BEBÊ DE MÃE VICIADA EM DROGAS


Definição

O bebê de mãe viciada em drogas, é aquele nascido de mãe dependente de drogas lícitas ou ilícitas, que usa a droga, ou drogas, em dosagens diversas e por períodos longos, durante a gravidez ou em alguns casos particulares três meses antes de engravidar. Algumas drogas usadas pela mãe podem atravessar a barreira placentária e penetrar na circulação fetal, causando sérios riscos ao feto. Em alguns casos pode ocasionar aborto fetal, e em outros o bebê pode nascer com várias complicações  que podem até causar risco de vida para o recém-nascido. Algumas complicações podem ser a longo prazo.

Os bebês nascidos de mães viciadas no uso de drogas durante a gravidez, podem nascer também dependentes da droga usada pela mãe, com baixo peso, prematuros ou já nascerem com lesões  e deficiências mentais, neurológicas e físicas. As crianças que foram geradas enquanto a mãe fazia uso de drogas, também podem ter maiores dificuldades para aprender e podem ter um crescimento abaixo do normal, do que as crianças geradas por mães que não fizeram uso de drogas  antes e nem durante a gravidez.

As conseqüências e seqüelas da droga no organismo do bebê dependerão da quantidade,  forma de administração (as injetáveis são as que causam maiores complicações), duração do hábito materno e dos tipos de drogas que a mãe usou durante a gravidez.

Início dos sintomas

·        Cocaína: algumas horas após  o nascimento, dependendo da quantidade de droga que a mãe tomou  antes do parto.

·        Heroína: algumas horas após o nascimento até  3  a 4 dias.

·        Metadona: 7 a 10 dias após o nascimento, até algumas semanas de vida. A metadona é um tipo de opióide narcótico sintético de longa duração. É sintetizada em laboratório.

Tipos de drogas e os efeitos no bebê

Cocaína: A cocaína é uma das drogas ilícitas que mais causam problemas graves, tanto na gestante como no seu bebê. O uso da cocaína durante o período de gravidez, pode contribuir para várias conseqüências a curto e em longo prazo para a criança. Dentro do útero a cocaína atravessa a placenta e alcança o feto em desenvolvimento. A alteração das funções dos neurônios ou conexões de neurônios pode resultar da exposição à droga durante os estágios críticos do desenvolvimento do cérebro do feto.  O uso da cocaína  e dependendo dessa quantidade no sangue da mãe, pode resultar em descolamento prévio da placenta.  O aumento da mortalidade pré-natal em adolescentes viciadas, pode ser atribuída em grande parte, ao vicio da cocaína.

Cigarro / tabaco: Na gravidez, o consumo do tabaco pode trazer sérias conseqüências ao feto, já que ele absorve, antes mesmo de nascer, as substâncias tóxicas do cigarro através da placenta. Por causa disso, o feto pode nascer abaixo do peso e da estatura normais, além de haver o risco de alterações neurológicas consideráveis no futuro recém-nascido. Aborto espontâneo e complicações são riscos maiores entre gestantes que fumam. As substâncias tóxicas do cigarro aparecem também no leite materno de mães fumantes.  O tabagismo materno é uma causa bem demonstrada de retardo do crescimento intra-uterino.

Heroína:  Os opiáceos são substâncias derivadas da papoula. A codeína e a morfina são derivadas do ópio, e a partir destas produz-se a heroína. Mulheres grávidas dependentes de opióides podem ter dificuldades durante a gravidez e o parto. As ocorrências mais comuns são: anemia, doenças cardíacas, diabetes, pneumonia e hepatite. Há também uma maior incidência de abortos espontâneos e nascimentos prematuros. Os recém-nascidos de mães dependentes de opióides geralmente são menores e mostram sinais de infecção aguda. Os opióides têm capacidade de ultrapassar a barreira placentária e a barreira hematoencefálica imatura do feto, causando depressão respiratória de maneira mais intensa que no adulto. A maioria dos recém-nascidos apresenta variados graus de sintomas de abstinência. A mortalidade entre estas crianças é maior que a normal.

Crack: A gestante que usa o crack durante o período da gravidez tem uma maior incidência para o aborto natural e nascimento prematuro.  Os bebês de mães viciadas em crack durante a gravidez apresentam cérebro menor, choram de dor quando tocados ou expostos à luz e têm uma maior dificuldade para sugar o peito da mãe. À medida que vão crescendo apresentam maior dificuldade tanto para falar como para andar. Muitas crianças mais tarde apresentam uma dificuldade de aprendizado mais acentuada.

Sinais e sintomas

Os graus dos sintomas de privação no recém-nascido podem estar relacionados à duração do hábito materno, ao tipo  e dosagem da droga, e ao índice da droga no organismo materno, imediatamente antes do parto. Quanto mais próximo do momento do parto, a mãe tenha recebido a última dose da droga, e quanto maior a duração do seu hábito e maior a dose requerida, mais duradoura e mais intensa serão os sintomas de privação no bebê.

Os bebês de mães viciadas geralmente podem nascer prematuros antes dos 9 meses, ou pequenos para a idade gestacional.  Ocorre uma incidência alta de nascimentos de bebês prematuros de alto risco, quando a mãe é uma dependente química ativa. 

Fase inicial:  Os sinais e sintomas dessa fase podem ser verificados logo após o nascimento, ou depois de alguns dias, geralmente as manifestações clínicas do recém-nascido, dependem da dependência e quantidade da droga no organismo materno.

·        choro estridente, prolongado e persistente;

·        tremores bruscos e oscilatórios;

·        agitação;

·        ansiedade e dificuldade de mamar.

Fase aguda: Os sinais e sintomas dependem muito da droga que a mãe usou no período da gravidez, as drogas injetáveis causam sintomas mais rápidos no recém-nascido, do que as drogas inaladas, em muitos casos logo após o nascimento

·        choro insistente e estridente; pode ser causado por cólicas devido a privação da droga;

·        sucção oral vigorosa e ineficaz, causando uma alimentação ineficiente e conseqüentemente desnutrição;

·        lacrimejamento excessivo;

·        sudorese;

·        salivação excessiva;

·        dispnéia;

·        espirros;

·        vômitos;

·        diarréia;

·        desidratação (pode ser causada pela diarréia e vômitos);

·        rigidez muscular;

·        hipotermia;

·        bocejos;

·        letargia;

·        dificuldade respiratória;

·        convulsões (com a privação de metadona);

·        taquipnéia com alcalose respiratória associada;

·        reflexos exagerados.

Obs:  Recém-nascidos de mães viciadas durante o período de gravidez em drogas tipo LSD, em alguns casos podem nascer com sérios defeitos físicos.

Diagnóstico

Se  a mãe durante o pré-natal informou ao médico da sua condição de dependente química, quando ocorrer o nascimento, o obstetra já saberá com antecedência que aquele recém-nascido pode nascer com alguns comprometimentos, devido a existência da droga no seu organismo. Caso a mãe não forneça informações sobre sua dependência química, o diagnóstico só será feito provavelmente quando o recém-nascido manifestar sinais de privação da droga.

·        Anamnese   rigorosa da mãe, para tentar descobrir todos os detalhes a respeito da ingestão de drogas.

·        Exame físico.

·        Exame clínico.

·        Exames laboratoriais.

·        Coleta de urina para teste toxicológico, nas primeiras 24 horas de vida.

·        Teste de sífilis.

·        Coleta de sangue do cordão umbilical.

·        Observar a ocorrência de Critérios de Kahn de tremor e irritabilidade.

Grau I  -  sinais evidentes, mas brandos.

Grau II -  sinais acentuados, mas só quando o bebê é perturbado.

Grau III - sinais acentuados, a intervalos freqüentes, mesmo quando o bebê não é perturbado.

Tratamento

O tratamento pode ser baseado também no tipo de droga que a mãe usou. Com essa comprovação através de testes, é que a terapia medicamentosa será mais eficiente.

·        Terapia com drogas, para aliviar os sinais de abstinência, infelizmente, em alguns casos graves é necessário. A duração da terapia, usando dosagens decrescentes, pode ser de 4 a 40 dias.

·        Se o recém-nascido for prematuro, adotar os cuidados gerais para um bebê prematuro; se for prematuro de alto-risco, o recém-nascido deve ser assistido em uma UTI neonatal.

·        Deve-se ficar atento aos sinais de Insuficiência respiratória, que acontece com alguma freqüência em bebês de mãe viciada em drogas, principalmente a injetável.

·        Durante o internamento do bebê,  o pessoal de enfermagem deve ficar atento às atitudes da mãe, com o recém-nascido.

·        A mãe viciada em drogas químicas não pode amamentar o bebê, pois algumas drogas podem ser metabolizadas no leite materno.

·        Deve-se evitar manipular muito o bebê, eles se irritam facilmente.

Obs:  Se a mãe continua dependente de drogas, ela deve também ser tratada ou no hospital ou em alguma instituição que possa lhe dar tratamento.

Complicações

·        Prematuridade

·        Crescimento intra-uterino retardado; criança pequena para a idade gestacional.

·        Anoxia fetal com aspiração de mecônio.

·        Síndrome da morte súbita.

·        Síndrome da abstinência fetal.

·        Infecção associada a doença venérea da mãe.

·        Infecção bacteriana secundária.

·        Septicemia.

·        Depressão respiratória.

·        Insuficiência cardíaca.

·        Alterações renais graves.

·        Convulsões.

Seqüelas

As seqüelas na criança geralmente dependem da quantidade, tipo de droga e o período que a mãe usou: se foi só no início da gravidez depois parou; se foi durante toda a gravidez; se foi nos últimos meses de gravidez. O tratamento que foi dispensado ao recém-nascido também é importantíssimo, para tentar reverter as complicações e futuras seqüelas na criança.

·        Desenvolvimento psicomotor anormal, devido ao crescimento intra-uterino retardado.

·        Distúrbios do comportamento, como hiperatividade, incapacidade de atenção, acessos  de raiva, irritabilidade constante.

·        Muitos bebês são irritáveis e inquietos durante muitos meses após o nascimento.

·        Transtornos psíquicos.

·        Problemas respiratórios no decorrer da infância.

·        Estatura baixa.

Obs:  O ambiente instável que a mãe viciada proporciona a criança, é uma das principais ameaças à saúde, integridade física e ao desenvolvimento da criança.

Orientação aos pais

Se a mãe aceita a idéia de reabilitação em uma clínica especializada para dependentes químicos, o pai junto com a sua família deve cuidar do bebê, enquanto a mãe estiver em tratamento.  Essa fase deveria ser acompanhada por uma assistente social.

Caso, tanto a mãe como o pai ,sejam dependentes químicos, e não queiram passar por uma reabilitação,  o hospital deve entrar em contato com os outros familiares e com o  Juizado de Menores, para que este tome as medidas cabíveis, quanto à guarda da criança. O ambiente instável proporcionado por pais dependentes químicos pode ser uma ameaça ao bem-estar físico e desenvolvimento do bebê.


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