DOENÇA DE ALEXANDER


Definição

A Doença de Alexander é uma patologia neurodegenerativa rara, que pertence ao grupo das leucodistrofias, que tem como característica a destruição progressiva da substância branca do cérebro. É causada pela alteração na proteína glial fibrilar ácida que se acumula nas células astrogliais, o que leva à formação das fibras de Rosenthal, as quais prejudicam o funcionamento das células. A doença é considerada um transtorno autossômico recessivo progressivo da substância branca cortical. É uma doença de fundo genético, e geralmente, costuma se manifestar na primeira infância apresentando sinais de atraso mental, convulsões e anormalidades físicas.

A doença causa retardo mental grave e tetraplegias espásticas, afetando o desenvolvimento psicomotor da criança. Não tem cura e geralmente é fatal.

Sinonímia

A Doença de Alexander também é conhecida pelo nome de Síndrome de Alexander.

Histórico

A  doença foi descrita em 1949, por William Stuart Alexander e Dorothy Rusell, no London Hospital

Predominância

A doença afeta os lactentes e as crianças.

Transmissão

É transmitido pela mutação no gene autossômico recessivo GFAP, que é responsável pelo cromossomo (17q21) que codifica a proteína glial fibrilar ácida. A mutação altera o desenvolvimento da bainha de mielina do sistema nervoso central que está localizada na substância branca. A destruição da substância branca é acompanhada pela formação de tecido fibroso e estruturas que são conhecidas como fibras de Rosenthal.

Formas

A ocorrência da doença pode se apresentar em duas formas:

·         Forma infantil: é a mais comum; começa desde o nascimento até os dois primeiros anos de vida; aproximadamente tem em média a duração de 3 anos desde o aparecimento dos sintomas, isto é, a morte do paciente se dá nesse período; pode cursar com ou sem a macrocefalia; a forma infantil representa cerca de 63% dos casos, segundo a Organização Mundial de Saúde-OMS.

·         Forma juvenil:  tem os seus primeiros sinais entre os  4 aos 10 anos de idade. Tem uma duração média de 8 anos, isto é, o óbito da criança se dá nesse período.  A forma juvenil representa cerca de 24% dos casos, segundo a OMS.

·         Forma adulta: são poucos os casos, mas quando acontecem as manifestações clínicas e físicas costumam ocorrer em média a partir dos 15 anos de idade.

Obs: Existem casos de portadores da doença que podem viver até os 35 anos de idade, essa condição pode ocorrer quando a doença se apresenta  depois dos 15 anos de idade. A deterioração mental e as anormalidades físicas são mais lentas nesses portadores da doença quando ela manifesta-se na forma mais tardia.

Quadro clínico

Algumas manifestações clínicas desta doença se tornam  mais evidentes entre o segundo e o  quarto anos de vida da criança. Nessa fase a doença já esta com o quadro clínico avançado.

Forma infantil: aparece desde o nascimento até os 2 anos de idade.

·         Retardo mental.

·         Macrocefalia.

·         Hidrocefalia.

·         Convulsões.

·         Disfagia (dificuldade de deglutição).

·         Espasticidade.

·         Atraso no desenvolvimento psicomotor.

·         Demência.

Obs: Os portadores da doença que apresentam macrocefalia têm maiores dificuldades para deambular, falar e a deterioração mental são muito mais rápida e progressiva.

Forma juvenil:  aparecimento dos sintomas entre os 4 e 10 anos de vida; devido a progressão mais lenta da doença as manifestações clínicas junto com  o declínio mental são bem mais demoradas, mais quando se manifestam são bem mais intensas.

·         fraqueza;

·         perda de controle dos membros superiores e mais intensamente dos membros inferiores;

·         disfagia;

·         dificuldade para fala;

·         episódios de vômitos;

·         ataxia;

·         distúrbios do sono.

Forma adulta: todos os sintomas da forma juvenil, acompanhados de uma progressão lenta da deterioração mental e física.

Diagnóstico

·         Anamnese

·         Exame físico.

·         Exame clínico.

·         Exames laboratoriais

·         Exames radiológicos.

·         Ressonância magnética do crânio.

·         Tomografia computadorizada.

·         Testes genéticos.

Tratamento

 Não existe tratamento específico para essa síndrome.  O tratamento é apenas sintomático conforme os sintomas apresentados e suas intercorrências.

Em alguns casos, foi tentado o transplante de medula, mas, sem êxito. Existem alguns estudos científicos em curso para o uso da terapia de células tronco.

 

Prognóstico:

O prognóstico dependerá do quadro clínico e na idade  do aparecimento dos sintomas.

A expectativa de vida de alguns portadores da Doença de Alexander é em média até os 10 anos de vida. 

Em média a criança morre após um ano do nascimento, quando a doença se apresenta nos primeiros três meses de vida ou logo após o nascimento.

Caso a deterioração mental e física, seja muito acentuada, logo nos primeiros anos, a expectativa de vida é de apenas alguns anos, logo após os sintomas neurológicos.


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