COMPULSÃO ALIMENTAR


Transtornos alimentares

Os Transtornos Alimentares são definidos como desvios do comportamento alimentar, que podem levar ao emagrecimento extremo (caquexia) ou à obesidade, entre outros problemas físicos e incapacidades. Os Transtornos Alimentares são todos aqueles que se caracterizam por apresentar alterações graves na conduta alimentar. As mulheres são as grandes vítimas dos transtornos alimentares. Os Transtornos Alimentares na área psiquiátrica, são definidos como quadros psiquiátricos que afetam principalmente, adolescentes e adultos jovens do sexo feminino, provocando aumento de morbidade e mortalidade nessa população.

Introdução

A Compulsão Alimentar é definida atualmente por ingestão em um período limitado (curto) de tempo, de uma quantidade de alimentos, definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria num período similar, sob circunstâncias similares, com sentimento de falta de controle sobre o consumo alimentar durante o episódio, mas sem o sentimento de culpa. A Compulsão alimentar ou comer compulsivo, refere-se à pessoa que come grande quantidade de alimentos rapidamente, perde o controle e não consegue interromper a refeição, mesmo quando se sente estufada ou plenamente saciada. Para caracterizar esse comer como doença, é preciso que o episódio ocorra, pelo menos duas vezes por semana. Pessoas com a compulsão alimentar perdem o controle durante o ato de comer.

Incidência

·         A compulsão alimentar tem maior incidência entre os 18 e 35 anos de idade.

·         Incidência maior entre as mulheres do que nos homens.

·         A compulsão alimentar pode levar à obesidade.

·         Pacientes obesos com compulsão alimentar apresentam uma maior propensão a desenvolver co-morbidades.

Diferença entre a Compulsão alimentar e o Transtorno da compulsão alimentar periódica

Na compulsão alimentar  o indivíduo apresenta o comer compulsivo, sem o sentimento de culpa, enquanto no transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) o indivíduo apresenta a compulsão alimentar e logo após, apresenta um sentimento de culpa, que o corroe por dentro e deixa-o angustiado, por ter perdido o controle enquanto comia.

Outro fator diferencial é que a compulsão alimentar não é considerada uma doença propriamente dita, enquanto a TCAP é  considerada uma doença psiquiátrica.

A compulsão alimentar pode ser um comportamento eventual, que não apresenta  tanto incômodo ao indivíduo, e sim, uma certa preocupação (devido a obesidade) que o leva a procurar algum tipo de tratamento, enquanto o  transtorno da compulsão alimentar periódica, deixa o seu portador, angustiado, depressivo e ansioso, por ter perdido o controle, quando estava comendo compulsivamente.

Diferenças entre os pacientes de transtornos alimentares

 

ANOREXIA

BULIMIA

COMPULSÃO ALIMENTAR

 TCAP     

Grande maioria de mulheres

Grande maioria de mulheres

Maioria de mulheres, mas há bem mais homens que nos outros transtornos

Maioria de mulheres, mas há bem mais homens que nos outros transtornos

 

Algumas, além de restringir alimentação, vomitam (por auto-indução ou com remédios)

Vomitam (por auto-indução ou com uso de remédios) recorrentemente após episódios compulsivos

Não apresentam vômitos

Não apresentam vômitos

Abusam de diuréticos e laxantes

Algumas abusam  de diuréticos e laxantes

Não usam diuréticos ou laxantes

Não usam diuréticos ou laxantes

 

Apresentam perda de peso grave

Apresentam peso normal ou acima do normal. Depois de algum tempo, podem evoluir para a perda de peso

75% apresentam obesidade

30%  a 40% apresentam obesidade

Possuem  grande  distorção  da   imagem    corporal, tanto própria quanto alheia

Distorção da imagem corporal é menos acentuada

Não há distorção da imagem corporal

Não há distorção da imagem corporal

Negam a fome

Tentam controlar a fome

Alimentam-se normalmente durante o dia, mas têm episódios onde comem em demasiado

Têm episódios recorrentes de comer compulsivo, em qualquer horário

São introvertidas

São mais extrovertidas

São introvertidos

São introvertidos e depressivos

Não tem sentimento de culpa

Sentem-se culpadas por seu comportamento

Não se culpam pelo comportamento

Sentem-se culpadas por seu comportamento

A menstruação pára

A menstruação pode se tornar irregular

A menstruação não sofre qualquer  interferência

A menstruação não sofre qualquer interferência

Podem apresentar problemas afetivos

Podem apresentar problemas afetivos e abuso de álcool, cigarro e drogas

Podem apresentar problemas afetivos

Podem apresentar problemas afetivos

Não apresentam depressão

Podem apresentar quadro de depressão leve

Não apresentam depressão

Apresentam quadros de depressão moderada a grave

 

Tratamento

Médico especialista: Endocrinologista e Psicólogo.

Objetivos: Reeducação alimentar e prevenir o aparecimento dos episódios.

Dietoterapia: Reeducação alimentar:  Através da reeducação alimentar tenta-se adequar alimentos de valor calórico corretos e horários de refeição também corretos. Redução das calorias diárias também é necessário.

Tratamento psicológico:  No caso em que o fator psicológico desencadeia a compulsão alimentar, é preciso trabalhar o sentimento de frustração, a autocrítica e a auto-avaliação como forma de prevenir o comportamento compulsivo.  O tratamento psicoterápico cognitivo-comportamental ajuda a desenvolver comportamentos que previnem o aparecimento desses episódios.

Obs: Caso a reeducação alimentar e o tratamento psicoterápico não proporcionem bons resultados, é necessário entrar com o tratamento medicamentoso.

Sequelas

·         Obesidade: A pessoa se torna obesa, porque aumentam o nível do metabolismo para uma ingestão calórica muito alta.

·         Problemas gástricos: gastrite e hérnia de hiato.

·         Insuficiência cardíaca.

·         Problemas vasculares.

·         estrias na pele.

·         Cálculo renal: ocorre quando a pessoa consome muito cálcio.

·         Diminuição da capacidade respiratória.

Transtornos alimentares e a Psicologia

Os propósitos psicológicos certamente se relacionam com o mundo interno da pessoa e seu ambiente familiar. Sempre existe algo  para além do desejo de emagrecer ou o comer compulsivo. Os transtornos alimentares não dizem respeito somente à comida. Há nitidamente um segundo ganho, pois os transtornos  alimentares são na realidade, defesas inconscientes sobre o desafio de enfrentar a vida. Esta foi a forma encontrada por essas pessoas para lidar com pensamentos, sentimentos difíceis para si, como por exemplo, morte de uma pessoa querida, perdas, maus tratos, violência, abuso sexual, etc.

 

Por estar diretamente relacionada  com os transtornos alimentares, fisiologicamente, o estresse passou  a ser o representante emocional da ansiedade. Psicologicamente, a ansiedade pode mobilizar as atividades psíquicas e comprometer desde a atenção e memória, até a realidade. Em geral, as pessoas não tem consciência e não conseguem relacionar os eventos de sua estória de vida com seus transtornos atuais.  No caminho para a cura, o afeto familiar, aliado à ajuda profissional, é o que conta para o doente aceitar o próprio corpo, gordo ou magro. Sentir-se aceito e protegido ajuda a romper o círculo vicioso de excesso e privação alimentar.


Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o glossário geral.