TUBERCULOSE CUTÂNEA


Definição

A Tuberculose Cutânea (TbC) ocorre quando o bacilo de Koch atinge a pele por via exógena ou endógena, neste caso, a partir de focos de infecção no próprio organismo. A Tuberculose cutânea  pode apresentar lesões caracterizadas por pápulas ou nódulos, que se ulceram, podendo apresentar infecção secundária.

A primoinfecção tuberculosa ocorre geralmente no pulmão, mas quando ocorre na pele, pode-se encontrar no ponto de inoculação do bacilo, um cancro primário. Essa lesão regride espontaneamente, na maioria dos casos, deixando uma cicatriz na pele.

Incidência

Causas

As lesões cutâneas podem decorrer de colonização da pele pelo Bacilo de Koch (tuberculose primária),  que pode ser consequência de processo de hipersensibilidade ao foco tuberculoso ativo, localizado em outro ponto do organismo (tubercúlides).

Agente etiológico

O Mycobacterium tuberculosis  é uma forma de transição entre as eubactérias e os actinomicetos. A espécie Mycobacterium tuberculosis (M.Tb) pertence à classe Schizomycetes; ordem Actinomycetales; família Mycobacteriaceae; gênero Mycobacterium.

É um bacilo não-formador de esporos, sem flagelos, não-produtor de toxina, espécie aeróbica estrita e intracelular facultativa (é capaz de sobreviver e de se multiplicar no interior de células fagocitárias).

Reservatório

O homem é o principal reservatório. O gado bovino infectado também funciona como reservatório.

Fatores de risco

Os fatores de risco que podem ajudar a diminuir a capacidade de desenvolver resistência ao M.Tuberculosis, são os seguintes:

Tuberculose cutânea e o HIV

Mycobacterium tuberculosis é um patógeno comum em pacientes HIV positivos. Em todo o mundo, é estimado que um terço a metade dos portadores de retrovirose estejam também infectados com o M. tuberculosis. Muitos estudos mostram uma maior prevalência de tuberculose extrapulmonar em pacientes HIV positivos, particularmente em conjunto com manifestações pulmonares.

É interessante destacar, que a pele tem se mantido um local relativamente incomum de disseminação da Tuberculose. A linfadenite, abscessos, pápulas disseminadas, placas nécroticas, líquen escrofuloso, cancro tuberculoso e apresentação tipo tuberculide, têm sido descritos em paciente soropositivos.

Período de incubação

A maior parte das pessoas infectadas pelo bacilo da Tuberculose cutânea tem a infecção primária,  e desenvolve uma resposta de hipersensibilidade do tipo tardia, entre 2 a 10 semanas depois da exposição ao bacilo. Somente de 5 a 10% dos pacientes, desenvolvem doença progressiva primária, ou evoluem com infecção manifesta clinicamente anos depois.

Locais mais acometidos

Evolução das lesões

O tempo de evolução da doença pode variar bastante de paciente para paciente. A média  é de 3 anos, mas pode variar de 20 dias a 25 anos.

Formas clínicas

Transmissão

Geralmente, as infecções da Tuberculose cutânea são conseqüentes à disseminação hematogênica (via sanguínea). A doença pode ser transmitida através de dois mecanismos:

O bacilo bovino, muito semelhante ao humano, também causa lesões tuberculosas no homem. As vacas que apresentam tuberculose no úbere, representam importantes focos de contágio pela contaminação do leite que, quando ingerido, permite o ingresso do bacilo no organismo. A prevenção do contágio através de leite infectado pode ser realizada com facilidade, por meio da fervura do leite não pasteurizado. O leite deve ser fervido por um período de 2 a 3 minutos. Não se deve desligar logo o fogo, quando o leite sobe.

Período de transmissibilidade

Enquanto o portador estiver eliminando bacilos e não tenha iniciado o tratamento. Após a introdução do esquema terapêutico, de duas a três semanas, o portador não será mais transmissor.

Sinais e sintomas

Os  sintomas e sinais apresentados por um paciente resultam fundamentalmente de duas condições: de um lado, a ação do agressor em si e, de outro lado, a reação orgânica diante da agressão.  Na Tuberculose da pele, os dois fatores concorrem para a manifestação  de grande variedade de tipos de lesões cutâneas, como pápulas, nódulos, ulcerações, verrucosidades (formações semelhantes a verrugas comuns) e infiltrações. Cada uma dessas lesões apresenta um aspecto característico.

Diagnóstico

O diagnóstico dos vários tipos de Tuberculose Cutânea, em alguns casos, são de grande valor clínico e terapêutico. A diferenciação entre o cancro tuberculoso primário, a tuberculose orificial e a goma tuberculosa ulcerada são importantes, pois nos últimos dois quadros, todo esforço deve ser feito para o encontro de um foco de envolvimento sistêmico. Escrofuloderma associado à tuberculose ganglionar, óssea ou articular exige intervenções cirúrgicas. Em contraste, a diferenciação entre o lúpus vulgar e verrucoso, geralmente não é possível, e não traz grandes implicações, pois há pouca diferença no prognóstico e tratamento.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial deve ser feito para que a Tuberculose cutânea não seja confundida com outras patologias com quadro clínico semelhante. Através dos exames clínico, físico, laboratoriais e estudos radiológicos o médico pode excluir essas doenças, até chegar ao diagnóstico correto. As doenças  com lesões cutâneas que podem ser confundidas com a Tuberculose cutânea  são as seguintes: 

Tratamento

Existe tratamento específico para essa patologia.  O Ministério da Saúde tem esquemas terapêuticos anti-TB. O paciente deve se dirigir aos postos de saúde e hospitais conveniados.

O tratamento pode ser feito em regime ambulatorial. Casos graves, pode ser necessária a internação hospitalar.

O tratamento tópico das feridas e lesões profundas devem ser feitos com o máximo de cuidado, para não ocorrer uma transmissão exógena. Esse tipo de transmissão é rara, mas pode ocorrer.

Tratamento cirúrgico, em alguns casos particulares, pode ser necessário.

O controle do tratamento consiste na aplicação de meios, que permitam o acompanhamento da evolução do tratamento e a utilização correta dos medicamentos, durante o período que  foi prescrito pelo médico.

Vacinação BCG

As complicações pós-vacinação com BCG são extremamente raras, podendo ocorrer, com maior freqüência em pacientes portadores de AIDS ou quando se faz aplicação subcutânea, intramuscular ou em dose mais elevada que 0,1 ml. A forma mais observada de reação ao BCG é a linfadenite.

Prevenção

Medidas sanitárias:

Medidas gerais:


Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o Glossário geral.

Maiores informações sobre Tuberculose Pulmonar e Renal, consultar o Menu de Doenças Infecciosas.

Maiores informações sobre Neurotuberculose, consultar o Menu de Doenças Neurológicas.