SÍNDROME DE WEST
Definição
A Síndrome de West é uma patologia neurológica. É um tipo raro de epilepsia, chamada de "epilepsia mioclônica". A Síndrome de West apresenta como características essenciais a tríade: espasmos musculares, deterioração mental e um traçado eletroencefalográfico patognômico (hipsarritmia). O início ocorre habitualmente, entre os três e oito meses de idade. Os espasmos podem ocorrer tanto durante o sono como em estados de vigília (acordados), sendo que o período mais crítico para as convulsões, ocorre nos estados de transição entre o sono e a vigília. A frequência das crises diminui com o passar da idade, sendo raras após os cinco anos. O curso da doença é variável.
Sinonímia
A Síndrome de West também é conhecida pelos seguintes nomes:
· Encefalopatia de West.
· Encefalopatia infantil mioclônica com hipsarritmia.
· Espasmos em flexão.
· Espasmos infantis com retardo mental.
· Espasmos mioclônicos maciços.
· Espasmos saudatórios ou Tiques de Salaam.
Incidência
· Mais frequente no sexo masculino, na proporção de 2:1.
· Aproximadamente, 90% dos casos têm o início no primeiro ano de vida.
· Não há predomínio quanto a incidência em determinados grupos raciais.
Causas
Quanto à etiologia, a Síndrome de West pode ser classificada como sintomática (etiologia determinada) ou criptogênica (etiologia não determinada).
Em aproximadamente 80% dos casos, a Síndrome de West é secundária, isto é, depende de uma lesão cerebral orgânica. Em 20% dos casos, não se consegue identificar uma lesão cerebral orgânica como substrato da síndrome de West; é a chamada forma idiopática da síndrome. Em muitos casos, é possível determinar a etiologia da síndrome:
· Encefalites causadas por vírus.
· Anoxia neonatal.
· Traumatismo de parto.
· Toxoplasmose congênita.
· Fenilcetonúria.
· Síndrome de Aicardi.
· Esclerose Tuberosa de Bourneville.
Sinais e sintomas
Geralmente, os pais notam que o filho tem algum problema, após os três meses de vida. A criança apresenta espasmos e atraso no desenvolvimento. Logo após, aparecem as convulsões características da doença e os problemas neurológicos.
Convulsões: As crises convulsivas são traduzidas por espasmos ou uma salva de espasmos, com as seguintes características: flexão súbita da cabeça, com abdução dos membros superiores e flexão das pernas (espasmo mioclônico maciço); é comum a emissão de um grito por ocasião do espasmo. Cada crise dura em média um segundo. Às vezes, a crise é representada apenas pela flexão da cabeça e do tronco (Tique de Salaam ou "espasmo saudatório"). As crises são freqüentes, particularmente durante a vigília, podendo chegar até a uma centena ou mais por dia.
Diagnóstico
· Anamnese.
· Quadro clínico.
· Exame físico.
· Exame neurológico.
· Exame psiquiátrico.
· Exames laboratoriais.
· Teste de triagem de erros inatos do metabolismo.
· EEG - Eletroencefalograma.
· TC - Tomografia Computadorizada.
· RNM - Ressonância Magnética.
O EEG, ao lado do quadro clínico, é fundamental para o diagnóstico, recebendo o traçado anormal, o nome de hipsarritmia (desorganização da atividade de base e ondas lentas de elevada amplitude). O EEG se caracteriza pelo seu aspecto anárquico, com ondas de grande amplitude, lentas e pontas-ondas lentas; não há ritmo de base organizado.
No início, o diagnóstico não é fácil, sendo os espasmos confundidos com cólicas ou com o reflexo de Moro.
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial deve se feito para que a Síndrome de West, não seja confundida com outras patologias com quadro clínico semelhante. Através dos exames clínico, físico, neurológico, laboratoriais e estudos radiológicos, o médico pode excluir algumas doenças, até chegar ao diagnóstico correto. A doença que pode ser confundida com a Síndrome de West é a seguinte:
· Síndrome de Lennox-Gastaut
Tratamento
Não existe tratamento específico para essa patologia. O tratamento é sintomático, conforme os sintomas apresentados e suas intercorrências.
O tratamento para a Síndrome de West é basicamente medicamentoso, através de esteroides na grande maioria dos casos. Em casos selecionados o tratamento cirúrgico pode ser uma opção.
Tratamento medicamentoso: O tratamento deve ser orientado sobretudo com ACTH (hormônio Adrenocorticotrófico), que deverá ser administrado por via intramuscular, diariamente, na dose de 6 a 8UI/kg durante duas semanas.
O efeito do tratamento sobre as crises e o traçado eletrencefalográfico pode ser rápido (observado já na primeira semana de tratamento). Nestes casos, as doses do ACTH devem ser reduzidas e um derivado benzodiazepínico deve ser introduzido (clonazepam). No caso de insucesso do benzodiazepínico, a alternativa é o valproato de sódio.
Drogas GABAérgica, como a vigabatrina e a tiagabina, podem ser usadas para o controle das crises parciais e espasmos infantis. Mas, podem causar retinopatia grave. O risco/benefício deve ser bem avaliado.
Dietoterapia: A criança deve ser submetida a dieta hipossódica, e deve receber uma suplementação de cloreto de potássio.
Administração de vitamina B6 em altas doses.
O tratamento deve ter um rigoroso controle médico e monitoramento cardiopediátrico. Os efeitos colaterais do tratamento afetam todo o organismo da criança, inclusive o sistema imunológico.
Efeitos colaterais do tratamento corticoterápico:
· Aumento da PIC (pressão intra-craniana).
· Distúrbios eletrolíticos.
· Ganho excessivo de peso.
· Hipertensão.
· Irritabilidade.
· Maior susceptibilidade a infecções.
· Osteoporose.
· Problemas cardíacos.
O retardo mental que acompanha a síndrome pode ser evitado pelo tratamento precoce do quadro clínico, que a criança apresenta. Mas, na grande maioria dos casos, o tratamento é iniciado quando o comprometimento cerebral já está bastante comprometido.
Tratamento psiquiátrico é necessário, dependendo da gravidade do caso.
Tratamento neurológico é necessário.
Tratamento fisioterápico, na grande maioria dos casos é necessário.
Tratamento fonoaudiológico pode ser necessário, em alguns portadores da síndrome.
Prognóstico: A síndrome apresenta prognóstico geralmente desfavorável, com freqüente desenvolvimento cognitivo deficitário e aparecimento de várias seqüelas, conforme a criança vai crescendo, mesmo após controladas as crises.
Complicações
Uma pequena porcentagem de crianças tem como complicação as crises de grande mal (convulsões generalizadas, nas quais o corpo todo estremece numa série de curtos espasmos). Essas convulsões generalizadas e diárias, interferem e comprometem a qualidade de vida da criança.
Seqüelas
· Retardo mental.
· Crises convulsivas freqüentes.
· Forma de epilepsia com freqüência do tipo Lennox-Gastaut.
· Paralisia.
· Surdez.
· Mudez.
· Distúrbio do sono, apresentando intensa dificuldade para dormir.
· Irritabilidade constante.
· Choro constante (alguns casos).
· Comprometimento respiratório.
Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o Glossário geral.