RETINOPATIA DIABÉTICA


Definição

A Retinopatia Diabética é uma complicação do Diabetes, caracterizada pelo nível alto de açúcar no sangue, que provoca lesões definitivas nas paredes dos vasos que nutrem a retina. Em conseqüência, ocorre vazamento de líquido e sangue no interior do olho, desfocando a visão. Com o tempo, a doença se agrava e os vasos podem se romper, caracterizando a hemorragia vítrea podendo levar ao deslocamento da retina. O Diabetes pode ainda causar o surgimento de vasos sanguíneos anormais na íris, ocasionando o Glaucoma. A Retinopatia Diabética apresenta comportamento mais agressivo, com risco de perda da visão, nos pacientes insulino-dependentes. O controle rigoroso do Diabetes Mellitus, caracterizado pela deficiência da insulina, retarda o aparecimento e reduz a progressão da doença.  Uma vez instaladas, as alterações retinianas não se modificam significativamente com a normalização da glicemia, necessitando de tratamento oftalmológico específico.

Incidência

·         A Retinopatia Diabética atinge cerca de 80% dos diabéticos com mais de 25 anos da doença.

·         A  Retinopatia Diabética  é a maior causa de cegueira no Brasil, depois da catarata, em pessoas com  mais de 60 anos.

·         Dos 14 milhões de diabéticos brasileiros, cerca de 7 milhões são portadores de retinopatia diabética; destes 7 milhões, 560.000 têm comprometimentos severos da visão,  e outros  140.000 estão completamente cegos.

Tipos

Retinopatia Diabética Não Proliferativa (Edematosa): É o tipo menos agressivo da doença, considerada como estágio inicial e sinal de alerta para o paciente diabético. Essa fase tem um curso mais benigno e pode provocar uma baixa discreta e moderada da visão. Caracteriza-se por alterações vasculares retinianas, com o surgimento de hemorragias e vazamentos que provocam edemas e diminuição da visão, caso atinjam área da mácula (zona da retina responsável pela visão central).

Retinopatia Diabética Proliferativa (Isquêmica): Apesar de ser menos comum, é a mais agressiva e prejudicial à visão. Caracteriza-se pelo aparecimento de áreas na retina sem irrigação (isquemia), que promovem o surgimento de novos casos para substituir os danificados. Esses vasos se rompem com facilidade por serem mais frágeis, podendo levar a uma perda visual total ocasionada pelo deslocamento tracional da retina e/ou hemorragias vítreas.

Doenças que podem atingir o olho

·         Toxoplasmose, Rubéola, Aids, Tuberculose, Herpes simples, Sífilis e outras doenças infecciosas atacam mais a retina e a coróide.

·         Reumatismo, Esclerose múltipla e outras doenças auto-imunes prejudicam a íris.

·         Diabetes, Hipertensão e anemia atingem os vasos da retina.

Sinais e sintomas

A Retinopatia Diabética não provoca dores, sendo muitas vezes silenciosa, impossibilitando o paciente de perceber os sintomas. O sintoma mais frequente da Retinopatia Diabética é a baixa da acuidade visual, que aparece de modo gradativo e, às vezes, de modo súbito  (hemorragia vítrea). A perda visual pode ser um sintoma tardio. Por isso, muitas vezes, o paciente só observa a doença já em estados avançados. Isso ocorre quando a Retinopatia avança sem  atingir a área principal da visão (mácula). Nesse caso, só o oftalmologista pode diagnosticar a doença antes da perda visual.

Diagnóstico

·         Anamnese.

·         Exame oftalmológico

·         Mapeamento da retina (exame com pupila dilatada).

·         Angiografia da retina: (fotografias da retina coloridas e com contraste).

 

Quanto mais cedo é feito o diagnóstico precoce da doença, maiores são as chances de retardar  a evolução  e os efeitos da doença. Pacientes que recebem o diagnóstico mais tardiamente só conseguem controlar a doença por meio de tratamentos invasivos, como injeções e aplicações de laser.

 

Pesquisadores  da USP constataram que  antes de danificar os vasos sanguíneos, o diabetes interfere na comunicação elétrica entre os neurônios da retina. Essa interferência, que se manifesta antes que ocorram as primeiras lesões, pode ser identificada por exames específicos.

 

Atenção:  Qualquer doença ocular só deve ser diagnosticada por um profissional especializado.  Aos primeiros sinais de qualquer problema visual, procure o oftalmologista. Quanto mais cedo for tratado, maior a chance de cura.

Tratamento

O melhor tratamento da Retinopatia Diabética é a prevenção através de consultas oftalmológicas regulares e  controle rigoroso do nível de açúcar no sangue.

O tratamento correto será indicado pelo oftalmologista, que é o médico especializado  para tratar dos distúrbios e doenças do olho.

Quando a Retinopatia Diabética já está instalada, o tratamento pode ser feito com duas formas básicas: 

·         Tratamento a laser: A fotocoagulação a laser é realizado freqüentemente em pessoas com Retinopatia Diabética, quando apresentam edema importante e com risco de atingir a área nobre da visão (mácula). O laser enfoca a retina lesada, próximo à mácula, para diminuir o vazamento e prevenir uma maior perda visual.

·         VitrectomiaMicrocirurgia que remove a hemorragia juntamente com o líquido vítreo (gelatina que preenche o olho), substituindo-o por outro líquido semelhante e transparente. A vitrectomia é mais indicada nos casos de Retinopatia Proliferativa.

Cuidados preventivos

O bom controle clínico do Diabetes evita o aparecimento ou agravamento da Retinopatia em 50 a 75% dos casos.

·         Manter uma dieta saudável e praticar exercícios físicos.

·         Manter acompanhamento oftalmológico periodicamente.

·         Evitar o fumo.

·         Fazer acompanhamento de colesterol e da pressão sanguínea.

·         Realizar consultas oftalmológicas pelo menos uma vez por ano.


Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o Glossário geral.