HIPERTIREOIDISMO


Definição

O Hipertireoidismo é uma doença endócrina proveniente do aumento excessivo da função da glândula tireoide. Geralmente, caracteriza-se pelo aumento da glândula tireoide (bócio) e olhos proeminentes (exoftalmia) em alguns casos.

Sinonímia

É uma doença também conhecida pelos seguintes nomes:

·         Doença Graves.

·         Doença de Basedow.

·         Bócio exooftálmico.

·         Bócio tóxico difuso.

Incidência

·         Afeta mais as mulheres do que os homens.

·         Maior incidência entre a 3ª e 4ª década.

·         Mais rara e menos acentuada em crianças do que em adultos.

·         Em crianças geralmente aparece entre os 10 e 15 anos (evolução progressiva).

 

Fisiologia da glândula tireoide

 

A glândula tireoide é uma glândula endócrina que regula o metabolismo do iodo e compreende a síntese, o armazenamento e a secreção dos hormônios tireoideos. A glândula tireoide afeta a velocidade do metabolismo de todos os tecidos:

·         Velocidade das reações químicas.

·         Volume de oxigênio consumido.

·         Quantidade de calor produzido.

·         Atua no crescimento e maturação do esqueleto.

·         Aumenta a absorção dos glicídios.

·         Provoca a degradação do colesterol em ácidos biliares.

·         Estimula a síntese da vitamina A caroteno.

Causas

Em alguns casos a etiologia é desconhecida, mas em outros casos as causas possíveis do Hipertireoidismo  são: 

·         Predisposição genética no sexo feminino.

·         Pode surgir após um choque emocional, infecção ou tensão emocional.

·         Excesso de substância estimuladora de longa ação da tireoide no plasma; essa substância é capaz de induzir o acúmulo de iodo e hiperplasia da tireoide, independente da hipófise.

·         Linfócitos B e T (fatores imunológicos).

·         Carcinoma da tireoide.

·         Bócio nodular tóxico

Evolução clínica

A evolução da doença é benigna, caracterizada por remissões e exacerbações. Em raros casos pode progredir inexoravelmente, levando à emaciação, nervosismo extremo, delírio, desorientação e eventualmente a morte, caso não seja diagnosticada e tratada.

Sinais e sintomas

período prodrômico:

·         nervosismo;

·         hiperatividade motora;

·         instabilidade emocional;

·         atenção dispersiva;

·         insônia;

·         paciente se apresenta emocionalmente hiperexcitável, irritável, irrequieto e apreensivo;

·         intolerância ao calor;

·         sudorese;

·         aumento da quantidade de urina eliminada;

·         alteração dos hábitos intestinais: constipação ou diarreia;

·         perda de peso, mesmo com o aumento do apetite;

·         dificuldade para sentar-se calmamente;

·         chora com facilidade.

período agudo:

·         pulso rápido quando em repouso, e em atividade a pulsação varia entre 90 e 160 bpm;

·         pele corada (vermelhidão), quente, macia, lisa e úmida;

·         tremor discreto nas mãos;

·         olhos esbugalhados (exoftalmia), dando-lhe uma expressão de espanto (olhar fixo e brilhante);

·         aumento do apetite e da ingestão de alimentos;

·         perda ponderal progressiva;

·         fatigabilidade e fraqueza muscular anormal;

·         amenorreia;

·         adenomas solitários ou múltiplos;

·         pressão alta;

·         palpitação cardíaca;

·         fraqueza muscular;

·         astenia;

·         aumento da glândula tireoide que pode se apresentar mole ao toque;

·         em alguns casos é possível ocorrer fibrilação atrial (é comum a descompensação cardíaca nos pacientes idosos).

ObsEm crianças e adolescentes o Hipertireoidismo pode causar um crescimento acelerado, maturidade sexual retardada e nas meninas pode ocorrer demora da menarca (1ª menstruação)

Diagnóstico

·         Anamnese.

·         Exame físico.

·         Exame clínico.

·         Exames laboratoriais.

·         Mapeamento da tireoide.

·         Ultrassonografia da tireoide.

·         Avaliação dos níveis séricos de T3 e T4.

·         Teste do PBI  (valor elevado suspeita-se de hipertireoidismo).

·         Tironina plasmática (valor elevado suspeita-se de hipertireoidismo).

Tratamento

Médico especialista:  Endocrinologista

Objetivo:  A finalidade do tratamento é reduzir a secreção dos hormônios tireoideos, ajudar o paciente para o retorno eutireoideo e prevenir ou tratar as complicações associadas com o metabolismo acelerado.

Não foi descoberto nenhum tratamento para o hipertireoidismo que combata a causa básica, porém há tratamento para o controle da atividade excessiva tireoidiana. O tratamento depende das causas, da idade do paciente, da gravidade da doença e das complicações.  O tratamento é sintomático, conforme os sintomas apresentados e suas intercorrências.

Tratamento farmacológico: Administrar medicação prescrita, que interferem na formação do hormônio tireoideo.

 

Tratamento cirúrgico:  Tireoidectomia - retirada cirúrgica da tireoide.

 

Tratamento sob radiação: Pode-se empregar a terapêutica com o iodo radioativo em todos os pacientes, independente da idade, quando as outras formas de terapêutica estão contraindicadas. O iodo radioativo reduz   a secreção do hormônio tireoideo, uma vez que lesa e destrói o tecido da glândula. Pode ocorrer tireoidite por irradiação, uma exacerbação transitória do hipertireoidismo, devido ao extravasamento do hormônio tireoideo dos folículos lesados para a circulação. É importante que se tenha cuidado durante o tratamento,  para detectar a ocorrência de hipotireoidismo.

 

Tratamento oftalmológico:  Caso o paciente apresente Exoftalmia (protusão anormal do globo ocular) deve-se proteger os olhos da irritação; instilar gotas oftálmicas prescritas; o paciente deve ser aconselhado a elevar sua cabeça quando dormir para melhorar a drenagem. Pode ser necessário a administração de corticoides em altas doses para ajudar a interromper a rápida progressão da exoftalmia. Casos graves só a cirurgia oftalmológica resolve.

Dietoterapia: Comumente, é prescrita uma dieta bem balanceada, hipercalórica, rica em hidratos de carbono e em proteínas e distribuída em seis refeições. O total calórico deverá ser suficiente para compensar a perda de peso. O alto teor de hidratos de carbono é necessário, para reabastecer os estoques de glicogênio. A alta taxa de proteína, de 1 a 2 gramas por quilo de peso teórico, é recomendada para corrigir um balanço negativo de nitrogênio. O aporte de líquidos deverá ser, em média, de 3.000 a 4.000 mililitros por dia, a menos que problemas cardíacos ou renais contraindiquem tal aumento.  A permissão generosa de líquidos é necessária para repor a água perdida pela diarreia, sudorese e respiração aumentadas.

Alimentos muito fibrosos e altamente condimentados são geralmente eliminados da dieta, porque eles tendem a aumentar o peristaltismo que já se encontra aumentado pela própria doença. O uso de bebidas estimulantes, tais como café, chá e as bebidas à base de cola é também desaconselhado, porque elas tendem a aumentar o nervosismo, que é um dos sintomas da doença.

Suplementos vitamínicos podem ser necessários, em particular no que concerne ao complexo B, e às vitaminas A e C. Pelo menos 1 litro de leite, diariamente, é necessário para suprir o cálcio, o fósforo e a vitamina D exigidos pelos pacientes com Hipertireoidismo. O aumento da secreção dos hormônios tireoideos causa desmineralização óssea, com perda de grandes quantidades de cálcio e fósforo pela urina. A vitamina D é necessária para  aumentar a absorção de cálcio. Quando o paciente apresenta Exoftalmia, o sal e os líquidos devem ser limitados.

Assistência de enfermagem:

·         Deve-se manter uma atitude tranquila  ao abordar o paciente, visto que a ansiedade e o nervosismo deste, está além do seu controle.

·         Controlar a intolerância ao calor do paciente.

·         Promover uma hidratação adequada, já que o paciente tem tendência em reter líquidos, mesmo com diuréticos.

·         Estabelecer medidas para reduzir a irritabilidade.

·         Evitar espelho no quarto, principalmente por causa da exoftalmia (olhos esbugalhados).

·         Controlar o acesso de visitas ao paciente.

·         Proteger o paciente de situações estressantes, principalmente com familiares.

·         Estimular o apetite oferecendo líquidos e alimentos adequados para controlar a diarreia, resultante do aumento do peristaltismo, para tentar evitar uma maior perda ponderal e desequilíbrio nutricional; evitar alimentos muito condimentados e estimulantes tipo café, chá, coca-cola e álcool, pois estes contribuem para a diarreia reflexa.

·         Promover ambiente quieto e agradável durante as refeições.

·         Propiciar um ambiente tranquilo, estimular o paciente a ouvir música e televisão.

·         Oferecer medicação de iodeto de potássio (caso seja prescrita), em suco  de frutas ou leite e oferecer canudo (para evitar a tintura dos dentes).

·         Observar a evidência de intoxicação pelo iodo caso o paciente esteja fazendo uso dessa medicação: edema de mucosa bucal, sialorreia, coriza e erupções cutâneas.

·         Assegurar proteção dos olhos, fazendo instilação de uma medicação oftálmica indicada pelo médico.

 


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