SÍNDROME DO PÂNICO


Introdução

A Síndrome do Pânico  é considerada um tipo de transtorno de ansiedade. É caracterizada por ataques de ansiedade recorrentes ou pelo menos um ataque seguido de alterações que persistem por mais de um mês.  Milhões de pessoas vivem uma rotina de angústia pavorosa, com medo de algo ruim possa acontecer de repente. Sem motivo nenhum e sem hora marcada, eles estão sujeitos a paralisar de medo. Sentem o chão sumir, a morte se aproximar, a respiração faltar. O coração dispara, a respiração fica difícil, os tremores tomam conta do corpo, sensações de frio e de calor percorrem o corpo e a pele fica úmida.  A crise pode acontecer em casa, no trabalho, no supermercado, no trânsito.

Por causa da doença, muitos desenvolvem o medo de sempre sentir medo. Isolam-se em casa, deixam o trabalho, os amigos e anseiam pelo fim desse sofrimento. A maioria das pessoas com a crise estão na faixa etária dos 20 aos 40 anos  e se encontram na melhor fase da vida profissional.  Geralmente, essas pessoas são extremamente produtivas, assumem grandes responsabilidade e afazeres ao mesmo tempo, são perfeccionistas, muito exigentes consigo mesma e não gostam de improvisações e erros. A ansiedade, o medo e o pânico são os motivos mais comuns para o início da crise de pânico.

Incidência

·         Mais comum em mulheres do que nos homens, principalmente mulheres jovens.

·         A síndrome é mais comum em adultos jovens.

·         São raros os casos em pessoas idosas e crianças.

·         Pessoas com depressão têm mais suscetibilidade para a Síndrome do pânico.

·         Pesquisas  apontam que de 2 a 4% da população mundial é acometida pela Síndrome do Pânico.

Fisiopatologia

O cérebro produz substâncias chamadas neurotransmissores, responsáveis pela comunicação entre os neurônios (células do sistema nervoso). Estas comunicações formam mensagens que irão determinar a execução de todas as atividades físicas e mentais de nosso organismo. Um desequilíbrio na produção destes neurotransmissores pode levar algumas partes do cérebro a transmitir informações e comandos incorretos. Devido a esse desequilíbrio o organismo desencadea uma reação de alerta indevidamente, como se houvesse realmente uma ameaça concreta.

Basicamente, é isso que ocorre a nível orgânico numa crise de Pânico: uma informação incorreta, decorrente de uma disfunção dos neurotransmissores, alertando e preparando o organismo para uma ameaça ou perigo que na realidade e concretamente não existe.

Causas

·         Predisposição genética: pessoas com parente de primeiro grau portador da síndrome, têm mais chance de sofrer de pânico.

·         Abuso de medicamentos: alguns tipos de medicamentos e substâncias podem contribuir como fator desencadeante da  primeira crise.

·         Abuso de anfetaminas.

·         Drogas ilícitas (cocaína, maconha, crack, ecstasy etc.).

·         Stress acentuado.

·         Depressão grave.

Evolução

Depois de uma crise de pânico, a pessoa pode desenvolver  medos irracionais, chamados de fobias, às situações que desencadearam o ataque, e daí em diante, começam  a evitar as circunstâncias supostamente capazes de desencadear novas crises.  O nível de ansiedade e o medo de uma nova crise vão gradativamente aumentando, até atingir proporções onde a pessoa se torna incapaz de sair de casa. A casa torna-se o seu refúgio, na qual o indivíduo tenta resolver todos os seus problemas e necessidades sem precisar sair de casa. Desta forma, o distúrbio do pânico pode ter um impacto tão grande na vida cotidiana da pessoa como qualquer outra doença grave, que pode interferir na sua qualidade de vida.

 

Características dos portadores

Estudos revelam que a maioria  dos portadores do transtorno do pânico são pessoas com um nível sócio econômico de médio a alto, são competentes profissionalmente,  perfeccionistas, têm um bom nível de criatividade, se preocupam demasiadamente com os problemas do dia a dia, são extremamente exigentes tanto com as outras pessoas como consigo mesmo, gostam de estar no controle da situação, pensam sempre em se superar  e são desconfiadas.

 

Fatores desencadeantes

São aquelas situações em que deram início à primeira crise. Geralmente, os portadores de transtorno do pânico relatam as seguintes situações que contribui para o aparecimento da crise de pânico:

·         Morte de uma pessoa próxima muito querida.

·         Morte de filho pais ou avôs.

·         Acidente automobilístico, geralmente com vítimas.

·         Afogamento.

·         Dispensa do trabalho sem motivo.

·         Desemprego por longo tempo.

·         Stress.

·         Problemas financeiros graves.

·         Diagnóstico de doença  fatal (ex. Aids, câncer).

Sinais e sintomas

Quando o indivíduo está prestes a ter uma crise de pânico,  ocorre uma liberação da adrenalina. A adrenalina é que causa as seguintes reações e sintomas físicos no indivíduo:

 

Sintomas durante a crise:

·         Suor intenso.

·         Tremores.

·         Palidez.

·         Boca seca.

·         Sensação de angústia.

·         Rubor facial (rosto vermelho).

·         Tontura: porque o cérebro não consegue ser oxigenado adequadamente.

·         Taquicardia: os batimentos cardíacos aceleram.

·         Formigamento nos braços e nas mãos.

·         A respiração fica ofegante, curta e há sensação de falta de ar.

·         Sensação de que a morte está próxima.

 

Os sintomas podem variar de acordo com cada pessoa. A crise leva alguns minutos, e costumam ser inesperadas, podendo surpreender o paciente em ocasiões variadas, ou pode ocorrer em determinadas situações.

Nas crises que possuem duração variada, o paciente chega a apresentar muitos sintomas de uma única vez, podendo apresentar muitos sintomas de uma única vez, podendo ter desmaios e um quadro de hipertensão.

Quando a crise tem início, a pessoa não tem como impedir a evolução.

Após a crise, o indivíduo se sente perdido, desorientado, cansado e com dificuldades de concentração.

Diagnóstico

Para caracterizar o Transtorno do pânico, é necessário que o indivíduo tenha crises freqüentes, com pelo menos quatro dos sintomas abaixo:

 

Manifestações físicas:

·         Taquicardia (batimentos cardíacos acelerados).

·         Sudorese.

·         Tremores ou abalos.

·         Sensação de falta de ar.

·         Dor ou desconforto no tórax.

·         Náusea ou dor no abdome.

·         Tontura.

 

Manifestações psicológicas:

·         Estranheza diante do mundo ou com relação a si mesmo.

·         Medo de perder o controle ou enlouquecer

·         Medo de morrer

Tratamento

Especialista:  Psiquiatra e Psicólogo.

Objetivos: Remissão total das crises e evitar as recaídas.

 

Atualmente, maiores informações sobre o Transtorno do pânico, contribuem para a criação de estratégias de tratamento mais eficientes. Quanto mais se desvenda o mecanismo da doença, maiores as chances de criar um tratamento eficaz.

Tratamento medicamentoso:  Os medicamentos mais utilizados  são os antidepressivos e os inibidores seletivos de recaptação de serotonina.

 

Tratamento psicoterápico:  Através da Psicoterapia Cognitiva Comportamental, que consiste na compreensão pelo paciente, do mecanismo de aparecimento dos sintomas e exposição às situações desencadeantes de maneira controlada e repetitiva, com o propósito de gerar um controle sobre eles.

 

Tratamento psicológico:  O apoio psicológico e o estado emocional do portador são importantes para o sucesso do tratamento contra a síndrome do pânico, porque a depressão e as fobias podem se instalar, influenciando negativamente no tratamento.

 

Obs:  O Transtorno do pânico precisa sempre estar controlado e o paciente deve ter um acompanhamento durante alguns anos. Alguns conseguem se livrar dos remédios e da terapia, porém isso só é possível, quando se consegue detectar as situações de risco e ter um autocontrole para superá-las.

Seqüelas

Depois do tratamento:

·         Dependência de medicamentos.

·         Medo da crise voltar.

·         Depressão leve.

Sem tratamento:

·         Hipocondria.

·         Fobias.

·         Tentativas de suicídio.

·         Depressão patológica.

·         Introspecção.

·         Mal-estar geral.

·         Dificuldade gradativa de concentração.

·         Stress crônico.

·         Risco de morte por causa cardiovasculares: isso decorre de um estado de hiperatividade crônica aumentando a  adrenalina, mantendo a freqüência cardíaca alta na maior parte do dia.

·         Desenvolvimento de hipertensão arterial.

Terapias alternativas

·         Técnicas de relaxamento.

·         Técnicas de respiração.

·         Terapia em grupo.

·         Yoga.

·         Acupuntura.

·         Praticar exercícios físicos e natação.

·         Caminhadas.


Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o Glossário psiquiátrico.