CIGARRO / TABACO


Introdução

Fumar faz mal à saúde. E como faz. O cigarro mata mais que a cocaína, heroína, álcool, incêndios, suicídios e Aids, juntos.   Pesquisas mostraram que 70% dos jovens fumantes, têm ao menos um dos pais que fuma, reforçando a constatação de que o modelo vindo da família, é importante na determinação do hábito de fumar.

O cigarro foi considerado por muito tempo como símbolo de status. Hoje em dia, porém, sabe-se que o cigarro é um dos piores inimigos da saúde, e aos poucos ele vai saindo de moda. A principal forma de consumo de tabaco é através do cigarro, que contém além da nicotina, um grande número de substâncias tóxicas para o organismo, entre elas o alcatrão e o monóxido de carbono.

O tabaco, ou mais especificamente o cigarro, é uma droga, sim.  Uma droga lícita, que é vendida legalmente, apesar das restrições de publicidade e comércio. É oferecida em supermercados, shoppings,  bancas de revistas, bares, boites, danceterias, aeroportos, rodoviárias, etc.,  apesar de todas as restrições ao seu consumo.

 

Por diminuir as defesas orgânicas, o tabagismo também aumenta o risco de contrair doenças infecciosas, como a Tuberculose e a gripe. O cigarro é responsável por quase 80% dos casos de câncer de pulmão. As principais causas de mortes relacionadas ao cigarro foram doenças cardiovasculares, em países em desenvolvimento. Depois, vêem o câncer de pulmão, em países industrializados, e a obstrução crônica das vias respiratórias, que inclui doenças como bronquite, em países em desenvolvimento. Mais da metade das mortes registradas entre fumantes oscilam entre as idades de 30 a 69 anos.  Atualmente, o consumo do cigarro entre as mulheres, aumentou consideravelmente e, a tendência é que ultrapassem o percentual masculino.

 

As conseqüências do tabagismo para a saúde continuarão crescendo, a não ser que sejam implementadas intervenções efetivas e políticas para reprimir e reduzir o fumo tanto nos homens como nas mulheres. Também é necessário prevenir o crescimento cada vez mais significativo do fumo, entre as mulheres.

Tabagismo e a OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o tabagismo uma pandemia, ou seja, uma epidemia generalizada. O tabagismo é considerado pela OMS a principal causa de morte evitável, em todo o mundo, isto é, menos pessoas morreriam ,se simplesmente não fumassem.  Segundo estatísticas da OMS, o tabaco custa a vida de cinco milhões de pessoas por ano no mundo, e este número deve dobrar em 25 anos, se nenhuma providência for implementada. Um terço da população mundial adulta é fumante, conforme números da OMS.

 

Existe um Tratado internacional destinado a restringir a venda e a publicidade de cigarros Esse Tratado é de responsabilidade da OMS, e tem como objetivos principais, dificultar a publicidade para os cigarros e prevê medidas para limitar o uso de tabaco em lugares públicos e fechados. É um Tratado internacional de saúde pública que oferece à população dos países que o ratificaram, uma proteção frente ao tabaco. 

 

O texto da decisão emblemática na luta contra o tabaco da OMS afirma que, "a propagação do tabagismo é um problema mundial, e de graves conseqüências para a saúde pública". Esse Tratado internacional prevê várias medidas, e também pede que sejam desenvolvidas pelos países membros, programas de sensibilização e informação sobre os riscos do tabaco para a saúde. O Tratado define as regras para apresentar e colocar etiquetas em pacotes de cigarro ,com advertências aos consumidores sobre os riscos do tabagismo.  A luta contra o contrabando, o favorecimento de transferência de tecnologia, e o estímulo às pesquisas e vigilância integram as medidas do Tratado internacional, assim como a proibição da venda de produtos derivados do tabaco a pessoas com menos de 18 anos.

 

De forma geral, o Tratado internacional instaura uma proibição global de toda publicidade a favor do tabaco, e de toda a promoção e patrocínio ligado ao fumo.

Incidência

·         De acordo com a OMS  o número de fumantes  no mundo deverá passar de 1,3 bilhão para 1,7 bilhão até 2025.

·         Dados da Secretária de Vigilância  em Saúde e do Instituto do Câncer (Inca) apontam uma redução de 50% na população brasileira de fumantes, comparada às pesquisas realizadas nos últimos 20 anos.

·         Quase 1/3 da população adulta fuma, no Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde.

·         Cerca de 90% da população fumante adulta, no Brasil, começou a fumar na adolescência, antes dos 20 anos de idade.

·         O número de fumantes do sexo masculino está sofrendo decréscimo, enquanto o número de fumantes do sexo feminino está em ascensão, no Brasil.

·         Pessoas com idade entre 40 a 49 anos fumam mais cigarros diariamente.

·         Cerca de 40% da população fuma ou já fumou em algum momento da vida.

·         Cerca de 80% dos fumantes vivem em países desenvolvidos e em desenvolvimento.

·         Pesquisas americanas concluíram que o cinema, é a principal influência em mais de 50% todos os jovens americanos, que começam a fumar entre os 10 e 14 anos.

·         Mais de 30% dos jovens, são influenciados pela publicidade direta das propagandas de cigarro nos meios de comunicação, principalmente as visuais.

·         Atualmente, o consumo cresceu entre as  mulheres.

·         Mais de 5 milhões de pessoas, morrem de doenças relacionadas ao cigarro, todos os anos  no mundo.

·         25% dos tumores malignos estão associados ao tabagismo, na maioria dos países desenvolvidos.

·         O risco de surgir um tumor pulmonar, para quem fuma três cigarros por dia ,é quatro vezes maior do que para um não-fumante. A probabilidade aumenta mais de dez vezes, para quem consome um maço de cigarros diariamente.

·         As mulheres fumantes são em média  duas vezes  mais suscetíveis de ter um tumor maligno no pulmão, do que os homens fumantes.

·         A incidência de câncer de pulmão vem aumentando entre os tabagistas.

·         O cigarro já é encarado por especialistas, como um dos principais causadores do envelhecimento precoce.

·         A grande maioria dos fumantes de cigarros no Brasil,  ganham  de um a quatro salários mínimos

·         A expectativa da vida dos fumantes é 8 anos menor do que a de não fumantes.

·         O adolescente que bebe bebida alcoólica e fuma tem dez vezes mais chance de também usar a maconha.

Cigarro e o Governo

Uma das medidas que mais contribuíram para  a diminuição do consumo de cigarros pela população, foi o aumento da alíquota do IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados, cobrado da indústria do cigarro. Tornando o preço do cigarro, menos acessível à população, conseqüentemente, é reduzido o número de pessoas que possam adquirir o produto.  A diminuição da população de fumantes, no Brasil, é um resultado que se deve ao conjunto de políticas do Governo, de restrição à propaganda de cigarros e, ao aumento da disseminação de informação dos males que causam à saúde, para a população. 

 

No Brasil, o vício do fumo se inicia mais comumente entre 10 e 19 anos, e por isso existe uma preocupação muito grande por parte do governo, em divulgar campanhas contra o cigarro nas escolas das redes públicas e privadas com o objetivo de atingir diretamente as crianças, os adolescentes e os jovens.

 

Para consulta o texto da "Legislação Federal Sobre Tabaco no Brasil", acesse o seguinte endereço:

www.inca.gov.br/tabagismo/economia/leisfederais.pdf

Cigarro e a mídia

A associação do cigarro com imagens de pessoas bem sucedidas, jovens, desportistas é uma constante nos meios de comunicação. Este tipo de propaganda é um dos principais fatores que estimulam o uso do cigarro. Por outro lado, os programas de controle do tabagismo, vêm recebendo um destaque cada vez maior em diversos países, ganhando apoio de grande parte da população.

 

No Brasil, o governo tem campanhas de alto impacto publicitário contra o tabagismo, para tentar diminuir os novos adeptos do cigarro, e tentar fazer com que os que fumam, avaliem a sua situação, e resolvam parar de fumar:

 

     

Cigarro e a pobreza

Pesquisas confirmam o aumento de fumantes entre a população de baixa renda. Existem muitos trabalhadores de baixa renda, que deixam de comprar comida para comprar cigarro. Nestes casos, o Tabagismo aumenta mais ainda as desigualdades sociais, já que o trabalhador deixa de investir na saúde, família ou educação, em função do cigarro. Muitos pais de família de baixa renda viciados em cigarro e também em bebida alcoólica, gastam parte do seu dinheiro para sustentar o seu vício, e esquecem de outras obrigações tanto sociais como financeiras para com sua família. Esse círculo vicioso, causa vários problemas familiares e sociais na família.

Cigarro e o fumante passivo

Define-se tabagismo passivo como a inalação da fumaça de derivados do tabaco (cigarro, charuto, cigarrilhas, cachimbo e outros produtores de fumaça) por indivíduos não-fumantes, que convivem com fumantes em ambientes fechados.

 

Os poluentes do cigarro dispersam-se pelo ambiente, fazendo com que os não-fumadores próximos ou distantes dos fumantes, inalem também as substâncias tóxicas.
 

Os fumantes passivos que trabalham ou moram em locais fechados, onde há inalação da fumaça de derivados do tabaco, têm uma maior predisposição para ter doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e doenças respiratórias.  Os lugares fechados são um risco para o fumante passivo, podendo ser considerado um risco ocupacional. Atualmente, existem leis que proíbem fumar em ambientes fechados.

Cigarro e o ambiente de trabalho

A luta contra o tabagismo no ambiente de trabalho toma forma, solidez e fôlego em uma grande maioria de países. Leis contra o fumo no ambiente de trabalho ou nos recintos públicos sempre foram encaradas como demagogia política ou "coisa de chefe chato". Para a saúde pública , parece que essas leis ajudam mesmo. Pesquisas indicam e confirmam que os trabalhadores que fumam, devido às restrições impostas ao cigarro no ambiente de trabalho, houve uma pequena redução no número de trabalhadores tabagistas e  no número de cigarros fumados em média ao dia, por essas pessoas. Parece que a proibição do fumo no local de trabalho é uma política eficaz. Não somente protege os não-fumantes dos efeitos nocivos do fumo passivo, como estimula os que fumam a reduzir o consumo. O ambiente e o ar  também ficam mais limpos, sem o cheiro da fumaça dos fumantes. E com o ar mais limpo, os trabalhadores sofrem menos de rinites alérgicas e problemas respiratórios, decorrentes da inalação da fumaça.

Cigarro e o envelhecimento da pele

Uma das substâncias tóxicas do cigarro que mais causam problemas na pele, é a nicotina. Além de causar dependência, ela apresenta efeito vasoconstritor na microcirculação sanguínea, ou seja, reduz o diâmetro dos pequenos vasos sob  a pele. Isso significa dizer que, a substância prejudica a oxigenação e nutrição dos tecidos e atinge em cheio a beleza da pele. A nicotina acelera o surgimento de rugas, reduz o viço e o brilho da pele.

 

A nicotina também é responsável  por produzir uma enzima, que destrói as fibras que formam o colágeno. Como se não bastasse, ainda bloqueia as ligações cruzadas de elastina, reduz a lubrificação cutânea e diminui os níveis  de vitamina A, um importante antioxidante contra a ação dos radicais livres. O hábito de fumar está diretamente associado  à liberação dos radicais livres. Os radicais livres lesam as membranas celulares e impedem as trocas nutritivas,  o que acaba por acelerar o processo de envelhecimento da pele. O tabaco diminui os níveis de tocoferol (vitamina E), betacaroteno (vitamina A) e retinol, substâncias importantes para inativar a ação dos radicais livres. 

 

Pesquisas também indicam que existe uma relação entre a condição da pele e o pulmão. Quanto mais o pulmão estiver prejudicado pelo fumo, maior é o grau de envelhecimento da derme. O vício de fumar e a exposição à radiação solar, são a mais potente combinação para acelerar o envelhecimento. Existem estimativas de que a pele de quem toma sol e fuma, envelhece dez vezes mais rápido do que a de quem não tem esses hábitos. A mímica que as pessoas fazem ao fumar, aquele "biquinho" que contrai os músculos ao redor da boca, contribui para o surgimento de rugas verticais em torno dos lábios. Quem pensa em reduzir as seqüelas do fumo na pele, através da cirurgia plástica, deve parar de fumar. Porque, o cigarro dificulta a cicatrização e a regeneração da pele nas áreas onde foi feita a intervenção cirúrgica.

Cigarro e o coração

Dados estatísticos indicam que, quem fuma cinco ou mais cigarros por dia, tem cinco vezes mais chance de infartar do que um não-fumante da mesma idade e do mesmo sexo.  Aquele fumante que fuma menos de que cinco cigarros por dia, ainda tem o dobro de chance de infartar do que um não-fumante. A prevalência do cigarro como causa principal de infarto do coração é surpreendente. Depois do cigarro, as maiores causas do infarto são a Diabetes e a obesidade. Estudos indicam que uma pessoa que fuma, tem uma chance de infartar maior do que o não-fumante. Mas, se além de fumar, também é diabético e obeso as suas chances de infartar são multiplicadas no mínimo por dez, e aumenta mais ainda se, ainda tiverem outros fatores de risco como colesterol alto e histórico familiar de doenças cardíacas.

 

O cigarro faz tanto mal ao coração, porque quando o fumante traga, todas as artérias e veias se contraem, reação chamada de vasoconstrição, que dificulta a circulação do  sangue. Soma-se a isso, um segundo fator: a ação da nicotina nas paredes internas dos vasos sanguíneos. A nicotina favorece a formação das  placas que acabam entupindo as artérias, num processo semelhante à ação do colesterol.

 

Cigarro x Mulheres x Infarto:

 

O risco de doenças cardíacas dobra naqueles que fumam entre três e cinco cigarros por dia, principalmente nas mulheres. As mulheres  estão fumando e infartando  mais. O infarto do miocárdio algumas décadas passadas era quase uma exclusividade dos homens, agora começa a atingir  homens e mulheres em proporções semelhantes. As mudanças nos hábitos das mulheres, nas últimas décadas, diminuiu a diferença entre o número de homens e mulheres infartados. Por assumir o estilo de vida competitivo, que era mais comum entre os homens, as mulheres passaram a ficar mais estressadas e ansiosas, sem tempo para se alimentar direito, passaram também a beber mais e principalmente a fumar mais.

 

O aumento do índice de mulheres infartadas, ocorre apesar de, elas terem uma suposta  proteção hormonal, antes da menopausa. O indício desse escudo feminino é que, até os 47 anos, a quantidade de infarto em homens é muito maior do que nas mulheres até essa idade. Depois da menopausa, essa diferença cai bruscamente. Após os 65 anos, o risco de infarto tanto nos homens como nas mulheres é praticamente igual.

Cigarro e o pulmão

Tão logo a pessoa começa a fumar, tem início uma reação inflamatória provocada, em primeiro lugar, pela temperatura elevada da fumaça que queima não só os pulmões, mas toda a via aérea. Prova de que isso acontece, é o reflexo de tosse, que acompanha as baforadas dos principiantes. Depois, os sintomas desagradáveis desaparecem e progressivamente vai aumentando o número de cigarros fumados por dia.

 

A combustão gera partículas de oxigênio, os radicais livres, que oxidam as estruturas celulares, destruindo parte da arquitetura dos pulmões. Nos brônquios, a fumaça também provoca uma reação inflamatória que ocasiona sua destruição progressiva.  Além de danificar os pulmões, o cigarro danifica a via respiratória inteira, porque seu revestimento interno não suporta a toxicidade nem a alta temperatura da fumaça e começa a sofrer um processo de substituição de células. Também a produção de muco aumenta muito, porque o muco funciona como uma capa protetora do tecido epitelial, que reveste as vias aéreas, e pode ajudar a expelir os elementos irritantes que foram inalados. Portanto, quanto mais elementos irritantes nas vias aéreas, mais produção de muco.

Cigarro e a DPOC

Adultos fumantes ou ex-fumantes com dificuldade de respirar ou com tosse crônica podem ser portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). A DPOC é uma doença pulmonar, geralmente progressiva, que se caracteriza pela obstrução crônica do fluxo de ar nos pulmões. Pacientes nesta situação têm sintomas como tosse, produção de catarro e falta de ar, mesmo quando fazem esforços pequenos, que surge, geralmente, após os 40 anos   em pacientes que fumaram por um longo período. A DPOC é causada por uma resposta exagerada dos pulmões, ao serem diariamente irritados pela inalação de substâncias nocivas, principalmente as contidas na fumaça do cigarro.  Esta resposta é chamada de processo inflamatório e, é a maneira pela qual o pulmão se defende dos agressores.  Em alguns pacientes, essa inflamação é tão agressiva que deixa cicatrizes nos brônquios causada pela bronquite crônica; e no tecido do pulmão, causada pelo enfisema pulmonar.  Os pulmões têm uma grande reserva  funcional, de modo que a falta de ar só começa a aparecer quando o indivíduo já perdeu 40 a 50% de sua capacidade pulmonar.

Cigarro e o câncer

Começar a fumar antes dos 20 anos, pode representar um caminho mais rápido para a morte, e para o surgimento de problemas de saúde no futuro. De cada três casos de câncer, um está relacionado ao tabagismo. Dados do Instituto Nacional de Câncer - Inca indicam que o câncer de pulmão é o mais comum de todos os tumores malignos, apresentando um aumento por ano de 2% na sua incidência mundial. Segundo o Inca, em 90% dos casos diagnosticados, esse tipo de câncer está associado ao consumo de derivados de tabaco.

Câncer nas mulheres: Assim como ocorre com os homens,  o cigarro é apontado como a principal causa do aumento desse tipo de tumor entre as mulheres. Várias pesquisas sugerem que as mulheres são em médias duas vezes mais suscetíveis a ter a doença do que os homens. Mesmo aquelas que não fumam, mas que são expostas à fumaça do cigarro, têm maior possibilidade de desenvolver um tumor do que os homens que nunca fumaram.  não se sabem as causas, mas suspeita-se que hormônios sexuais femininos, como o estrógeno, interfiram no metabolismo de substâncias químicas do cigarro. A única informação positiva nessa estatística trágica, é que as mulheres com câncer de pulmão, em geral, vivem por um período um pouco maior que os homens com a doença.

 

O câncer de pulmão é um dos mais letais. Perto de 90% dos pacientes morrem num período de cinco anos após ele ser identificado. Por ser de difícil diagnóstico e ter sintomas iniciais geralmente negligenciados, como tosse e falta de ar, também é de difícil prevenção. Não é só com o câncer de pulmão que as fumantes devem se preocupar. Pesquisas mostram também que os efeitos do tabagismo são mais devastadores para a saúde das mulheres que para a dos homens. O fumo dobra a probabilidade de câncer de mama, aumenta em cinco vezes o risco de câncer de colo do útero e triplica a incidência de ataques cardíacos e derrames. Um perigo que, combinado à pílula anticoncepcional, pode ser dez vezes maior.

 

A mais importante e eficaz prevenção do câncer de pulmão é a primária, ou seja, o combate ao tabagismo, com o que se consegue a redução do número de casos (incidência) e de mortalidade.

Cigarro e os dentes

Pesquisas e estudos científicos confirmam que, o cigarro destrói as fibras que sustentam a pele do rosto, provoca  sulcos na região da boca e em volta dos olhos e amarela os dentes. A amarelidão que o fumo confere a unhas e dentes, é o indício mais evidente, na hora de reconhecer um fumante. A cor amarelada surge em decorrência do alcatrão, uma das cerca de mais de 2.000 substâncias tóxicas que o cigarro contém. A nicotina também afeta os tecidos que protegem e sustentam os dentes. Reduz  também as defesas orgânicas da gengiva, o que favorece as infecções na região bucal.

Cigarro e os adolescentes

Fenômeno mundial, o aumento gradativo do número de fumantes entre crianças e adolescentes, preocupa a Organização Mundial de Saúde (OMS). Os adolescentes, apesar das propagandas anti-tabagistas, cada vez mais estão se envolvendo com cigarro e fumando muito mais cedo. Muitas crianças e adolescentes alegam que fumam, para participar e pertencer a um grupo. Mas, psicólogos e especialistas na área, são unânimes em afirmar, que nessa idade, é difícil para o jovem ter opinião divergente  de seu próprio grupo.  A influência dos amigos não é a única explicação. A percepção errada, pelas crianças e adolescentes, de que o ato de fumar é um comportamento normal na sociedade, e que, quase todo mundo adulto está fumando, sem dúvida influencia o início desse hábito.

 

As meninas adolescentes  preocupadas desce cedo com seu peso, têm uma chance 50% maior de serem fumantes, ao término da adolescência. É um consenso, entre muitas adolescentes que fumam, que o ato de pegar o cigarro e fumar, substitui em muitos momentos a vontade de comer, conseqüentemente, elas vão perder peso. A obesidade ou estar um pouco acima do peso, não vai diminuir  através do cigarro, esse pensamento é errado, mas é muito difundido nas conversas entre adolescentes, nas escolas  e cursinhos. Outros fatores de risco para o tabagismo nessa camada da população, são os problemas comportamentais, como viver com pais separados, violência no lar ou se submeter a alto grau de estresse. Estudos indicam que muitas dessas meninas adolescentes utilizam o cigarro como defesa contra a ansiedade, tanto pelo peso quanto pelo estresse em geral.

 

O impacto do envolvimento e da orientação dos pais, em desencorajar as crianças no início do hábito de fumar, pode ser muito importante. Adolescentes que vivem num ambiente em que um ou os dois pais fumam, têm uma tendência maior a fumar, do que as meninas que vive um ambiente em que os pais são totalmente contra o uso do cigarro. O relacionamento entre pais e filhos, pode influenciar o comportamento das crianças, tanto no período da adolescência como quando se tornam adultos.

 

O efeito de cenas de atores e atrizes fumando no cinema, em relação ao tabagismo infantil é inegável. A imagem positiva do fumo nos filmes de cinema, tem provavelmente a influência pró-tabaco mais poderosa sobre os jovens. Fumar nos filmes, faz com que as crianças e adolescentes tenham mais vontade de experimentar cigarros. Nos filmes em que aparecem atores fumando, geralmente, esses são pessoas poderosas e glamourosas, têm grandes personalidade e estão em boa ou excelente situação financeira.  Algumas autoridades de saúde, sugerem que os filmes em que estão incluídas cenas de fumo, deveriam ser censurados para menores de 18 anos.

Cigarro, o álcool e a adolescência

Cresce, e preocupa, a quantidade de crianças e adolescentes fumantes e que consomem álcool. E pesquisas mostram como a influência dos pais, da propaganda e do cinema é decisiva contra ou a favor das doses e tragadas, entre essa parcela da população. Pesquisas indicam que o  consumo precoce de bebidas alcoólicas estimula o hábito de fumar, entre os adolescentes e jovens. A grande maioria dos adolescentes entre 13 e 16 anos que consomem álcool, também fumam cigarro. Muitos adolescentes usam o cigarro durante o tempo em que estão na escola, enquanto o álcool junto com o cigarro são consumidos juntos, geralmente, nos finais de semana, nas festas, encontros e reuniões. Mesmo sabendo que o cigarro e o álcool, trazem conseqüências a curto e a longo prazo à saúde e à sua vida social, os adolescentes ainda assim, continuam a usá-los.

 

Muitas escolas tentam conscientizar os jovens dos problemas que o fumo e o álcool podem causar tanto fisicamente como socialmente. Mas a facilidade com que o adolescente e os jovens tem acesso ao cigarro e a bebida alcoólica, é considerado uma grande barreira para essa conscientização contra o fumo e o álcool, por parte dos educadores. É necessário que a escola, os pais e toda a sociedade participe ativamente dessa luta, para retirar os adolescentes e os jovens do caminho do fumo e do álcool. Por que, essa união de álcool e cigarro pode levar o adolescente, inconscientemente, a trilhar o caminho do mundo das drogas.

A Associação Americana de Pulmão estima que somente nos EUA, pelo menos 4,5 milhões de jovens entre 11 e 17 anos são fumantes e, se continuarem fumando, um terço vai morrer precocemente, de doenças relacionadas ao cigarro. Fumar poucos cigarros por dia pode também ser fatal.

Cigarro e a gravidez

O consumo de tabaco durante a gestação é hoje um problema de saúde pública, e uma das principais causas de complicações na gravidez, passíveis de prevenção. Na gravidez, o consumo do tabaco pode trazer sérias conseqüências ao feto, já que ele absorve, antes mesmo de nascer, as substâncias tóxicas do cigarro através da placenta. Por causa disso, o feto pode nascer abaixo do peso e da estatura normais, além de haver o risco de alterações neurológicas consideráveis no futuro recém-nascido. Aborto espontâneo e complicações são riscos maiores entre gestantes que fumam. As substâncias tóxicas do cigarro aparecem também no leite materno de mães fumantes.O consumo de cigarro na gestação tem sido associado a atrasos no desenvolvimento mental e à ocorrência de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Também há relação com a redução da circunferência craniana e do crescimento.

 

No período da gestação pode ocorrer os seguintes problemas, em relação à gravidez:

·         Parto prematuro.

·         Restrição ao crescimento intrauterino.

·         Ruptura prematura das membranas.

·         Descolamento da placenta.

·         Abortamento espontâneo.

·         Placenta prévia.

O uso do cigarro pela gestante, pode acarretar os seguintes problemas, em relação ao bebê:

·         Baixo peso ao nascer.

·         Redução da circuferência craniana.

·         Síndrome da morte súbita.

·         Asma.

·         Infecções respiratórias.

·         Redução do QI (quociente de inteligência).

·         Distúrbios do comportamento.

Apesar das complicações comprovadas, a interrupção do consumo de tabaco durante a gestação sempre traz vantagens para o feto. Gestantes que se abstêm do cigarro antes da 30ª semana invariavelmente dão à luz a crianças com maior peso. Dessa forma, motivar a gestante para abstinência ou pelo menos à redução considerável do número de cigarros são atitudes positivas tanto para o andamento da gestação, quanto para o desenvolvimento fetal, independente do período em que se encontra a gravidez.

Cigarro e a infertilidade nas mulheres

O consumo diário de um maço de cigarros associado ao início do consumo antes dos 18 anos aumenta o risco de infertilidade. Essa última decorre de alterações hormonais (redução da concentração de estradiol), na maturação do óvulo ou na implantação do óvulo fecundado. Tais alterações, no entanto, parecem ser reversíveis. Alguns estudos demonstram que mulheres tabagistas atingem a menopausa de 1 a 1,5 ano mais cedo. A redução do estradiol é a provável causa de tal fenômeno.

Motivos que levam ao uso do cigarro

·         Puro prazer.

·         Ansiedade.

·         Nervosismo.

·         Desemprego.

·         Influência de um dos pais fumantes.

·         Para acompanhar outros que fumam.

·         Para acompanhar bebidas alcoólicas.

·         Por etiqueta: muitos fumantes afirmam que fumam ocasionalmente, simplesmente,  porque necessitam ter algo nas mãos durante um evento social como jantares, festas de casamento ou aniversários, lançamento de livros, happy hour,  etc.

·         Desafio.

·         Emancipação.

·         Independência.

·         Autoconfiança.

·         Por beleza: muitos acham bonito, o ato de fumar.

·         Estresse.

·         Liberdade.

·         Relaxamento.

·         Influência da mídia e das propagandas a favor do cigarro.

·         Participar de determinados grupos ou "tribos".

Como age o cigarro no cérebro

A nicotina é um alcalóide. Fumada, é absorvida rapidamente nos pulmões, vai para o coração e, através do sangue arterial, se espalha pelo corpo todo e atinge o cérebro. Quando a nicotina chega ao cérebro, provoca a liberação de grande quantidade de hormônios. Muitos desses hormônios são psicoativos.  A nicotina libera os neurotransmissores cerebrais e provoca sensação de euforia, autoconfiança e bem-estar.  Quando tragada por mais tempo, o efeito ainda é mais rápido.

 

Quase 90% dos adolescentes e jovens que se iniciam no tabagismo, tornam-se nicotino-dependentes aos 19 anos.  Dependendo da qualidade do tabaco e da maneira de tragar, inala-se aproximadamente mais de 2.500 dessas substâncias tóxicas. Os cigarros com baixo teor de nicotina e alcatrão também são nocivos à saúde do fumante.

Tempo necessário para os efeitos da nicotina alcançar o cérebro

A nicotina encontrada no cigarro, quando tragada, chega ao cérebro em 7 segundos, liberando a dopamina, substância que produz o efeito de compensação e de dependência.

Efeitos da nicotina no organismo

Depois de anos de vício, o fumante aparenta ter cinco anos a mais do que sua verdadeira idade. Isso ocorre, porque o tabagismo provoca o envelhecimento precoce da pele e dos órgãos.

·         Cérebro: Atingido em 7 segundos, libera a dopamina, substância que produz o efeito de compensação.

·         Pulmões: Metabolizam uma parte da nicotina e permitem sua passagem no sangue. Influencia no aumento do ritmo da respiração. A combustão gera partículas de oxigênio, os radicais livres, que oxidam as estruturas celulares, destruindo parte da arquitetura dos pulmões.

·         Fígado: Transformação de uma parte da nicotina em cotinina.

·         Sangue: Ligeiro aumento da produção de glicose.

·         Coração: Aumento do ritmo cardíaco.

·         Glândulas suprarenais: Liberação de adrenalina (hormônio estimulante).

·         Rins: Eliminação de uma pequena parte da nicotina pela urina.

·         Pâncreas: Parada na secreção de insulina (a nicotina continua presente no corpo de um fumante regular por 3 a 4 dias).

·         Pênis: o tabaco é responsável pelo comprometimento da potência sexual, por causa da vasoconstrição das artérias penianas.

Substâncias encontradas no cigarro

De acordo com o Inca, os fumantes inalam mais de 4.000 substâncias tóxicas, das quais 60 são cancerígenas. Substâncias mais comuns que são encontradas em um cigarro:

·         Nicotina: causa o vício; diminui a chegada do sangue nos tecidos e no sistema nervoso central.

·         Monóxido de carbono: é o mesmo gás que sai dos escapamentos de automóveis, e como tem mais afinidade com a hemoglobina do sangue do que o próprio oxigênio, toma o lugar do oxigênio, deixando o corpo do fumante, ativo ou passivo, intoxicado.

·         Alcatrão: é altamente cancerígeno, dando início à formação de tumores.

·         Chumbo e o cádmio: esses metais pesados se concentram no fígado, rins e pulmões, tendo a  meia-vida de 10 a 30 anos, o que leva a perda de capacidade ventilatória dos pulmões, além de causar dispnéia, fibrose pulmonar, hipertensão, câncer nos pulmões, próstata, rins e estômago.

·         Benzopireno: substância que facilita a combustão existente no papel que envolve o cigarro.

·         Níquel e arsênio: armazenam-se no fígado,  rins, coração, pulmões, ossos e dentes. Resultando em gangrena dos pés e pode causar danos graves ao miocárdio.

·         Formol: componente de fluído conservante.

·         Monóxido de carbono: é o mesmo gás que sai dos escapamentos de automóveis, e como tem mais afinidade com a hemoglobina do sangue do que o próprio oxigênio, toma o lugar do oxigênio, deixando o corpo do fumante, ativo ou passivo, intoxicado.

·         Alcatrão: é altamente cancerígeno, dando início à formação de tumores.

·         Amônia.

·         Acetona.

·         Benzeno.

·         Nitrosaminas.

·         Carbono 14

·         Polônio 210.

·         Arsênico.

Obs: Todas as substâncias presentes no cigarro causam “prejuízos” em vários órgãos do corpo humano.

Doenças e distúrbios relacionadas ao cigarro

Apesar de serem largamente conhecidas as doenças e os danos causados pelo cigarro à saúde, cerca de 200 mil pessoas, ainda morrem anualmente no Brasil, em decorrências de doenças relacionadas ao tabagismo.

·         Acidente Vascular Cerebral - AVC.

·         Alergias.

·         Alterações hemodinâmicas da corrente sanguínea.

·         Aneurisma da aorta.

·         Aneurisma abdominal.

·         Asma: o cigarro tanto pode causar asma, como a fumaça pode piorar o quadro de asma em crianças..

·         Bronquite crônica.

·         Câncer da boca. (fator de risco).

·         Câncer de colo de útero (fator de risco)

·         Câncer de laringe (aumento do fator de risco).

·         Câncer de pulmão (considerado maior fator de risco).

·         Câncer de rim (fator de risco).

·         Complicações na gravidez de mulheres fumantes.

·         Degeneração macular relacionada à idade.

·         Diminuição da resistência física.

·         Doenças gengivais: a nicotina reduz as defesas orgânicas da gengiva, o que favorece as infecções gengivais.

·         Doença Pulmonar Obstrutiva  Crônica (DPOC).

·         Enxaqueca.

·         Enfisema pulmonar.

·         Envelhecimento facial ou do rosto: o organismo dos fumantes produz menos colágeno, o que resulta na flacidez facial e rugas precoces.

·         Envelhecimento da pele.

·         Fadiga ou cansaço.

·         Fibrose pulmonar.

·         Aumenta os sintomas da gripe.

·         Halitose (mau hálito).

·         Hipertensão arterial: o cigarro eleva a pressão arterial.

·         Impotência sexual.

·         Infarto agudo do miocárdio.

·         Infertilidade na mulher.

·         Infecções rspiratórias.

·         Lesões da cavidade oral.

·         Menopausa precoce: o tabagismo  facilita a instalação da menopausa em pelo menos dois anos antes.

·         Redução do volume pulmonar.

·         Tosse crônica.

·         Tromboangeíte obliterante: doença que obstrui as artérias das extremidades e provoca necrose dos tecidos.

·         Tuberculose.

·         Úlceras do aparelho digestivo.

Obs: Os riscos do cigarro se elevam também nas pessoas que declararam que fumam, mas "não tragam a fumaça". Muitos fumantes acham que se não tragarem a fumaça do cigarro, não vão se expor aos riscos ou desenvolver as doenças relacionadas ao uso do cigarro.

Dependência da nicotina

A nicotina causa dependência química. O usuário sente prazer  e bem-estar ao consumir um cigarro, principalmente quando dá uma tragada mais demorada e profunda.  A nicotina assim como outras drogas, faz uma alteração do sistema de recompensa cerebral, levando o consumidor à compulsão para seu uso.  Além disso, o metabolismo da nicotina torna-se mais rápido com o passar do tempo. A tendência é o vício se agravar. Mais de 95% das pessoas que fumam se tornam dependentes. Mesmo aquelas pessoas que começam com poucos cigarros por dia, com o tempo, vão precisar de uma quantidade cada vez maior para se satisfazerem.

 

As situações comportamentais também têm grande parcela de culpa nessa dependência, a exemplo de associar o fumo ao cafezinho, fumar enquanto se está num engarrafamento, fumar porque está triste ou depressivo, fumar depois da relação sexual, fumar porque vai assistir a um jogo de futebol etc. Estas condições de associações com o ato de fumar, também contribuem para a dependência. 

 

A tolerância é um resultado não desvinculável da dependência. Quando o usuário começa a precisar aumentar a dose, começa a ficar dependente.

 

Atenção: Cigarros com baixo teor de nicotina e alcatrão também são nocivos à saúde. Para absorverem a dose de nicotina exigida pela dependência, os fumantes tragam mais vezes e mais profunda e demoradamente

Síndrome de abstinência por nicotina

Essa síndrome de abstinência devido à falta da nicotina no organismo, é desencadeada quando o fumante resolve parar de fumar definitivamente. O fumante que para de consumir o tabaco ou o cigarro bruscamente, sofre sintomas intensos de abstinência, isto é, a reação do corpo à falta da nicotina. Essa crise pode durar dias ou meses. Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente, os que sofrem dessa síndrome de abstinência se queixam de alguns desses sintomas:

·         Irritabilidade.

·         Agitação.

·         Tontura.

·         Insônia.

·         Sonolência.

·         Dor de cabeça forte e pulsante.

·         Prisão de ventre.

·         Sudorese (suor excessivo).

·         Dificuldade de concentração.

·         Depressão.

·         Desejo incontrolável de consumir o cigarro.

Crise de abstinência:

 

A crise de abstinência ocorre quando o fumante por algum motivo é impedido de fumar naquele determinado horário, que ele acha que deveria está fumando. A nicotina do cigarro provoca crise de abstinência diária, insuportável. Sem fumar, o dependente entra num quadro de ansiedade crescente, que só passa com uma tragada. Enquanto as demais drogas dão trégua de dias, ou pelo menos de muitas horas, ao usuário, as crises de abstinência da nicotina se sucedem em intervalos de minutos. A suspensão da nicotina mesmo por algumas horas, faz o organismo reagir com irritabilidade, inquietação, ansiedade, sonolência ou insônia. Para evitar a crise,, o fumante precisa ter o maço ao alcance da mão; sem ele, parece que está faltando uma parte do corpo.

 

Como o álcool dissolve a nicotina e favorece sua excreção por aumentar a diurese, quando o fumante bebe, as crises de abstinência se repetem em intervalos tão curtos que ele mal acaba de fumar um, já acende outro, sem perceber.

Tratamento do tabagismo

Fumar vicia orgânica e psicologicamente. Para quebrar o hábito de fumar, pode ser necessário fazer alguma forma de tratamento, que elimine a dependência física e psicológica da nicotina.

 

O Sistema Único de Saúde (SUS), fornece assistência médica,  para os brasileiros que desejarem parar de fumar. O tratamento psicológico consiste na orientação psicoterápica individual e de grupo, além de medicação para a crise de abstinência que o ex-fumante enfrenta, quando para de fumar.  A depender do grau de dependência, é avaliado o método terapêutico mais adequado.

 

Geralmente, as fases que o paciente passa, para dá início ao tratamento, são as seguintes:

·         Entrevista rigorosa, principalmente para detectar o grau de dependência do fumante.

·         Consulta clínica: serve para detectar os problemas secundários, relacionados com o cigarro (hipertensão, alterações coronarianas, comprometimento respiratório).

·         Exame físico completo.

·         Exames complementares e laboratoriais.

·         Avaliação psiquiátrica: alguns distúrbios psiquiátricos estão associados ao tabagismo.

·         Avaliação psicológica.

Obs:  Alguns hospitais que têm programa anti-tabagismo, fazem o fumante passar por todas essas fases, para só depois incluí-lo no programa. Enquanto outras clínicas e serviços especiais de ajuda à pessoa que quer parar de fumar, têm outros critérios de avaliação e tratamento.

 

Tratamento medicamentoso:

O uso de medicamentos no tratamento do tabagismo alivia o desconforto dos sintomas de abstinência que os fumantes nicotino-dependentes apresentam ao pararem de fumar e pode otimizar os índices de sucesso, que pode variar de 30% a 50% ao final de um ano de tratamento. Adicionalmente, minimizam o ganho de peso relacionado com a interrupção do tabagismo. O tratamento com medicamentos deve ser mantido por 8 a 12 semanas, que é o período em que sintomas de abstinência à nicotina podem perdurar, além de ser um período adequado para que o paciente se descondicione do hábito tabágico e adquira novos comportamentos.  Os medicamentos disponíveis para tratamento, no Brasil, são: os nicotínicos (à base de nicotina) e  a bupropiona (antidepressivo).

 

Nicotínicos: A utilização dos nicotínicos (adesivos e/ou gomas) requer a interrupção imediata do cigarro quando do início do tratamento, em função do risco de intoxicação por nicotina. Os sintomas mais comuns são náusea, enjôo, taquicardia e crise hipertensiva. Deve-se ressaltar que o objetivo do tratamento é fazer com que o paciente pare de fumar, e não que fume menos. O tratamento nicotínico é seguro e eficaz quando prescrito de forma correta.

 

Antidepressivos: A bupropiona é um antidepressivo cujo efeito principal em fumantes é a redução dos sintomas de abstinência e a diminuição do desejo de fumar. Essas ações foram observadas, inicialmente, durante protocolos de tratamento antidepressivo em pacientes que fumavam, e posteriormente comprovadas em estudos realizados em população tabagistas.

 

O sucesso do tratamento medicamentoso depende de uma com a interação entre  médico e paciente, e da adequada prescrição dos medicamentos, que deverá levar em conta o seu perfil individual. O paciente receberá alta do tratamento somente após completar 52 semanas de seguimento sem fumar.

 

Tratamento psicológico: É necessário para ajudar o ex-fumante a atravessar o período de abstinência, que em alguns casos pode ser quase intolerável para algumas pessoas. 

 

Tratamento psicoterápico:  Existem técnicas comportamentais e de aumento da motivação, associadas a técnicas psico informativas, que ajudam o ex-fumante 

Prejuízos para quem não quer parar de fumar

·         Amarelidão nos dentes.

·         Cansaço constante.

·         Cheiro da fumaça do cigarro é uma constante na pessoa que fuma.

·         Comprometimento do paladar e olfato: quem fuma não consegue apreciar o sabor dos alimentos, nem sente cheiros, porque a boca e nariz estão impregnados de fumaça.

·         Comprometimento da potência sexual: o cigarro é um vasoconstritor potente. Quando se fuma todas as artérias do corpo se contraem, e entre elas as artérias que vão para o pênis. Com o tempo essa vasocontrição forçada das artérias penianas, podem desencadear alguns distúrbios na área da potência sexual.

·         Comprometimento pulmonar, que pode evoluir depois de décadas fumando,   para um enfisema pulmonar.

·         Devido aos problemas respiratórios, o coração também acaba tendo alterações coronarianas.

·         Dificuldades para fazer exercícios físicos, devido à fadiga.

·         Dor de cabeça, que é aliviada quando se fuma.

·         Envelhecimento facial.

·         Envelhecimento precoce da pele.

·         Envelhecimento dos pulmões;  conseqüentemente,  a função pulmonar diminui.

·         Falta de ar.

·         Fator de risco para Acidente Vascular Cerebral (AVC).

·         Fator de risco alto para o desenvolvimento de câncer de pulmão e laringe.

·         Fator de risco alto para doenças coronarianas.

·         Mau hálito.

·         Necrose dos tecidos: uma doença chamada de Tromboangeíte obliterante. É uma doença que obstrui as artérias das extremidades e provoca necrose dos tecidos. O doente pode perder os dedos do pé e sem tratamento a doença pode evoluir.

·         Pigarro constante.

·         Predisposição e suscetibilidade  para as doenças respiratórias e infecciosas.

·         Tosse crônica.

Benefícios  para quem quer parar de fumar

Um dos grandes  incentivos para abandonar o vício do cigarro, é que os resultados visíveis são quase imediatos. E  depois de alguns anos, ocorre uma melhora da saúde global do organismo do ex-fumante.

·         Após 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal.

·         Após duas horas, não há mais nicotina no sangue, mas os efeitos continuam durante algum tempo no organismo.

·         Após oito horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza.

·         Após dois dias, o olfato já percebe melhor os cheiros e o paladar já degusta a comida melhor. O hálito melhora.

·         Após três semanas, a respiração fica mais fácil e a circulação melhora. O cansaço vai desaparecendo gradativamente.

·         Após cinco a dez anos, o risco de sofrer infarto será igual ao de quem nunca fumou.

Dicas para quem  quer parar de fumar

A maioria dos fumantes, não conseguem se livrar do cigarro na primeira tentativa. Se tentou e voltou a fumar, tente de novo parar. Mas de  70% das pessoas que tentam parar de fumar  e têm força de vontade, conseguem. Existem algumas dicas, para quem quer parar de fumar definitivamente, veja se algumas dessas pode ser aproveitada por você:

·         Comunique sua decisão que parou de fumar a seus parentes, amigos e colegas de trabalho. A solidariedade é útil nesse processo.

·         Não tente parar progressivamente, isto é, aos poucos, fumando menos. Pare de uma só vez, não há riscos.

·         Faça do ato de parar de fumar, um desafio.

·         Entre  numa academia e faça atividades físicas. Elas neutralizam o desejo de fumar.

·         Troque as suas roupas diárias, o cheiro do cigarro está impregnado nelas. E esse cheiro lembra o cigarro. E se lembrando do cigarro, você pode ter a tentação de querer acender, apenas um, pela última vez.

·         Ganho de peso é normal no início da abstinência, mas tende a desaparecer. Pratique exercício físicos.

·         Faça uso de chicletes, balas de hortelã e canela ou discos contendo nicotina. Eles ajudam a resistir à tentação de voltar a fumar.

·         Dê início a algum hobby. Ajuda a relaxar.

·         Faça Ioga.

·         Se tiver tempo, faça um curso de dança.

·         Não desconte a sua irritabilidade nos outros,  porque não esta fumando. As pessoas não têm culpa do seu estado atual. O fumante quando para, fica muito irritado.

·         Leia o que puder sobre tabagismo e saúde. Bons argumentos ajudam a entender o mal e livrar-se dele.

·         Beba muita água.

·         Evite bebidas estimulantes como café e álcool, durante o período da abstinência.

·         Não troque o cigarro por bebida alcoólica.

 

 

Resista à tentação de fumar. Em breve, você sentirá os prazeres da vida, sem o cigarro.


Dúvidas de termos técnicos  e expressões, consulte o glossário específico de Doenças Neurológicas ou o glossário geral.