HIPOTIREOIDISMO


Definição

O Hipotireoidismo é uma doença onde existe uma lenta progressão da hipofunção da glândula tireóide. A deficiência dos hormônios tireoideos (tiroxina, triiodotironina, tireocalcitonina), secretados pela glândula, podem causar sérias alterações no organismo. Quando o Hipotireoidismo se apresenta logo ao nascer, ou ocorre na primeira infância, e não é diagnosticado precocemente, a doença afeta o desenvolvimento do cérebro, ocasionando o cretinismo.

Fisiologia da glândula tireoide

A tireoide é uma glândula em forma de borboleta, localizada na parte central  do pescoço e que pesa em média, 15 gramas. Apesar de seu tamanho reduzido, ela é essencial para o bom funcionamento do organismo. A glândula tireoide é uma glândula endócrina que regula o metabolismo do iodo e compreende a síntese, o armazenamento e a secreção dos hormônios tireoideos. 

A glândula tireoide afeta a velocidade do metabolismo de todos os tecidos:

·         Velocidade das reações químicas.

·         Volume de oxigênio consumido.

·         Quantidade de calor produzido.

·         Atua no crescimento e maturação do esqueleto.

·         Aumenta a absorção dos glicídios.

·         Provoca a degradação do colesterol em ácidos biliares.

·         Estimula a síntese da vitamina A caroteno.

·         Responsável pela distribuição e reserva de água e sal do corpo.

 

Classificação

·         Primário:  é um distúrbio resultante da incapacidade da glândula tireoide de secretar uma quantidade suficiente de hormônio.

·         Secundário:  é causado pela incapacidade da hipófise de secretar uma quantidade adequada de TSH (hormônio estimulador da tireoide).

·         Terciário:   resulta da incapacidade do hipotálamo de produzir o hormônio liberador da tireoide (TRH).

 

Incidência

·         O Brasil está entre os países com as mais altas taxas de Hipotireoidismo no mundo.

·         A maior parte dos portadores de Hipotireoidismo no Brasil desconhece a sua condição.

·         Maior incidência entre as mulheres.

Causas

Primárias:

·         Congênita. 

·         Agenesia da tireoide.

·         Defeito na síntese dos hormônios tireoidianos.

·         Destruição da tireoide por irradiação.

·         Tireoidite por autoagressão.

·         Tireoidectomia.

·         Bócio endêmico.

·         Atrofia da tireoide.

·         Tumores primitivos e metásticos.

·         Hemorragias.

·         Cistos tireoidianos.

·         Mixedema idiopático.

Secundárias:

·         Disfunção da hipófise.

Terciárias:

·         Distúrbios hipotalâmicos.

Obs: O excesso no consumo de sal com iodo e o abuso no consumo de remédios para emagrecer que contêm em sua fórmula o hormônio tireoidiano T3 ou substâncias que imitam sua ação, como o tiratricol, também são considerados causas no aumento do Hipotireoidismo nas mulheres no Brasil.

Hipotireoidismo e as fórmulas para emagrecer

Um dos dados mais alarmantes sobre o Hipotireoidismo no Brasil foi a estreita relação entre a doença e o uso de fórmulas para emagrecer. Esses medicamentos combinam redutores de apetite, diuréticos, laxantes, tranqüilizantes e, sobretudo, substâncias semelhantes a hormônios de tireoide, como o tiratricol, ou os T3 e T4 propriamente ditos. A inclusão dessas substâncias nas fórmulas para emagrecer, é uma tentativa perigosa de acelerar o metabolismo e agilizar a perda de peso. Esses compostos só são indicados quando o organismo não consegue produzi-los naturalmente nas doses necessárias. Caso contrário, eles reduzem o ritmo da tireoide, o que pode deflagrar o Hipotireoidismo. O consumo de tais fórmulas pelos brasileiros é um dos mais altos do mundo, 30 milhões de cápsulas  por ano, segundo cálculos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Sinais e sintomas

período inicial:

·         irritabilidade;

·         cansaço extremo;

·         sonolência;

·         ganho de peso;

·         ressecamento da pele;

·         prisão de ventre;

·         distúrbios menstruais;

·         distúrbios da libido;

·         amenorreia;

·         alopecia (queda de cabelos acentuada);

·         unhas quebradiças;

·         sensação de parestesias;

·         formigamento dos dedos.

 

sinais tardios:

·         temperatura e frequência do pulso se tornam subnormais (abaixo do normal);

·         ganho gradativo de peso, mesmo com pouca ingestão de alimentos;

·         raciocínio lento;

·         depressão.

 

período agudo:

·         caquexia;

·         pele espessada e seca;

·         expressão facial torna-se impassível e semelhante a uma máscara;

·         mixedema;

·         sonolência excessiva;

·         aparecimento de sinais neurológicos (polineuropatia, ataxia cerebelar).

·         ascite;

·         astenia;

·         diminuição do débito cardíaco;

·         pressão sanguínea baixa;

·         fala lenta;

·         mãos e pés aumentam de tamanho por causa do edema;

·         perda gradativa da audição, casos raros.

 

Hipotireoidismo avançado:

 

É uma complicação grave que pode levar o indivíduo ao coma mixedematoso; aumenta a suscetibilidade a todas as drogas hipnóticas e sedativas. O índice de sobrevida é de 50%. As manifestações clínicas geralmente são as seguintes:

·         hipotensão;

·         ausência de resposta;

·         bradicardia;

·         hipoventilação;

·         hiponatremeia;

·         possíveis convulsões;

·         hipotermia (hipoxia cerebral).

 

Diagnóstico

·         Anamnese.

·         Quadro clínico.

·         Exame físico.

·         Exame clínico.

·         Exames laboratoriais.

·         Avaliação dos níveis séricos de T3 e T4  (valores baixos suspeita-se de hipotireoidismo).  

·         ECG - Eletrocardiograma.

·         Ultrassonografia da tireoide.

·         Mapeamento da tireoide.

·         Teste de captação de iodo radiativo (consiste em determinar a quantidade de iodo retida pela tireoide após a administração de uma dose de iodo radiativo ao paciente).

·         Teste de PBI (valores baixos suspeita-se de hipotireoidismo).

 

Tratamento

Médico especialista: Endocrinologista.

Objetivo:  Restaurar o metabolismo normal e evitar complicações.

 

Existe tratamento medicamentoso específico para o Hipotireoidismo.

 

Tratamento medicamentoso: Administração de hormônio tireoideo por via oral.

 

Tratamento dietoterapicoConsiste em uma dieta  com  baixo teor calórico e alto teor em proteína, com um conteúdo adequado de fibra e de alimentos com ação laxativa. A ingesta de líquidos está comumente aumentada, para auxiliar no tratamento da constipação, mas deve haver um controle, pois o excesso poderá levar à retenção de líquidos. O aporte de colesterol deve ser limitado, porque o índice da degradação do colesterol é lento e pacientes com Hipotireoidismo tendem a apresentar níveis elevados de colesterol no soro sanguíneo. Caso o paciente esteja acima do peso, a dieta deve ser hipocalórica. O paciente com Hipotireoidismo deve se possível ter um acompanhamento regular com um nutricionista. 

 

Assistência de enfermagem:

·         Monitorar os sinais vitais do paciente.

·         Administrar medicamentos prescritos.

·         Estabelecer medidas para prevenir o resfriamento devido a hipotermia. 

·         Oxigenoterapia, se necessário, devido a hipoventilação.

·         Monitorização eletrocardiográfica (ECG).

·         Ficar atento aos sinais de hipoglicemia, caso ocorra, administrar glicose em quantidades concentradas para evitar sobrecarga hídrica.

·         Evitar calafrios, para não aumentar o índice metabólico, o qual por sua vez, força o coração, aquecendo o ambiente e o paciente com pijamas, meias e cobertores.

·         Assegurar uma hidratação adequada, devendo evitar o excesso de hidratação, já que o paciente pode apresentar intoxicação hídrica.

·         Ficar atento aos sinais de depressão e alterações mentais.

Mixedema:

·         Fazer a avaliação e tomar medidas seletivas para tratar o mixedema, devido a possibilidade de várias complicações, entre elas: sonolência  profunda  e depressão respiratória devido a sensibilidade de drogas hipnóticas e sedativas.

·         Não administrar  drogas hipnóticas e sedativos a menos que haja indicação médica específica, e para tanto deve-se estar alerta a sinais de narcóticos ou insuficiência respiratória em desenvolvimento.

·         Avaliar grau de consciência do paciente.

·         Deve-se ficar atento a complicações cardíacas, resultantes do tratamento do mixedema.

·         Ficar atento aos níveis de colesterol, através de exames laboratoriais.

·         Ficar alerta aos sinais de angina do peito e arritmias, comunicando ao médico, para implementar tratamento imediato.

·         Orientar a família sobre o tratamento devido a uma menor capacidade mental do paciente.

 

Coma mixedematoso:

·         Paciente deve ser encaminhado à UTI,  imediatamente.

·         Monitorização dos gases sanguíneos.

·         Assegurar a manutenção dos sinais vitais, através de terapêutica de suporte.

·         Providenciar ventilação assistida, se necessária, para combater a hipoventilação.

·         Evitar a aplicação externa de calor, pois pode aumentar as necessidades de O2  podendo levar a um colapso vascular.

·         Administrar o hormônio prescrito; ficar atento porque com a rápida administração do hormônio tireoideo, os níveis plasmáticos da tiroxina podem causar insuficiência suprarrenal, por isso, deve-se iniciar a terapêutica esteroide.

·         Implementar medidas adequadas a pacientes inconsciente.

·         Ficar atento para os efeitos colaterais de medicação prescrita.

Prognóstico: É bastante favorável,  já que o tratamento com hormônios da tireoide são eficazes.

Complicações

·         Arteriosclerose precoce.

·         Coma mixedematoso.

·         Coronopatias.

 


Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o Glossário geral.

Maiores informações sobre Hipotireoidismo congênito, consulte o Menu de Doenças do Recém-nascido.