LESÃO POR ESFORÇOS REPETITIVOS (LER)


 

A Doença Profissional

A Doença Profissional é uma doença que o trabalhador adquire devido a exposição a fatores que podem ser químicos, físicos e biológicos, que agridem o organismo do trabalhador continuamente ou freqüentemente,  por um longo tempo, no seu ambiente de trabalho. Quando as condições de trabalho, ultrapassam os limites toleráveis do organismo, a probabilidade de provocar uma doença ocupacional no trabalhador é significativa.

 

Introdução

A LER (Lesão por Esforços Repetitivos) é um conjunto de doenças que atingem as estruturas osteomusculares (músculos, ossos, tendões, sinovias, articulações e nervos),  além de alteração do sistema modulador  da dor. Esse quadro clínico é decorrente ou consequência das exigências  ou condições do ambiente de trabalho.

 

As doenças relacionadas a LER, são causadas por inflamações frequentes, provocadas por atividades de trabalho que exigem movimentos manuais repetitivos, sobrecarga muscular e posturas inadequadas durante longo tempo. Em sua forma clínica típica, as LER se apresentam como um processo inflamatório doloroso, que recebem diferentes denominações: tendinite (inflamações de tendões), sinovite (inflamações de tecidos sinoviais) tenossinovite (inflamações de tendões e tecidos sinoviais), Síndrome do Túnel do Carpo (punho), epicondilite (cotovelo), bursite (ombros), cistos sinoviais ("calos" no dorso do punho), dedo em gatilho (dedos), cervicobraquialgias (pescoço). Embora atinjam, principalmente os membros superiores do corpo, as lesões por esforços repetitivos  podem afetar o ser humano como um todo.

 

A LER pode ser identificada através de sintomas tais como: dor, sensação de formigamento e fisgadas, fadiga muscular e perda de força.

 

Sinonímia

A doença também é conhecida pelos seguintes nomes:

·         Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (DORT).

·         Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT).

·         Lesão por Trauma Cumulativo (LTC).

·         Síndrome da Dor Regional.

 

Incidência

De acordo com dados do INSS, as LER/DORT são a segunda causa de afastamento do trabalho no país.

 

Causas

As causas na grande maioria dos casos, tem origem ocupacional, e decorrem (de forma combinada ou não) do uso repetido ou forçado de grupos musculares e da manutenção de postura inadequada. As possíveis causas das lesões por esforços repetitivos são as seguintes:

·         Repetição de um mesmo padrão  de movimento por horas.

·         Postura fixa por tempo prolongado.

·         Atividades no trabalho que exijam força excessiva com as mãos.

·         Posto de trabalho inadequado.

·         Equipamento inadequado.

·         Falta de possibilidade de realizar tarefas diferentes.

·         Posturas inadequadas e desfavoráveis às articulações.

·         Ritmo intenso de trabalho.

·         Pressão para alcançar a produtividade estabelecida.

·         Mobiliário mal projetado e ergonomicamente errado.

·         Atividades esportivas  que exijam grande esforço dos membros superiores.

·         Compressão mecânica das estruturas dos membros superiores.

 

Grupo de risco

Os grupos de trabalhadores que mais têm tendência a adquirir a LER, são aqueles que ficam muito tempo sentados, executando os mesmos movimentos durante horas.

·         Bancários.

·         Caixas de supermercados.

·         Costureiras.

·         Digitadores.

·         Jornalistas.

·         Funcionários que use  durante muitas horas o computador.

·         Funcionários que utilizam o microscópio durante tempo prolongado.

·         Funcionários de telemarketing.

·         Manicure e Pedicure.

·         Telefonistas.

·         Trabalhadores de linha de montagem.

 

Doenças relacionadas à LER

São diversas as doenças e distúrbios  decorrentes de lesões por esforços repetitivos. As mais comuns são as seguintes:

·         Bursite.

·         Dedo em gatilho.

·         Epicondilite.

·         Mialgias (dores nas articulações).

·         Síndrome do desfiladeiro torácico.

·         Síndrome do túnel do carpo.

·         Tendinite.

·         Tenossinovite.

 

Diferenças entre LER e DORT

A LER é a designação de qualquer doença causada por esforços repetitivos enquanto  DORT é o nome dado às doenças causadas pelo trabalho.

 

Fatores de risco

Alguns  fatores de risco contribuem para a instalação  das lesões:

·         Exercer atividades em que se tem  que ficar durante muito tempo sentado,  usando exclusivamente as mãos e dedos. Ex: digitação.

·         Exercer  atividades em que os movimentos são repetitivos.

·         Ficar sentado numa posição curvada durante muitas horas. Ex: manicures, pedicures e costureiras.

·         Praticar atividades esportivas que exigem grande esforço físico, ou aquelas em que só determinados músculos são  excessivamente utilizados. Ex: Tênis,  golfe, levantamento de peso, boliche, arremesso de dardo, etc.

 

Fatores desencadeantes

Entre os principais fatores desencadeantes da LER, destacam-se:

·         Baixas temperaturas.

·         Excesso de responsabilidade.

·         Falta de pausas.

·         Jornadas prolongadas.

·         Posturas incorretas.

·         Pressão por produtividade.

·         Ritmo excessivo.

·         Sobrecarga muscular.

·         Stress.

·         Trabalho repetitivo.

 

LER e a Digitação

No Brasil, bem como em vários outros países, a Lesão do Esforço Repetitivo (LER) é considerada uma doença ocupacional e, portanto equivalente a um "acidente do trabalho”, e como tal, sua ocorrência deve ser reportada aos órgãos competentes.  A Digitação intensiva é uma das causas mais comuns da incidência da LER e, é a que mais tem contribuído para o aumento do numero de casos de doenças ocupacionais. A Norma Regulamentadora de número 17 (NR 17) estabelece várias recomendações ergonômicas relativas ao ambiente do trabalho, dentre elas a de que o trabalho efetivo de entrada de dados (digitação) não pode ultrapassar a 5 horas dia, e que a cada 50 minutos de digitação, deve haver uma pausa de 10 minutos (Micro break).

 

Sinais e sintomas

A LER instala-se lentamente no organismo humano, e muitas vezes,  passa despercebida durante anos. Quando é percebida e seus sintomas começam a incomodar, já existe um severo comprometimento da área afetada. Os trabalhadores com LER, se queixam dos seguintes sintomas:

 

Fase inicial:

·         Dor localizada.

·         Formigamentos que dão a sensação de queimadura.

·         Fisgadas.

·         Sensação de peso.

·         Cansaço muscular.

·         Cãibras.

 

Obs: Na fase inicial os sintomas melhoram com repouso. 

 

Fase aguda: Caso não seja instalado o tratamento, a LER pode evoluir para:

·         Dor progressiva na região afetada.

·         Edema (inchaço) no local atingido.

·         Rubor (pele avermelhada) na região afetada.

·         Calor localizado.

·         Crepitações (rangido nas articulações comprometidas).

·         Dormência.

·         Perda da força muscular.

 

Obs: Os sintomas não melhoram, mesmo com o repouso.

 

Diagnóstico

·         Anamnese detalhada.

·         Exame físico.

·         Exame clínico.

·         RX da região afetada.

·         Exames laboratoriais.

·         Tomografia Computadorizada (TC).

·         Ressonância Nuclear Magnética (RNM).

·         Ultrassonografia.

·         Eletroneuromiografia.

 

Diagnóstico Diferencial

O diagnóstico diferencial deve excluir as tendinites e tenossinovites secundárias a outras patologias, como Reumatismo, Esclerose sistêmica, Gota, Infecções gonocócicas ou traumáticas, Gravidez, Osteoartrite, Diabetes Mellitus, Mixedema, etc.

 

Tratamento

As chances de recuperação são muito maiores, se a LER for  diagnosticada precocemente, e tratada no estágio inicial. O tratamento deve ser  realizado por uma equipe multidisciplinar, composta pelos seguintes profissionais, dependendo do tipo e da localização da LER:

·         Ortopedista.

·         Reumatologista.

·         Fisiatra.

·         Neurologista.

·         Fisioterapeuta.

·         Assistente social.

 

O tratamento  depende do tipo de lesão, nível de dor e da área afetada. Durante o tratamento e reabilitação o trabalhador ou paciente, deve ser afastado temporariamente das suas funções.

 

Seqüelas

·         Dores contínuas.

·         Perda dos movimentos.

·         Dificuldade para dormir, devido as dores.

·         Depressão.

 

Prevenção

Quanto às empresas:

·         Incentivar o trabalhador a prestar atenção em sintomas e limitações, mesmo que pequenas, e orientá-lo a procurar logo auxílio.

·         Ter uma atitude de amparo ao trabalhador com LER / DORT tanto em relação ao tratamento quanto à reabilitação.

·         Ter uma política de prevenção, para que se evite mais casos de LER entre os trabalhadores.

·         Mudança do mobiliário ou equipamento, quando este, seja identificado com um dos causadores da LER.

·         Realizar exercícios de alongamento no ambiente de trabalho, orientados por fisioterapeutas ou profissionais de educação física.

·         Realizar exames médicos periódicos, nos seus empregados.

·         Evitar prolongamento das jornadas de trabalho.

 

Quanto ao empregado:

·         Se houver suspeita de LER, procurar o médico da empresa, caso essa não tenha, procurar um ortopedista ou reumatologista especializado  em medicina do trabalho.

·         Informar à empresa ou ao seu local de trabalho que é portador de LER, e que deve ser temporariamente afastado, para tratamento e posterior reabilitação.

 


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