância magnética, amniocentese, avaliação bioquímica e laboratorial e  a monitorização cárdio-fetal

Prevenção

 

Uma das principais medidas para evitar a morte da gestante é um pré-natal bem-feito. Existem várias outras medidas preventivas que podem contribuir para a diminuição dos indíces da mortalidade materna no Brasil:

 

·         Assistência às principais intercorrências obstétricas.

·         Assistência humanizada à mulher em situação de abortamento.

·         Melhora na assistência de urgências e emergências maternas.

·         Melhor treinamento dos médicos obstétricos e das equipes cirúrgicas.

·         Investimento em estruturação dos pré-natais e hospitais apropriados para atender as pacientes de alto risco e complexidade.

·         Criar ambulatórios de especialidade.

·         Aumentar e/ou reativar leitos de maternidade.

·         Exame pré-natal adequado.

·         Aumento de leitos para gestantes.

·         Aumento do número de leitos para atendimento de gravidez de alto risco na rede pública.

·         Facilitar a realização de exames complementares, e que esse tenham o seu resultado fornecido o mais rápido possível.

·         Difusão da cultura do parto normal, de menor risco cirúrgico e de infecção hospitalar.

·         Rigoroso controle de infecção hospitalar.

·         Redução do número de cesárias. 

·         Descriminalização do aborto, já que o abortamento ilegal é a quarta causa de mortalidade materna.

·         Funcionamento de comitês municipais e estaduais para monitoramento dos casos de mortalidade materna na rede pública.

·         Acesso aos anticoncepcionais, para tentar evitar gravidez indesejada.

·         Implementação da Lei do Planejamento Familiar.


Dúvidas de termos técnicos e expressões consulte o Glossário geral.