MACONHA


Introdução

Maconha é o nome popular de um grupo de plantas arbustivas de origem asiática, provavelmente indiana, cujo nome científico é Cannabis. Existem três tipos  ou espécies de cannabis: a Sativa, a Indica e a Ruderalis. Elas diferem entre si, tanto no porte como no formato das folhas e na configuração do tronco. Da planta da maconha  todas as partes contém os canabinóis (substâncias químicas), portanto, tanto as folhas como os talos, sementes e resinas, podem ser usados para se obter os efeitos psicotrópicos.   São muitos os canabinóis, porém todos atuam sobre o sistema nervoso como psicotrópicos produzindo no usuário o chamada o "Barato da maconha" no linguajar popular.

A maconha é um preparado de folhas secas e amassadas do cânhamo indiano cannabis sativa. A maconha é considerada por especialistas, a droga que funciona como porta de entrada para as drogas mais pesadas. A droga é considerada um alucinógeno. A qualidade da maconha quanto à quantidade depende do seu princípio ativo tetrahidrocannabinol (THC) presente, e os seus efeitos no organismo, dependem  do solo, clima, estação do ano, época de colheita e o tempo decorrido entre a colheita e o uso.  O THC puro  também está disponível em forma de cápsulas.  A maior parte das formas de cannabis sativa são fumadas, o que adiciona à droga os malefícios do fumo.

A maconha não causa dependência física, mas estudos indicam que ela causa uma alta dependência psicológica. A maconha é uma droga ilícita, mas freqüentemente usada no Brasil. É considerada uma droga de passagem ou introdutória para outras drogas.

Sinonímia

A maconha também é conhecida pelos seguintes nomes:

·         Baseado.

·         Beck.

·         Dolar.

·         Fininho.

·         Gaya (inglês).

·         Grass (inglês).

·         Marijuana.

·         Pot (inglês).

·         Pacau.

·         Weed (inglês).

Origem da maconha

O uso da maconha foi constatado pela primeira vez há 4.700 anos. Os chineses utilizavam a planta que hoje tem o nome científico de Cannabis sativa para tratar asma, cólicas e insônia. Não se sabe a eficiência da droga como remédio, naquela época. A planta também foi usada durante muito tempo com outras finalidades,  por exemplo, a fibra da cannabis, chamada de cânhamo, serviu de matéria-prima para velas de navios, como as caravelas de Pedro Álvares Cabral. O cânhamo também foi usado  como fonte de produção de papel. Ironicamente, a Constituição dos Estados Unidos, país que defende a proibição de qualquer tipo de uso da maconha, foi escrita em papel de cânhamo.

Os exploradores espanhóis introduziram a cannabis no ocidente como fonte de fibra e meados do século XIV. Ela foi inicialmente usada na feitura de cordas. Os colonizadores americanos também cultivaram o cânhamo para  a obtenção de fibras no século XV. No Brasil, a planta chegou pelas mãos dos escravos que trouxeram as sementes da África. O uso médico para o tratamento de dor, asma, distúrbios convulsivos e até a histeria, predominaram de 1850 a 1900. O uso recreativo da maconha começou no México, por volta de 1880, quando os imigrantes mexicanos e os soldados americanos que lutavam na zona do Canal ou contra Pancho Villa a trouxeram para os Estados Unidos.

Incidência

·         É uma das drogas muito utilizadas pelos estudantes.

·         O Brasil é o segundo maior  consumidor de maconha na América do Sul.

·         Os EUA é o campeão mundial de consumo de maconha.

·         O Brasil é o país da América do Sul, que lidera  as apreensões e erradicação de plantações de maconha.

·         Maconha cultivada por hidroponia, tem um alto índice de THC (+30%), enquanto a maconha comum tem uma média de 3% de THC.

Formas de uso

A maconha pode ser usada de diversas formas:

·         Fumo: Preparado com folhas, talos e sementes triturados e transformados em cigarros. Essa forma tem teor de canabinóis  de 1% a 2%.  É a forma de uso mais comum no Brasil. "Baseado" é o nome popular do cigarro de maconha entre os viciados.

·         Maconha sem semente: Esse tipo de preparado é prensado em forma de tijolo, é importado da Ásia e é produzido pela Cannabis Indica. Seu teor de canabinóis é de 6%.

·         Haxixe:  Obtido a partir das flores e de folhas com bastante resina. Chega a um teor de canabinóis de 8%.

·         Óleo de haxixe: O óleo ou a resina da planta. A extração é feita por processo industrial e chega a conter 15%  de canabinóis.

·         Cristais de haxixe:  Obtido também por processo industrial. Chega ao teor de 60% de canabinóis.

Todos os tipos de maconha podem ser fumados sob a forma de cigarros, em cachimbos e piteiras especiais conhecidas como "maricas". A maconha e o haxixe também podem ser usados mediante ingestão por via oral, sendo comidos em misturas com alimentos, acrescentados adoces, bolos e pães. A intensidade dos efeitos depende da qualidade da planta, da quantidade fumada ou ingerida, da freqüência e da profundidade da inalação. A maconha fumada tem efeito três vezes maior que a ingerida, porém, a ingerida tem efeito mais prolongado.

No Brasil, a forma de maconha mais conhecida é o cigarro. Geralmente, não tem  boa qualidade, podendo às vezes estar misturada com outras plantas.  Um cigarro de boa qualidade pode drogar até três pessoas.

Duração do efeito da maconha

O efeito de um cigarro de maconha em média dura de duas a três horas.

Como age a maconha no cérebro

O THC produz tantos efeitos diferentes, que é difícil  classificá-lo adequadamente de outra forma que não uma droga psicoativa única, que afeta a mente e o comportamento do usuário.  A interferência da substância química (THC) da maconha, sobre o desenvolvimento e funcionamento do cérebro, se faz sentir sob algumas formas de mudanças de comportamento, e do estado de consciência quando usada em grande quantidade. Os efeitos do THC ocorrem através de receptores específicos para THC. Os efeitos de níveis baixo de THC são semelhantes aos do álcool, ou seja uma suave inibição do sistema nervoso central (SNC).  O aumento da quantidade da droga produz euforia  através de um mecanismo que também pode envolver compostos semelhantes à morfina. Doses altas causam alucinações e percepções intensificadas, especialmente da visão e audição. Pesquisadores acreditam que  a maconha perturba o equilíbrio de dopamina no cérebro, substância chave para as mudanças de humor.

Dependendo de qual objetivo a maconha está sendo usada, ela pode ter um efeito tranqüilizante ou excitante. De um modo amplo, quando a pessoa está fumando um baseado sozinha, tem uma certa conotação com a questão mais de tranqüilidade, de estar de sentindo mais relaxada, como costuma dizer, "viajando". É diferente de estar fumando um baseado em grupo. O efeito da maconha guarda uma relação importante, com o clima em que ela está sendo usada. Deve-se também observar que muitas vezes, quando a droga está sendo usada em grupo, outras drogas podem estar entrando, principalmente o álcool.

Estudos científicos sugerem que,  além de interferir no desenvolvimento normal do cérebro, os uso constante de maconha por adolescentes, pode provocar também o surgimento precoce da Esquizofrenia, em indivíduos geneticamente predispostos a ter a doença. O uso continuado da maconha pode afetar o aprendizado,  a capacidade de memorização e induzir a um estado de amotivação, isto é, não sentir vontade de fazer mais nada, pois tudo fica sem graça e importância. A maconha pode levar algumas pessoas  a um estado de dependência, isto é, elas passam a organizar sua vida de maneira a facilitar o uso da maconha.

Outros estudos sugerem também que, se a pessoa tem uma doença psíquica qualquer, mas que ainda não está evidente (a pessoa consegue "se controlar") ou a doença já apareceu, mas está controlada com medicamentos adequados, a maconha piora o quadro. Ou faz surgir a doença, isto é, a pessoa não  consegue mais "se controlar", ou neutraliza o efeito do medicamento e passa a apresentar  de novo os sintomas da doença

Toxicidade da fumaça da maconha

A composição da fumaça da cannabis sativa difere da produzida pelo tabaco, por outros motivos além da ausência de nicotina ou presença de THC. A fumaça da cannabis sativa tem um teor muito alto de monóxido de carbono e alcatrão, substâncias irritantes e cancerígenas em potencial. Estima-se que fumar apenas alguns cigarros de maconha, pode causar tanto prejuízo quanto fumar um maço inteiro de cigarros. Outro componente da fumaça da maconha, de particular interesse para o potencial de abuso, o acetaldeído (que pode reagir quimicamente com neurotransmissores para produzir produtos de condensação), tem implicações com a criação de dependência do álcool. O acetaldeído aparece na fumaça do tabaco, e também  aumenta o potencial de dependência da nicotina. O acetaldeído contido na fumaça de maconha, é quase 15 vezes mais alto que o contido na fumaça de tabaco.

Um complexo transporte do THC requer não somente a inalação da fumaça, mas também a retenção desta nos pulmões, por um período extenso. Aprender a otimizar o processo de retenção, é uma das razões pelas quais os efeitos da maconha, podem ser obtidos com doses aparentemente menores da droga ao longo do tempo.  Quanto mais se inala a fumaça da maconha e consegue retê-la mais tempo nos pulmões, maior o efeito da droga no cérebro.

Maconha e a  medicina

Até o início do presente século, a maconha era considerada em vários países, inclusive o Brasil, como um medicamento útil para vários males. Nem mesmo os médicos e cientistas se entendem, quando o assunto é maconha para fins terapêuticos. Os especialistas admitem possíveis benefícios em doenças como Aids  e câncer. Mas há discordâncias profundas, quanto aos efeitos colaterais da droga e, quanto ao efeito-cascata que a legalização para uso medicinal teria para o resto da sociedade.

Atualmente, a maconha está sendo reconhecida como medicamento em alguns países, para  redução de alguns efeitos referentes à medicação para o tratamento do câncer, para alguns tipos de dores crônicas e para diminuir as convulsões epilépticas. Apesar de uma corrente de médicos ser contra devido aos efeitos nocivos e tóxicos da maconha,  outra corrente defende a tese de que a erva pode ser utilizada para fins medicinais. Alguns usos  terapêutico dos derivados da maconha:

·         Diminuição de alguns efeitos colaterais (náuseas e vômitos), referentes aos medicamentos quimioterápicos  contra o câncer.

·         Redução da dor neuropática da Esclerose Múltipla.

·         Diminuição dos tiques e dos movimentos involuntários da Síndrome de Tourette.

·         Diminuição da pressão intra-ocular.

·         Estimula o apetite para pacientes com Aids.

·         Diminui a intensidade dos movimentos coréicos da Doença de Huntington (ainda em estudo).

No Brasil, a maconha para uso terapêutico ainda não foi liberada.

Maconha e a gravidez

A maconha é a substância ilícita mais consumida pelas mulheres em idade gestacional. A substância ativa da maconha (THC), atravessa  a placenta. Alguns recém-nascidos filhos de mulheres que fumam maconha durante a gravidez têm menor peso e uma menor circunferência da cabeça. Mas, nenhum defeito de nascença claramente relacionado à droga foi verificado.  Bebês expostos regularmente ao THC antes do nascimento, podem mostrar sinais de excitação do SNC no período neonatal, incluindo tremores, reações de susto freqüentes, aumento do ato de colocar a mão na boca e reflexos hiperativos. A persistência prolongada de qualquer um destes efeitos é desconhecida.

Liberação da maconha no Brasil

Alguns dos principais argumentos, a favor e  contra, a  uma maior tolerância para o consumo de maconha:

A favor: Os defensores alegam que o tetrahidrocanabinol (THC), princípio ativo da maconha, gera  dependência leve e causa menores danos à saúde pessoal e pública, que o consumo de álcool e tabaco.

Contra a legalização: Os adversários citam pesquisas atestando que muitos usuários de maconha, acabam experimentando drogas consideradas pesadas,  como a cocaína e heroína,  e se tornam dependentes. Além disso, experiências com penas mais brandas para a maconha, não reduzem o consumo das drogas pesadas, ocorre o contrário.

Propriedades medicinais:  Há médicos e outros especialistas da área, que defendem o uso da maconha, para aliviar as náuseas e dores decorrentes da quimioterapia e dos coquetéis de drogas anti-Aids. O tetrahidrocanabinol (THC) teria ainda efeito benéfico na prevenção do glaucoma e no alívio de sintomas da asma.

Conexão com o crime: Adversários da legalização alegam que o consumo da maconha, como outras drogas ilegais, financia máfias envolvidas em crimes como o tráfico de armas. Os defensores respondem que a descriminalização do consumo, visa a diferenciar usuários de traficantes, tratados com igual rigor nas legislações de muitos países. Argumentam, ainda que, a legalização do consumo eliminaria a figura do traficante.

Tipos de viciados

Esses grupos podem se enquadrar em qualquer tipo de droga.

§  Ocasionais: são aqueles que provam uma determinada droga movidos pela curiosidade ou por alguma pressão no momento, e não mais voltam a usá-la. Nesses casos, não ocorre dependência física ou psicológica. e não apresentam nenhum tipo de  transtorno se não usarem mais a droga. Também são chamados de experimentadores.

§  Moderados: São aqueles que já apresentam uma certa dependência psíquica,  e um certo impulso que faz com que eles procuram  mais droga. Dependendo do tipo de droga e do tempo de utilização, estes usuários podem já apresentar algumas alterações leves de comportamento nas áreas afetivas, profissional e familiar.

§  Habituais: Apresentam dependência psíquica acentuada, pois mudam seus hábitos para procurarem fornecedores de drogas (amigos ou traficantes), apresentando modificações evidentes no comportamento habitual, mudanças de humor, criam atritos familiares, trocam o dia pela noite, têm dificuldades em estabelecer ligações íntimas com as pessoas. Têm dificuldades no área profissional.

§  Dependentes químicos: são aqueles que dependem da droga para sobreviver. Fazem da droga seu único objetivo de vida. Não há outro interesse por nenhuma atividade. Nesses casos, as alterações físicas, mentais, e psicológicas são evidentes. O dependente químico é chamado também de toxicômano.

Motivos que podem levar ao uso da maconha

·         Curiosidade.

·         Influências de  determinadas amizades.

·         Para provar que não vai se viciar.

·         Para chocar as pessoas presentes (reunião, praia, festas, eventos).

·         Para obter prazer. Na fase inicial, quase toda a droga causa alguma espécie de prazer no usuário. Isso é um fato.

·         Por causa da influência do parceiro.

·         Para fugir da realidade, ou de algum problema difícil de ser solucionado.

·         Funciona como "válvula de escape" para algumas situações.

·         Para acabar com a timidez.

·         Porque está sozinho.

·         Para ter coragem de praticar algum ato (lícito ou ilícito).

·         Para ter a sensação da "viagem"; do "barato".

·         Para afastar a angústia ou a tristeza.

·         Para aumentar a baixo-estima.

·         Para afastar a depressão.

·         Desajuste da família: problemas familiares e desajustes sociais podem contribuir para o uso da maconha.

·         Diversão: muitas pessoas só conseguem se divertir em uma festa ou reunião se antes fumar um "baseado".

·         Por causa do tipo de trabalho.

·         Para desacelerar.

·         Estresse: pessoas submetidas a situações estressantes, podem ser candidatas ao vicio. Muitas justificam o uso da maconha para tentar relaxar ou se tranqüilizar.

·         Esquecer os problemas do dia a dia.

·         Influência do ambiente.

·         Influência de outros viciados.

·         Insônia: muitos iniciam o vício devido a dificuldade para conciliar o sono.

·         Justificar transgressões.

·         Sexo: muitos afirmam que fazem uso de maconha para relaxar e melhorar a performance sexual.

Drogas x Prazer

O prazer químico e artificial, provocado pela droga, é muito diferente do prazer sexual, fisiológico e natural.   O prazer químico é solitário e artificial. Geralmente, atinge a máxima intensidade  logo nas primeiras vezes que se usa a droga, e depois com o tempo, quanto mais se usa, mais esse prazer vai diminuindo, devido principalmente à tolerância que a droga causa no corpo. Esse ciclo de prazer, necessidade e tolerância é que gera a dependência. O usuário tem a necessidade vital de se drogar cada vez mais, para tentar atingir aquele ápice do prazer, na fase inicial do vicio, Essa sensação prazerosa que a droga traz, é que incita às pessoas a experimentar uma droga.

Sinais de alerta para os pais

É pelos vestígios de uso e pelas alterações comportamentais que os pais podem identificar se o filho ou a filha consumiu drogas e dependendo às vezes até saber qual foi a substância.  Toda vez que o filho tem comportamentos diferentes dos de longa data, é preciso que se busque a causa, que pode ser ou não droga.   Não é porque o filho está usando ultimamente uma roupa diferente ou extravagante, está mais agitado, colocou piercing, usa tatuagens, está saindo mais para as baladas, que os pais vão suspeitar que ele está experimentando drogas.  Perceber não é fácil. Jovens na sua grande maioria, experimentam drogas longe dos pais, e em ocasiões com tempo suficiente para o efeito desaparecer. 

 

Esses sinais de alerta são algumas pequenas e sutis mudanças comportamentais e psicológicas, que os pais podem identificar no seu filho ou filha adolescente, quando ele está começando a ser um usuário de drogas. Os sinais de alerta são diferentes para cada tipo de droga. Algumas como a maconha, deixam o usuário mais apático, isto é, mais "devagar" como a maconha. Tudo vai depender do tipo de droga utilizada.  Esses sinais iniciais de alerta ficam evidentes, quando o adolescente está se drogando com doses leves ou moderadas, durante vários meses. Têm alguns "tipos de pais", que não percebem  que o filho está se drogando, mesmo que esse dê todas as pistas e os sinais de alerta sejam bem evidentes. Nesses casos específicos, o avanço do filho no mundo das drogas, pode ser também atribuído aos pais. No caso específico da maconha, os sinais de alerta  e os disfarces que os adolescentes mais usam,  são os seguintes:  

 

Uso de maconha por adolescentes

Sinais de alerta

Disfarces ou Desculpas

Olhos avermelhados e pupila dilatada.

Uso de colírio ou de óculos escuros.

Nariz congestionado / sempre está assoando o nariz (a fumaça da maconha irrita a mucosa do nariz)

Pegou um  resfriado ou está com coriza

Cheiro de maconha nos dedos e cabelos (a fumaça da maconha tem um cheiro característico muito forte).

Uso de perfumes fortes, plantas cheirosas trituradas com os dedos ou creme nas mãos e cabelos.

Voz pastosa, mais grave.

Falar o menos possível, na presença dos pais.

Pálpebras caídas.

Massagens nos olhos ou uso de óculos escuros.

Andar meio desequilibrado, como se estivesse tonto (nesse caso o adolescente está fazendo uso excessivo da droga, ou misturando com álcool)

Ficar sempre sentado, na presença dos pais.

Está sempre com sono (ocorre depois do uso)

Diz que está tendo dificuldade para dormir à noite. Está com insônia.

Expressão facial sem vida e olhar mais lento (a droga deixa o viciado mais apático)

Não olhar diretamente para os pais.

Está mais lento que o costume; fica mais desacelerado (a droga deixa o adolescente mais "devagar", parece que faz tudo em "câmera lenta")

Diz que está  cansado por causa da academia  ou devido à educação física no colégio.

Fica muito tempo trancado no quarto (para se viciar com mais tranqüilidade)

Explica que é para estudar e/ou se concentrar; quer ter privacidade

Rir em excesso (devido a euforia que a droga causa)

Está alegre e feliz; tudo está bem

Cheiro de maconha na roupa (devido à fumaça)

Usa desodorantes spray  e perfumes com cheiro forte.

Cheiro da fumaça de maconha  no quarto

Usa incenso, de preferência os que têm cheiro forte.

Hálito de maconha (a maconha deixa um gosto ruim na boca).

Chupar balas, chicletes ou  fumar cigarro.

Novas amizades (geralmente ligadas ao vicio)

Precisa renovar o seu ciclo de amizades

Baixo rendimento escolar (dificuldade de concentração)

Os assuntos escolares estão mais difíceis

Mudança de comportamento

Culpa da  adolescência; está passando uma fase difícil

Baixo rendimento escolar

Culpa dos professores; muitas matérias para estudar

Mudanças nos hábitos alimentares (depois do uso, o viciado tem fome e gosta de consumir mais doces)

Está com mais apetite

 

Efeitos imediatos

Esses efeitos imediatos geralmente, são sentidos durante ou logo após o uso da maconha. Esses efeitos  dependem do tempo de vício e da freqüência, do tipo de vida que o usuário leva e, principalmente, o motivo que o levou a se drogar.  Esses efeitos imediatos são mais sentidos e detectados, em usuários com pouco tempo de vício.  Os efeitos psicotrópicos tanto positivos como negativos,  duram algumas horas após a última tragada. A sensação experimentada pelos usuários da maconha difere de indivíduo para indivíduo.

 

Efeitos psicológicos  positivos:

·         Sensação de bem-estar imediato.

·         Calma.

·         Relaxamento.

·         Euforia.

·         Menos cansaço.

·         Vontade de rir.

·         Aumento da sensação de prazer.

·         Em alguns viciados aumenta a criatividade.

·         Alguns viciados gostam de fumar um "baseado" e depois "transar" (fazer sexo), mas uma grande parte, gosta de curtir  "o barato da viagem"  enquanto dura os efeitos da droga, sem sexo. Muitos alegam para o parceiro ou parceira, que estão cansados e sem vontade de praticar sexo naquele determinado momento, querem apenas relaxar.

Efeitos psicológicos negativos:

·         Angústia.

·         A pessoa pode ficar depressiva, ou em alguns casos em que a pessoa estava depressiva antes do uso da maconha, ocorre o inverso, ela pode ficar mais alegre, após fumar um "baseado".

·         Alguns usuários com pouco tempo de vício, ficam com um sentimento de tristeza, sem explicação. Simplesmente ficam mais tristes, quando usam a maconha. Esses usuários, caso prossigam com o vício, podem se tornar depressivos.

·         Alguma pessoas sentem medo de perder o controle, durante o uso.

·         Esquecimentos de horários e tarefas a cumprir, podem ocorrer durante a ação da maconha.

·         Desorientação quanto ao tempo e espaço, isto é, a pessoa que fuma maconha perde a noção das horas e perdem também a noção de distância.

·         Dificuldade de realizar cálculos matemáticos.

·         Dificuldade para se expressar.

Efeitos físicos imediatos:

·         Olhos avermelhados e injetados: o avermelhamento da conjuntiva dos olhos é causada pela dilatação dos vasos sanguíneos da superfície do globo ocular.

·         Boca seca (xerostomia).

·         Tosse.

·         Coração mais acelerado (taquicardia).

·         Mãos trêmulas.

·         Suor excessivo (sudorese).

·         Sono (após o uso, em alguns casos).

·         Dificuldade para caminhar, devido a alteração na coordenação dos movimentos. A pessoa compensa, andando mais devagar e arrastando mais os pés no chão.

·         Tosse ou pigarro.

·         Cansaço (em alguns casos).

Efeitos físicos  e psicológicos depois de duas horas: Esses efeitos dependem exclusivamente do indivíduo.

·         Aumento do apetite, geralmente por doces.

·         Sonolência.

·         Desmotivação.

·         Insônia e excitação nervosa.

·         Irritabilidade.

·         Ansiedade.

·         Hipersensibilidade moral, com reações severas por pequenas coisas.

·         Esquecimento de algumas tarefas e horários.

Obs: Pessoas calmas e tímidas, em alguns casos podem ter a sua personalidade mudada, tornando-se agressivas e desinibidas. Em muitas ocorrências policiais,  pessoas que cometeram crimes (furtos, estupros, latrocínios e até homicídios) alegaram que fumaram dois ou três baseados para se  motivarem e, para poderem ter coragem para fazer o ato criminoso.

 

Atenção: Qualquer pessoa que tiver seu estado de consciência alterado pelo uso e pelos efeitos da maconha, pode provocar acidentes, principalmente acidentes de automóvel.

Sinais e sintomas

Quando o indivíduo usa maconha, alguns sinais podem ser facilmente percebidos:

·         Andar meio desequilibrado, parece que está com tontura ou vertigem.

·         A pessoa se sente mais "leve".

·         As idéias ficam mais "abertas".

·         Dificuldade para caminhar.

·         Dificuldade para se lembrar de datas e nomes.

·         Dificuldade em cumprir horários.

·         Dificuldades para cumprir algumas tarefas.

·         Algumas pessoas podem falar sem parar, durante horas, enquanto outras ficam menos falantes.

·         Os olhos ficam avermelhados. Está sempre com colírios e óculos escuros para disfarçar.

·         Cheiro da droga na roupa, para disfarçar usa desodorante ou perfumes em excesso.

·         Voz mais pastosa.

·         Apresenta um relaxamento e uma calma acima do normal.

·         Sono (após o uso).

·         Coriza  constante, devido à irritação da fumaça.

·         Aceleração das batidas do coração (taquicardia).

·         Depois de duas horas após o uso, muitos viciados podem ficar com sono ou apáticos, enquanto, outros ficam excitados e com insônia.

Obs:  O andar cambaleante meio desequilibrado, a voz pastosa e algumas conversas estranhas, podem não ser só decorrentes do uso da maconha. Muitos viciados que fumam um baseado, também fazem uso de bebidas alcoólicas, e as duas juntas, maconha e álcool, potencializam o poder individual de cada droga.

Riscos do vício

·         Infarto agudo do miocárdio

·         Diminuição da resistência às infecções.

·         Episódios de alucinação.

·         Aumento o risco de crise psicótica (uso moderado), principalmente em pessoas  que têm predisposição para a psicose. A relação  é diretamente proporcional à freqüência com que a substância é usada.

·         Queda no nível de hormônios.

·         Diminuição do nível intelectual (uso crônico).

·         Dependência psicológica (uso crônico).

·         Pode surgir sintomas da Esquizofrenia, em quem tem predisposição (uso continuado).

·         Problemas de audição (uso continuado).

·         Alteração de quadros mentais.

A tolerância

A tolerância consiste na perda de eficácia com o uso, seja pelo aumento da velocidade de eliminação que o organismo desenvolve, seja pela habituação que o tecido alvo, no caso o cérebro, desenvolve para o efeito da substância em uso.  A tolerância é um fenômeno observado no uso de várias substâncias lícitas e ilícitas.

A tolerância significa que para se obter o mesmo efeito que se teve pela primeira vez, é necessário uma dose cada vez maior, até que se chegue a um ponto, onde não se consegue mais obter o efeito da primeira vez, mesmo com doses muito maiores. Nesta fase é que ocorre o perigo da overdose. Uma vez que o efeito de inibição da respiração não apresenta tolerância, acaba sendo atingido antes do efeito euforizante.
 

O uso contínuo da maconha desenvolve no indivíduo capacidade de tolerância orgânica, o que exige sempre mais quantidade de maconha para se obter os mesmos efeitos. É a adaptação do corpo à droga. A tolerância é um resultado não desvinculável da dependência. Quando o usuário começa a precisar aumentar a dose começa a ficar dependente. O efeitos colaterais da dependência só acontecem quando se interrompe o uso da droga. A falta da droga é identificada pela síndrome da abstinência.

A dependência

O uso de drogas freqüentemente conduz a um desejo maior de consumir drogas. Os efeitos diretos de uma determinada droga no circuito de recompensa, produzem sensações de prazer, euforia, alteram a performance  assim por diante. Os efeitos indiretos de uma droga estão relacionados a determinados ambientes, lugares ou memória. Estes efeitos é que podem dar início a dependência ou reforçar o desejo de consumir drogas.

 

As drogas em geral, desencadeiam inconscientemente, a satisfação de uma forma tão intensa e plena que é difícil de ser abandonada por quem as experimenta com freqüência.  No caso específico da maconha, a dependência é psicológica, mas não tão intensa e plena como algumas outras drogas causam no usuário.

Dependência psicológica: Em estado de dependência psicológica, o indivíduo sente um impulso irrefreável, tem que fazer uso das drogas, a fim de evitar o mal-estar. A dependência psicológica indica a existência de alterações psíquicas, que favorecem a aquisição do hábito. O hábito é um dos aspectos importantes a ser considerado na toxicomania, pois a dependência psíquica e a tolerância significam que a dose deverá ser ainda aumentada para se obter os efeitos desejados. Em estado de dependência psíquica, o desejo de tomar outra dose ou de se aplicar, transforma-se em necessidade, que se não satisfeita leva o indivíduo a um profundo estado de angústia, (estado depressivo). Esse fenômeno não deverá ser atribuído apenas as drogas que causam dependência psicológica. O estado de angústia, por falta ou privação da droga é comum em quase todos os dependentes e viciados.

A overdose

 Doses extremamente altas de maconha não produz anestesia, coma ou morte.  O uso da maconha não produz overdose. Geralmente, os casos de overdose ocorrem quando a maconha é usada conjuntamente, com outras drogas, por exemplo álcool, ecstasy e cocaína. A overdose ocorre por causa dessas outras drogas, quando usadas junto com a maconha.

A Síndrome de abstinência

Síndrome de abstinência é o conjunto de sintomas que ocorrem pela falta da droga, num organismo acostumado a ela. Alguns sintomas leves de abstinência podem ocorrer, quando o usuário resolve parar de usar a maconha, ou quando fica algum tempo sem acesso à droga:

·         Irritabilidade.

·         Inquietação.

·         Desânimo.

·         Calafrios.

·         Náuseas.

·         Vômitos.

A Síndrome de desmotivação

Essa síndrome é caracterizada por desinteresse, baixa performance no trabalho ou escola e disfunções da memória. Esses problemas e distúrbios são decorrentes do uso regular e prolongado da maconha.

Conseqüências a longo prazo

O uso da maconha durante vários anos, pode causar no organismo as seguintes efeitos a longo prazo:

·         Diminuição da testosterona e da quantidade de esperma, podem ocorrer com um uso prolongado.

·         Pode intensificar alguma patologia psíquica, principalmente, em relação à Esquizofrenia.

·         Problemas respiratórios, devido à fumaça que é muito irritante. A maconha tem um índice mais alto de teor de alcatrão (mais alto que o cigarro), o que pode causar mais distúrbios respiratórios.

·         Faringite (inflamação da garganta).

·         Sinusite crônica.

·         Rinite alérgica (devido à fumaça).

·         Redução da imunidade devido a queda dos glóbulos brancos.

·         Dificuldade de concentração.

·         Esquecimentos.

·         Pode causar distúrbios no equilíbrio.

·         Falta de ambição.

·         Letargia constante.

·         Depressão patológica.

·         Mania de perseguição.

Atenção:

Tenha muito cuidado! As primeiras doses de qualquer droga, geralmente são  oferecidas de graça ou com o intuito de que você deve experimentar antes, para depois dizer, se foi bom ou ruim. Muitos argumentam que só uma dose ou um comprimido, não vai viciar e nem trazer nenhum risco, só  "prazeres".  O fornecimento da primeira dose  ou pílula, quase sempre é através de pessoas conhecidas ou que você considera amigos. Tome muito cuidado com aqueles que chama de "amigos", e que oferecem drogas pra você experimentar, eles podem levá-lo para um lugar que mais tarde vai ser difícil de deixar: O Mundo das Drogas.


Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o glossário geral.