MONONUCLEOSE INFECCIOSA


Definição

Doença infecciosa contagiosa, aguda do sistema linfático causada por um vírus, com a apresentação benigna na maioria dos casos. Apresentação  de forma endêmica, com um difícil diagnóstico por ter vários sintomas (polimorfismo), podendo  ser confundida com outras doenças, resultando no agravamento do estado do doente, até que se chegue ao diagnóstico correto. Uma das características da doença é o aumento numérico de células mononucleadas no sangue periférico, o qual se deu origem ao nome da doença.  

Por causa da dificuldade de se chegar a um diagnóstico e a variedade de manifestações clínicas envolvendo vários órgãos,   a doença é  geralmente chamada de "Síndrome de Mononucleose".   É uma doença que se segue à infecção dos linfócitos B e das células do epitélio da orofaringe, o vírus persiste por toda a vida do indivíduo em estado latente, podendo ser reativado quando a imunidade da pessoa diminuir ou por outros fatores desconhecidos. 

Sinonímia

É uma doença também conhecida pelos seguintes nomes:

Histórico

O termo mononuleose infecciosa (MI) foi introduzido em 1920 para descrever uma síndrome caracterizada por febre, linfadenopatia, fadiga e lingocitose mononuclear observada em seis pacientes. No começo de 1930 os trabalhos de Paul e Brunnell e outros levaram à descoberta do teste para anticorpos heterófilos, ainda hoje  usado no diagnóstico da MI. Em 1968, Henle e colaboradores demonstraram evidência soroepidemiológica de que o vírus de Epstein-Baar (VEB) era o agente etiológico nos casos de MI associados com a presença de anticorpos heterófilos.  Em 1984, o DNA da cepa B95-8 do VEB foi totalmente sequenciado, o que facilitou grandemente o estudo no nível molecular de doenças causadas pelo VEB.

Incidência

Agente etiológico

A Mononucelose infecciosa é causada pelo Vírus de Epstein-Barr (VEB);  família Herpesviridae; grupo Herpes. Partículas virais medem de 180 a 200nm de diâmetro e apresentam nucleocapsídeo hexagonal, envolvido por envelope de estrutura complexa. O VEB é encontrado na orofaringe de cerca de 15%  de adultos soropositivos  e a excreção na saliva  é mais freqüente em pacientes com mononucleose infecciosa e em pacientes imunocomprometidos (transplantados, AIDS). O VEB pode ser cultivado  da orofaringe de pacientes com mononucleose infecciosa até 18 meses após a infecção.

Fisiopatologia

Quando o vírus penetra na nasofaringe invade rapidamente as células se multiplica e sofre um processo de replicação, fazendo cópias do genoma viral  nas células da nasofaringe, infectando os linfócitos B, que leva as células modificadas pelo vírus para outras partes do organismo humano. a resposta do corpo a invasão celular do VEB, é de natureza humoral e celular através de anticorpos  neutralizantes dirigidos contra os antígenos.

Período de incubação

Em média de 25 a 45 dias.

Período de duração

Em média de 1 a 3 semanas, mas ocasionalmente pode se estender por um período bem mais longo.

Período de transmissibilidade

O vírus pode ser encontrado até 18 meses após a infecção.

Transmissão

Sinais e sintomas

período prodrômico (duração entre 7 a 14 dias):

período agudo (duração de 5 a 20 dias):

Diagnóstico

Diagnóstico diferencial 

O diagnóstico diferencial deve ser feito para que a Mononucleose infecciosa não seja confundida com outras patologias com quadro clínico semelhante. Através dos exames clínico, físico, laboratoriais e estudos radiológicos o médico pode excluir essas doenças, até chegar ao diagnóstico correto. As doenças  que podem ser confundidas com a Mononucleose Infecciosa são as seguintes: 

Tratamento

Assistência de enfermagem:

Obs: Quando o paciente apresenta esplenomegalia, duas a três vezes maior que o tamanho normal com consistência mole, dolorosa, sensível à palpação, apresentando dor no quadrante superior esquerdo podendo irradiar para a região escapular, é indicado a esplenectomia imediata (cirurgia para a retirada do baço), porque todos esses sinais podem  indicar ruptura esplênica (ruptura do baço). 

Complicações

Essas complicações na sua maioria são resultado de diagnóstico errado e tratamento inadequado, pois a mononucleose infecciosa é considerada uma doença de difícil diagnóstico (verifique a extensa quantidade de doenças com sintomas semelhantes no tópico de diagnóstico diferencial), o paciente passa por muitos exames, procedimentos, e tratamentos até se chegar ao diagnóstico correto.

A Mononucleose infecciosa é uma doença benigna, mas podem ocorrer algumas complicações que podem acarretar risco de vida para o paciente:  ruptura espontânea ou traumática do baço com hemorragia intensa, paralisia respiratória, toxemia e a  miocardite aguda. 

Potencial oncogênico (câncer)

O vírus da Mononucleose Infecciosa (Vírus Epstein-Barr) está também associado as seguintes neoplasias: Linfoma de Burkitt na África, Carcinoma de nasofaringe, Linfoma de Hodgkin e linfomas B que ocorrem em pacientes transplantados e com imunodeficiências, incluindo AIDS. A evidência é baseada no achado de altos títulos de anticorpos anti-VEB e na detecção do genoma ou do cultivo do vírus de material de biópsia. 

Atualmente, foi provado que o vírus Epstein-Barr  pode infectar células de musculatura lisa  de pacientes com AIDS, e parece contribuir na patogênese de leiomiomas e leiomiossarcomas que ocorrem em pacientes com AIDS e em pacientes submetidos a transplante de fígado.

Profilaxia


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