ECSTASY


Definição

O Ecstasy é uma droga sintética, derivada da anfetamina, fabricada em laboratório.  A pílula ou comprimido garante cerca de seis horas ou mais de embalo sem parar. O Ecstasy  é muito utilizado em festas de musica eletrônica com o som muito alto e com muitas luzes piscantes. Os jovens que usam o Ecstasy adoram esse ambiente meio psicodélico e de eterna agitação.  As pílulas de Ecstasy  são comercializadas em diversos tamanhos, desenhos, tipos e cores. São identificadas por símbolos como sorriso, lua, sol, olho e marcas famosas, e são vendidas diretamente ao usuário nas danceterias, boates e raves. Nesses locais não existe um atravessador no negócio, o fornecedor vende a droga para o usuário, que paga na hora, para consumo imediato.

  

A droga age sobre a química cerebral, e seus efeitos atingem o ápice duas horas depois de ingerida.  Internamente, ela permite que o cérebro fique encharcado de serotonina, a substância responsável pela sensação de prazer e bem-estar.  O Ecstasy é uma droga que pode combinar os efeitos da maconha (aumento da sensibilidade sensorial e auditiva), os da anfetamina (excitação e agitação) e ainda com os do álcool (desinibição e sociabilidade). Além de tudo isso, pode oferecer uma forte sensação de amor ao próximo, e uma vontade quase incontrolável de contato físico e sexual. Apesar de ter um  poder viciante menor que drogas como o crack, a heroína e a cocaína, o Ecstasy também causa algum tipo de dependência e traz inúmeros riscos à saúde do usuário.

 

Em 1985, a Drug Enforcement Administration (DEA), órgão de combate às drogas dos Estados Unidos, enquadrou a MDMA na Lista do Convênio de Substâncias Psicotrópicas, a qual inclui substâncias com elevado potencial de abuso, sem benefício terapêutico e de uso inseguro mesmo com supervisão médica. Seguindo a orientação da Organização Mundial da Saúde, órgãos governamentais de diversos países, também classificaram a MDMA como substância proibida e sem uso clínico.

Sinonímia

O Ecstasy também é conhecido pelos seguintes nomes:

·         Adam.

·         Bala (inteira) ou balinha (1/4).

·         Droga de desenho.

·         Droga de recreio.

·         "E".

·         Love drug

·         Pastilha.

·         Pílula do amor.

·         XTC.

Incidência

·         Os EUA são os maiores consumidores mundiais de drogas sintéticas.

·         O Brasil é um mercado consumidor em ascensão   de anfetaminas e Ecstasy.

·         O Ecstasy é a droga sintética mais consumida em danceterias, clubes noturnos e "raves".

·         O Ecstasy está sendo muito difundido como uma droga de "recreação" e comercializado entre jovens do ensino médio da classe média alta.

·         Ecstasy está crescendo em termos geográficos, etários e de renda.

·         A faixa de idade dos consumidores de Ecstasy  é considerada a mais baixa que a dos viciados em outras substâncias.

Origem

As pastilhas de Ecstasy são produzidas a partir de uma substância chamada MDMA (3,4-metilenodioxidometanfetamina), mistura do estimulante anfetamina com um alucinógeno (mescalina). Devido a essa mistura o Ecstasy possui características farmacológicas e efeitos psicológicos, resultando em uma ação alucinogênica,  psicodélica e estimulante. 

 

A droga foi sintetizada pela primeira vez em 1914, pelo laboratório alemão Merck, durante pesquisas para o desenvolvimento de compostos farmacológicos. O laboratório Merck patenteou o MDMA como inibidor do apetite, mas não chegou a ser comercializado para tal fim. Na década de 50, o MDMA experimentalmente, foi utilizado pela polícia em interrogatórios e em psicoterapia.  Nos anos 60 e 70, a droga conseguiu muita popularidade entre a cultura hippie e os freqüentadores de discotecas da época. Estudaram-se os efeitos terapêuticos da substância até meados da década de 80, quando foi considerada uma droga ilícita e proibida na maioria dos países.  As pesquisas não foram inteiramente interrompidas, sobretudo as referentes ao uso da droga em psicoterapia de pacientes com trauma de abuso sexual na infância e no alívio da dor de doentes terminais de câncer.  No mercado ilegal  existem mais duas drogas  que têm substâncias com propriedades farmacológicas semelhantes ao MDMA: o N-etil-3,4 metilenodioxianfetamina, popularmente conhecida como Eve e o metabólito ativo do MDMA, conhecido por MDA ou 3,4 metilenodioxianfetamina.

 

O MDMA foi batizado com o nome de Ecstasy ou pílula do amor pelos fornecedores, como estratégia de marketing e para melhor divulgação entre os consumidores ou usuários. Para muitos usuários, o Ecstasy tem a fama de uma pílula afrodisíaca.

Como age o Ecstasy no cérebro

O MDMA é um composto com propriedades alucinógenas e estimulantes do sistema nervoso central (SNC). O Ecstasy atua mediante o aumento da produção e diminuição da reabsorção da serotonina, ao nível do cérebro.

·         A droga chega ao cérebro entre 10 a 15 minutos depois de ingerida, podendo variar esse tempo de pessoa para pessoa. Logo, surgem os primeiros sintomas do Ecstasy: mãos e boca secas.

·         No cérebro, a transmissão de impulsos elétricos de uma célula nervosa, o neurônio, para outra é feita por intermédio de substâncias químicas. Uma delas, a serotonina, está associada à sensação de bem-estar e prazer. Sem a droga, parte da serotonina utilizada nesse processo é reabsorvida.

·         O Ecstasy impede a reabsorção de serotonina. É como se a substância encharcasse o cérebro. Após uma hora sob efeito da droga, a pupila dilata e a visão fica mais sensível à luz.

·         O Ecstasy atinge o ápice duas horas depois de consumido. É o momento de maior atividade cerebral provocada pela droga. A temperatura do corpo aumenta, podendo passar de 39 graus facilmente, leveza, euforia, vontade de se agitar, disposição e sede intensa são os sintomas mais comuns. Ao todo, os efeitos do ecstasy duram em média seis horas. Essa média varia de pessoa para pessoa.

O princípio ativo do Ecstasy é altamente tóxico ao sistema neurológico. A droga aumenta a concentração de serotonina no cérebro, o que causa danos  na terminação de células nervosas.  O Ecstasy destrói neurônios. É possível que a droga cause também perturbações de ordem psíquica nos usuários, detonando inclusive processos  de psicoses transitórias, que podem durar de dias a semanas.

Derivados de anfetaminas

No quadro abaixo, encontram-se os  derivados de anfetaminas e alguns agentes alucinógenos, mais utilizados em danceterias, boates, raves e festas embaladas a música eletrônica.

 

 

NOME POPULAR

NOME DO AGENTE

Ecstasy

MDMA (3,4-metilenodioximetanfetamina

Ecstasy líquido

GHB (gama-hidroxibutirato)

Rohypnol

Flunitrazepan

Ketalar, Special K

Cetamina

Ice, Cristal

Metanfetamina

Poppers Rush

Nitrato de amil

Cápsula do vento

2,5 dimetoxi-4-bromoanfetamina

PCP

Cloridrato de fenciclidina

LSD

Dietilamida do Ácido lisérgico

 

Formas de consumo

A via mais comum de consumo da droga é a oral, em forma de comprimidos, pastilhas, barras ou cápsulas de pó.  Pode ser usado também por via intra-nasal, em forma de pó, mas esse método de consumo não é muito comum.  As pílulas podem ter diversos tipos de desenhos, tamanhos e cores,  com a intenção de tornar a droga mais atraente ao consumidor.

 

As doses variam de fornecedor para fornecedor, podendo se encontrar no mercado ilegal de pílulas de  50 a 150mg em dose única. Muitos traficantes e fornecedores podem vender os comprimidos de Ecstasy puros ou com várias outras substâncias, como metilenodioxianfetamina (metabólito tóxico do MDMA), cafeína, LSD, atropina, paracetamol, efedrina, difenidramina, misturas de anfetaminas e metanfetamina.

 

Muitos usuários para intensificar os efeitos prazerosos da droga, consomem o Ecstasy junto com outras drogas: maconha, tabaco, ácido lisérgico (LSD), álcool e a cocaína. As misturas dessas drogas com o Ecstasy interferem tanto nos  efeitos imediatos como nos riscos a curto e a longo prazo, e também podem influenciar o organismo do usuário, tanto no que se refere a tolerância como a dependência da droga.

Motivos que podem levar ao uso do Ecstasy

§  Desejo de "apenas" experimentar.

§  O mito da "droga inofensiva".

§  Acompanhar os amigos.

§  Entrar no grupo.

§  Aproveitar mais a festa.

§  Ter a sensação de liberdade.

§  Ser mais comunicativo.

§  Evitar o cansaço e o sono em festas longas.

§  Provar  que é independente.

§  Relaxar.

§  Conseguir mais prazer sexual.

§  Participar de orgias sexuais.

§  Satisfazer a curiosidade.

§  Acabar com a depressão.

Sinais de alerta

Os sinais de alerta de que uma pessoa pode está usando o Ecstasy principalmente em festas  com música eletrônica, são os seguintes:

·         Sempre está com  uma garrafa de água ou isotônica na mão, por causa da boca seca e para matar a sede que a droga causa.

·         Usa óculos escuros, porque os olhos ficam sensíveis à luz.

·         As pupilas ficam visivelmente mais dilatadas.

·         Fala e gesticula muito.

·         Usa VickVaporub nas narinas, na nuca e no peito para se refrescar.  O cheiro do Vick é inconfundível.

·         Transpira excessivamente, chegando ao ponto da roupa ficar encharcada de suor.

·         Sempre está com um chiclete ou pirulito na boca para estimular a salivação e aliviar a tensão no maxilar.

·         Range muito os dentes.

·         Não para de dançar. Praticamente, dança até cair.

Ecstasy e as pistas de dança

É nas pistas de dança que, graças aos DJs e aos operadores de luz, que a droga faz mais sentido em ser usada e os seus efeitos são mais intensos. As batidas fortes e ritmadas da música eletrônica por si só, já provocam um efeito hipnotizante. Nessas festas, ainda atuam as chamadas caixas de som subgraves, que emitem ondas sonoras não-audíveis pelo ouvido humano, mas sentidas no corpo como uma intensa vibração. A pirotecnia luminosa completa a dança cerebral deflagrada pelo Ecstasy. Toda essa parafernália potencializa os efeitos da droga. Muitos jovens que usam Ecstasy dizem que não existe nada que se compare à sensação de tomar o "E" em uma rave. Todas as pessoas se apertando e se agitando na pista de dança, parecem estar em um transe coletivo.  O Ecstasy tem tudo a ver com esse ambiente.  Todos os efeitos prazerosos da droga e os negativos são sentidos, geralmente na pista de dança.

 

Os usuários de Ecstasy dançam freneticamente, falam e gesticulam muito, sempre com uma garrafa de água ou isotônica, óculos escuros, mastigando chiclete ou chupando pirulito, completamente ensopados de suor e cheirando a Vick Vaporub. Quando o efeito da droga começa a se dissipar, compram mais Ecstasy e continuam pela noite adentro dançando, pulando, gritando e se agitando até a festa terminar ou até que o seu corpo entre em um colapso.

Drogas x Prazer

O prazer químico e artificial, provocado pela droga, é muito diferente do prazer sexual, fisiológico e natural.   O prazer químico é solitário e artificial. Geralmente, atinge a máxima intensidade  logo nas primeiras vezes que se usa a droga, e depois com o tempo, quanto mais se usa, mais esse prazer vai diminuindo, devido principalmente à tolerância que a droga causa no corpo. Esse ciclo de prazer, necessidade e tolerância é que gera a dependência. O usuário tem a necessidade vital de se drogar cada vez mais, para tentar atingir aquele ápice do prazer, na fase inicial do vicio, Essa sensação prazerosa que a droga traz, é que incita às pessoas a experimentar uma droga.

Efeitos do Ecstasy

Os efeitos do Ecstasy variam de pessoa para pessoa,  devido aos seguintes fatores:

·         Idade do usuário.

·         Quantidade de pastilhas ingeridas.

·         Freqüência e duração do uso.

Mas, os efeitos do Ecstasy dependem mesmo é da dosagem, isto é, da quantidade de pílulas que o usuário toma durante as festas. A grande maioria dos usuários do Ecstasy, sentem mais os efeitos positivos da droga, do que os negativos.  Os efeitos negativos, geralmente são mais sentidos, pelos que usam a droga em doses um pouco mais altas,  entre aqueles que  experimentam o Ecstasy pela primeira vez ou quando usam as pílulas em situações ocasionais.

 

Após a sua ingestão, cerca de 10  a 20 minutos em média,  o usuário começa a sentir   a presença dos efeitos do Ecstasy,  que podem durar em média aproximadamente de 4 a 8 horas mas, tem usuários que sentem os efeitos por mais horas, enquanto em outros os efeitos terminam em menos horas. Essa média, referente aos efeitos do Ecstasy, pode variar muito. O ápice dos efeitos da droga é 2 horas após o consumo, porém quanto mais for ingerido lentamente, os efeitos permanecem por muito mais tempo. Nas doses muito baixas os efeitos positivos são mais sentidos, à medida que se aumenta a dosagem, os efeitos negativos começam a ser notados.  A faixa de uso segura e as altas dosagens são muito difíceis de serem dosadas, principalmente quando o usuário já tomou a primeira dose.

 

Positivos ou prazerosos:

Por mais que se negue, o uso de drogas, principalmente, na fase inicial, é para cerca de 95% dos usuários, prazerosa. Com o tempo de uso,  é que os sinais, sintomas e efeitos negativos da droga, começam a interferir na saúde e vida do viciado. O "barato",  a "viagem",  ou a sensação de prazer do Ecstasy tem um período mais duradouro do que outras drogas.  Mas, geralmente depois que passa o efeito da droga, o usuário fica de "baixo-astral".  Os efeitos positivos e prazerosos  que a "onda" do Ecstasy traz são os seguintes:

·         Euforia.

·         Sensação de prazer.

·         Sensação de total felicidade.

·         Sensação de bem-estar.

·         "Mente aberta"

·         Hipersensibilidade tátil.

·         Melhora o relacionamento com outras pessoas, principalmente, quando o usuário é uma pessoa tímida.

·         Vontade incontrolável de conversar.

·         Elevação da auto-estima.

·         Necessidade de ficar próxima às pessoas.

·         Desinibição.

·         Despreocupação com o mundo à sua volta.

·         Aumento da sociabilidade (a pessoa fica mais sociável).

·         Aumento da comunicabilidade ( a pessoa fica mais comunicativa).

·         Agitação intensa (tem a necessidade de se agitar, não consegue ficar parada).

·         Elevação do humor (a pessoa fica mais alegre e risonha).

·         Aumento da energia.

·         Aumento da capacidade física e mental.

·         Não sente sono.

·         Não sente cansaço.

·         Aumento da sensualidade.

·         Aumento da libido.

·         Excitação sexual bem acentuada (alguns experimentam uma maior necessidade de fazer sexo).

·         Diminuição da agressividade.

Negativos ou indesejados:

 

Alguns desses efeitos indesejados ou negativos são sentidos durante o período do efeito da droga no corpo:

·         Mãos secas.

·         Ressecamento da boca.

·         Dilatação das pupilas.

·         Hipersensibilidade tátil.

·         Náuseas e vômitos (poucos casos).

·         Tremores.

·         Ranger forte os dentes.

·         Coceiras pelo corpo.

·         Suor excessivo (sudorese).

·         Cãibras nas pernas.

·         Dormência e formigamentos nas pernas.

·         Aumento considerável da temperatura corporal (hipertemia).

·         Aceleração da freqüência cardíaca (taquicardia).

·         Aumento da pressão arterial (hipertensão).

·         Dor na região lombar.

·         Dores de cabeça (cefaléia).

·         Visão borrada.

·         Não tem vontade de urinar; a droga reduz a vontade de ir ao banheiro, apesar de beber tanta água.

·         Diminuição do apetite (inapetência).

·         Dificuldade de caminhar (poucos casos).

·         Perda da noção de espaço (desorientação).

·         Retesamento da mandíbula: os músculos da mandíbula ficam contraídos, isto é, a boca fica quase travada, por isso a necessidade de se mascar chiclete ou chupar pirulito. Essa contração da mandíbula também causa dor. Mas, o usuário está tão "ligado" que aparentemente nem sente a dor.

·         Aumento perigoso do estado de alerta.

O Ecstasy pode causar uma espécie de "ressaca" após o uso, caracterizada por insônia, dor de cabeça e muito cansaço.  Podem ocorrer também alguns resíduos dos efeitos da droga, nas 24 horas posteriores ao consumo.

A Dependência

O Ecstasy não é uma droga que cause dependência química ou física. Quando ocorre essa dependência química e física, geralmente é devido  ao uso do Ecstasy associado a outras drogas, que provocam a dependência. O uso freqüente da pílula pode trazer uma dependência psicológica. Podem ocorrer pequenos surtos de quadros psicóticos, depressão pós-uso e algumas falhas de memórias. Alguns também experimentam alguma dificuldade de concentração, quando não fazem uso da droga. O Ecstasy pode não levar, pelo que se sabe até agora, a uma crise de abstinência se o usuário deixar de consumir os comprimidos. O maior perigo é o vício psicológico, que o leva a usar mais e mais a droga para aumentar a sensação de prazer.

 

As drogas em geral, incluindo o Ecstasy,  desencadeiam inconscientemente a satisfação de uma forma tão intensa e plena, que é difícil de ser abandonada por quem as experimenta com freqüência. Por isso é tão difícil para alguns usuários largarem a droga.

A Overdose

A overdose por Ecstasy, ocorre quando o usuário ingere muitas pílulas durante as festas, ou quando toma várias pílulas de uma só vez.  A overdose dessa droga pode causar sérias complicações ao usuário, inclusive a morte.

 

Após uma overdose por Ecstasy, o usuário deve ser levado imediatamente para tratamento de emergência, em um hospital. Os acompanhantes devem informar sobre o uso excessivo de Ecstasy, pela vítima.

 

Cuidado: A mistura de Ecstasy com álcool ou outras drogas, aumenta o risco de overdose, ferimentos, violência, abuso sexual e morte.

A Síndrome da abstinência

A síndrome de abstinência ocorre mais em relação à dependência psicológica da droga, do que a dependência química.  Os relatos de jovens que usam o Ecstasy com uma certa freqüência, contam que quando ficam sem tomar a droga durante algum tempo,  podem sentir alguns desses sintomas:

·         Dificuldade de dormir.

·         Dores de cabeças fortes.

·         Vertigens ou tonturas.

·         Insônia.

·         Tremores.

·         Agitação.

·         Depressão.

Os Riscos

Os riscos imediatos podem ser decorrentes devido a ingestão de várias pílulas durante o evento, ingestão de várias pílulas de uma só vez ou de pílulas "batizadas", isto é, comprimidos turbinados com outras substâncias.  O risco pode ser mais potencializado quando se mistura o Ecstasy com outras drogas ilícitas ou com o álcool.

Esses riscos podem ocorrer durante os efeitos da droga no usuário.  Geralmente ocorrem após o uso de doses elevadas:

·         Perda de consciência.

·         Perda temporária da memória.

·         Alteração do estado mental.

·         Depressão pós-uso.

·         Dor de cabeça forte.

·         Taquicardia.

·         Hipotensão (baixa  da pressão arterial).

·         Hipertensão (alta da pressão arterial)

·         Comprometimento muscular principalmente dos membros inferiores.

·         Rabdomiólise: lesão dos tecidos musculares (grave).

·         Coagulação do sangue (grave).

·         Coagulação intravascular disseminada (risco de vida).

·         Insuficiência renal  aguda (grave).

·         Hepatite tóxica, causando lesão  no fígado.

·         Risco alto para o AVC, devido a coagulação do sangue, o que obstrui as artérias cerebrais (grave).

·         Risco considerável para um ataque agudo do coração , que pode resultar em uma parada cardíaca (risco de vida).

·         Hipertemia (aumento da temperatura corporal, que pode chegar a 42ºC):  a exagerada elevação da temperatura corporal pode provocar diversas lesões pelo corpo, de acordo com a sensibilidade de cada tecido.  A hipertemia também causa uma instabilidade hemodinâmica que pode causar danos graves e irreversíveis aos órgãos, causando a morte do usuário do Ecstasy, durante o período dos efeitos da droga.

·         Convulsões.

·         Morte.

Causas de  morte dos usuários de Ecstasy:

 

Diversas são as razões que podem levar à morte por superdosagem, entre elas destacam-se:

·         Arritmias cardíacas graves.

·         Hipertemia fulminante.

·         Desidratação grave.

·         Convulsões.

·         Coagulação Intravascular disseminada (CID).

·         Reações alérgicas sistêmicas.

·         Asma aguda.

·         Rabdomiólise.

·         Hepatotoxicidade.

·         Susceptibilidade individual às metilenodioxifenilalquilaminas.

·         Intoxicação hídrica.

Alterações do Ecstasy no corpo

·         Fígado: Causa mau funcionamento do fígado e excesso de bílis no sangue, o que deixa a pessoa amarelada.

·         Rins: Estimula um hormônio antidiurético chamado ADH. Apesar do aumento da sede, a pessoa pára de urinar e não consegue transpirar na mesma velocidade em que bebe água.

·         Cérebro: Depressão, ansiedade e síndrome do pânico por causa dos danos causados nas células nervosas. Se a pessoa  tiver predisposição para esses males, a ocorrência pode ser  em pouco tempo. A destruição  de neurônios também pode causar problemas de memória e atenção.

·         Boca: Enquanto a droga faz efeito, há um forte ranger de dentes. Em alguns casos, eles podem até quebrar. Se a pessoa usa freqüentemente a droga, pode desenvolver bruxismo, que é o ranger constante dos dentes. Os dentes podem ficar bastante desgastados.

·         Metabolismo: Ocorre um aumento excessivo da temperatura do corpo, o que destrói enzimas e prejudica o funcionamento de vários órgãos, podendo causar um colapso hemodinâmico.

·         Músculos:  A queda na concentração de sódio prejudica o funcionamento de músculos e neurônios. Isso ocorre porque, ao se transpirar em excesso e só beber água, a pessoa não repõe os sais perdidos no suor.

·         Coração: Aumento em até 40% dos batimentos cardíacos, o que pode desencadear problemas cardíacos.

Tratamento de emergência

O tratamento para intoxicação por MDMA ou Ecstasy deve ser rápido e eficiente, pois as complicações aumentam em número e gravidade, caso isso não ocorra.

Inclui medidas de suporte como a manutenção da permeabilidade das vias aéreas, assistência ventilatória, administração de oxigênio a 100%, manutenção do débito urinário e infusão de líquidos frios (vias gástrica, vesical e venosa) nos casos em que há hipertermia.

 

A elevação da temperatura deve ser tratada agressivamente, pois em casos não tratados, podem ocorrer rabdomiólise e coagulação intravascular disseminada.  A hidratação e a reposição de eletrólitos deve ser realizada com cautela em pacientes com suspeita de hiponatremia e intoxicação hídrica.

 

O agente bloqueador neuromuscular deve ser empregado nos casos em que há rigidez muscular induzida pela liberação excessiva de serotonina no sistema nervoso central.

 

A hipertensão arterial pode ser tratada com o nitroprussiato de sódio, a fentolamina.

 

Os vasopressores devem ser empregados com cautela em pacientes usuários de Ecstasy mesmo quando houver hipotensão arterial induzida por bloqueio espinhal, pois é comum ocorrer hiperatividade simpática induzida por essa associação.

 

Atenção:  Quando for dado o socorro de emergência a uma pessoa com complicações causadas pelo Ecstasy, o usuário ou os acompanhantes devem informar o consumo do Ecstasy pelo paciente. Essa informação, não deve nunca ser ocultada  dos médicos da Emergência, principalmente quando o quadro requer uma intervenção cirúrgica de emergência e o paciente necessite de uma anestesia.  Durante a cirurgia, o paciente ainda está sob os efeitos do Ecstasy, o qual poderá causar eventuais complicações durante o ato anestésico,  como na própria intervenção cirúrgica.

 

No caso de cirurgias eletivas (cirurgias marcadas), o usuário de Ecstasy, deve informar a sua condição ao anestesista, durante a consulta pré-anestésica e ao cirurgião.

Conseqüências a longo prazo

Os efeitos do uso do Ecstasy a longo prazo no corpo humano, ainda não são totalmente conhecidos. Por ser uma droga  cujo consumo é relativamente novo, ainda não se conhecem todas as conseqüências a longo prazo.   Por destruir neurônios,  muitos usuários podem vir a sofrer de quadros  de perda de memória e algumas alterações neurológicas. As conseqüências a longo prazo do uso de Ecstasy são as seguintes:

 

A nível do pensamento e raciocínio:

·         Dificuldade de memória, tanto verbal como visual.

·         Lentidão do pensamento.

·         Tendência a distração.

·         Dificuldade de concentração.

A nível físico:

·         Mal-estar geral.

·         Náuseas constantes.

·         Perda de peso, devido à inapetência (perda do apetite).

·         Insônia.

·         Problemas cardíacos.

·         Problemas neurológicos.

·         Bruxismo.

·         Dor de cabeça.

·         Fadiga (cansaço).

·         Diminuição da quantidade de relações sexuais.

A nível psicológico:

·         Desenvolvimento de fobias.

·         Dificuldade de tomar decisões.

·         Alteração da personalidade com evolução para a deterioração da personalidade.

·         Recorrências de alucinações e paranóias.

·         Depressão patológica.

·         Impulsividade.

·         Perda do autocontrole em algumas situações.

·         Tendência a desenvolver a Síndrome do pânico.

·         Diminuição do prazer sexual.

·         Diminuição da libido.

·         Irritabilidade.

Ecstasy e os Distúrbios psiquiátricos

Freqüentes observações de que apenas alguns indivíduos desenvolvem distúrbios neuropsiquiátricos devido ao abuso da MDMA, sugerem que possam existir certos fatores psiquiátricos que predisponham tais indivíduos a se tornarem mais vulneráveis a esses distúrbios indesejáveis.

Ecstasy e a Internet

Infelizmente, a Internet tem sido usada para transferir a tecnologia de fabricação dessas substâncias, o que favorece a abertura de laboratórios clandestinos em qualquer parte do mundo, principalmente nos países onde há fácil acesso a precursores químicos, uma demanda em crescimento, oficiais corruptos e uma legislação fraca.

Tipos de viciados

Esses grupos podem se enquadrar em qualquer tipo de droga.

·         Ocasionais: são aqueles que provam uma determinada droga, movidos pela curiosidade ou por alguma pressão no momento, e não mais voltam a usá-la. Nesses casos, não ocorre dependência física ou psicológica e não apresentam nenhum tipo de  transtorno se não usarem mais a droga. Também são chamados de experimentadores.

·         Moderados: São aqueles que já apresentam uma certa dependência psíquica,  e um certo impulso que faz com que eles procuram  mais droga. Dependendo do tipo de droga e do tempo de utilização, estes usuários podem já apresentar algumas alterações leves de comportamento nas áreas afetivas, profissional e familiar.

·         Habituais: Apresentam dependência psíquica acentuada, pois mudam seus hábitos para procurarem fornecedores de drogas (amigos ou traficantes), apresentando modificações evidentes no comportamento habitual, mudanças de humor, criam atritos familiares, trocam o dia pela noite, têm dificuldades em estabelecer ligações íntimas com as pessoas. Têm dificuldades na área profissional.

·         Dependentes químicos: são aqueles que dependem da droga para sobreviver. Fazem da droga seu único objetivo de vida. Não há outro interesse por nenhuma atividade. Nesses casos, as alterações físicas, mentais, e psicológicas são evidentes. O dependente químico é chamado também de toxicômano.

Perfil do usuário de Ecstasy

Os adolescentes e jovens que  fazem uso "recreacional" do Ecstasy, isto é, usam a droga ocasionalmente, o fazem para se sentirem mais desinibidos, alegres, simpáticos, próximos e íntimos das pessoas ao redor, durante as festas de embalo.  Geralmente, eles ouvem nas escolas ou por amigos,  que a droga causa uma euforia, melhora o desempenho sexual, ajuda a dançar a noite inteira, eleva a capacidade e energia física, aumenta a sensualidade e deixa a timidez pra trás.  Tudo isso, influencia na sua decisão de pelo menos, experimentar o Ecstasy, nem que seja uma vez, para realmente verificar se tudo que falavam positivamente da droga, acontece.

 

Mas, quase sempre os jovens e adolescentes só ouvem falar nos efeitos prazerosos da droga e nunca nos efeitos negativos e nos riscos que o Ecstasy pode causar tanto a nível físico, fisiológico como psicológico.  Geralmente, os jovens e adolescentes usuários de Ecstasy, se enquadram no seguinte perfil:

·         Adolescentes acima dos 14 anos.

·         Pertencem a classe social A ou B. Muitos também são oriundos das classe média.

·         Cursam faculdade ou ainda estão no ensino médio de escolas particulares.

·         São alunos de cursinhos pré-vestibulares.

·         Universitários de faculdades ou universidades públicas.

·         Os pais têm boas condições financeiras.

·         Gostam de roupas de marca.

·         Freqüentam danceterias e festas com música eletrônica, nos finais de semana.

·         Fazem uso de bebidas alcoólicas.

·         Já experimentaram outras drogas.

·         Fumam cigarro escondido dos pais.

·         Geralmente, é filho único ou têm apenas um irmão.

·         Trabalham como estagiários de empresas.

·         Gostam de som bastante alto.

·         Geralmente, são extrovertidos e comunicativos.

Muitos usuários de Ecstasy e também de outras drogas sintéticas em que o preço da dose se equivalem, apresentam alguns itens desse perfil. O Ecstasy não é uma droga barata,  por isso o perfil dos usuários, geralmente são daqueles jovens e adolescentes com melhores condições financeiras para poder bancar o seu vício.  Os  lugares onde vivem os usuários, e os ambientes de festas onde essas drogas são comercializadas,  também influenciam nos valores cobrados pela "bala".  Concluindo, tanto os fornecedores, pequenos traficantes como  os usuários, têm que ter dinheiro para manter o comércio do "E".

Perfil do fornecedor de droga sintética

O tráfico de drogas sintéticas,  difere e muito do que ocorre com relação  ao crack, cocaína e maconha. Não existe empresa e nem organograma com funções bem definidas, também não há "bocas" ou pontos de venda, como no comércio, por exemplo de compra e venda de cocaína e maconha. A transação ou "negócio" é feita diretamente entre o pequeno fornecedor e o usuário,  geralmente a figura do intermediário, não é encontrada na venda de drogas sintéticas. A venda é toda feita antes e durante as festas regadas a muita música eletrônica, através do telefone celular ou da Internet. A venda da droga também é feita por contato direto entre o traficante  e usuário, nas escolas, faculdades, cursinhos pré-vestibulares, academias ou  na própria casa do usuário.

 

Muitos jovens começam a traficar droga sintética, porque para eles comprar muitas unidades, sai muito mais barato do que comprar uma só. E a pessoa que fornece uma quantidade maior de unidades ou doses não o encara como um concorrente, ao contrário é mais um usuário que se vicia e compra em sua mão.  O pequeno traficante de droga sintética, na sua grande maioria não acha que faz tráfico, porque sempre alegam que só vendem para amigos e conhecidos. Para eles, só são traficantes, aqueles que  vendem  grande quantidade de drogas a pessoas desconhecidas. Só compra quem possui o contato certo. O perfil dos pequenos fornecedores de droga sintética  é o seguinte:

·         Pertencem a classe A e B.

·         Os pais, geralmente pertencem a setores da sociedade de alto poder aquisitivo ou de alta influência.

·         Têm uma boa aparência física, na sua grande maioria.

·         Quase 90% são do sexo masculino e são jovens que estão entre a faixa de idade de 17  a 30 anos.

·         São consumidores da droga ocasionalmente, para não ficarem dependentes.

·         Fazem o tráfico, para poder consumir mais pílulas e fazer mais amizades.

·         Fazem parte de "tribos".

·         Fazem viagens internacionais com uma certa freqüência ( a droga vem de fora do país).

·         Freqüentam os mesmos ambientes dos seus "fregueses".

·         Muitos estudam em universidades caras.

·         Moram em bairros nobres ou de classe média alta.

·         Têm boas condições financeiras.

·         Freqüentam boas academias.

·         Estão sempre em festas regadas  a muita música eletrônica alta, festas com DJs, discotecas, boates fechadas e clubes noturnos.

·         Ostentam que têm dinheiro, e passam a impressão que vender drogas, dá status.

·         São bem vestidos, geralmente usam roupas de marca.

·         Os carros que usam são caros e do ano.

·         Curtem som eletrônico bem alto e gostam de dançar.

·         Em alguns casos, não trabalham, apenas estudam e vivem na dependência financeira dos pais.

·         Popularmente, são chamados de  "filhos de papai" ou  pela gíria policial "peixe pequeno".

·         Muitos mentem aos pais, dizendo que trabalham, para justificar as suas aquisições materiais.

·         Não dependem financeiramente da venda da droga, geralmente os lucros da venda são para comprar carros, bens de consumo, supérfluos, financiar o seu padrão de vida ou para viagens internacionais.

Esse perfil de fornecedor ou traficante de drogas sintéticas, se refere aos pequenos fornecedores, pois estes comercializam pequenas quantidades de drogas. Os grandes fornecedores e megatraficantes de drogas sintéticas vivem no exterior, na Europa, EUA e Ásia. Atualmente, alguns estados brasileiros já estão produzindo em laboratórios clandestinos drogas sintéticas para o consumo interno, mas a produção é baixa. Esses laboratórios geralmente, são comandados por jovens universitários de classe média alta.

Dicas para evitar bebidas "batizadas"

·         Jamais tome bebidas, oferecida por desconhecidos. Mesmo que seja um simples copo de refrigerante ou suco.

·         Não beba resto de bebida de outra pessoa em festas ou eventos, mesmo que ela tome um pouco e ofereça a você o resto.  Muitos casos de ingestão de bebidas "batizadas" ocorrem dessa forma, a pessoa finge que está tomando a bebida e oferece à sua vítima.

·         Vigie constantemente seu copo de bebida nas festas, e fique com ele sempre na mão.

·         Observe atentamente a bebida sendo preparada.

·         Não peça aos outros para trazerem uma bebida para você.

·         Nunca peça para que guardem a sua bebida enquanto vai dançar. Termine a bebida antes ou despreze-a.

·         Não tome remédio ou comprimidos oferecidos por outras pessoas ou "amigos" para dor de cabeça, enxaqueca ou ressaca, em festas. Muitos desses remédios, podem estar já  "batizados" isto é, preparados com a droga.  Caso você tenha dor de cabeça ou ressaca, leve sempre os seus comprimidos.

Atenção:

As primeiras doses de qualquer droga, geralmente são  oferecidas de graça ou com o intuito de que você deve experimentar antes, para depois dizer, se foi bom ou ruim. Muitos argumentam que só uma dose ou um comprimido, não vai viciar e nem trazer nenhum risco, só  "prazeres".  O fornecimento da primeira dose  ou pílula, quase sempre é através de pessoas conhecidas ou que você considera amigos. Tome muito cuidado com aqueles que chama de "amigos", e que oferecem drogas pra você experimentar, eles podem levá-lo para um lugar que mais tarde vai ser difícil de deixar: O Mundo das Drogas.


Dúvidas de termos técnicos  e expressões, consulte o glossário específico de Doenças Neurológicas ou o glossário geral.