OXIURÍASE
Definição
A Oxiuríase é uma helmintíase intestinal causada por um nematóide que parasita o intestino humano (ceco, cólon ascendente, apêndice e reto), ocorrendo o parasitismo com maior freqüência nas crianças do que nos adultos. Caracteriza-se pelo intenso prurido anal ou vulvar. Predomina nas regiões de clima temperado. É um parasita exclusivo do homem que evolui diretamente, sem intervenção de hospedeiro intermediário.
A infecção e a reinfecção são comuns entre as crianças, principalmente as que vivem em ambiente coletivos. O difícil é evitar as reiteradas reinfecções pela facilidade de sua transmissão, a falta de higiene em alguns casos, principalmente em habitações coletivas também contribui para as reinfecções. É uma helmintíase de baixo grau de morbidade, mas alta prevalência.
Sinonímia
É uma doença também conhecida pelos nomes de:
Enterobíase.
Enterobiose.
Oxiurose.
Bicho-de-bolsa.
Comichão.
Caseira.
Incidência
As crianças são mais afetadas do que os adultos.
As mais altas incidências ocorrem nos grupos de crianças que ocupam grandes dormitórios.
Predomina mais nos climas temperados.
Com frequência todos os habitantes de uma casa se contaminam.
Agente etiológico
Enterobius vermicularis ou Oxyuris vermicularis.
Características do verme
É um nematóide pequeno, afilado de cor branca.
O macho mede de 3 a 5mm e a fêmea de 8 a 12mm de comprimento.
A fêmea grávida migra para o intestino grosso e deposita ovos na pele da região perianal.
A fêmea pode produzir cerca de 5.000 a 15.000 ovos.
O verme é tão fininho que parece com um curto fio de linha branca, podendo ser vistos a olho nu, dependendo do tamanho.
Hospedeiro
O homem.
Localização
Tem preferência pelo ceco (limite do intestino delgado e o intestino grosso) e o apêndice cecal, mas nas primeiras fases de sua vida localizam-se na última porção do intestino delgado, ou seja, o íleo.
Ciclo evolutivo
Quando os ovos de Oxyuros vermicularis são ingeridos ou inalados e posteriormente deglutidos chegam ao duodeno, onde dão origem a larvas rabditóides, que começam a se desenvolver e crescer passando por vários processos até chegar a forma adulta do verme; estes completam seu desenvolvimento no intestino grosso; os vermes copulam e as fêmeas cheias de ovos migram do ceco para o reto; durante a noite geralmente atravessam o ânus, ficando algumas presas na região perineal. essas fêmeas presas se ressecam e morrem. Seus corpos então se rompem, libertando os milhares de ovos. Assim se completa a vida do helminto, todo esse processo dura de 35 a 50 dias.
Transmissão
Transmissão passiva:
Direta da região anal para a boca; este processo é muito comum nas crianças provocando infecções bastante severas; essa transmissão também pode acontecer nos adultos quase exclusivamente por falta de higiene.
Indireta pela contaminação de alimentos através das mãos contendo ovos.
Transmissão através da poeira é processo bastante comum, verificado nas escolas e em habitações coletivas.
Contato com roupas íntimas do corpo ou da cama contaminadas.
Fatores que contribuem para o contágio
Maus hábitos higiênicos.
Uso de roupas sujas.
Maior confinamento em dormitórios. coletivos.
Costume de compartilhar lençóis e roupas de cama.
Banhos menos freqüentes (o indivíduo com enterobíase deve tomar banho pelo menos 3 vezes ao dia).
Sinais e sintomas
Na maioria dos casos é assintomático, sendo que a principal manifestação clínica que o paciente se queixa é o prurido anal ou vulvar.
fase aguda:
prurido anal acentuado mais à noite, devido à migração noturna de fêmeas grávidas, a partir do ânus e a deposição dos ovos nas pregas cutâneas perianais; a margem do ânus apresenta-se vermelha, congestionada coberta de pequenos pontos hemorrágicos, recoberta por vezes de muco, que chega a ser sanguinolento;
inflamação na região anal;
prurido vulvar devido a migração dos oxiúros para a vulva;
vulvovaginite (inflamação da vulva e vagina);
insônia;
pesadelos;
irritabilidade;
secreção nasal;
anemia;
palidez;
enurese noturna;
disenteria;
inapetência;
perda de peso.
Obs: Na esfera genital, a irritação pode causar um erotismo exagerado com uma excitação sexual e onanismo.
Manifestações digestivas: são raras na maioria dos casos, geralmente são resultantes da fixação dos vermes na mucosa intestinal.
dor abdominal;
diarréia;
náuseas e vômitos.
Diagnóstico
Exame físico.
Exame clínico.
Exames laboratoriais principalmente o exame de fezes.
Exame de material retirado debaixo das unhas.
Pesquisa de ovos por raspagem perianal.
Técnica de Graham.
Tratamento
Objetivo: É a erradicação da parasitose, sendo que as orientações de higiene são fundamentais para o sucesso do tratamento.
Especifíco: existe tratamento medicamentoso sob indicação médica para o combate ao verme.
Alguns medicamentos podem causar uma coloração vermelho-vivo nas fezes, esse alerta deve ser dado pelo médico ao paciente e a sua família.
Todos os membros da família devem ser tratados no mesmo dia para evitar a infecção cruzada.
Banhos de chuveiro logo no início do dia é eficiente contra a parasitose, os ovos acumulados na região perineal são levados com a água.
Durante o tratamento o doente deve dormir sozinho.
Lavar as mãos frequentemente durante o período de tratamento.
Durante o tratamento as unhas devem ser cortadas bem rentes, pois as unhas longas podem reter ovos.
Lavar a região anal sempre que for ao sanitário e ao levantar-se pela manhã.
Aplicar medicamento ou pomada na região anal, para evitar a dispersão dos ovos e para melhorar o prurido anal.
Tratamento deve ser administrado a todas as pessoas infectadas da família ou de grupos comunitários, de outro modo, haverá reinfecção repetida.
Em alguns pacientes, o verme adulto pode ser visto como um "fio bem curto de linha branca" movimentando-se na região perianal ou nas fezes recentes.
método simples para a detecção dos ovos na região perianal:
Corta-se um pedaço de fita adesiva de celofone de largura média.
Estenda sobre a pele da região perianal logo pela manhã, quando a criança despertar.
Retira-se a fita e colE sobre uma lâmina que é examinada ao microscópio.
Esse método pode identificar e visualizar os vermes.
Esse método deve ser feito durante uma semana.
Se for uma criança que esteja doente deve-se ensinar o método aos pais.
Em alguns casos pode-se visualizar os vermes na fita.
A colheita de material deve ser realizada logo após o paciente ter acordado, antes da higiene pessoal matinal e da evacuação. De preferência o paciente deve estar ainda no leito.
Não devem ser feitas aplicações de medicamentos tópicos na região anal, na véspera do exame.
Controle de cura: a cura da doença se dá quando o anal swab com fita adesiva de celofane tiverem seis exames negativos, porque não é fácil encontrar os ovos no exame parasitológico de fezes.
Complicação
Eventualmente podem causar apendicite, quando se localiza no apêndice cecal.
Colite crônica.
Profilaxia
Para se prevenir a doença é necessário que se observem meticulosos cuidados higiênicos, especialmente com as mãos e que se eliminem as fontes de infecção, através do tratamento dos parasitados.
medidas sanitárias:
Instalação de Postos de Saúde em áreas carentes.
Campanhas preventivas por parte do governo.
Educação sanitária e de higiene por parte dos agentes comunitários.
Métodos de transmissão deverão ser explicados aos familiares, e instituídos antes do tratamento.
medidas gerais:
Higiene corporal rigorosa; quando a família utiliza esponja para o banho, essa deve ser individual e não coletiva.
Manter o corpo sempre asseado e limpo.
Trocar as roupas de cama freqüentemente.
As roupas do portador devem se trocadas diariamente e não devem ser colocadas no roupeiro, devem ser colocadas num saco para posteriormente serem lavadas separadamente e passadas com o ferro bem quente.
Limpeza dos dormitórios ou quartos diariamente.
Não se deve sacudir os lençóis da cama, estes devem ser enrolados e retirados da cama para serem lavados separadamente, nunca junto com as roupas do restante da casa.
Assentos das privadas devem ser lavados diariamente com desinfetante; quando o portador é um adulto logo após usar o assento pode passar um pouco de álcool a 70% no local.
Manter as unhas sempre limpas e aparadas; evitar roer as unhas.
Lavar as mãos; as unhas devem ser escovadas pela manhã ao levantar e depois de cada evacuação.
Lavar as mãos antes de pegar em alimentos, frutas e antes das refeições.
Lavar as mãos freqüentemente durante o período de tratamento.
Não andar descalço.
Evitar coçar a região anal quando se é portador de vermes.
Lavar as mãos e as nádegas das crianças quando acordarem e depois de evacuarem.
Crianças que usam fraldas, de preferência nessa fase devem ser usadas as fraldas descartáveis.
Crianças pequenas devem dormir com um macacão para dificultar a contaminação dos dedos.
A pessoa infectada deve dormir sempre sozinha.
Adulto responsável deve evitar relação sexual quando está em tratamento, para não contaminar seu parceiro ou parceira.
Obs: Esses vermes podem ser observados principalmente à noite ou quando a criança for se deitar, após 1 a 2 horas examina-se a região anal da criança com uma lanterna de bolso; os vermes são brancos, espessos como uma agulha e muito ativos; nas meninas também se observa irritação na área da vagina.
Dúvidas de termos técnicos e expressões, consulte o Glossário geral.