HEROÍNA

 


 

Introdução

A Heroína é uma droga opióide natural ou sintética produzida e derivada do ópio.

Os opiáceos são drogas sintetizadas a partir do ópio, que é extraído de uma planta  chamada Papaver soniferum, que é popularmente conhecida como Papoula do Oriente. Varias drogas são extraídas do líquido retirado pelo corte na cápsula da papoula verde, quando esse líquido seca passa a ser chamado de pó de ópio. Uma das substâncias principais que podem ser extraídas ou fabricadas após modificações do pó de ópio é a morfina. A droga é resultante de alterações químicas na molécula da morfina.

Causa rapidamente dependência tanto física como psicológica.  O uso contínuo da droga deixa o viciado em um estado deplorável de dependência física e psicológica.

 

Sinonímia

A heroína também é conhecida popularmente pelos seguintes nomes:

·         Cavalo na rua.

·         Lixo.

·         H.

·         Smarck.

·         Speedballs (heroína misturada com anfetaminas ou cocaína).

 

A origem da heroína

A heroína é uma substância modificada da morfina. A Heroína  surgiu em  1874 através de um químico inglês chamado Alder Wright,   em substituição a morfina, que era usada para tratar ferimentos  dos combatentes na guerra civil americana, mas que deixou mais de 40 mil veteranos viciados em morfina.    A heroína ou diacetilmorfina surgiu na Alemanha como substituta da morfina.

A droga quando administrada em dependentes de morfina, aliviava consideravelmente os sintomas da abstinência dos tóxicos-dependentes da morfina.  Mas com o tempo  a heroína demonstrou muito mais poder  viciante do que a morfina, já que causava uma dependência em apenas algumas semanas. De um medicamento passou a ser uma substância ilegal.

 

Formas de uso

A heroína é usada preferencialmente pela via endovenosa (injeções) por ser mais rápido o efeito de prazer que a droga oferece. Popularmente os usuários chamam de ‘chuto  as injeções ou as picadas na veia, mas pode ser também aspirada “chasing ter dragon” ou  fumada. Também pode ser ingerida ou absorvida pela pele.  Através da gengiva o usuário fricciona a droga dentro da gengiva, o efeito é mais lento.

 

Tempo necessário para os efeitos da heroína alcançar o cérebro

Quando fumada  os efeitos são sentidos em cerca de 3 a 8 segundos.

Injetada o efeito é quase imediato.

Fricção na gengiva o efeito é mais lento.

 

Como age a heroína no cérebro

A heroína  quando chega ao cérebro causa uma diminuição de atividade no Sistema Nervoso Central, a pessoa fica sonolenta se sentindo fora da realidade. No cérebro a droga é imediatamente convertida em morfina por enzimas celulares. O efeito é imediato. As primeiras sensações são de intensa euforia, prazer e conforto.

 

Motivos que podem levar ao uso da heroína

 

·         Desejo de "apenas" experimentar.

·         Condição imposta para participar de determinados grupos ou facções.

·         Fazer parte da "tribo".

·         Acompanhar os amigos.

·         Correr riscos.

·         Enfrentar desafios.

·         Entrar no grupo.

·         Esquecer os problemas.

·         Ser mais ativo.

·         Melhorar a sua criatividade.

·         Provar  que é independente.

·         Rejeição.

·         Relaxamento.

·         Conseguir prazer.

·         Participar de orgias sexuais.

·         Satisfazer a curiosidade.

·         Depressão.

 

Tipos de viciados

Esses grupos podem se enquadrar em qualquer tipo de droga.

 

·         Ocasionais: são aqueles que provam uma determinada droga, movidos pela curiosidade ou por alguma pressão no momento, e não mais voltam a usá-la. Nesses casos, não ocorre dependência física ou psicológica. e não apresentam nenhum tipo de  transtorno se não usarem mais a droga. Também são chamados de experimentadores.

·         Moderados: São aqueles que já apresentam uma certa dependência psíquica,  e um certo impulso que faz com que eles procuram  mais droga. Dependendo do tipo de droga e do tempo de utilização, estes usuários podem já apresentar algumas alterações leves de comportamento nas áreas afetivas, profissional e familiar.

·         Habituais: Apresentam dependência psíquica acentuada, pois mudam seus hábitos para procurarem fornecedores de drogas (amigos ou traficantes), apresentando modificações evidentes no comportamento habitual, mudanças de humor, criam atritos familiares, trocam o dia pela noite, têm dificuldades em estabelecer ligações íntimas com as pessoas. Têm dificuldades na área profissional.

·         Dependentes químicos: são aqueles que dependem da droga para sobreviver. Fazem da droga seu único objetivo de vida. Não há outro interesse por nenhuma atividade. Nesses casos, as alterações físicas, mentais, e psicológicas são evidentes. O dependente químico é chamado também de toxicômano.

 

Sinais  de alerta que indicam o  uso de heroína

Esses sinais comportamentais são percebidos pelas pessoas que convivem mais proximamente com o usuário. Esses sinais independem de faixa etária, geralmente são comuns nas pessoas, tanto jovens como adultos,  que se iniciam no vício da heroína:

 

·         Autoconfiança excessiva.

·         Euforia (nas primeiras semanas de uso).

·         Improdutividade.

·         Sonolência acentuada.

·         Relaxamento.

·         Sensação de bem-estar.

·         Postura corporal diferente da habitual.

·         Roupas desalinhadas ou descuidadas.

·         Gesticula muito.

·         Cabelos descuidados.

·         Irritabilidade.

·         Mudança de humor (ocorre logo após o uso).

·         Falta de motivação.

·         Pequenos ferimentos no corpo.

·         Sensação excessiva de calor no corpo.

·         Uso de camisas longas mesmo em dias quentes, para esconder os sinais de injeções nos braços.

·         As pupilas diminuem o diâmetro.

·         Inteligência acentuada em algumas áreas (poucos casos).

 

Drogas x Prazer

O prazer químico e artificial, provocado pela droga, é muito diferente do prazer sexual, fisiológico e natural.   O prazer químico é solitário e artificial. Geralmente, atinge a máxima intensidade  logo nas primeiras vezes que se usa a droga, e depois com o tempo, quanto mais se usa mais esse prazer vai diminuindo, devido principalmente à tolerância que a droga causa no corpo.

Esse ciclo de prazer, necessidade e tolerância é que gera a dependência. O usuário tem a necessidade vital de se drogar cada vez mais, para tentar atingir aquele ápice do prazer, na fase inicial do vicio. Essa sensação prazerosa que a droga traz é que incita às pessoas a experimentar uma droga.

 

Efeitos imediatos

Esses efeitos imediatos geralmente são sentidos logo após o uso da heroína, podem também variar no sentido do tempo e da forma com a qual a droga foi administrada, do tempo de vício e também do tipo de vida que o usuário leva.  Esses efeitos imediatos são mais sentidos e detectados, em usuários com pouco tempo de vício.

Geralmente, 3 a 5 dias de uso continuado da heroína o usuário pode ficar dependente da droga e quando não consegue ocorre os sintomas e sinais de abstinência que vão aumentando progressivamente.

 

Efeitos positivos:

·         Aumenta a sensação de bem-estar e prazer.

·         Provoca intensa euforia (fase inicial), depois o estado de euforia se transforma em disforia.

·         O viciado experimenta sonhos intensos.

·         Produz efeitos tranquilizantes.

·         Sensação de paz e tranquilidade.

·         Sensação de poder.

·         Aumento da auto-estima (primeiras doses).

·         Maior autoconfiança.

·         Indiferença com o próximo.

·         Alivia a dor (analgesia), em alguns casos parece que a dor desaparece.

·         Sensação de estar fora da realidade.

 

Efeitos negativos:

·         Provoca sono.

·         Boca seca.

·         Sensação de peso nas extremidades.

·         Pele quente.

·         Aumento dos  batimentos cardíacos.

·         A respiração fica mais acelerada.

·         Sensação de calor.

·         Relaxamento dos músculos.

·         Lentidão nos reflexos.

·         Inapetência.

·         Contração das pupilas (miose).

·         Com o tempo diminui a libido e as relações sexuais vão diminuindo gradativamente.

·         O viciado apresenta cada vez mais dificuldade na ereção.

·         Disfunção sexual em altos graus.

·         Diminuição da auto-estima.

·         Hipotensão (em alguns casos).

·         Coceira (prurido).

·         Prisão de ventre (constipação) e ocorrência de vômitos ocorre apenas na fase inicial de uso da heroína.

·         Analgesia, isto é, perda da sensação de dor física e emocional.

·         Comportamento agressivo.

·         Embotamento mental sem amnésia.

 

Efeitos tardios

Alguns efeitos referentes ao uso da droga aparecem depois de algum tempo de vício.

·         Incapacitação social.

·         Dependência física.

·         Dependência psicológica.

·         Depressão  grave.

·         Alteração na coordenação motora.

·         Diminuição da libido.

·         Insônia.

·         Crises de choro.

·         Alterações hormonais.

·         Espasmos musculares.

·         Desnutrição progressiva.

·         Tremores.

·         Transpiração excessiva (sudorese).

·         Usuário pode provocar ferimentos em si mesmo, sem que se dê conta que os provocou.

·         Desenvolve tolerância a analgesia e a sedação.

 

A tolerância

A tolerância é a necessidade de doses cada vez maiores para conseguir os efeitos anteriores. Consiste na perda de eficácia com o uso, seja pelo aumento da velocidade de eliminação que o organismo desenvolve, seja pela habituação que o tecido alvo, no caso o cérebro, desenvolve para o efeito da substância em uso.  A tolerância desenvolve-se muito rápido quando o usuário usa a droga todos os dias.

A curta duração dos seus efeitos induz facilmente ao consumo compulsivo. A tolerância significa que para se obter o mesmo efeito que se teve pela primeira vez, é necessária uma dose cada vez maior, até que se chegue a um ponto onde não se consegue mais obter o efeito da primeira vez, mesmo com doses muito maiores. Nesta fase é que ocorre o perigo da overdose e da dependência.

 

A Dependência

O uso de drogas freqüentemente conduz a um desejo maior de consumir drogas. Muitas drogas usadas de modo abusivo, como a heroína, podem ativar o circuito de recompensa do cérebro. Os efeitos diretos de uma determinada droga no circuito de recompensa, produzem sensações de prazer, alteram o desempenho  assim por diante. Os efeitos indiretos de uma droga estão relacionados a determinados ambientes, lugares ou memória. Estes efeitos é que podem dar início a dependência ou reforçar o desejo de consumir drogas.

 

Os efeitos da dependência surgem entre 6 a 10 horas depois da última dose tomada pelo viciado: tremores, hipertensão arterial, priapismo (ereção do pênis continuada e dolorosa), crise de choro, suor excessivo, lacrimejamento, ansiedade intensa, corrimento nasal, falta de apetite, vômitos, náuseas e diarréia. Infelizmente, esses efeitos da dependência só desaparecem com a administração de outra dose da droga. 

 

O dependente de drogas chega a cometer crimes para manter o consumo de drogas, quando não tem dinheiro para sustentar o seu vício. Ele acaba furtando, roubando e até cometendo crimes mais graves, como assassinatos para obter recursos para alimentar seu vício. As drogas em geral, desencadeiam inconscientemente, a satisfação de uma forma tão intensa e plena que é difícil de ser abandonada por quem as experimenta com freqüência. Por isso, é tão difícil para alguns usuários largarem a droga e, conseqüentemente, fazem de tudo para obtê-la cada vez mais, não importando de qual maneira a droga vai ser adquirida. 

 

A dependência psicológica ocorre quando a droga ocupa um papel central na vida do usuário. O dependente de heroína, só larga o vício se tiver muita força de vontade. Ele deve fazer uma auto-avaliação e ponderar as perdas que teve na vida com o prazer que sente ao consumir o tóxico e decidir se quer parar. Se o dependente de heroína não quiser largar o vício, é quase impossível resgatá-lo do mundo das drogas.

 

A overdose

A overdose da droga pode provocar depressão respiratória, que é um dos motivos que mais causam óbito nos usuários.

Os sinais mais comuns de overdose por heroína são a respiração difícil, pressão arterial baixa (hipotensão), sonolência excessiva, pele fria e coloração azulada. A miose (contração da pupila) pode ser um forte indicador de overdose por heroína, porque a overdose por cocaína anfetaminas e ecstasy causa midríase (dilatação da pupila) no usuário. O coma pode ocorrer logo após esses sinais. Caso não tenha socorro médico imediato o viciado pode morrer.

A heroína usada concomitantemente com o álcool e tranqüilizantes aumenta ainda mais a probabilidade de ocorrer overdose.

 

O tratamento

O indivíduo viciado em heroína tem o tratamento com agonistas, o qual se baseia na substituição da heroína por outros opióides de ação prolongada como a metadona. Com o tempo vai-se diminuindo a dosagem do  angonista e o organismo do viciado vai ficando cada vez mais tolerante e menos dependente. 

 

O tratamento psiquiátrico, psicológico e psicoterápico vai depender muito do grau de dependência da droga, no usuário. Infelizmente, em muitos casos, depende também da condição financeira da família do usuário. Os tratamentos de desintoxicação no Brasil, ainda são muito caros  e,  geralmente são  inviáveis financeiramente para uma grande parte das famílias de usuários de drogas.

 

Existem clínicas especializadas e centros sociais que dão apoio e fazem tratamento para o indivíduo viciado em heroína. Esses ex-viciados devem ter um acompanhamento psicológico a longo prazo, após o tratamento.

 

Clínicas de desintoxicação: As clínicas de internamento e desintoxicação para usuários dependentes de drogas, na sua grande maioria são caras e muitas famílias não têm condições de internar o seu filho ou parente,  para uma desintoxicação.  Os governos estaduais, através das suas Secretarias de Assistência Social oferecem alguns desses serviços gratuitamente. As famílias necessitadas devem entrar em contato com essas instituições.  Muitos grupos de apoio e organizações não-governamentais oferecem este tipo de serviço gratuitamente ou através de pequenas taxas mensais. As famílias dos usuários  e dependentes de drogas, devem tentar entrar em contato com as mesmas, para que o tratamento de desintoxicação seja iniciado o mais rápido possível.

 

Controle de cura:  O dependente de droga, depois do tratamento, geralmente não diz que está curado, quase sempre usam o termo "estou  tantos dias, meses ou anos sem usar drogas". A facilidade com que as drogas podem ser encontradas faz com que o usuário  que passou por tratamento, tenha uma recaída.  E a cada recaída mais dias de sua vida, com certeza, ele perde. Portanto para ele, está curado, é está mais um dia longe das drogas.

 

A síndrome da abstinência

Os sinais e sintomas decorrentes da falta da droga ou da abstinência no organismo são os seguintes:

 

·         Náuseas ou enjôos.

·         Vômitos.

·         Câimbras musculares fortes.

·         Cólicas intestinais.

·         Dores nos rins (cólica renal).

·         Aumento da temperatura corporal.

·         Aumento da pressão sanguínea.

·         Dores  fortes no corpo.

·         Distúrbios do sono, principalmente insônia.

·         Crises de choro.

·         Tremores pelo corpo.

·         Diarréia.

·         Lacrimejamento.

 

Consequências após o uso prolongado

Após o uso prolongado da heroína o usuário pode apresentar alguns problemas de saúde que podem  causar doenças e distúrbios graves:

 

·         Acidente Vascular Cerebral (derrame cerebral).

·         Cegueira.

·         Depressão.

·         Disfunção sexual.

·         Dores intensas.

·         Epilepsia.

·         Flebites.

·         Infarto do miocárdio.

·         Infecção pelo HIV.

·         Infecção pelo vírus da Hepatite C.

·         Inflamações graves nas válvulas cardíacas.

·         Lesões cerebrais extensas irreversíveis que podem ser visualizadas em exames de imagens.

·         Risco maior de overdose.

·         Sonolência excessiva.

·         Surdez.

 

Com o uso prolongado o usuário apresenta também problemas sociais, familiares e no ambiente de trabalho.  Perde o interesse por sua vida profissional, fica desanimado, cansado e apático e sem prazer pela vida.

 

Conseqüências do uso da heroína durante a gravidez

A heroína é uma droga que ultrapassa a barreira hemato-encefálica e a placenta. As mulheres gestantes que são dependentes de heroína ou outros opióides podem apresentar sérias dificuldades tanto na gravidez como no parto.  Pode ocorrer aborto espontâneo, nascimentos prematuros e os bebês podem apresentar malformação.

As gestantes ao longo da gravidez podem desenvolver anemia, doenças cardíacas, pneumonia, hepatite e diabetes.

Geralmente os recém-nascidos de mães dependentes de heroína e outros opióides são pequenos e mostram sinais de infecção aguda.  Os bebês quando nascem já apresentam variados graus de sintomas de abstinência necessitando de assistência médica diferenciada e uma profunda dependência da droga.

Muitos bêbes de mães viciadas em heroína têm uma probabilidade maior de contrair infecções devido à imunidade comprometida em decorrência da droga usada pela mãe no período da gestação.

 


 

Dúvidas de termos técnicos e expressões consultem o Glossário Geral.