TRANSFUSÃO DE SANGUE


Definição

Transfusão de sangue é a introdução de sangue na circulação.  Uma unidade de sangue (retirada de um doador) consiste de aproximadamente 450 ml de sangue total e de 6-70 ml de solução ácido-citrato-dextrose (ACD), que é uma das soluções anticoagulantes para a preservação, ou de heparina. O sangue total é usado para a perda sanguínea aguda.

Finalidades

Componentes do sangue

O sangue humano é constituído por um líquido amarelado, o plasma, e por três tipos de elementos celulares, genericamente chamados de elementos figurados  do sangue: hemácias (células vermelhas), leucócitos (células brancas) e plaquetas (fragmentos celulares também conhecidos como trombócitos). Cerca de 55% do volume do sangue é devido ao plasma, sendo o restante  devido às células. No corpo de uma pessoas de aproximadamente 70 kg há cerca de 5,6 litros de sangue.

Plasma sanguíneo: No plasma sanguíneo, a água é responsável por 92% de seu peso, sendo o restante devido à presença de proteínas (albumina, globulinas etc.), sais e substâncias diversas, tais como nutrientes, gases, excreções e hormônios.  Um grupo importante de proteínas do plasma são as gamaglobulinas, que constituem os anticorpos, substâncias que protegem o organismo  dos agentes infecciosos. Outra proteína importante do plasma sanguíneo é o fibrinogênio. Se ocorre um ferimento, o fibrinogênio se transforma em uma proteína  fibrosa, a fibrina, cujas moléculas se entrelaçam  e formam um tampão na área  ferida. As hemácias, retidas na malha de fibrina, formam o coágulo, que impede a perda de sangue.  O líquido que sobra depois de o sangue coagular é chamado soro sanguíneo.

Hemácias:  São também conhecidas por glóbulos vermelhos ou eritrócitos, são células especializadas no transporte de gás oxigênio. Há cerca de 5 milhões de hemácias por milímetro cúbico de sangue  em um homem, e 4,5 milhões por milímetro cúbico de sangue em uma mulher. Cada pessoa possui, em média, cerca de 30 trilhões de hemácias em sua circulação. As hemácias são produzidas no interior dos ossos, a partir de células da medula óssea vermelha, denominadas eritroblastos. À medida que amadurecem, os eritroblastos produzem hemoglobina, proteína de cor vermelha que contém ferro. Uma vez repleto de hemoglobina, o eritroblasto elimina o núcleo e assume sua forma discóide típica, transformando-se no eritrócito (hemácia). Através dos vasos que irrigam a medula óssea, os eritrócitos maduros entram na circulação sanguínea. Uma hemácia permanece cerca de 120 dias em circulação. Ao fim desse período, perde sua capacidade funcional e é fagocitada e digerida por células do fígado ou do baço. Calcula-se que, em apenas um segundo, cerca de 2,4 milhões de hemácias sejam destruídas em nosso corpo. A mesma quantidade é liberada, pela medula dos ossos, para  substituir as hemácias removidas da circulação.

Leucócitos: Os leucócitos ou glóbulos brancos são células especializadas na defesa do organismo; combatem vírus, bactérias e outros agentes invasores que penetrem em nosso corpo. Em condições normais, há entre 5 e 10 mil leucócitos por milímetro cúbico de sangue. Os leucócitos são produzidos na medula dos ossos e podem ser de cinco tipos básicos: neutrófilos, basófilos, acidófilos, linfócitos e monócitos. Os neutrófilos  têm a função de fagocitose; os basófilos têm como função a regulação da coagulação; os acidófilos são responsáveis pela reações alérgicas; os linfócitos têm como função a produção de anticorpos e destruição de células estranhas: os monócitos originam os macrófagos.

Plaquetas:  As plaquetas  ou trombócitos são fragmentos esféricos ou achatados de células chamadas megacariócitos, formadas originalmente na medula óssea. Há em média, 300 mil plaquetas por milímetro cúbico de sangue humano. As plaquetas participam ativamente do processo de coagulação  do sangue. Quando há um ferimento, plaquetas presentes a região lesada liberam fatores de coagulação, que levam à formação de um coágulo. Diversos fatores de coagulação já foram identificados, mas o mecanismo completo da coagulação do sangue ainda não foi totalmente esclarecido.

 Um dos fatores de coagulação liberados pelas plaquetas é a enzima tromboplastina-quinase, que atua na transformação da protrombina (proteína presente no sangue) em trombina. A trombina, por sua vez, atua enzimaticamente na transformação do fibrinogênio (outra proteína sanguínea) em fibrina.  As moléculas de fibrina se entrelaçam e formam uma rede que retém hemácias, o coágulo, que veda o ferimento. Algumas das enzimas envolvidas no processo de coagulação precisam estar associadas a íons de cálcio para funcionar. Tal associação depende por outro lado, da presença de vitamina K. Assim, tanto o cálcio quanto a  vitamina K têm de estar presentes na dieta humana, pois são indispensáveis à coagulação sanguínea.  

Componentes do sangue  a serem transfudidos

Papa de Hemácias: são eritrócitos separados de uma unidade de sangue total por centrifugação ou sedimentação; retiram-se cerca de 80% de plasma, o que produz um hematócrito de 60-70%. O plasma é usado para o preparo das várias frações plasmáticas tipo albumina, crioprecipitado ou gamaglobulina. A papa de hemácias é indicada para:

Transfusões de Plaquetas:  feitas em pacientes com graus perigosos de trombocitopenia (diminuição de plaquetas no sangue circulante) para controlar ou prevenir sangramento. O uso de plaquetas equivalentes é mais vantajoso e reduz risco de formação de anticorpos. As transfusões de plaquetas são feitas no tratamento da leucemia, anemia aplástica e trombocitopenia induzida pela quimioterapia ou por medicamentos. Plaquetas viáveis podem ser fornecidas na forma de:

Plasma Total:  é a parte líquida do sangue  na qual os corpúsculos ficam suspensos.

Infusões de Granulócitos: feitas em pacientes com depressão intensa e temporária da medula óssea. É um processo caro.

Doadores e Receptores

Nas transfusões de sangue, é necessário que haja compatibilidade entre o antígeno (ou aglutinogênio) das hemácias  do doador e o anticorpo (ou aglutinina) do plasma do receptor.  

Se um indivíduo do grupo sanguíneo A, que possui antígeno A, doar sangue a um indivíduo do grupo B, ocorrerá aglutinação, pois neste indivíduo receptor já existe o anticorpo anti-A pronto no plasma. Esse anticorpo reage com o antígeno A das hemácias do doador, aglutinando-as. Essa aglutinação promove a formação de grumos no sangue, que obstruem os vasos sanguíneos,  podendo levar o indivíduo à morte. Assim, um indivíduo do grupo A não pode doar sangue a um indivíduo do grupo B.

Os  indivíduos do grupo sanguíneo O, podem doar sangue para indivíduos de todos os outros grupos, pois suas hemácias não contêm os aglutinogênios A e B. Por isso são denominados doadores universais. 

Os indivíduos do grupo sanguíneo AB podem receber sangue de indivíduos de todos os outros grupos, pois seu plasma não contém as aglutininas anti-A e anti-B. Em razão disso, são denominados receptores universais.  Embora isso seja possível, sempre há necessidade de cautela, pois o ideal é que as transfusões sejam feitas entre indivíduos  do mesmo grupo sanguíneo. 

Cuidados a serem tomados antes da transfusão

Cuidado!  A atenção meticulosa aos detalhes é essencial para evitar a administração de sangue errado para o paciente, caso ocorra, pode causar uma reação fatal. Mesmo que seja um profissional de uma empresa que forneça e instale o sangue no paciente, o pessoal de enfermagem tem por obrigação checar o sangue.

O acréscimo de medicamento ao sangue pode causar uma incompatibilidade farmacológica entre o sangue ou a solução anticoagulante existente no mesmo. A dextrose não contém eletrólitos, e pode causar hemólise e coagulação no equipo. Uma alteração na condição  do paciente pode indicar o aparecimento de uma complicação da transfusão.

Complicações

Doenças transmitidas  pela transfusão sanguínea

São doenças que podem ser transmitidas do doador para o receptor, através de sangue infectado.

Sangue artificial

A baixa adesão de doadores voluntários tem levado pesquisadores do mundo inteiro a buscar substitutos para o sangue. Atualmente, então em fase de testes três tipos de sangue artificial:

Apesar de o futuro ser promissor, nenhum dos tipos de sangue artificial parece servir para transfusões constantes, pois eles não têm todos os componentes do sangue natural. As complicações que o sangue artificial ainda não conseguiu eliminar são as disfunções gastrintestinais, hipertensão arterial, problemas graves em toda a circulação sanguínea e alteração grave na função dos rins. Essas complicações se não forem eliminadas podem causar rapidamente a morte do paciente que receber o sangue artificial.


Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o Glossário geral.

Maiores informações sobre Doação de sangue, consulte o Menu de Assuntos diversos.